quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cem dias

Dia 10 de abril, a imprensa escrita amanheceu com chamada de capa para os 100 primeiros dias de Dilma Rousseff na Presidência, e os jornais locais com os 100 primeiros dias dos governadores. No contexto federal, nada de novo. O Partido dos Trabalhadores prossegue na ditadura branca, aparelhando o Estado desde a posse de Lula, em 2003. É o discurso mentiroso, descarado, tosco, da farsesca ditadura do proletariado.

Os 100 primeiro dias de Dilma foram a mesma coisa dos 100 dias iniciais de Lula. Tudo mudou para nada mudar. O Brasil será uma potência mundial pela sua potencialidade continental em recursos naturais, a maior do planeta, e não pelos presidentes dos últimos 47 anos, com exceção de Fernando Henrique Cardoso, principalmente porque debelou a inflação, em plano econômico que começou com Itamar Franco; institucionalizou a responsabilidade fiscal; e promoveu privatizações importantes.
Mas desde 1964, temos uma sucessão de nulidades na Presidência. De 1964 a 1985, os generais instalaram uma ditadura. Eleito indiretamente para recomeçar a democracia, Tancredo Neves morreu e no seu lugar assumiu o vice, o camaleônico Zé Sarney, amicíssimo de qualquer sistema político que se instale no país, o maior patrimonialista tupiniquim, nepotista de primeira hora, o presidente do Senado que enlameou a instituição e que agora comanda a “reforma” política.
Depois de Zé Sarney veio um presidente que saiu pela porta dos fundos: Fernando Collor de Mello. Itamar Franco ficou dois anos e FHC, oito. Ajeitaram o país, que despencava ladeira abaixo sem freio. Então, em 2003, assumiu O Cara, uma espécie de Hugo Chávez caboclo. Agora, temos a Presidenta. Se surgisse um estadista como Juscelino Kubitschek estaríamos crescendo mais do que a China, e sem escravidão como política de governo.
O Cara, e agora a Presidenta, nadam a braçadas; nunca tiveram oposição. O PSDB não deveria ser chamado de ninho de tucano, mas quintal de pavão. É um desfile de plumas e paetês. Dá a entender que tem medo do PT, que tem rabo preso. O fato é que os pós-doutores emplumados não sabem direito o que é o Brasil. Deveriam ler mais História, andar incansavelmente pelo sertão e auscultar, cheirar, o povão.
Em suma, os primeiros 100 dias de Dilma confirmam o de sempre: que o PT vem aumentando sua bancada legislativa e no Executivo em todo o país. Desde que o PT foi criado que seu objetivo são quatro: chegar ao poder; não sair mais do poder; ocupar todas as vagas de emprego possíveis, tanto no poder público quando nas empresas privadas (como a Vale); e só fazer negócio (com dinheiro público, diga-se) com quem comungue com o partido.
Em Brasília, os 100 primeiros dias do governador Agnelo Queiroz, que, por acaso, é de uma das alas do PT, também não revelaram nada de novo. O ensino local é o faz de conta de sempre; a Saúde, um matadouro; a violência explode nas ruas esburacadas, inclusive com greve da Polícia Civil; o transporte coletivo é quase sempre sucateado, imundo, ineficiente e caro; a cidade é só camelô, pois o desemprego é altíssimo; e a zona metropolitana de Brasília é aterrorizante, uma das regiões mais violentas do país. Ao anoitecer na maioria dos bairros das cidades de Goiás que cercam Brasília só moradores entram e saem; estranho, se sair vivo, será nu e ferido.
Falar em Entorno de Brasília, quase todo ele goiano, os 100 primeiros dias do governador tucano Marconi Perillo também não têm nada de especial. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Até porque, sem a reforma do Estado, nem em mil dias alguma coisa mudará. E isso vale para todo o continente Brasil.

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