quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Haverá alguma mudança com Camilo Capiberibe?

O estado do Amapá, lugar da chuva, em tupi, dorme no setentrião brasileiro banhado pelo oceano Atlântico e o maior rio do mundo, o Amazonas. É o mundo das águas. Sua costa mede 598 quilômetros. O rio Amazonas leva o húmus da Hileia até o Caribe, enriquecendo os manguezais e o mar com nutrientes para o maior aglomerado de fauna aquática do planeta, que explode na Amazônia Azul setentrional – Amapá e Pará. Região belíssima, o Amapá é um convite ao turismo, ao sol equatorial, aos rios, à culinária paraense, aos ritmos caribenhos, ao céu profundamente azul, aos inúmeros peixes, ao mar.

E no entanto a esmagadora maioria da sua população, de 626.609 habitantes (IBGE-2009) em 16 municípios, é pobre. Com PIB em torno de R$ 6 bilhões, o Amapá tem sido apresentado na mídia nacional como um estado onde a corrupção é endêmica.

Mas seu potencial é imenso, e não é difícil desenvolvê-lo. Em primeiro lugar, é necessário que se crie na sua universidade federal cursos de oceanografia e de engenharia naval e da pesca, paralelamente a um parque industrial voltado para a produção pesqueira e construção de navios, bem como a federalização do Porto de Santana, o mais estratégico da Amazônia, porque é o mais próximo dos mercados norte-americano, europeu e asiático (via Canal do Panamá).

É necessário que a Marinha de Guerra vigie toda a Amazônia Azul amapaense, pois por ser o maior banco de pescados e frutos do mar do planeta, é a zona preferida da pirataria internacional.

Outro ponto crucial, do qual inclusive dependerá a construção de estaleiros, parques industriais, portos e hidrovias, é a geração de energia elétrica, que pode ser extraída do sol, do vento e das ondas do mar, e até mesmo da foz do rio Amazonas.

A construção definitiva da BR-156, que perpassa o Amapá de sul a norte, ligando Macapá, a capital, à Caiena, na Guiana Francesa, é vital para a economia do estado. A propósito, essa rodovia, federal, está em construção há meio século, e tem sido uma mina para ladrões de verbas públicas.

Importante, também, é o desenvolvimento de um trabalho de inteligência, como política do estado, para identificar e neutralizar as diversas máfias que atuam principalmente em Macapá, roubando de merenda escolar a verbas para a construção de aeroporto, de álcool e Anador a equipamentos hospitalares sofisticados, levando à morte em massa de bebês, estudantes e pacientes. É preciso ainda estancar o tráfico de drogas e de crianças para escravidão sexual na fronteira com a Guiana Francesa e na divisa com o estado do Pará.

É claro, o ensino deve receber a maior fatia do Orçamento, num esforço contínuo, e nunca desestimulado, para que os jovens amapaenses sejam os melhor preparados do país em humanidade, cultura, pesquisa e tecnologia.

Agora mesmo foi eleito um jovem de 38 anos governador do Amapá, Camilo Capiberibe. Quem sabe está nas mãos desse rapaz o desenvolvimento do Amapá? Quem sabe ele entenda que o papel de um governador é tornar próspero o povo e não apenas a família do governante, é o de desenvolver o estado e não apenas enriquecer os apaniguados do governo, é o de administrar com lisura e competência as finanças públicas e não abrir o erário para que a politicalha se esbalde.

Digo isso porque sou amapaense, e jornalista. Acompanho o dia-a-dia do Amapá desde sempre, e, como estudioso da Amazônia, estou especialmente de olho na minha terra natal. Morar fora não quer dizer que, na era da informática, não estejamos vendo tudo o que está se passando. Às vezes sabemos de detalhes que nem a maioria da população local nota. O fato é que, até agora, os governadores do Amapá têm sido uma sucessão de fracassos. Vamos ver como será com Camilo Capiberibe.

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