sábado, 16 de abril de 2011

Jovem espetada num gancho de açougue, nua, estuprada e ainda viva

El cazador e El desfile, de Fernando Botero

Dores da Colômbia, 25 óleos sobre tela, 36 desenhos e 6 aquarelas de Fernando Botero, produzidos entre 1999 e 2004 e pertencentes ao Museu Nacional da Colômbia, estão na galeria principal da Caixa Cultural Brasília, de 16 de março até 1 de maio (2011). A Caixa Cultural fica a menos de um quilômetro da rodoviária do Plano Piloto, o ponto mais central de Brasília, e podemos ir da rodoviária à Caixa Cultural, que fica atrás do Banco Central, no Setor Bancário Sul, andando, pois o trajeto conta com calçamento e sinalização de trânsito.
Fernando Botero é genial, um dos maiores pintores vivo do mundo. Trata-se de uma espécie de Gabriel García Márquez do pincel. É um estilista. Suas personagens são gordas e apalermadas – políticos, militares, religiosos, aristocratas -, mas em Dores da Colômbia ele lança um olhar pungente sobre a guerra civil colombiana no período entre 1980 e 1990. “Não vou fazer negócio com a dor da Colômbia” – disse o artista, ao anunciar, em 2000, a decisão de doar os trabalhos desta mostra ao Museu Nacional da Colômbia. “Sou contra a arte como arma de combate. Mas, em vista do drama que atinge a Colômbia, senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história” – declarou Botero. “Estes quadros são uma forma de repudiar a violência.”
Os trabalhos de Dores da Colômbia revelam a violência naquilo que ela tem de mais essencial: a indecência - a mesma indecência que há na visão de uma jovem espetada num gancho de açougue, nua, estuprada e ainda viva.
Desde o assassinato do candidato presidencial Jorge Eliécer Gaitán (1898-1948), favorito nas eleições de 1950, o sangue começou a esguichar com mais força na Colômbia. A partir dos anos de 1960, começou o movimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que hoje é uma quadrilha de traficantes de drogas.
Em sua coluna deste sábado, 16 de abril, publicada em vários órgãos da mídia, um dos mais lúcidos analistas políticos do país, Ruy Fabiano, escreve: “Durante a campanha eleitoral passada, o candidato a vice de José Serra, Índio da Costa, acusou o PT de ligação com as Farc, quadrilha responsável pelo abastecimento de drogas no Brasil, que produz os 50 mil assassinatos anuais, índice de guerra civil”. Adiante: “Na época da campanha Índio foi acusado de extremista, mentiroso, salafrário e coisas do gênero, sem que o teor de suas acusações fosse sequer superficialmente analisado”.
O artigo de Ruy Fabiano, intitulado A rota das armas, é sobre a tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, em que um psicopata assassinou 13 crianças. Zé Sarney aproveitou imediatamente o palco para propor que não se venda mais armas no Brasil. As armas utilizadas pelos bandidos comuns, que matam 50 mil por ano no país, da mesma forma que as armas do assassino de Realengo, são contrabandeadas, Sarney.
A violência no Brasil se assemelha à da Colômbia. Durante os oito anos de governo de Lula, O Cara se abriu para Hugo Chávez, o bufão que está destruindo a Venezuela e que apoia as Farc. Os órgãos de inteligência sabem muito bem disso. Lula se abriu também para Evo Morales, o cocaleiro presidente da Bolívia, que tomou na marra a Petrobras na Bolívia, fechou os olhos para o tráfico de coca para o Brasil e aumentou o preço do gás que move a indústria de São Paulo com a mesma facilidade com que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ex-bispo católico que fez uma penca de filhos, exige mais dinheiro pela energia elétrica de Itaipu, paga, toda ela, pelo Brasil.
O PT trata as Farc como se fossem realmente um grupo guerrilheiro. Mesmo que fosse, o que o Brasil tem a ver com guerrilheiros que querem derrubar uma democracia? O PT estaria querendo criar uma ditadura no Brasil?
Ditaduras não são mais românticas ou mais carniceiras; são, todas elas, a institucionalização do banditismo, do assassinato. São uma jovem esperneando molemente, espetada num gancho de açougue, nua, estuprada e ainda viva.

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