domingo, 1 de abril de 2012

Caem os panos da vestal Demóstenes Torres. OEA pressiona por investigações no caso Vladimir Herzog, assassinado pela Ditadura


RAY CUNHA


BRASÍLIA, 1 de abril de 2012 – A Humanidade evolui lentamente. Assim é com as nações. Às vezes, alguns acontecimentos dão impulso à evolução e as coisas acontecem um pouco mais rapidamente. Dois acontecimento, nos últimos dias, no Brasil, deram um empurrãozinho à nossa democracia capenga: o flagrante ao bandoleiro, vestal sinistra, senador (?) Demóstenes Torres, do notório DEM, de Goiás; e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), que notificou o estado brasileiro, dia 26 de março, sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, pela Ditadura dos Generais (1964-1985). Parece exagero meu, mas esses dois acontecimentos são a ponta de fios de meada que ainda vão dar o que falar.
Focando na vestal sinistra, Demóstenes Torres, dizia ele em 2007: “Realmente, os políticos estão perdendo a vergonha na cara”. Referia-se a seu colega, o notório Renan Calheiros (PTMDB-AL). Ao propor abertura de processo contra o senador maranhense Zé Sarney (PTMDB), o dos atos secretos, que lançou o Senado na clandestinidade, disparou: “Por que nós vamos, nós, do Senado, ficar nessa posição efetivamente quase que de pedintes? Estamos solicitando ao presidente que se afaste” - discursou Demóstenes. Em 2009, bateu boca com o ex-governador do Distrito Federal, o notório José Roberto Arruda, ex-segundo melhor governador do Brasil e ex-DEM, por discordar da fixação de prazo de uma semana para a expulsão de Arruda do DEM, quando foi flagrado pilhando o DF. “Defendo sempre a expulsão sumária” – atirou Demóstenes. Em nome de uma oposição mais aguerrida, trabalhou para destituir da liderança do partido no Senado o presidente do DEM, Agripino Maia (RN), e ocupou sua vaga.
Agora, após anos de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal, torna-se público que Demóstenes é bandoleiro, sócio do empresário do crime organizado Carlos Cachoeira. Em 29 de fevereiro, foi deflagrada a Operação Monte Carlo (bairro de Mônaco, país incrustado entre a França e a Itália, paraíso do luxo, do jogo e de lavagem de dinheiro), trazendo à tona o teor de suas conversas com Cachoeira. “O sofrimento provocado pelos seguidos ataques à minha honra é difícil de suportar” – escreveu no seu Twitter, em 23 de março, no estilo vestal flagrada nua.
Ele chegou ao Senado em 2003, com discurso de "tolerância zero" adotado à frente da Secretaria de Segurança de Goiás. Prometeu, durante a campanha eleitoral, acelerar o rito do Judiciário, o que dava indícios da sua conversa furada. Professor, procurador de Justiça licenciado, advogado, Demóstenes ganhou notoriedade como linha-dura em comissões parlamentares e Inquérito e no plenário do Senado. Ano após ano, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar vinha escolhendo Demóstenes como um dos "Cabeças do Congresso". Até quando permanecerá senador? Continuará solto, ou fará companhia a seu sócio?
VLADIMIR HERZOG - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), notificou dia 26 de março o estado brasileiro sobre denúncias referentes às circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Isso significa a abertura oficial, pela corte internacional, de investigação sobre a morte do jornalista, ocorrida dentro do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo, reduto de torturas e prisões arbitrárias. Durante a Ditadura dos Generais, os porões do DOI-Codi difundia pavor e desestimulava qualquer emissão de pensamento contra a ditadura instalada pelos militares e que durou a eternidade de 21 anos.
Seja de esquerda ou de direita, ditaduras são sempre a apologia do assassinato, do roubo, do estupro legalizados, e essas coisas não podem ser legais, nunca. Esquerdistas estão sempre engatilhados com aquela conversa de direitos iguais, nivelando por baixo, de socializar o alheio e de donos da verdade; os comparsas da direita falam a mesma coisa. No fim e ao cabo são os mesmos gangsters, locupletando-se no traseiro da população. Exemplos: Fidel Castro promove uma curra no povo cubano há mais de meio século e Hugo Chávez empurra uma trolha nos venezuelanos sem sequer cuspir.
O pedido de investigação foi feito em 2011 pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional; Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos; Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo; e Centro Santo Dias de Direitos Humanos, da Arquidiocese de São Paulo. “Este caso é mais um exemplo da omissão do estado brasileiro na realização de justiça dos crimes da ditadura militar cometidos por agentes públicos e privados” – afirmam essas entidades, em nota oficial divulgada após a notificação.
O Instituto Vladimir Herzog manifestou apoio à decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. “A decisão de investigar o assassinato de Vladimir Herzog merece o apoio de todos aqueles que propugnam a democracia, a liberdade de expressão e os direitos humanos” - diz o texto publicado dia 30 de março no blog do instituto. “Essa decisão é mais uma demonstração da importância dos protestos contra esse assassinato e do valor desses protestos para a história recente do país e para seu futuro, pois foi a partir deles que começou a ruir a ditadura, para dar lugar ao regime democrático que hoje vivemos.”
“O caso emblemático do assassinato de Vladimir Herzog, por agentes da ditadura, já foi reconhecido pela Justiça, pela União e no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. No entanto ainda não foi investigado para determinar quais foram esses agentes, quais seus nomes, quais seus cargos” - diz o texto. “É pela ausência desses esclarecimentos que a decisão da CIDH se reveste de importância ainda maior, na medida em que traz renovado impulso à necessidade de imediata nomeação dos integrantes da Comissão da Verdade e início de sua atuação.”
A Secretaria de Direitos Humanos, responsável por coordenar a resposta brasileira no caso, recebeu a notificação da OEA dia 29 de março, e a enviou para apreciação da Advocacia-Geral da União. Vamos ver que bicho vai dar. 
Com informações da Agência Estado, Folha Online e O Estado de S. Paulo

Um comentário:

  1. Ray, realmente eu estranhei ao tentar acessar o blog, pois percebi que algo de anormal ocorria, dado ao incessante "error" que insistia em me frustrar. Pensei comigo: o Ray deve estar "burilando"sua ferramenta. Ledo engano! Os generais da censura poliram suas gemadas para gravatar sua voz, deixando pra nós, consumidores de tuas palavras, um triste ensaio sobre a cegueira - deles, os censores, sem sentidos! Um trago! Carlos Lobato

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