domingo, 10 de julho de 2011

A queda

Em 2004, Lula convidou Alfredo Nascimento, do Rio Grande do Norte e que fez carreira política no estado do Amazonas, para ser ministro dos Transportes. Naquele mesmo ano o entrevistei para a coluna Enfoque Amazônico, que assinava no site ABC Politiko (www.abcpolitiko.com.br). Ele parou uma reunião com dezenas de assessores e me atendeu ali mesmo. Fiz uma varredura dos principais problemas na área dos transportes na Amazônia e ele me respondeu com lucidez a todas às perguntas.

Trabalhando como jornalista no Congresso Nacional, aprendi, lendo sobre e observando políticos, que não há classe mais mentirosa. É verdade também que sempre houve, há e haverá grandes políticos. Mas é no meio político que encontramos os bandidos mais perigosos do país, aqueles que, indiretamente, assassinam milhares de cidadãos assaltando os cofres públicos. Percebi naquela entrevista que Alfredo Nascimento queria passar um atestado de conhecimento ao seu estafe, por isso me fez entrevistá-lo em plena reunião no seu gabinete.

Contudo, ele não me convenceu. Publiquei a entrevista, que informava sobre os passos que Nascimento daria principalmente sobre questões como as rodovias federais e portos na Amazônia. Entretanto, naquela altura, Nascimento era apenas mais um agente da rede de corrupção que começava a ser montada, como nunca se viu neste país. O tempo, porém, que é um agente implacável, encarregou-se de mostrar que Alfredo Nascimento era mais um Lampião. Da mesma forma que Fidel Castro e agora Hugo Chávez, como José Dirceu, Antonio Palocci, José Jenuíno, José Paulo Cunha, para citar apenas alguns frequentadores da mídia, caiu de podre.

Sobreviveu sete anos no comando do Ministério dos Transportes, setor enlameado, que Nascimento transformou num pântano, tão fedorento que lembra até o Senado subterrâneo  do maranhense Zé Sarney. Queda de ministro é como o tombo de grandes árvores na Amazônia, o roubo é sempre milionário e arrasta familiares e assessores.

Nascimento queria ser governador do Amazonas, mas algumas instituições democráticas estão atentas. Um cara desses como governador se tornaria dono de metade do Estado. Em Brasília, José Roberto Arruda, o quadrilheiro brasiliense, seria fichinha na frente dele. Atenção: a Justiça oferece muitas brechas e o curral eleitoral é manejado sob rédeas curtas. Assim, a politicalha está sempre pronta para voltar a grudar a boca na teta do erário.

A sociedade precisa ficar atenta, agora, para o processo do Mensalão, um esquema de corrupção como nunca se viu neste país, parafraseando Lula. A propósito, Lula não sabia de nada. O Mensalão era uma máfia, chefiada por Zé Dirceu, também convidado por Lula para a chefia da Casa Civil. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de 36 dos 38 mensaleiros. “O STF servirá como verdadeiro paradigma para o Poder Judiciário brasileiro e, principalmente, para toda a sociedade, a fim de que os atos de corrupção, mazela endêmica no Brasil, sejam tratados com o rigor necessário” - diz o parecer do procurador.

Inicialmente, eram 40 réus, mas foram retirados do processo Sílvio Pereira, que fez acordo com o Ministério Público, e José Janene, que morreu. Também o procurador retirou da denúncia o ex-secretário de Comunicação Social, Luiz Gushiken, e Antônio Lamas, ex-assessor do deputado Valdemar Costa Neto.
Segue-se a lista dos mensaleiros, que, com exceção dos inocentados, estiveram, durante muito tempo, com a venta melada do leite da burra federal.

1 - Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) – Acusado pelos crimes de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a dez anos de prisão e multa).

2 - Anita Leocádia (ex-assessora do deputado Paulo Rocha) – Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

3 - Antônio Lamas (irmão de Jacinto Lamas e ex-assessor de Valdemar Costa Neto) – A PGR pede a absolvição do réu por falta de provas.

4 - Ayanna Tenório (ex-vice presidente do Banco Rural) – Acusada por gestão fraudulenta de instituição financeira (3 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos).

5 - Breno Fischberg (sócio na corretora Bônus-Banval) – Foi acusado por formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

6 - Carlos Alberto Quaglia (dono da Empresa Natimar) – Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

7 - Carlos Alberto Rodrigues Pinto (ex-deputado federal) – Acusado pelos crimes de corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

8 - Cristiano Paz (sócio de Marcos Valério) – Acusado pelos crimes de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), peculato (2 a 12 anos de prisão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos), evasão de divisa (2 a 6 anos de reclusão) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos e multa).

9 - Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) – Acusado pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos e multa).

10 - Duda Mendonça (publicitário) – Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa) e evasão de divisas (2 a 6 anos e multa).

11 - Emerson Eloy Palmieri – (ex-tesoureiro informal do PTB) – Acusado pelos crimes de corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

12 - Enivaldo Quadrados (dono da Corretora Bônus-Naval) – Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

13 - Geiza Dias (sócia de Marcos Valério) – Acusada pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos) e evasão de divisas (2 a 6 anos de reclusão).

14 - Henrique Pizzolato (ex-diretor de marketing do Banco do Brasil) - Acusado pelos crimes de peculato (2 a 12 anos de prisão e multa), corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a dez anos de prisão e multa).

15 - Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) – Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

16 - João Cláudio Genu (ex-assessor da liderança do PP) - Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

17 - João Magno (deputado federal do PT-MG) - Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

18 - João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados e atual deputado federal) - Acusado pelos crimes de corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa) e peculato (2 a 12 anos de prisão e multa).

19 - José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) – Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa).

20 - José Genoíno (deputado federal do PT e atual assessor especial do ministro da Defesa Nelson Jobim) - Acusado pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão).

21 - José Janene (primeiro tesoureiro do PP) - Foi extinta a punibilidade em razão do seu falecimento.

22 - José Luiz Alves (ex-chefe de gabinete) - Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e evasão de divisas (2 a 6 anos de prisão).

23 - José Roberto Salgado (diretor do Banco Rural) - Acusado pelo crime de gestão fraudulenta (3 a 12 anos de prisão e multa).

24 - José Borba (ex-deputado federal) - Acusado pelo crime de corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

25 - Kátia Rabello (ex-presidenta do Banco Rural) – Acusada pelo crime de evasão de divisas (2 a 6 anos de prisão e multa), gestão fraudulenta (3 a 12 anos de reclusão e multa), lavagem de dinheiro (3 a dez anos de reclusão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão).

26 - Luiz Gushiken (ex-ministro da Secretaria de Comunicação) – Foi absolvido por falta de provas.

27 - Marcos Valério (suposto operador do mensalão e dono de agências de publicidade) - Acusado pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), peculato (2 a 12 anos e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e evasão de divisas (2 a 6 anos de reclusão e multa).

28 - Pedro Corrêa (ex-deputado federal pelo PP) - Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

29 - Pedro Henry (deputado federal do PP) - Acusado pelos crimes de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

30 - Paulo Rocha (deputado do PT) - Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

31 - Professor Luizinho (ex-deputado do PT) - Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

32 - Ramon Hollerbach (publicitário) – Acusado pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), peculato (2 a 12 anos e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e evasão de divisas (2 a 6 anos de reclusão e multa).

33 - Roberto Jefferson (ex-deputado federal do PTB) - Acusado pelos crimes de lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa) e corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa).

34 - Rogério Tolentino (advogado) - Acusado pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão).
35 - Romeu Queiroz (ex-deputado federal do PSB) - Acusado pelo crime de lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão e multa) e corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão e multa).

36 - Sílvio Pereira (ex-secretário geral do PT) - O processo está suspenso. Está cumprindo as condições propostas.

37 - Simone Vasconcelos (diretora financeira da SMPB) - Acusada pelo crime de corrupção ativa (2 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão) e evasão de divisas (2 a 6 anos de reclusão e multa).

38 - Valdemar Costa Neto (deputado federal do PR) - Acusado pelo crime de formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 anos de prisão e multa) e lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa).

39 - Vinicius Samarane (diretor do Banco Rural) - Acusado pelo crime de evasão de divisas (2 a 6 anos de prisão), gestão fraudulenta (3 a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (3 a 10 anos de reclusão e multa) e formação de quadrilha (1 a 3 anos de reclusão).

40 - Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) - Acusada pelo crime de lavagem de  dinheiro (3 a 10 anos de prisão e multa) e evasão de divisas (2 a 6 anos de prisão).

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