domingo, 14 de novembro de 2010

O símbolo perdido

Ao ler O símbolo perdido (Sextante, Rio de Janeiro, 2009, 489 páginas), de Dan Brown, autor de O código da Vinci. Encerrei uma fase da minha vida.

Dan Brown não é nenhum estilista; é um extraordinário escritor de tramas policiais, que prendem da primeira à quatrocentésima-octogésima-nona página, como é o caso de O símbolo perdido, de tirar o fôlego, vertiginoso e surpreendente a cada página. Americano de meia idade, Dan Brown é casado com uma historiadora da arte, que o ajuda nas pesquisas que alicerçam seus livros, e certamente é iniciado em esoterismo. Munido de conhecimentos dessa doutrina, da mecânica de organizações de inteligência estatais e de confrarias misteriosas, ele recheia de peripécias pós-modernas um enredo simples. E está montada a trama.

No caso de O símbolo perdido, o enredo é absolutamente simples. A CIA, a agência de inteligência americana, recebe um ultimato: ou entrega uma determinada informação a um tipo que parece saído de Hollywood, ou serão disponibilizados na internet alguns vídeos que causarão um cataclismo nos Estados Unidos. O resto são 489 páginas surpreendentes.

Contudo este livro não encerrou uma fase da minha vida por causa disso. É que foi por seu intermédio que compreendi claramente algo que perpassa a obra do filósofo japonês e criador da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi. Algo já revelado também por Albert Einstein: que o Universo, tal qual nós o conhecemos, é integralmente feito de energia.

Em O símbolo perdido, uma cientista faz experimentos no contexto da Noética. Ela anda atrás de conhecer o poder da mente. Aí é que entra Masaharu Taniguchi. Foi ele que esclareceu a mim que o mundo fenomênico, o mundo material, tangível pelos cinco sentidos, é apenas sombra da mente. Desse modo, a mente tem o poder de moldar o mundo fenomênico. Mas como fará isso?

Pelo pensamento. Mas são necessários dois fatores para que o pensamento funcione como energia: combustível e ação. O combustível é a força moral - ética -, e a ação é fé. A fé remove montanhas.

Assim, Dan Brown me fez entender o que eu já vinha estudando em Masaharu Taniguchi.

A fórmula do sucesso literário – Já que estamos falando de Dan Brown, também li dele Anjos e Demônios (Sextante, Rio de Janeiro, 2009, 416 páginas), um thriller mirabolante. Não largamos o livro até terminá-lo, mesmo que já tenha passado da meia-noite e tenhamos que levantar cedo no dia seguinte.

Na linha de O Código da Vinci e O símbolo perdido, Anjos e Demônios é uma incursão em profundidade no Vaticano e uma aula sobre anti-matéria, sob fio condutor surpreendente a cada capítulo, numa história que envolve arte, ciência, política, filosofia e loucura.

Um terrorista ameaça varrer o Vaticano do mapa com uma bomba várias vezes mais potente do que a de Hiroshima. Ele conta com um assassino determinado para concretizar seu plano, mas não contava com a aparição do professor de Simbologia Religiosa na Universidade de Harvard, o americano Robert Langdon, e com a biofísica italiana Vittoria Vetra.

A mais perfeita modalidade de arte, a literatura, leva vantagem sobre suas seis irmãs porque seu instrumento, a palavra, é, por si só, criador, e, se for utilizado com maestria, é capaz de criar cenários que nem o cinema tecnológico de ponta de Hollywood sonha chegar perto. Assim, se o escritor tiver uma boa ideia na cabeça e dominar tanto a matéria-prima daquele trabalho quanto o idioma com o qual escreve, e também for publicado no mercado americano, só não fará sucesso se não quiser. O Código da Vince que o diga.


Brasília, dezembro de 2009

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