quarta-feira, 11 de maio de 2011

Brasil pode receber 9 milhões de passageiros do exterior. E os aeroportos?


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou com fanfarra pela Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Brasil, mas deixou o país sem infraestrutura, um rombo de R$ 50 bilhões no Orçamento e o dragão da inflação pondo fogo pela venta. O caso dos aeroportos é sintomático. Em 2007, quando a hoje senadora petista por São Paulo, Marta Suplicy, era ministra do Turismo, os aeroportos brasileiros ficaram, mais do que nunca, parecidos a rodoviárias interestaduais, com gente dormindo no chão. Marta Suplicy, então, mandou uma mensagem altamente estimulante para as famílias que passavam até dias acampadas em aeroportos Brasil afora, devido aos atrasos de voos, à falta de voos, às empresas que vendiam mais passagem do que assentos, e à falta de pista para os aviões aterrissarem e partirem: “Relaxem e gozem”.
Era a ponta do iceberg da falência da infraestrutura no país. Lula, que passou oito anos fazendo campanha para ele mesmo e depois para sua sucessora, Dilma Rousseff, e se abraçando com ditadores onde houvesse um, ignorou (na verdadeira acepção do termo) que um país, ainda mais continental, só funciona com infraestrutura e tecnologia.
Em 2014, o país vai sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol. Pois bem, Dilma tratou de jogar as obras para o famigerado PAC, que quer dizer Programa de Aceleração do Crescimento, ou seja, não quer dizer nada, pois o PAC é um amontoado de velhos projetos, ou de carcaças de obras públicas abandonadas, que foram embrulhados por Lula e continuam empacados, ou andando a passos de cágado.
Segundo o blog do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), o desembarque de pessoas que vêm do exterior para o Brasil pode chegar a 9 milhões em 2011. De acordo com o IG, “entre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo, 7 ainda não começaram as obras para reforma dos seus aeroportos. A capital mais adiantada, Natal, no Rio Grande do Norte, cumpriu 25% da meta – mas está atrasada, diante do prazo de entrega, previsto inicialmente para abril de 2014”. Nem obras de infraestrutura que seriam beneficiadas por regras frouxas em licitações saíram do papel.
Apesar de os nossos grandes aeroportos parecerem shoppings (os pequenos lembram rodoviárias de grotões) e as pistas de pouso se constituírem em detalhe secundário, os desembarques internacionais em março bateu recorde no período, com aumento de 22,5% - 728.139 passageiros - em relação a março de 2010, que registrou 594.280 passageiros. Para o presidente da Embratur, Mário Moysés, “as companhias aéreas brasileiras, europeias, americanas e asiáticas têm anunciado o lançamento de novas frequências para diferentes destinos brasileiros, como Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Brasília, Belo Horizonte, capitais do Nordeste e Rio de Janeiro”.
Prossegue o blog da Embratur: “Caso seja mantida a quantidade de desembarques internacionais contabilizados até agora, estima-se que o total de 2011 possa chegar a 9 milhões. Os dados da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), compilados pelo Ministério do Turismo, indicam que só no primeiro trimestre deste ano o número de desembarques internacionais chegou ao número recorde de 2,286 milhões de passageiros. Esse total supera em 15,02% o registro obtido no mesmo período do ano passado (1,988 milhão)”.
O presidente da Embratur: “Devemos aproveitar essa oportunidade para crescer no cenário internacional. Estamos construindo um ambiente em que os investimentos em infraestrutura que já estão em curso, sejam públicos ou privados, e a promoção mais intensa e inovadora que desenvolvemos nos principais mercados nos tornam mais competitivos”.
Mas, além do estrangulamentos dos aeroportos brasileiros, que não receberam os investimentos necessários nos oito anos de governo Lula, o quadro observado nos aeroportos, se repete nos transportes públicos de um modo geral, carecendo de ampliação de  serviços de ônibus e metrô. Pelo menos 7 cidades que abrigarão jogos da Copa do Mundo estão na estaca zero em melhoria e ampliação de transportes públicos.
Quanto às obras nos estádios, apenas uma delas, Curitiba, já cumpriu ao menos 50% da meta de reforma, construção e ampliação. A maior parte das cidades está abaixo de 20% da meta e, em alguns casos, não se sabe sequer quando o estádio começará a ser construído.
Segundo a UnB Agência, o Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubistchek funciona acima de sua capacidade, com muitas filas, espera e confusão. Este o dia-a-dia de um dos maiores e mais movimentados aeroportos do país. Conforme dados da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), o Aeroporto de Brasília teria capacidade de suportar um movimento de 10 milhões de passageiros anualmente; no entanto, já ultrapassa essa marca.
De acordo com relatório anual da Infraero, em 2009, o terminal transportou 12,3 milhões de passageiros – um acréscimo de mais de 2 milhões de pessoas à capacidade do aeroporto. Em 2010, a tendência se confirmou. O movimento operacional referente aos meses de janeiro a novembro do ano passado foi de 12,9 milhões de passageiros.
Quanto a Brasília, que pleiteia abrir os jogos da Copa, terá que ser reformada, pois a capital do Brasil, propalada como a “cidade mais moderna do mundo”, está sucateada (veja a rodoviária do Plano Piloto); suas vias são só buraco e remendo; seu transporte público é precário, cheio de ônibus imundos; a saúde pública é um matadouro; a violência sobe em níveis bem superiores aos da inflação; a cidade está atulhada de vendedores ambulantes (consequência do desemprego); a corrupção, tanto no nível local como federal, não para de escorrer como carnicão; e o ensino público... chega! (Com Agências)

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