quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Lula já vai ficando irrelevante

O presidente Lula é da mesma têmpera de José Sarney: camaleônico e não larga o osso. Lula queria fazer igual seu ídolo, o patrimonialista esquerdopata Hugo Chávez, que se perpetua no poder na Venezuela, onde a imprensa foi dizimada e o povo passa fome. Mas como o Brasil não é a Venezuela, Lula teve que se submeter à alternância no poder. Assim, usou descaradamente a máquina e deu uma banana para a Justiça Eleitoral (a Justiça Eleitoral fez que não viu) para eleger uma marionete sua sucessora, Dilma Roussef. Assim, Lula já está formando o “novo” ministério e continua na sua incontinência verbal como se não tivesse que largar a cadeira presidencial em 1 de janeiro de 2011.

A História, contudo, mostra que poder não se divide. Rei morto, rei posto. Por hora, Dilma é apenas presidente eleita. Por mais que se diga que Lula voltará em 2014, que Dilma Rousseff é fantoche, que quem manda em Dilma é o PT e Lula manda e desmanda no PT, isso e aquilo outro, a partir de 1 de janeiro de 2011 Lula será ex-presidente. Prosseguirá na sua algaravia, que é o que lhe restará, mas patrimonialistas, puxa-sacos, mensaleiros, vampiros, fisiologistas, nepotistas, oportunistas de todos os calibres, e José Sarney, se distanciarão de Lula, para se concentrarem em fazer a corte à Dilma Rousseff. Aliás já é o que estão fazendo. De modo que Lula vai ficando irrelevante.

Se Dilma Rousseff surpreender seu criador e colocar o Brasil nos trilhos será muito bacana, pois aí o país crescerá de verdade. Em artigo - “A longevidade da moeda criada em 1994 é a prova mais contundente de que Lula mente” -, de 24 de novembro de 2010, publicado na sua coluna, Direto ao Ponto, na Veja.com, o jornalista Augusto Nunes, que reputo um dos mais lúcidos do país, escreve:

“Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram quase todos os antecessores desde os anos 50. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado. Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo. Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque da troca de nome com zeros a menos, aposentou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro.

“Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real. Em julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Em circulação há 16 anos, a moeda continua exibindo a saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação selvagem.

“Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, derrotaram o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração à cédula de 100 reais, nada mudou.

“Recebi um país em péssima situação”, vive mentindo Lula. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, vive mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, segue espancando os fatos para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão: quem tem menos de 25 anos nem faz ideia do que é inflação.

“Em paragens menos embrutecidas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma estão livres desse perigo: há 16 anos, os brasileiros não jogam fora sequer moedas de 5 centavos. A julgar por seu desempenho na campanha eleitoral de 2010, a oposição oficial nunca soube disso”.

Coletei esse trecho do artigo de Augusto Nunes para falar da oposição. Além de pegar um país com sua moeda estabilizada e economia sob marco regulatório, Lula navegou durante oito anos em céu de brigadeiro, enquanto o ninho do PSDB, partido que supostamente lhe faria oposição, esteve sempre cheio demais de tucanos emplumados, arrogantes, que não sabem levar às massas que nenhum povo vive muito tempo apenas de bolsas, de paternalismo. Depois da esmola, vêm fome braba, doenças e guerra civil. Democracia social só é possível com desenvolvimento sustentável, o que é impossível das ditaduras, mesmo nas brancas.

Não é possível que o PSDB continue em cima do muro, na soberba. É hora de a oposição mostrar ao PT que está ciente do que é stalinismo e que é capaz de traduzir para o povão o que é isso. Nesse contexto, cabe, naturalmente, a Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, comandar a oposição, até porque Aécio é o nome com maiores chances de chegar à presidência da República em 2014, até onde se possa ver no sempre movediço tabuleiro político.

Os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin; de Minas Gerais, Antonio Anastasia; e o de Goiás, Marconi Perillo, deverão ser a távola redonda de Aécio Neves. Simão Jatene, governador eleito do Pará, o mais importante estado da Amazônia, deveria fazer parte dessa mesa, mas não parece ter esse tipo de força de vontade. Diga-se que para os tucanos voltarem ao poder no Pará tiveram uma grande aliada, a governador petista Ana Júlia Carepa, a mais inacreditável incompetência já vista neste país de Lula.

Quem ainda defendia a Amazônia era o senador Arthur Virgílio Neto, do Amazonas, líder do PSDB no Senado. Lula foi em cima e conseguiu que não o reelegessem. Lula também tentou barrar a eleição de Marconi Perillo ao governo de Goiás, estado que Marconi tirou da Idade Média quando foi governador por duas vezes. E foi Marconi que sugeriu a Lula unificar as bolsas populares e o avisou do Mensalão (esquema de corrupção na Câmara dos Deputados comandado pelo PT). Por isso, Lula se tornou inimigo figadal de Marconi e pôs a máquina federal em prol de Iris Rezende, do PMDB, que também queria voltar ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, que Iris governou também por duas vezes. Assim, o senador tucano teve que enfrentar a máquina federal, a máquina do estado de Goiás, nas mãos de um aliado de Lula, e as máquinas dos três maiores municípios do estado – Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis -, todas as três nas mãos de aliados de Lula. Marconi foi eleito.

O fato é que Dilma Rousseff não poderá falar grosso. Para governar um país do tamanho do Brasil, com instituições civis fortes e na era da informática, terá que conversar. É remota a possibilidade de ditadura no país. O stalinismo está morto. Hugo Chávez está morto e não sabe. Fidel Castro foi mumificado. As quadrilhas não são mais comunistas ou nazistas. Estamos no pós-modernismo. Hoje, para Lula, ditadura só a dos ditadores, que, ambicioso, ele afaga mundo afora, principalmente numa conhecida ilha do Caribe.

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