segunda-feira, 30 de maio de 2011

Amazônia sustentável

30 de maio de 2011 - Estou em Porto Velho, Rondônia, representando a Agência Amazônia no II Encontro de Jornalistas do Norte, promovido e patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, de 29 a 31 de maio. Chegarei amanhã à noite em Brasília. A partir de quarta-feira 1, começarei a escrever uma série de matérias analíticas sobre a questão da sustentabilidade (especialmente água) na Amazônia, tema central do encontro. Por ora, daqui a pouco jantarei pescada, e, como sobremesa, pavê de cupuaçu. Estou hospedado no Aquarius Selva Hotel,um quatro estrelas, localizado na antiga Avenida México, quase esquina com a Avenida 7 de Setembro, que corta Porto Velho do rio Madeira, a oeste, a leste da cidade. Até mais!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Deus

As manhãs e o anoitecer são frios e os dias curtos. À noite, as mulheres usam mais roupas, e aumentam o mistério dos seus encantos. Ao pararmos numa cafeteria e degustarmos café arábica, ou pelo menos blend, sentimos seu aroma redentor, misturado ao outono. O curto inverno de Brasília me lembra o Rio de Janeiro, as cafeterias em Copacabana, na companhia dos meus amigos do curso de teatro, as incursões à antiga TV Tupi, os fins de semana em Padre Miguel, as idas ao Primo, na zona metropolitana do Rio, onde tomávamos litros de batida de tudo o quanto se possa imaginar, menos de açaí, porque açaí ainda não estava na moda.

É claro, Brasília é única. É a única cidade do mundo sem esquina, sem calçada, feita para automóveis, embora quase não conte com estacionamentos. Brasília tem muitos subterrâneos, labirintos, mansões atrás de altos muros. É apropriada para reuniões de mafiosos, vampiros, mensaleiros. Uma cidade sob medida para Paulo Salim Maluf, Antonio Palocci, Gilvam Borges, José Roberto Arruda, Joaquim Domingos Roriz, Benedito Domingos, Benício Tavares...

Esquinas, só nos shoppings, cruzamentos sem semáforos, um passa-passa de aviões prestes a levantar voo. À noite, o Setor Hoteleiro Sul se torna um imenso navio cheio de luzes, atravessando, lento, a madrugada. Tudo rescende a jasmim, Chanel 5, ostra e Lacrima Christi do Porto. E tudo leva à mesma sensação de quando vemos uma mulher dentro de um vestido de seda, justo, e sobre sapatos de 14 centímetros de altura, caminhando como potra em assoalho de madeira.
Nossos pensamentos voam, conduzidos por pequenos goles de Lacrima. Pego a Bíblia e retomo a leitura na fuga dos judeus do Egito. O Deus do Velho Testamento é um general vingativo, que conduz os egípcios à morte por afogamento. É um Deus oposto ao dos cristãos, que é amoroso. Para o filósofo japonês Masaharu Taniguchi, Deus é a Grande Luz, o Grande Espírito, a Grande Vida.
Segundo os astrônomos, a Terra gira em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora; o sistema solar gira em torno do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora; a Via Láctea corre para o centro de um conjunto de galáxias vizinhas, o Grupo Local, a 144 mil quilômetros por hora; o Grupo Local caminha para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por hora; e tudo isso segue em direção ao Grande Atrator, a 2,2 milhões de quilômetros por hora. O Grande Atrator é uma superconcentração de galáxias para além da região de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra.
E cá estou, a falar de política. Voamos vertiginosamente e não caímos no espaço sideral. Estou sentado confortavelmente, cercado de livros, o computador e todas as suas possibilidades à minha disposição. Os físicos explicam que não caímos por causa da força de gravidade, mas não sabem o que é a força de gravidade. Masaharu Taniguchi disse que é o éter. Éter é Deus.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De tão azul sangra

Óleo sobre tela, de
Olivar Cunha - 1981


Em agosto de 1994, lancei, em Brasília, o jornal mensal Intelligentsia, que durou até fevereiro do ano seguinte – 7 edições, portanto. Era um tabloide de 16 páginas, parcialmente em cores, diagramado e ilustrado pelo artista gráfico, chargista e pintor André Cerino, e com fotografia de um dos maiores fotógrafos de Brasília, o repórter e ensaísta Ivaldo Cavalcante. O primeiro número causou polêmica nos meios em que o jornal, com 3 mil exemplares, circulou, devido a uma coletânea de poemas eróticos, meus, De tão azul sangra, ilustrada por André Cerino, que carregou no grafite. O trabalho foi um escândalo.
O contista, compositor, ensaísta e jornalista Fernando Canto fez a apresentação da coletânea. Fernando Canto é talvez o intelectual que melhor conheça meu trabalho, tanto por o ler quanto pela convivência que tivemos numa fase fervilhante de nossas vidas. Sugiro que o Fernando Canto e o Manoel Cordeiro coloquem música no poema Bethania, para a Juliele Marques gravar.
Seguem-se os textos publicados no Intelligentsia, sem tirar nem pôr.

Versos profanos

FERNANDO CANTO

Nem fesceninos ao estilo bocageano, nem pornográfico à moda Boris Vian. Contudo, profanos são os novos versos do poeta Ray Cunha. Não no sentido antirreligioso – assim a poesia teria prosélitos fanáticos -, mas no sentido da irreverência, da violação, da transgressão do texto, em cuja tessitura surge o inopinado, que fragmenta, com certeza, a reação dos ouvidos suscetíveis.
Estes poemas, De tão azul sangra, evocam, invocam, enfocam a mulher, aliás, o sexo feminino; a afirmação do adolescente, o orgulho do adulto, ou, talvez, o fruto da observância do mundo mundano – experiência edipiana a penetrar em barreiras antes inacessíveis. Poemas que denotam a sensualidade e detonam-se em palavras lúbricas. Sutis, ás vezes, como em Bethania. Impolidas, como em Olhar para a mulher amadas – um rasgo narcisista,  um produto da consciência machista e desembocadura para o gozo psicológico do autor.
A apologia de Ray Cunha à mulher é feita, então, sem disfarces. Despojada da roupa ela se torna provedora de sentidos, manancial e matéria-prima ao fabricante de versos. Está ali nua, nuinha na sua forma ímpar de ser apenas mulher, vênus perscrutada pela oportuna fresta que faz a felicidade de um voyeur; deusa mítica em seu mistério, desvendada pelo arguto e fulminante olhar e pelo sensível olfato do poeta.
Bem poderia chamar-se Essa Copacabana triste mulher o conjunto desta obra. O melhor poema da coletânea traz o melhor do autor, embora  o contraste do “triste” trace o “ideal” do jovem solitário, qualquer jovem solitário nas praias deste Brasil afora. Essa irreverência trata da socialização do sexo no entendimento paradoxal de que todos possam ser burgueses em bacanais tropicais regadas a coquetéis afrodisíacos, num tempo hedonista que ficou há muito nos salões dos palacetes romanos. É forma compacta de abarcar o mundo. É válido. É poesia. Nela está o sol, o azul do mar no verão. Pois aí o azul que sangra não é o azul do céu. É o azul açoitado pela relação geográfica e íntima entre o sol e o mar. É o  azul afetado pela natureza do gasoso (as nuvens) no espelho sangrado do mar. Mar que sangra, que se esvai, que beija a praia de Copacabana e salga o corpo nu da mulher desejada, da mulher que brilha com a clivagem dos grãos de areia e à noite vai para a cama gemer seu gozo e se sangrar de mar de Copacama. Enorme, a cama de Copacabana.
Nostálgico e terrível é romper o laço em Um cheiro de madrugada. Neste poema Ray Cunha instiga um sentido amargo sobre o que se convenciona chamar de amor. É um trabalho sincero, diria, onde o conteúdo está exposto para o leitor atento; onde nada mais se precisa dizer, pois que a lembrança adquire a possibilidade de entrega a outros caminhos, nos quais existem outros remédios para os males da paixão. É simples, realista.
Ray Cunha ironiza a relação poética entre a morte e a poesia. Morrer na mesa de um bar é produto do inconsciente etilizado. Ser salvo, porém, é dormir com a princesa e metáfora-tônica de um anti-valor, concessão do sono ao acordar de sopetão de um pesadelo borgeano: sensação esquisita, estapafúrdia. Morte e poesia andando juntas, porque o trágico pode ser frenético, fétido e cômico – dura realidade! – exatamente na hora irônica do enforcamento.
Poemas como Sessenta e nove I e II trazem sobretudo o rústico, o rude, o seco mal lixado. São versos extraídos de uma realidade obstinadamente crua, ausentes de recursos semânticos mais elaborados, e duros como a pretensa e voraz virilidade do poeta. Nem por isso ele peca.
Se transgredir é a virtude do recurso, doces são as circunscrições c olocadas em Ah! Se tu fosses minha e nos dois poemas sem títulos que se entrepõem a ele. Chegam á trazer à tona a ingenuidade do poeta, que verdadeiramente ama sua musa de Parnaso, líricos como uma aquarela a Belle-Époque.
Não se pode deixar de enfocar o trato poético-erótico-libidinosos dos classificados de Acompanhantes. O autor ousa de várias maneiras. E coopta o leitor a acompanha-lo em aventuras sexomaníacas de pleno envolvimento. Comunicação, mídia impressa, espurcícia? Não. Mistura de elementos cuidadosamente colocados sob a arquitetura da realidade atual, ossatura forte dos arrabaldes das megalópoles. Assim é a estrutura desse poema. Real. Firme e transparente. Enfoque de uma sociedade periférica desprezada pela tradicional e hipócrita sociedade burguesa. É retrato da nova cultura urbana, nascida, infelizmente, ainda da miséria, da perda de status, de poder aquisitivo e que se torna antepasto para qualquer Sade pós-moderno, certamente. Instigante, claro e azul, o poema  indica água fervendo, páprica picante, poesia nova, e acima de tudo coragem de inovar pela forma e revolucionar pelo conteúdo da ideia.
Esta é a marca poética de Ray Cunha, que sob o céu nas nuvens, descobre que o azul sangra como a vagina menstruada de uma nereida de qualquer gangue dos subúrbios brasileiros.

Bethania
Quisera escrever um poema perfeito
Com versos alexandrinos
Ritmo de soneto.
Sublime.

Soneto livre.
Com poesia
Capaz de me eriçar os pelos
Toda vez que o lesse.

Seria meu templo
O poema
Que profano

Quisera escrever este soneto
No corpo
Da mulher que eu amo.


Esses teus olhos verdes, que fascinam,
Trazem, em certas manhãs, o azul do mar
e, às vezes, são felinos...


Os mares, teus lábios doces, belos
Nesses mares o mistério...
Os lábios, a vida
No corpo o perfume.


Ah! Se tu fosses minha

Ah! Se tu fosses minha!
Partiríamos para o sistema das fadas
Sentados no colo das flores
Tomaríamos néctares divinos.
Depois, cavalgando besouros furta-cores
Navegaríamos num mar transparente
Beijando-nos sem fim.


Sobre teus seios em pensamento

Sobre eles sei muitas coisas
eles são belos
silenciosos brancos e firmes
ao comê-los
dou-lhes beijos
indefinidos pasmo ao contemplar
a beleza dos teus seios
enormes, pontiagudos
templo onde escuto
belisco
o seio te erotizo terrivelmente
tu gozas gozo hermafrodita em ti
ao me sentir te comendo
não há nada mais bonito que teus seios enxutos
duros, erguidos
esperando meu carinho


Poema sem mistério

Vou acalantar-te nesta noite
Vou te dizer coisas carinhosas
E tu e eu seremos dois amantes lúcidos.
Mais tarde, quando eu te penetrar e sentirmos
O gosto do sexo, da carne, da vida
Suspirarei baixinho ao teu ouvido.
E quando o sexo, a carne, a vida terminarem
Haverá mais sexo, carne e vida para
comermos
Até irmos ao banheiro.


Olhar para a mulher amada

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,
Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.
Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,
E agora é navalha te lambendo.
Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,
Que, de tão azul, sangra.
Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar
Começo a imaginar meu falo na tua boca,
Esguichando morno suco, que bebes avidamente.
Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,
Como erupção de desejos.
Mas isso é só no olhar, porque vou tirar-te a vida com minhas mãos
ensandecidas.
Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.
Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,
À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.
Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,
Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.
Meu olhar é como uma boca.
Meu olhar estaciona no teu olhar.
Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.

Meus olhos sugam teus seios, avidamente, como bebê faminto.
Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.
Por enquanto ficarás presa apenas a meu olhar luxuriante.
Ordeno que te mexas, porque meu olhar é uma chicotada nas tuas ancas.
Enterras o rosto no colchão,
Examino tuas nádegas, assim, empinadas,
E penetro até onde vejo um rufo de pelos.
Lá, fica a porta que se abre para meu olhar latejante.


Sessenta e nove

É dança a rotundidade das ancas.
Rebelam-se os seios sob a camiseta.
Cão desesperado, farejo o cheiro de leite
No corpo branco e macio como azul.
A boceta secreta néctar, cálido e cheiroso,
Que, sedento, bebo.
Meu falo é um animal com fome,
Fera solta farejando a tua boca,
Onde porra cai em grandes gotas.


Sessenta e nove II

Olhos que comem a gente
Lábios indecentes
Boca umectante
Mamas de lactante
Barriga de quem tem fome
Púbis de adolescente
Levas meu pênis à boca,
Ávida por suco,
Enquanto, no cálice da vagina, bebo tua porra.


Essa Copacabana triste mulher

Tua boca é pura flor embelezando-se ao sol de Copacabana
E tua figura é um desenho gostoso esculpido ao sol de
Copacabana
E quando Copacabana inteira se prostituir
Os gemidos de amor serão a canção da moda em
Copacabana
Então a praia Copaserá uma enorme cama.


Um cheiro de madrugada

Impor-nos o abandono físico
Ingerir grandes quantidades de álcool
E fumar interminavelmente
É o pior que se faz
Quando uma mulher se ausenta
Definitivamente.

Mas ela tinha cheiro de madrugada
Um leve sabor de vinho
E qualquer coisa espanhosa...


Tharcilla

Lembrar-te é uma coisa deliciosa, mas incompleta.
Tudo o que faço é fumar muito
E na evolução azul da fumaça
Se fixam, fugazmente, cenas delirantes.
Há uma desordem que me desafia e me vence.
Morri na mesa de um bar.


Sensação estranha

Que sensação estranha
Na hora de ser enforcado
Ser salvo e dormir com a princesa


Acompanhantes

Adorável Paty, 18 anos, seios lindos, pernas grossas, bumbum arrebitado, cintura fina. Telefone 999-2938.

Adorável Michele, loira, 18 anos, olhos verdes, seios lindos, corpo de violão. Iniciante. 999-7423.

Keila. Desnecessário dizer-se adorável. 18 anos. Seios e bumbum empinados, rosto de princesa. 999-1158.

Aninha, 18 anos, lindinha da cabeça aos pés. Gatinha. 999-2938.

Tairine tem 18 anos, seios empinados, desafiantes, com enormes mamilos rosados, bumbum arrebitado e atende pelo telefone 999-2375.

Daniele, como toda garota de programa é também adorável. Tem 15 anos e é sempre iniciante. 999-2375.

Talita, loirinha, meiga, uma gracinha. Ligue para 999-7423.

Ariana. Loucura da cabeça aos pés. 999-1158.

Frênia é só gozo. Janine, 15 anos. Andressa, colegial. Letícia, bailarina. Viviane e Fabiana têm olhos verdes e só saem com senhores casados e de bom gosto.

Mara. Nas manhãs de verão, tem os olhos azuis; verdes nas tardes quentes. À noite, soltam estrelinhas como efeito de Strega.

Paloma é surpresa. 999-8151. Atende em hotel.

Ádria tem a cintura fina. Aline é liberal. Ana Paula, universitária. Andréa, mulata. Aninha atende em domicílio. Telefone 999-3176.

Camille não passou dos 14. É ninfeta nabocoviana. Kássia é balzaquiana, quente, completa. Completamente gostosa. 999-0005.

Paquita tem 9 anos, pesa 40 quilos e tem um metro e 60 de altura. Telefone: o do Paraíso.

Morgana dá amor total. Danielle é ninfetinha. Vanessa quer brincar e amar. Abigail já ganhou dois concursos de beleza e tem carro próprio. 999-0156.

Adriana é gaúcha e Alice, apertadinha. Aline e Analu fazem amor a três.

Ângela é gay. Beatriz é modelo. Bruna é ardente. Ciccio é um belo rapaz – um metro e oitenta, peludo e bem-dotado. Telefone 999-4051.

Cinara é ardente. Precisa concluir seus estudos. Ligue já: 999-9790. Cláudia é carioca.

Gordinha sex. US$ 10. Telefone 999-2830.

Adorável Graziela. Modelo fotográfico. Adora posar nua.

Helen, gata tropical.

Jessica, gostosa e linda.

Juliana, inesquecível.

Maiza, fêmea, potranca.

Karla, meiga. Laura, americana. Lisandra, Miss. Malu, etérea. Vanessa, goiana. Mulata apertadinha.

Produtos eróticos. Telefone 999-2259.

Milena, coelhinha da Playboy.

Massagem. Contatos, 999-7595. Sauna: 999-1939.

Renata, mulata. Ricardo, negro. Simone, ruiva. Suzi, 999-7086. Telma... Tiago... Yara, só para poetas.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Amazônia no Congresso Nacional

Um dos últimos trabalhos do pintor e restaurador Olivar Cunha, Cenários I (o que pressupõe que será uma série de quadros), confirma seu expressionismo único: a mistura de elementos da Amazônia com a de outras regiões, como o Rio de Janeiro, por exemplo, onde o artista estudou na Escola de Artes Plásticas do Parque Lage. Nascido em Macapá, na margem esquerda do rio Amazonas, Olivar Cunha, é um estudioso da cultura amazônica, transpondo esse universo para seu trabalho pictórico.

Cenários I, concluído ano passado em Vitória do Espírito Santo, onde o artista vive, é um quadro de 60 centímetros de altura por 76,5 centímetros de largura, tinta acrílica sobre tela, com a utilização de espátula e pincel.
O tema central do trabalho é o Congresso Nacional, em Brasília, aqui mesclado com detalhes do Palácio da Alvorada, os dois Candangos e a Catedral de Brasília. A concha da Câmara dos Deputados e as torres estão decoradas com trabalhos indígenas (Apalai, Waianã e Tiriós), num resgate da cultura material e iconográfica amazônica. A concha da Câmara dos Deputados está decorada com motivo Kaokokoxi – Lagarto Pequeno (desenho para Maruanã); as torres, com Atáta/Lagarto e Aikaka/Caranguejo; e a concha do Senado Federal foi transformada em um ouriço de castanha-do-pará.
Também está presente no quadro o monumento do Marco Zero do Equador, em Macapá, e o batuque, uma das manifestações folclóricas mais expressivas no estado do Amapá. No batuque são utilizados três tambores, denominados de macacos, e três pandeiros de tamanhos diferentes, específicos para esse ritmo. A grama do Congresso Nacional está representada pela pele de onça pintada, maior felino do continente americano, e também o mais belo habitante da Amazônia.
Olivar Cunha estará expondo este ano em Brasília.

Conheça o trabalho de Olivar Cunha pelo blog: olivarcunhaarte.blogspot.com

domingo, 15 de maio de 2011

Revista Época denuncia assassinato de indiozinhos no Amapá

Brasília, 15 de maio de 2011 – Existe uma matança velada de indiozinhos no Brasil. Se a mortalidade de curumins na Amazônia é altíssima, imagine-se de indiozinhos, mesmo. Geralmente morrem de fome. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) é o órgão que deveria cuidar da saúde dos índios, mas se o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende “brancos”, é um matadouro, o que dizer da Funasa. No Brasil-colônia, índio era animal de carga, trabalhava como escravo até morrer. Hoje, continua sendo visto pela aristocracia como animal, entregue à própria sorte. É a limpeza étnica, sem facão ou metralhadora.

Os bandidos que lucram com a miséria e o assassinato sabem que a impunidade, neste país, é garantida, e desconhecem, é claro, a inexorabilidade da lei de causa e efeito: quem planta, colhe. Agora mesmo a Época denunciou o senador Gilvam Borges, do PMDB do Amapá. Segundo a revista semanal, Gilvam comanda um esquema sinistro. Ele é ligado ao maranhense José Sarney, presidente do Senado, eleito senador vitalício pelo PMDB do Amapá. O atual mandato de Sarney vai até 2015. Sarney tem 81 anos e não anda bem de saúde. Vamos à matéria da Época.

Novo caso de corrupção envolve políticos do Amapá
PF descobre que o dinheiro público destinado ao atendimento médico indígena foi desviado para campanhas da família do senador Gilvam Borges. Aliado do senador tenta se passar por índio para safar-se das acusações

ANDREI MEIRELES
Para Época

Há três anos, surgiram notícias de que a numerosa população indígena do Amapá e do norte do Pará sofria com a falta de atendimento médico. Pela lei, cabe ao governo federal, por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), zelar pela boa saúde dos índios brasileiros. Como a Funasa recebe verbas abundantes para cumprir essa tarefa, as notícias causaram perplexidade. Para esclarecer o caso, foi formada uma equipe de investigadores, composta de agentes da Polícia Federal (PF), procuradores do Ministério Público Federal e funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles percorreram aldeias no Amapá e no norte do Pará, inspecionando a situação dos 14 mil índios da região. Não encontraram apenas “falta de atendimento médico”. Encontraram uma tragédia.
No cemitério da aldeia Manilha, no município de Pedra Branca do Amapari, sete recém-nascidos uaiapis haviam sido enterrados antes da chegada dos investigadores. Os bebês morreram sem receber qualquer assistência médica. Ali, como em outras aldeias visitadas, havia apenas um absoluto abandono: prateleiras vazias nas farmácias, remédios com validade vencida, ausência de agentes de saúde, doentes entregues ao destino. Em matas onde picadas de cobra são frequentes, faltava soro antiofídico. Por falta do remédio, uma índia teve de amputar o braço. “Nunca vi algo parecido. Senti um vazio enorme ao ver tanta tragédia”, diz o indigenista Edmar Mata, funcionário da Funai, que trabalha há 23 anos no Amapá e acompanhou as investigações.
Os índios daquela região são frágeis diante de doenças simples no resto do Brasil. Gripes tornam-se sentenças de morte, casos isolados de sarampo provocam epidemias devastadoras. É por tais razões que a saúde da população indígena requer variados cuidados, a cargo do Estado – tudo o que não se encontrou nas aldeias do Amapá e do norte do Pará. Ao fim da vistoria, a força-tarefa constatou que ao menos 20 índios haviam morrido por negligência no atendimento médico. Impôs-se, então, uma pergunta: se o governo federal remete milhões de reais para que os índios sejam atendidos, como tantos morreram nas mais degradantes condições imagináveis? Onde foi parar o dinheiro?
Para responder às perguntas, a PF abriu inquérito. E pediu à Controladoria-Geral da União (CGU) uma auditoria sobre o uso de verbas federais na saúde indígena. Num relatório de 389 páginas, a CGU comprovou o que se suspeitava: fraudes em licitações, compras de remédios e outros produtos com preços acima dos praticados no mercado, além de pagamentos indevidos por serviços não prestados. A CGU calculou só o prejuízo financeiro em R$ 6,2 milhões. Entre 2005 e 2009, a Funasa gastou R$ 34 milhões com saúde indígena.
A Funasa, como quase todo órgão público, tem dono. Nos últimos anos, ela foi dividida entre PT e PMDB. No Amapá, onde aconteceram os crimes, a Funasa pertence à esfera de influência do senador Gilvam Borges, aliado da família do também senador José Sarney. Ambos são do PMDB. Gilvam é um político folclórico, conhecido no Congresso mais por andar de sandálias que por suas ideias. Em 2009, descobriram que nove parentes de seu principal assessor foram nomeados para cargos no Senado. Gilvam deve o mandato à Justiça Eleitoral, que cassara o ex-governador João Capiberibe, seu adversário. Seus tempos no Senado, porém, estão chegando ao fim. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não aplicar a Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010, Capiberibe deverá assumir o mandato.
Os relatórios da CGU expõem a influência do senador Gilvam nas atividades da Funasa no Amapá. O caso mais significativo envolve um convênio firmado em 2006 entre a Funasa e uma ONG, a Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque (Apitu). Em três anos, a Apitu recebeu R$ 6 milhões da Funasa. Segundo a CGU, o prejuízo para os cofres públicos nesse convênio chegou a R$ 2,8 milhões. O assombro não está na dimensão dos desvios, mas no destino final deles. Depois de receber os recursos do governo, a Apitu repassou R$ 667 mil à AFG Consultores Ltda. Os serviços, diz o relatório, nunca foram prestados. A PF quebrou o sigilo bancário da AFG e mostrou o caminho percorrido pelo dinheiro. Das contas da AFG, os recursos saíram para contas dos comitês eleitorais do PMDB no Amapá, a fim de financiar as campanhas a prefeito de dois irmãos de Gilvam. Um deles, Geovani Borges, compartilha o mandato de senador com o irmão: volta e meia, um sai de licença para que o outro exerça o mandato em Brasília. Hoje quem está no Senado é Geovani. Em julho de 2008, ele exercia o mandato de senador quando a AFG passou R$ 150 mil ao comitê de sua campanha à prefeitura de Santana, no Amapá. Esse dinheiro é quase um terço de tudo o que Geovani declarou à Justiça Eleitoral.
De acordo com sua prestação de contas da campanha a prefeito de Mazagão, também no Amapá, Geodilson Borges, o outro irmão de Gilvam, informa que recebeu R$ 40 mil da AFG. Em entrevistas a Época, Gilvam e Geovani só reconheceram o financiamento depois de ser informados que a doação está registrada na Justiça Eleitoral. Geodilson está no centro das investigações. Foi ele quem aproximou o clã Borges de Henry Williams Rizzardi e Andréia Fernandes Gonçalves, donos da AFG. Andréia e Henry formam um casal que, segundo a PF, aplicou golpes em Brasília e em uma dezena de municípios.
Em depoimento, Andréia, uma das sócias da empresa onde foi parar o dinheiro da Funasa, disse que um de seus projetos no Amapá “consistia em orientar os índios para o uso adequado do meio ambiente”. Investigados pela PF, Andréia e o marido fecharam o escritório em Brasília e se mudaram para Salvador, onde foram presos no mês passado por causa do desvio do dinheiro dos índios. Mas como a Apitu repassou o dinheiro aos golpistas? Por influência de Gilvam, a ONG contratou como procurador Elim Soares Mendes, cuja mulher trabalha no gabinete de Gilvam no Senado. Foi Elim quem transferiu o dinheiro ao casal. Em depoimento, ele confessou saber que os pagamentos eram ilegais.
Depois de descoberto seu envolvimento no escândalo, Elim tentou uma trapaça para fugir da Justiça. Em março de 2010, pediu à Funai que o reconhecesse como índio, descendente da etnia apalai. Pela lei, índios são inimputáveis e não podem ser processados. Não colou. A Funai rejeitou o pedido depois de ouvir os verdadeiros índios apalais. Além de negar o parentesco com Elim, eles o proibiram de entrar em suas aldeias. Preso com o casal da AFG, Elim passou dez dias na cadeia, em abril. Com base em interceptações telefônicas, os investigadores descobriram que os principais assessores de Gilvam no Senado orientavam Elim a mentir à polícia sobre suas relações com a família Borges.
Gilvam afirma que seus irmãos e seus funcionários nada têm a ver com desvios na Funasa. “Assumo toda a responsabilidade”, diz Gilvam. “Fui eu que liberei o dinheiro na Funasa, acreditei que a AFG era uma empresa séria e aceitei o financiamento para a campanha eleitoral.” Gilvam diz que não sabia que o dinheiro público destinado à saúde dos índios pode ter financiado as campanhas de seus irmãos. “Eu achava que a AFG era uma empresa idônea. Também fui vítima do golpe”, afirma. O senador Geovani diz que mal conhece o casal de consultores, nem sabe por que eles financiaram sua campanha. “Nem sei se houve esse desvio de dinheiro da Funasa que você está falando”, diz Geovani. “Sei que, desde 2008, a PF investiga o Gilvam de maneira ilegal.”
Se, nos postos médicos das tribos, a situação era caótica, a auditoria da CGU constatou que a situação em Macapá também era ruim. Isso ficou claro numa inspeção na farmácia da Coordenadoria Regional da Funasa, em junho de 2009. Ali ficam armazenados medicamentos e materiais de saúde para abastecer tribos do Amapá e do norte do Pará. Os auditores encontraram um estoque de remédios abandonados no chão, em corredores, banheiros desativados e depositados em salas com infiltração e goteiras. Como se fosse lixo. Havia também desperdício. Em 2009, a Funasa mandou para o Amapá 30 mil frascos de 500 mililitros de álcool, com data de validade que expira até meados de 2012. O estoque daria para 25 anos. Quase tudo irá para o lixo.
O maior desfalque no convênio da Funasa com a ONG Apitu foi na contratação de empresas de táxi aéreo. Em depoimento à PF, a servidora Maria do Socorro Tavares Miranda, responsável pelos pregões eletrônicos da Funasa, contou que foi procurada pelo empresário Geodalton Pinheiro Borges, o caçula dos 13 irmãos Borges. Segundo Maria Tavares, Geodalton pediu a ela que manipulasse o pregão 15/2009 e contratasse a empresa Rio Norte Táxi Aéreo para atender os índios do Amapá e norte do Pará.
De acordo com a CGU, a Rio Norte é a empresa que mais se beneficiou de fraudes que desviaram R$ 1,4 milhão da Funasa para a Apitu. Segundo levantamento da Aeronáutica, grande parte dos voos pagos pela Funasa simplesmente não foi feita. Outra constatação: em 2006, a Rio Norte recebeu R$ 379 mil da Funasa sem ter participado de concorrência, sem ter assinado qualquer contrato e sem ter sequer comprovado as supostas horas voadas. Até a própria Funasa resolveu investigar. As investigações chegaram a Abelardo da Silva Oliveira Júnior, então coordenador da Funasa no Amapá e – claro – apadrinhado da família Borges. Em depoimento à Comissão de Sindicância, Abelardo afirmou que fez um “contrato verbal” de R$ 723 mil, com a Rio Norte, algo que não existe na administração pública. Em seguida, deixou a Funasa. Em abril de 2010, foi nomeado por engano presidente do Ibama pela ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira. Em 4 de janeiro, Isabela demitiu Abelardo Oliveira do Ibama “por valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública”.
Depois de sucessivos escândalos, no ano passado o governo criou a Secretaria Especial de Saúde Indígena para substituir a Funasa. Os procuradores da República no Amapá afirmam que nada mudou. “Tem sido uma luta inglória”, diz Edmar Mata, que acompanhou pela Funai as investigações da PF sobre a morte de índios. Por enquanto, as sandálias de Gilvam continuam deixando seus rastros no Amapá.

sábado, 14 de maio de 2011

Josiane, Luz da minha vida!


Josiane, quando a conheci, e hoje, ainda de cabelos compridos. Uma flor, Iasmim, Rosa do Cerrado, acrílica de André Cerino, e rosa colombiana. Jasmim e rosa são o que eu tenho para te dar, Josiane Souza Moreira Cunha, porque significam
meu coração.


A manhã de 20 de maio de 1968, em Macapá, foi excepcional. As flores desabrocharam em questão de segundos ao sol, deixando o ar prenhe de perfume e música de Mozart. Sentia-se o planeta girando na Linha Imaginária do Equador. Eu tinha 14 anos e devo ter amanhecido de ressaca, mas, certamente, percebi que a manhã fora arrumada por Deus, pois entre as flores vivificadas pela luz uma recebeu o nome de Josiane Souza Moreira.
Só a conheci 19 anos depois, em Brasília. Cafuza, linda que só ela, parecia um arbusto e tinha sabor de Dom Pérignon, safra de 1954. Começamos a namorar em 15 de maio de 1988, no cinema que havia no Conjunto Nacional, vendo O Último Imperador da China, de Bernardo Bertolucci. Casamo-nos no religioso em 21 de maio de 1989 e, no civil, em 6 de agosto de 2010. Em 22 de fevereiro de 1990, Josiane deu à luz uma princesa com nome de flor: Iasmim.
Quando a conheci, eu tinha 33 anos de idade, vinha de um casamento fracassado, vivia mergulhado no álcool, era redator de um jornal sem futuro (Correio do Brasil, que já fechou as portas há muito tempo) e não sou fisicamente atraente. Mas desde aquela noite de 15 de maio de 1988, nos amamos todos os dias, até quando estamos perdidos, pois nos encontramos no coração.
Ela entrou na minha vida como uma rádio que passamos décadas tentando sintonizar e, um dia, eis que ouvimos, alto, o Concerto para Piano e Orquestra em Ré Menor, de Mozart, descobrimos que não existe tempo nem espaço e que o passado não existe, só existe o agora e o agora, o momento mesmo da vida.
Josiane Souza Moreira Cunha, deposito nas tuas mãos todo o meu tesouro, que conquistei por ti: a Luz do meu Pai, que torna luminosos todos os dias da minha vida, pois, à minha passagem, os jardins florescem e as crianças riem ao triunfo da Luz.

sábado, 7 de maio de 2011

Para ti, Mamãe

Marina, 1985, acrílica espatulada
sobre tela, de Olivar Cunha

Minha mãe, Marina Pereira Silva Cunha, está no mundo espiritual. É em tua homenagem, minha querida, que publico este poema, do meu livro Sob o céu nas nuvens, de 1980. Esta poesia revela bem o adulto que fizeste de mim, Luz da minha vida. Que Deus a abençoai, que Deus a iluminai, que a senhora seja cada vez mais feliz e ascenda cada vez mais alto na escala infinita do mundo espiritual. Muito obrigado! Muito obrigado!

Necessidade

Se me deixas gritar
Terei os pulmões satisfeitos.
Se me deixas correr, livre, pelos campos
Serei eternamente grato.
Se me permites conversar em voz alta
Os assuntos que me agradam
Serei filho forte e não terei medo.
Se não te importas eu escrever verdades
Então pronto, serei esplêndido.

Amazônia e desenvolvimento sustentável

O II Encontro de Jornalistas do Norte (leia-se Amazônia Legal, que inclui Maranhão e Mato Grosso) ocorrerá em Porto Velho, estado de Rondônia, de 29 a 31 de maio, promovido pela Fundação Banco do Brasil, e porá em debate o tema: Amazônia e o Desenvolvimento Sustentável.

O Grão-Pará e Maranhão, que englobava a Amazônia Clássica (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima) e o estado do Maranhão, hoje integrante da Região Nordeste, foi uma das duas colônias portuguesas na América do Sul. A outra era o restante do atual Brasil. Pois bem, os portugueses escravizaram os índios locais, que, juntamente com os escravos africanos, trabalhavam até morrer juntando todo tipo de riquezas, que eram levadas para a aristocracia portuguesa, principalmente madeira e ouro, bem como alguns índios, que serviam de bobos da corte em Lisboa e outras cortes. Essa foi a primeira fase do colonialismo amazônico.
A segunda e atual fase apresenta três exemplos bem-acabados: o primeiro deles é a exploração hidroelétrica na região. Peguemos o estado do Pará, onde fica a maior hidroelétrica nacional, Tucuruí. Metade dos municípios paraenses não conta com energia firme e muitas localidades do Pará não contam com energia elétrica alguma. Tucuruí alimenta os fornos da Albrás-Alunorte, onde se industrializa lingotes de alumina para o Japão. Antigamente, o Japão importava a bauxita. Como se vê, não é mais preciso colonizar a Amazônia a ferro e fogo, como fizeram os portugueses.
O segundo exemplo é o da Vale, que exporta principalmente ferro, também no Pará, mas não fica um tostão para caboclo algum.
O terceiro exemplo é a exploração ilegal de madeira, que vai para São Paulo e a Europa; e a ocupação da floresta derrubada por gado e soja.
O caboclo, o ribeirinho, se for flagrado pelo Ibama matando um jacaré para tirar a barriga da fome, apodrecerá, ou morrerá assassinado, numa das cadeias lotadíssimas das cidades da Amazônia.
Desde sempre que se faz confusão com desenvolvimento sustentável. Muita gente boa pensa que se trata de explorar a floresta de modo a produzir sempre. É isso, desde que a riqueza extraída sirva para o desenvolvimento do aborígene, e não para Mensalões.
Como se vê, a Amazônia continua colônia, agora de Brasília. Contudo, essa situação ocorre mais em decorrência de certa elite, que chafurda na desgraça do amazônida da floresta, ou da periferia. Exemplo clássico é o do atual presidente do Senado, o maranhense José Sarney, que se elegia pelo PMDB do estado do Amapá. Sarney só aparecia em Macapá em épocas de eleições. Agora, nem isso; foi eleito até 2018 e é provecto.
A massa é manobrada a troco de esmola. Daí porque o imperador Lula tem praticamente 100% de aprovação no estado do Amazonas. E como a Amazônia continua uma região mergulhada na Idade Média, muita gente que tem algum poder se espoja na desgraça alheia, incluindo escravidão, estupro e tráfico de crianças e mulheres, e assassinato. É o coração das trevas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Almoço de trabalho no Porcão

Vista noturna do shopping Conjunto Nacional,
em Brasília, onde se passa a trama do conto
Almoço de trabalho no Porcão


Do balcão do Café Doce Café, defronte à Livraria Sodiler, no átrio central do shopping, Galicíssimo abarcava todo o largo hall do Conjunto Nacional, selecionando e acompanhando com o olhar as mulheres sensuais até perdê-las de vista no labirinto de corredores. O passa-passa era intenso. Divisou a jornalista ainda no passeio público. Tratava-se de uma mulher surpreendente: uma mulata ruiva.

- Estou ansiosa para ver o livro – Yanna foi logo dizendo.

Galicíssimo apanhou o envelope que depusera no balcão e tirou dele um livro. A capa era um óleo de André Cerino - uma boca, uma rosa vermelha, colombiana. O livro intitulava-se: “O perfume das virgens ruivas”. Yanna pegou-o, sôfrega, e o abriu na folha de rosto. Estava lá: “Para Yanna Silva Bergman, jasmineiro em noite tórrida do verão amazônico, que nos faz mergulhar na dimensão do cio”.

- Meu poeta! - disse Yanna. Puxou Galicíssimo e o beijou, limpando o batom que carimbara nos lábios do homem de cara de terçado.

Galicíssimo era baixinho - teria um metro e sessenta, mais ou menos -, magricela, estrábico e de cabelos grisalhos, embora só tivesse quarenta e três anos. Mas isso era compensado por epiderme maravilhosa, lisa e rosada como a pele de um bebê. Sua expressão era a de uma criança perdida, despertando nas mulheres o instinto materno. Contudo o que lhe originara o apelido, Galicíssimo, fora seu talento para lidar com as mulheres. Podia-se, nesse caso, aplicar-lhe perfeitamente o ditado que reza: não há mulher difícil; há mulher mal cantada. Em outras palavras, não há mulher que resista a sentir-se princesa; isso as enlouquecem completamente, torna-as reféns absolutamente indefesas e as leva a cometer qualquer crime. Bastava meia hora de papo para as vítimas grudarem, literalmente, em Galicíssimo, que possuía o dom de dissecar a alma feminina com a mesma eficiência de um anatomista que vasculha o corpo humano em busca de compreender melhor a posição dos órgãos, ossos, músculos, tendões, artérias e tecidos, já tão estudados e catalogados. Educara-se em um meio bastante parecido ao de Gabriel García Márquez. Teve um avô como ponto de referência e o resto da casa eram mulheres. Tornara-se, assim, um observador, um analista, um especialista em mulheres, adivinhando os mais recônditos desejos “dessas crianças grandes, dessas criaturas divinas, dessas flores tão delicadas, que se defendem, quando muito, munidas apenas de miseráveis espinhos”. Todas buscavam, pura e simplesmente, consolo, por uma razão da qual não podiam escapar: são todas inconsoláveis. Era então que Galicíssimo dava o pulo do gato, exibindo um instrumento insuspeito, magnífico, que transformava mulheres tristes em tarântulas subindo pelas paredes e se voltando para encarar o surpreendente membro fálico. “Os psicoterapeutas confortam os homens menos dotados informando-os de que as mulheres gozam mais devido ao carinho, às preliminares, como dizem, e não a um pênis grande, mas todo homem quer ter o pênis de pelo menos dezesseis centímetros. O meu tem doze centímetros; chega a treze centímetros nos momentos de muita inspiração. Segundo os psicoterapeutas, até esse tamanho ainda é normal. Todas as mulheres que espetei gozaram; às vezes, experimentam gozos múltiplos. Mas acho que as deixaria bastante impressionadas se tivesse pelo menos dezesseis centímetros de pênis” – disse, certa vez, Boi Bambo. “Boi Bambo entende mais é de porrada” – Galicíssimo pensou, naquela ocasião.

Acendeu um Hilton. Tinha uma única filha, Eneida, de vinte e seis anos; estava fazendo mestrado em Paris. Era viúvo. Natural de Belém do Pará, já vivia há muito tempo em Brasília, “a cidade mais estrangeira do mundo, mas a única capaz de me proporcionar 30 mil reais por mês” – pensou. Marqueteiro dos bons na superfície, era, na verdade, poeta; poeta nos sete oitavos do seu iceberg pessoal. Viu Boi Bambo emergir do formigueiro defronte ao shopping e materializar-se à sua frente. Deveria chamar-se Boi Zebu, pois tinha o alto das omoplatas gordo como cupim. Seu andar era pesado e lerdo, meio bambo, como se estivesse dançando. Abriu-se em largo sorriso, estendendo a pata ao colega.

- Três espressos curtos – Galicíssimo pediu à moça do balcão.

- Ele pagou tudo, até o último centavo - disse Boi Bambo, adoçando com açúcar o forte, fumegante e amargo robusta. Sua cabeça só faltava ter chifres para ser mesmo boi. Era grandalhão e gordo como um barril. Quando caminhava, apenas suas pernas se moviam. Os braços pareciam dois quartos de boi pendurados no tronco roliço. Seus olhos lembravam os de uma boneca, fechando-se e abrindo-se lentamente, sem que nenhum outro músculo do seu corpo se movesse. Usava Chanel Número Cinco e terno branco, de linho irlandês; era capaz de sair de uma briga de rua tão alinhado quanto entrara. Treinara na Joe Louis, em Belém.

- Tudo? – disse Galicíssimo, incrédulo. Yanna não desgrudava os olhos do livro.

- Bem, tive de convencê-lo - continuou Boi Bambo. - Estive ontem lá e disse a ele: vou voltar amanhã cedo e se tu não estiveres aqui, com meu dinheiro, levarei um pedaço teu - um dedo, uma orelha, um ovo, qualquer pedaço, desde que tu fiques vivo. Ele me olhou com uma cara enfadada. Então mostrei a Glock a ele e expliquei que ela é uma pequena metralhadora, que poderia varrer sua flor do jardim de trás do mapa em alguns segundos. Tu sabes, vai sobrar muito dinheiro da campanha e o canalha do tesoureiro vai ficar com uma grana preta; se não recebêssemos logo, o nosso candidato ia querer pagar com cargos de assessoria especial ou uma sinecura qualquer, e se perder estas eleições, aí é que não veríamos a cor da grana, embora saibamos que ele não vai perder; as pesquisas mostram que ganhará no primeiro turno.

- Já me sinto culpado só de participar da campanha desse cretino; não quero fazer parte da quadrilha dele trabalhando no governo – disse Galicíssimo.

- Eu pago o almoço, hoje – disse Boi Bambo. – Vamos comer no Porcão! Darei os cheques de vocês lá e discutiremos melhor os passos finais da campanha.

Era o início da tarde. O sol fazia a grama estalar como palha. Em setembro, o tempo é seco como o Saara. Isso começa em julho e vai até outubro. Setembro estava no fim. Cigarras gritavam em qualquer árvore que escapou do concreto de Oscar Niemeyer; a Esplanada dos Ministérios, devastada pela prancheta do famoso arquiteto, tremia à onda de calor que sufocava a decrepitude precoce da cidade-estado. O automóvel, grande e negro, deixou para trás a Praça dos Três Poderes rumo ao Lago Sul. Do vidro da janela do carona Boi Bambo atirou um toco de cigarro na grama seca, que logo começou a crepitar.


Taguatinga Sul-DF, 2002/Valparaíso de Goiás, 14 de abril de 2007


SERVIÇO

O conto Almoço de trabalho no Porcão integra o livro O casulo exposto (LGE Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 28), que enfeixa 17 contos ambientados em Brasília, inclusive o submundo político da capital. O fato de eu trabalhar desde 1987 como jornalista na cidade-estado, cobrindo amplamente o Distrito Federal, o Entorno (cidades goianas que o cercam) e o Congresso Nacional, municiou-me da ambientação dessas 17 histórias curtas. O prefácio é do escritor e jornalista Maurício Melo Júnior, apresentador do programa Leituras, da TV Senado, e a capa é assinada pelo artista plástico, cartunista e chargista André Cerino. O casulo do título do livro refere-se à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade, a borboleta de Lúcio Costa, ninfa golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de luxúria, depravação e morte nos subterrâneos da cidade dos exilados.

A fauna que transita na esfera política e chafurda nos subterrâneos brasilienses é heterogênea, e tenta sobreviver na ilha da fantasia, que arde numa imensa fogueira das vaidades. Políticos, inclusive daquele tipo mais vagabundo, que não pensa duas vezes antes de roubar merenda escolar; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; tipos fracassados e duplamente fracassados; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres, se misturam, nos contos, numa zona de fronteira fracamente iluminada. Contudo, a ambientação de sombra e luz tresanda, também, a perfume e a romance.

Pedidos ao editor – Livreiros interessados em fazer pedido de O casulo exposto ao editor devem entrar em contato com Antonio Carlos Navarro, pelo e-mail: lgeeditora@lgeeditora.com.br, ou pelo telefone (55-61) 3362-0008. A loja virtual da LGE Editora (www.lojalge.com.br) também atende a pedidos de apenas um exemplar e o envia ao endereço do cliente.

Autor  Contato com o autor pelo e-mail: raycunha@gmail.com

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dia de azar


O calçadão entre o Conjunto Nacional e o Conic estava entupido de vendedores ambulantes atacando os transeuntes, muitos deles parando para ver as bugigangas do Paraguai e da China, obstruindo a passagem dos que queriam prosseguir. Os mais apressados caminhavam pela rua mesmo, arriscando-se a ser atingidos pelos carros.

- Aqui, as últimas novidades do Paraguai: guarda-chuvas que se abrem automaticamente ao primeiro pingo d’água; bronzeador que deixará você que nem frango assado em televisão de cachorro; Adriane Galisteu de borracha para os solitários, insones e onanistas; bonecas que fazem pipi e até cocô...

- Nojento! - disse uma ambulante, ao lado.

- Faz cocô, sim. Quer ver?

- E não é que faz mesmo! Nojento! - disse de novo a ambulante.

Depois da exibição para a colega, S voltou a apregoar as últimas novidades do Paraguai. Aprendera aquele modo peculiar de anunciar os produtos com um publicitário conhecido seu. O publicitário lhe dissera: “É pá, queda...” S - Sócrates Souza, Salamaleque na infância e agora sacoleiro; só não era safado, nem sozinho - investira tudo no negócio, do qual vivia há três anos. Morava em Taguatinga, num barraco alugado, com a mulher, Samanta - vinte e um anos, “bonita demais” -, e três filhas, Salomé, Sara e Saionara.

Tudo aconteceu sem aviso, nem prenúncio, nem pista, na mais imobilizadora e absoluta surpresa. Meia hora depois, o Calçadão era desolação pura. Muita gente conseguiu salvar sua parte da parafernália do Paraguai, China, Taiwan, Coréia do Sul e outros tigres asiáticos, mas o ataque fora no coração do calçadão, e evoluíra numa manobra para o norte e para o sul, numa estratégia de terra arrasada. S fazia salamaleques e prestidigitações quando a boneca que defecava foi arrebatada pelos leões do Rapa em plena necessidade fisiológica. Os quarenta quilos de bugigangas sumiram como que por encanto. S ainda quis fazer um salamaleque na frente dos fiscais e levou uma cacetada na boca, de um PM do tamanho de um guarda-roupa de casal. Lá se foi um dente.
 
Uma hora depois estava tudo terminado. Salamaleque, ou melhor, S, quedava-se desesperado em meio aos destroços da fervilhante feira do Paraguai. O movimento de pedestres continuava intenso. Anoitecia. S não pensava em nada. Não seria bom pensar. Colegas seus ainda rondavam aqui e ali. Estavam se organizando para ir aos jornais. “Os jornais vão é inventar umas histórias chorosas, de provocar dor de barriga” - pensou. Deu uma cusparada de sangue, levantou-se e foi pegar o fusca, estacionado defronte ao Conic. Ainda tinha o fusca.

- Porra! Não! Deus do céu, não! Meu Deus, meu Deus! - disse, procurando o carro. - Onde está meu fusca que deixei aqui? Deixo ele aqui todo dia! Onde está o fusca, Valdemar?

O guardador de carro olhou-o com seu olhar estúpido. - Vieram aqui dois caras dizendo que tu deste ordem... Pegaram o fusca e se mandaram.

Era nisso que dava ser tão popular. E agora, José? Agora só restava ir à polícia. Agora, sim, estava literalmente fodido. Por um caralho de asa, como dizia seu amigo publicitário. Por um passaralho. Daqueles caralhos que de tão perigosos voam diretamente para o cu das vítimas.

A viagem da Rodoviária do Plano Piloto para Taguatinga dura quarenta minutos de ônibus, se tanto, mas, às vezes, é muito mais longa, interminável, insuportável, ainda mais quando o ônibus parece uma lata de sardinha fechada. Teria que se vestir de macho. Era jovem - trinta anos - e bem disposto. Os três anjinhos não iriam passar fome. “Droga!” Samanta só queria estar no salão de beleza e deixava sozinhas as três meninas: dez, nove e oito anos. Depois da última, Samanta mandou que a capassem. “Dez anos de casamento...” S passara fora de casa boa parte desses anos todos. “O Ricardão deve ter se fartado.”

Em casa, as crianças estavam sozinhas, como sempre. Era mais fácil encontrar Samanta no salão de beleza, ou na vizinha, do que em casa. S beijou, cheirou, abraçou as filhas e disse que não ia demorar. Foi atrás da mulher. Ela não estava na casa da vizinha. Foi ao salão. Fechado. Pensou um pouco. Uma insinuação não saía da memória. “Vai pra casa, Padilha” - cansou de ouvir. Padilha era o personagem ingênuo de um programa de humor da televisão, casado com uma mulher estonteante, tão gostosa quanto grandes os cornos de Padilha. De qualquer forma, a desgraça despertara em S uma zona adormecida do seu cérebro. Certa vez encontrara na bolsa da mulher, ao procurar dinheiro trocado, uma caixa de fósforos do Hotel Bocas, não muito distante. Rumou para lá. Os dentes doíam todos.

O Bocas ostentava placa de hotel, mas todo mundo sabia que era motel. Naquele dia, quando encontrara a caixa de fósforos, Samanta dissera-lhe que apanhara “isso” no salão. Imaginou-a sendo “trabalhada”. Sentiu a dor de dente aumentar. Retornou para casa. Já passava das onze.

- Oh! amor, telefonaram para o salão e avisaram o que aconteceu. Fui correndo para encontrar você, mas você não estava mais lá. Mostre como está a boca! Nossa, o que fizeram com você?

- Roubaram o carro também.

- Não! querido! Oh! amor! - disse Samanta, e começou a chorar. S procurou uma cadeira e se sentou. Suas meninas o cercaram e o abraçaram. - Mas Deus é grande, Deus é grande. Mostre a boca - dizia Samanta.

Dali a pouco a casa adormeceu. Na varanda, brilhava uma lâmpada de quarenta velas.


Belém do Pará, 15 de março de 1996


SERVIÇO

O conto Dia de azar integra o livro O casulo exposto (LGE Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 28), que enfeixa 17 contos ambientados em Brasília, inclusive o submundo político da capital. O fato de eu trabalhar desde 1987 como jornalista na cidade-estado, cobrindo amplamente o Distrito Federal, o Entorno (cidades goianas que o cercam) e o Congresso Nacional, municiou-me da ambientação dessas 17 histórias curtas. O prefácio é do escritor e jornalista Maurício Melo Júnior, apresentador do programa Leituras, da TV Senado, e a capa é assinada pelo artista plástico, cartunista e chargista André Cerino. O casulo do título do livro refere-se à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade, a borboleta de Lúcio Costa, ninfa golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de luxúria, depravação e morte nos subterrâneos da cidade dos exilados.

A fauna que transita na esfera política e chafurda nos subterrâneos brasilienses é heterogênea, e tenta sobreviver na ilha da fantasia, que arde numa imensa fogueira das vaidades. Políticos, inclusive daquele tipo mais vagabundo, que não pensa duas vezes antes de roubar merenda escolar; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; tipos fracassados e duplamente fracassados; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres, se misturam, nos contos, numa zona de fronteira fracamente iluminada. Contudo, a ambientação de sombra e luz tresanda, também, a perfume e a romance.

Compra em Brasília - Se você mora em Brasília, ou estiver em trânsito, O casulo exposto está à venda em duas lojas da Livraria Leitura: do Conjunto Nacional e do Pátio Brasil, dois shoppings centrais da cidade.

Compra no Brasil - Se você estiver em qualquer outra localidade do Brasil, ou do planeta, pode fazer o pedido do livro por meio dos sites das livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br); Cultura (www.livrariacultura.com.br); e Leitura (www.leitura.com).

Pedidos ao editor – Livreiros interessados em fazer pedido de O casulo exposto ao editor devem entrar em contato com Antonio Carlos Navarro, pelo e-mail: lgeeditora@lgeeditora.com.br, ou pelo telefone (55-61) 3362-0008. A loja virtual da LGE Editora (www.lojalge.com.br) também atende a pedidos de apenas um exemplar e o envia ao endereço do cliente.

Autor - Contato com o autor pelo e-mail: raycunha@gmail.com