sábado, 27 de novembro de 2010

O homem que mais entende de Amazônia em todo o planeta

Qualquer estudioso que pretenda entender o Brasil não pode se furtar a compreender também a Amazônia, a mais rica província biológica e mineral do planeta, e de uma beleza arrebatadora para quem aprende a vê-la além do coração das trevas. E o cânone para entender a Amazônia lista cinco escritores paraenses: os romancistas Dalcídio Jurandir e Benedicto Monteiro, ambos mortos; e o poeta e ensaísta João de Jesus Paes Loureiro, o ensaísta Vicente Salles e o ensaísta e jornalista Lúcio Flávio Pinto. É de Lúcio Flávio Pinto que vou falar.

Ele é um dos mais importantes jornalistas brasileiros e o intelectual que mergulhou mais profundamente nos tecidos da Amazônia, até conhecê-la tão intimamente, e transmitir isso com tanta propriedade, que seu Jornal Pessoal e seus livros se tornaram consulta obrigatória de estudiosos e do stablishment, principalmente o stablishment do estado do Pará, especialmente os que têm pavor da sua caneta.

Lúcio Flávio Pinto nasceu em Santarém, em 23 de setembro de 1949. Jornalista profissional desde 1966, trabalhou em algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Em 1988, deixou a grande imprensa para se dedicar ao Jornal Pessoal, newsletter quinzenal que escreve sozinho desde a primeira quinzena de setembro de 1987, em Belém, tornando-se a publicação alternativa de existência mais duradoura do país.

Lúcio Flávio Pinto recusa publicidade no Jornal Pessoal, que sobrevive da venda avulsa, sobretudo em bancas de revista e livrarias de Belém, a mais importante cidade da Amazônia, com 1,5 milhão de habitantes. O Jornal Pessoal, em formato ofício, tem 12 páginas e não tem fotos.

Certas informações e abordagens sobre a Amazônia só aparecem no Jornal Pessoal, razão pela qual Lúcio Flávio Pinto é vítima de implacável perseguição dos donos do poder. Já sofreu mais de 30 processos na Justiça do Pará e foi condenado quatro vezes pelo crime de escrever a verdade, vivendo em um Estado mergulhado na Idade Média, região bárbara de um país violento. Lúcio Flávio Pinto já foi surrado em público e só continua vivo porque se tornou maior do que o Pará.

Sociólogo, formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1973), foi professor visitante (1983/1984) no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida, em Gainesville, Estados Unidos, e foi professor visitante no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) e no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que, em 1988, considerou o Jornal Pessoal a melhor publicação do Norte e Nordeste do país. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace. Em 2005, recebeu o prêmio anual do Comittee for Jornalists Protection, de Nova York, pela defesa da Amazônia e dos direitos humanos.

Tem 12 livros publicados, todos sobre a Amazônia, os últimos dos quais são: Hidrelétricas na Amazônia, Internacionalização da Amazônia, CVRD: A sigla do enclave na Amazônia, Guerra Amazônica, Jornalismo na linha de tiro e Contra o Poder.

O site www.lucioflaviopinto.com.br contém as edições do Jornal Pessoal, “disponíveis para consultas por todos aqueles que se interessam pela Amazônia e pelo jornalismo independente”. Todo acervo da publicação vem sendo, aos poucos, disponibilizado no site.

O Jornal Pessoal sobrevive também de colaborações. Se você quiser contribuir, deve depositar sua colaboração na seguinte conta bancária:

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Um comentário:

  1. No Estado do Pará, sobrevive uma casta, que depende diretamente do orçamento público.

    A especialidade é subtrair do orçamento em benefício próprio.

    Fico aqui com meus botões, a pensar uma estratégia, similar a da operação conjunta do complexo do Alemão, que pudesse fazer frente a tamanha covardia desta casta, contra a população miserável de minha Terra natal.

    Estou aguardando o dia em que as pessoas de bem se revoltem e passem a agir de forma implacável:

    (1) Expropriação judicial dos bens adquiridos ilicitamente;
    (2) Relação de corruptos, com impedimento de assunção de cargos na administração pública;
    (3)Gravame no CPF, proibicção de operações bancarias e financeiras.

    O pior é que estas sugestões ja fazem parte de nosso ordenamento jurídico;

    O pior é que o Judiciário/Ministério Público é o poder mais comprometido com esta forma de enriquecimento sem causa,
    pra não dizer enriquecimento ilícito.

    Wagner Figueira
    Bel. em Direito/CEUB 1994
    Escola da Magistratura do DF 1999
    Candidato a Deputado Federal PV no Pará em 2006
    Candidato a Vereador de Altamira 2008

    nos tempos vagos é
    Tenente-Coronel mais antigo da ativa na PMDF
    9333 2450

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