sexta-feira, 15 de julho de 2011

Brasília sempre foi a casa da mãe Joana

Na extremidade da Asa Sul do Plano Piloto, em Brasília, entre a Avenida W3 e o Parque da Cidade, há dezenas de hospitais, clínicas, laboratórios, drogarias e farmácias. O Hospital Pacini fica nesse emaranhado de prédios, na 915 Sul. Na frente do Hospital Pacini há sempre um caos de automóveis, em quantidade e mistura absurdas. Quase defronte ao Bloco E, há uma rampa para embarque e desembarque de pacientes, carregados ou que ainda arrastam os pés. Mas é raro que não haja carros obstruindo o acesso à rampa.

Outro dia, ao apanhar minha sogra, que se submete a tratamento no hospital e utiliza a rampa, estacionei e fui fazer a costumeira fiscalização do local, que estava, como quase sempre, com dois carros fechando a passagem. Telefonei para a polícia, mas até a hora de a minha sogra sair nenhum policial apareceu. Fui à portaria do hospital pedir que ligassem também para a polícia, reiterando meu pedido de socorro. A atendente me disse que o dono de um dos carros estacionados na rampa já fora advertido e fizera ouvido de mercador, mas que estava, naquele momento, no segundo andar. Agradeci a informação e insisti em que ela ligasse para a polícia. 

Suponhamos que o dono do carro fosse um dono do mundo e cirurgião, e que tentasse me aplicar uma bisturizada na barriga... Não perco meu tempo com essa gente. É para lidar também com os donos do mundo que a polícia é preparada. Policiais são aptos a dar porrada e, se for preciso, encher de chumbo quente sacos de dejeto.

Brasília parece a rua do Hospital Pacini. Taí duas leis que estão à espera de autor: uma, regulamentando as penas para infrações no trânsito – tantas vergastadas para quem fez isso, tantas para quem fez aquilo; e a outra, todo prefeito deveria andar, pelo menos uma vez por mês, incógnito, durante um dia, nos ônibus do seu município. Os ônibus públicos de Brasília, por exemplo, são velhos, fumacentos, imundos e caríssimos, sacolejando nas ruas mal sinalizadas e esburacadas da capital federal. Advirta-se: ano passado, começou a chover em agosto.

Nosso governador, ou prefeito, Agnelo Queiroz, está mais para administrador de estádio. Se alguém quiser encontrá-lo, não deve ir ao Palácio do Buriti, mas às obras do Estádio Nacional de Brasília. Natural de Itapetinga, Bahia, nascido em 1958, nosso jovem administrador de estádio fez carreira política em Brasília. Era do Partido Comunista do Brasil, mas se tornou, com carteirinha do PTPMDB e tudo, companheiro de Lula, de quem foi um apagado ministro dos Esportes, por conta do que tem frequentado as editorias  político-policiais. Ano passado, venceu as eleições para administrador do Distrito Federal graças à sua oponente, dona Weslian, que Roriz empurrou para substituí-lo, para se livrar da Lei da Ficha Limpa. Dona Weslian fez um papelão tão vergonhoso nos debates que encheu Agnelo de voto de protesto. Ainda assim, quase derrota o petista.

O fato é que Agnelo está determinado a tirar de São Paulo a abertura da Copa do Mundo de 2014. Será que isso, da mesma forma que as obras bilionária da Copa, já têm carta marcada? Afinal, Agnelo tem cacife: é do mesmo partido da presidenta.

A Agência Brasília, órgão incumbido da propaganda do administrador de Brasília, já produziu dezenas de laudas sobre as obras do Estádio Nacional, antigo Mané Garrincha. Agnelo sempre ressalta que o estádio será concluído em dezembro de 2012, prontinho para o jogo de abertura, dois anos depois. ''Estamos fazendo um estádio com certificação platina de eco arena. É o único do mundo com um certificado assim. O estádio atende a todas as exigências da Fifa para fazer a abertura e, consequentemente, qualquer outra tarefa da Copa'' – disse Agnelo. Já notaram que Agnelo lembra a presidenta quando fala?

Seria bom que Brasília tivesse também “certificação platina”, ou ao menos transporte público decente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário