sábado, 5 de novembro de 2011

Zé Sarney versus João Capiberibe: duelo final



O amazônida João Capiberibe quando jovem caboclo

Brasília, 5 de novembro de 2011 – O maranhense Zé Sarney, eleito pelos tucujus (macapaenses) senador vitalício pelo PTMDB e atual presidente (pela quarta vez) do Senado Federal, cargo abaixo somente do da imperatriz Dilma Rousseff (PTMDB), nesta nossa república capenga, vai ter que engolir um sapo: o senador João Capiberipe, do PSB do Amapá. Se pudessem, um comeria o fígado do outro. Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo, quinta-feira 3, determinando a imediata diplomação de João Capiberibe, um verdadeiro sapo a assombrar o assombrado fim de carreira de Zé Sarney. “Ufa! Finalmente! Pela terceira vez, o STF mantém meu registro de candidato e manda me diplomar senador, conforme decisão do povo do Amapá” - comentou Capi, como é conhecido, pelo Twitter.
Os irmãos Borges, que ganharam no tapetão e se revezam ocupando a vaga de Capi já pressentiam isso e, desde outubro, vêm juntando as tralhas para desocupar o espaçoso complexo de salas que de direito é de Capi, o segundo mais votado na eleição em 2010 para o Senado, com 131.411 votos. Enquadrado na Lei da Ficha da Limpa, perdeu a vaga para Gilvam Borges (PMDB), que ficou em terceiro lugar. Com a decisão do STF de que a Lei da Ficha Limpa só começará a vigorar em 2012, Capiberibe recorreu, vitoriosamente.
João Alberto Rodrigues Capiberibe nasceu no Afuá, cidade da ilha do Marajó, no Pará, em 6 de maio de 1945. Foi prefeito de Macapá, entre 1989 e 1992; e governador do Amapá, de 1995 a 2002. Seu mandato de senador vai até 2018. Capi participou da resistência à Ditadura dos Generais (1964-1985). Em 1966, foi preso e torturado pelos militares, mas conseguiu fugir e se exilou em vários países, passando por mil e uma peripécias para sobreviver com a família, a deputada Janete Capiberibe e três filhos, um dos quais, Camilo Capiberibe, é o atual governador do Amapá. Retornou ao Brasil em 1979. No Amapá, sofreu perseguições políticas e se mudou para Pernambuco, onde se ligou a Miguel Arraes. Em seguida foi para o Acre, organizando ali sociedades agrícolas no Vale do Juruá.
Em 2005, Capiberibe teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por denúncia de compra de dois votos feita pelo senador e sua esposa, no valor de R$ 26 cada voto. João Capiberibe e sua mulher, Janete, que era deputada federal, foram absolvidos pelo TRE do Amapá no processo movido contra eles pelo PMDB do senador Zé Sarney, mas acabaram tendo o mandato cassados pelo TSE. No lugar de Capi assumiu Gilvam Borges (PMDB). O que ficou claro é que tanto a denúncia quanto o processo foram fajutos. Em 2006, Capi concorreu ao governo do Amapá pelo PSB, mas perdeu em primeiro turno para o notório Waldez Góes, do PDT. Em 2010, candidato ao Senado, teve sua candidatura impugnada por força da Lei da Ficha Limpa, causada pela cassação em 2005.
Se por um lado os amapaenses ganham alguém à altura para peitar o imperador da Província do Maranhão e Amapá, Zé Sarney, que só aparecia em Macapá em época de eleições, é preciso que fiquem atentos, pois a família Capiberibe tem agora o poder de mandar e desmandar na população: o jovem governador Camilo Capiberipe tem no seu pai, João Capiberibe, seu conselheiro; Janete Capiberibe, mãe de Camilo, é deputada federal; e Capi, agora, é senador.
JECA SARNEY – Zé Sarney tinha ódio do saudoso jornalista Paulo Francis porque Francis o chamava de Jeca Sarney. Mas é com seu jeito jeca que Sarney vem se agarrando ao poder, seja ele qual for, há mais de meio século. Nas eleições de 2006, estive no Café do Senado entrevistando o senador Cristovam Buarque, então candidato a presidente da República pelo PDT, e fiquei pertinho de Sarney, que estava numa mesa próxima, na companhia de três senadoras. Foi a primeira e única vez que o vi. À primeira vista, é um velhinho macilento, mas quando o olhamos mais detidamente começamos a ver, ver não, sentir, como se ele fosse um grande artrópode de terno.
José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney nasceu em Pinheiro, em 24 de abril de 1930. Foi governador do Maranhão, de 1966 a 1971; presidente da República, por acaso, de 1985 a 1990; e presidente do Senado Federal, de 1995 a 1997; 2003 a 2005; e de 2009 até hoje. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, em 1953, ingressou no mesmo ano na Academia Maranhense de Letras. Em 1954, começou sua carreira política, pelo Partido Social Democrático (PSD), eleito suplente de deputado federal. Não conformado com a liderança partidária de Vitorino Freire, migrou para a União Democrática Nacional (UDN), sendo eleito deputado federal em 1958 e 1962 e, com o apoio do general-presidente Castelo Branco, elegeu-se governador do Maranhão, em 1965.
Pela Arena, partido dos militares durante a Ditadura dos Generais, foi eleito senador em 1970 e 1978. Presidiu a Arena e sua sucessora, o Partido Democrático Social (PDS), durante o governo do general-presidente João Figueiredo. Na eleição presidencial de 1985, descontente com a candidatura do já notório Paulo Maluf à presidência, Sarney se retirou da presidência do PDS para criar o Partido da Frente Liberal (PFL; hoje, DEM) e, assim, construir a Aliança Democrática com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e concorrer à vice-presidência, junto à chapa de Tancredo Neves.
Tancredo foi eleito com 72,40% dos votos e sua posse seria em 15 de março, porém o presidente-eleito morreu em 21 de abril, vindo Sarney a assumir a Presidência do Brasil. Seu mandato se caracterizou pela consolidação da democracia brasileira, mas também por grave crise econômica, que evoluiu para um quadro de hiperinflação e moratória. Uma de suas medidas de maior destaque foi a criação do Plano Cruzado, em 1986, um fiasco. Em 1990, Sarney viu que não conseguiria se eleger senador pelo Maranhão e saltou de paraquedas no recém-criado estado do Amapá, transferindo para lá seu domicílio eleitoral. Em Macapá, os tucujus lhe deram mandato vitalício no Senado.
Zé Sarney é também escritor. Millôr Fernandes afirmou sobre o livro Brejal dos Guajas que se tratava de “uma obra-prima sem similar na literatura de todos os tempos, pois só um gênio poderia fazer um livro errado da primeira à última frase”. Ainda: “Em qualquer país civilizado Brejal dos Guajas seria motivo para impeachment”. Se Zé Sarney não conseguiu se firmar como escritor (mas conseguiu entrar para a Academia Brasileira de Letras, ABL), será lembrado, certamente, como o grande patrimonialista e nepotista brasileiro; pelo atos secretos, que afundaram a credibilidade do Senado Federal na lama; e por ter sua beijada por O Cara, Lula, que, antes de chegar ao poder, quando era oposição, apontava sua metralhadora de incontinência verbal para Zé Sarney e cuspia marimbondos de fogo. (Com informações da Wikipédia)

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