segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tudo muda para nada mudar

A ex-guerrilheira e ex-ministra da Casa Civil, a petista Dilma Vana Rousseff, 62 anos, foi eleita dia 31 de outubro a quadragésima presidente da República, com 55.752.421 votos (56,05%), contra 43.711.111 (43,95%) votos obtidos pelo candidato tucano, José Serra, 68 anos, ex-governador de São Paulo. Ela é uma incógnita. Criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 65 anos, que jogou na lama qualquer dignidade que lhe restasse como presidente para elegê-la, Dilma foi cinzelada para esquentar a cadeira de Lula até sua volta em 2014, quando ele pretende concorrer de novo à Presidência. O que ele queria mesmo era mudar a Constituição para tentar se reeleger ao terceiro mandato consecutivo, ou mesmo perpetuar-se no poder, como seu ídolo cubano, o ditador Fidel Castro, ou o ditador venezuelano Hugo Chávez, outro ídolo de Lula.

O fato é que Lula usou a máquina do Estado sem nenhum pudor, e passou por cima da legislação eleitoral no afã de eleger Dilma. O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso chamou isso de “uso escandaloso da máquina pública”. Lula, num de seus desvarios, afirmou: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”. Quando a eleição para presidente foi para o segundo turno, Lula, e o PT, se apavoraram. A máquina do Estado está aparelhada, loteada, partidarizada, politizada, principalmente a Petrobras, filé do PT. Com Dilma, o PT vai querer a Vale também, outro mimo que Lula não conseguiu.

O senador tucano Tasso Jereissati, que não conseguiu se reeleger, declarou ao jornal O Globo que o país viverá graves problemas. “Já passou do ponto que era só fisiologismo. Já virou balcão de negócios, a situação vai ficar muito grave. Fisiologismo era quando os partidos trocavam (apoio) por cargos. Agora, a maioria dessas trocas está sendo feita com ambição de lucro” – afirmou o senador cearence.

Lula já “aconselhou” Dilma a manter Guido Mantega no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Se ela não for rápida, Lula acabará escalando metade do ministério. A outra metade está reservada pelo PMDB, partido voraz, que apoia qualquer presidente, desde que reparta com ele os dividendos.

Segundo a Folha, Lula também deu conselho à Dilma sobre o destino de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha dela. Lula quer Palocci comandando a Casa Civil. Palocci é aquele notório que caiu no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo. É muito identificado com Lula.

Segundo ainda a Folha, se Palocci não for para a Casa Civil, crescem as chances de Paulo Bernardo (Planejamento) e de Alexandre Padilha (Relações Institucionais) de ocupar o posto. Padilha é também cotado para ser o novo chefe de gabinete da Presidência. Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, deve ocupar a pasta dos Direitos Humanos ou outro cargo no Palácio do Planalto, como a Secretaria-Geral.

Pelo visto Dilma não terá que se preocupar com a montagem de sua equipe, mas com as investigações sobre o esquema de tráfico de influência na Casa Civil e a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. O fantasma de Erenice Guerra, a ladina ex-chefe da Casa Civil, assombra Dilma. Em setembro, a revista Veja, a mais influente do país, revelou que a família de Erenice intermediou contratos milionários entre empresários e órgãos do governo, mediante pagamento de propina. Cinco dias após Veja denunciar o esquema de aparelhamento do estado, Erenice caiu.

Quanto à quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato derrotado do PSDB, José Serra, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado como o responsável por encomendar as violações de sigilo, insinuou em seus depoimentos que o deputado estadual Rui Falcão (PT) foi o responsável pelo vazamento do material de espionagem organizado pela pré-campanha de Dilma.

E se Dilma não for a marionete que Lula pensa que ela é?

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