sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Hosni Mubaraki, Lula, Zé Sarney, Crocuta crocuta, tucanos, Dilma Rousseff e bando. Ou, simplesmente, saco de hienas

Hosni Mubaraki lamenta que Lula não tenha conseguido um terceiro mandato. Reeleito, O Cara já teria ido falar com o povo egípcio, assim como convenceu o povo brasileiro de que Zé Sarney está acima do bem e do mal. Afinal, povo é povo. Bem, O Cara conseguiu algo inacreditável: que Zé Sarney continuasse grudado na presidência do Senado Federal, instituição que o marimbondo transformou na casa dos horrores. Mas a imprensa já esqueceu do lamaçal.

Se Hosni Mubaraki não raspasse cuidadosamente a carranca dele, e cultivasse bigode português, poderia ser confundido com Zé Sarney, embora, de certa forma, os dois tenham semelhanças: ambos estão mumificados, cada qual à sua maneira – enquanto Mubarak é um espécime de Crocuta crocuta, Zé Sarney é da família dos Chamaeleonidae. Outra diferença: no Brasil, as múmias continuam no meio dos vivos, como se não fossem apenas perispírito; no Egito são evisceradas. Com certeza os facões já estão prontos para Mubaraki. Semelhança: tanto os patrimonialistas como os ditadores são tão apegados ao poder e a dinheiro que morrem (geralmente do coração) e continuam vagando na Terra, e mesmo mortos sentem os vermes roendo suas carcaças sob os sete palmos. No caso de Mubaraki, será empalhado, para que todo egípcio possa ver que o monstro não passa de um reles gorila. Como todo ditador.

Os tucanos bem que tiveram a chance de estancar a sangria desatada que mina o país desde que os portugueses colocaram os tamancos aqui, mas que se agravou a partir de 2003. Tiveram a chance já no primeiro mandato do Cara. Mas os tucanos botam ovos de serpente. O ninho tucano é um serpentário. Agora mesmo, com o país mergulhando no atoleiro em que O Cara o deixou, continuam se bicando, se achando. Égua! Certa vez um tucano emplumado, ou seja, da aristocracia da aristocracia, me disse que os “quadros” do PSDB formam a elite brasileira. Deve ser, porque de povo essa ave não entende nada. Há dois líderes tucanos que são a salvação da lavoura, e podem ser a salvação do Brasil, caso a “oposição” pare de se bicar e se concentre em apoiá-los: o senador Aécio Neves, de Minas Gerais, e o governador Marconi Perillo, de Goiás. Prestem atenção neles!

A Amazônia tinha um líder no Congresso Nacional, Arthur Virgílio Neto, ex-senador pelo Amazonas. Batia de frente com O Cara, mas foi se meter também com Zé Sarney. Não deu outra, O Cara pediu a cabeça dele ao povo amazonense. Se O Cara já estava partindo para 90% de aplausos no país, no Amazonas ele atingiu a unanimidade. O que Lula pedir aos amazonenses ele terá.

Agora, o tucano mais emplumado da Amazônia é Simão Jatene, governador do Pará, o estado mais importante da Hileia. O estado é tão rico que continua em pé apesar dos seus governadores. Só para lembrar os últimos, Jader Barbalho cuidou de ficar milionário; Hélio Gueiros foi um equívoco completo; Almir Gabriel enlouqueceu de tanto fumar; Ana Júlia Carepa só tem um neurônio (sinapses são inexistentes nela); e Simão Jatene é um aristocrata cercado de puxa-sacos tão experientes que suas bocas se transformaram em ventosas.

Além disso, Zé Sarney, que é do Maranhão, caiu de paraquedas na Amazônia, via Amapá, onde mamadores dos mais diversos calibres e a indiarada carrega o camaleão numa cadeira pelas ruas de Macapá, alguns cobrindo-o com folhas de palmeira para que a pele viperina não descame, lembrando o imperador João VI nas ruas do Rio de Janeiro. O MDB foi a base da recente democracia brasileira, mas se transformou numa Taenia solium. Zé Sarney é o símbolo mais bem acabado do PTPMDB.

Dilma Rousseff, preposta do Cara, mostrou claramente a que veio. Confirmou o engenheiro Flávio Decat para presidir Furnas Centrais Elétricas. Segundo observou o jornal O Estado de S.Paulo, a montagem da cúpula do setor elétrico demonstra, de novo, a força de Zé Sarney sobre Dilma Roussef. Flávio Decat é de Sarney e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afilhado de Sarney. Afinal, Zé Sarney se elegeu presidente do Senado pela quarta vez. Muniz Filho, que deverá ir para a Eletronorte, também é afilhado de Sarney. Enquanto isso, o grande problema do Amapá é falta de energia elétrica.

Agência Estado: “O nome de Flávio Decat foi citado em uma das interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) na chamada Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). As gravações mostram que, em 2008, Fernando pediu ao pai auxílio para nomear Decat para um cargo na Eletrobrás, estatal que estava sob a influência do então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), aliado de Sarney. "Manda passar lá no Senado, às 17h30, no meu gabinete", disse o senador, na época. Decat acabou nomeado para uma diretoria da Eletrobrás cerca de três meses após o telefonema interceptado pela PF. Em julho de 2009, a pedido de Fernando Sarney, o jornal O Estado de S.Paulo foi proibido de divulgar informações a respeito da Operação Boi Barrica. Em dezembro daquele ano, o empresário entrou com pedido de desistência da ação, mas o jornal preferiu esperar pelo julgamento do mérito do caso”.

Dilma Rousseff mudou a administração do nosso dinheiro. Antes, era O Cara que administrava nosso rico dinheirinho, geralmente no seu escritório no Lulão, aquele avião que parece o do presidente dos Estados Unidos. Agora, é Dilma Rousseff. Em outras palavras: antes, era um homem que mandava e desmandava no Brasil; agora, é uma mulher. Uma mudança e tanto. Pelo menos Dilma só esteve, até agora, com aquela grande presidente da Argentina.

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