segunda-feira, 30 de julho de 2012

Brasília, sinônimo de tédio


BRASÍLIA, 30 de julho de 2012 - A última semana das férias de julho, a secura do ar e a falta de atrativos turísticos são como um direto no queixo de Brasília. A cidade cai como que nocauteada, desenxabida como mulher sem encantos - nem do corpo, nem da alma. Em algumas instituições de ensino particulares as aulas voltaram e pode-se ouvir o som redentor das crianças, mas é só. As ruas, vias, como aqui são chamadas, estão quase vazias, contestando a cidade projetada para automóveis, porque, além de calçadas serem uma ausência sentida, as poucas que há parecem bombardeadas.
Os brasilienses, especialmente os que só vêm para cá três dias por semana, escafederam-se, claro, e todos aqueles que têm bastante dinheiro foram para algum ponto dos 7.367 quilômetros do litoral brasileiro, e os candangos se mandaram para respirar o ar dos seus antepassados e se fortalecer nas suas raízes. Ficaram os brasilienses sem dinheiro para viajar.
Os brasilienses da gema e bem de vida que se educaram em Brasília e pensam que as cidades são assim adoram o Plano Piloto, os shoppings, a orla do Lago, suas casas, cada qual com pelo menos três carros na garagem, e as telenovelas da Globo. Brasília só voltará ao que é nas terças, quartas e sextas a partir de terça-feira 7, com a volta da fauna que habita o Congresso Nacional.
Ainda nesta semana o Supremo Tribunal Federal dará início, dia 2 de agosto, ao julgamento dos mensaleiros, quadrilheiros acusados do maior roubo da história “destepaiz”. Há um livro, O Chefe, de Ivo Patarra, que faz um levantamento dos bilhões furtados dos bolsos dos brasileiros. Quem será, de fato, o chefe da quadrilha do Mensalão? O que Zé Sarney dos Atos Secretos fez é fichinha na frente do Mensalão.
O início do julgamento do Mensalão já é alguma coisa nesta Brasília ainda mais sem graça do que sempre foi, mesmo na época heroica do boa vida Juscelino Kubitschek e do coronel do cerrado Joaquim Roriz. A Ditadura dos Generais (1964-1985) foi a época de ouro a todos que puxavam o saco dos milicos. Quem sobrou dessa gente chora hoje na Praça do Pau Mole, que fica no Conjunto Nacional.
Brasília, equivocadamente a cidade mais moderna do mundo, traz sinais inequívocos, aos 52 anos, de sucateamento e corrupção. Os brasilienses que não têm para onde correr estão acossados. De um lado, no Entorno, a artilharia é a de traficantes e assaltantes, que assassinam como quem mata barata. Do outro lado, na Esplanada dos Ministérios, onde fica a Praça dos Três Poderes, o fogo é o da corrupção, que mata milhares de brasileiros, principalmente crianças, com a brutalidade das hienas, que começam a devorar suas presas ainda na tentativa delas de fugir.
Tentaram banalizar essa brutalidade. Mas ainda vão acabar descobrindo que os mensaleiros estão com o rabo preso com os narcotraficantes das Farc, com o tráfico de drogas e a indústria de carros roubados do Brasil, na Bolívia, e com o ladrão bolivariano.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Norte-Sul sangra o bolso dos brasileiros


BRASÍLIA, 23 DE JULHO DE 2012 – O Globo publicou que “milionários brasileiros têm a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais”. Segundo pesquisa da Tax Justice Network, esse pessoal tem cerca de US$ 520 bilhões, mais de R$ 1 trilhão, escondidos do fisco brasileiro, atrás somente dos chineses (US$ 1,18 trilhões), russos (US$ 798 bilhões) e coreanos do sul (US$ 779 bilhões). No caso da China e da Rússia está explicado: aquela, comunista; esta, czarista. Pulo os coreanos do sul. E os brasileiros? Será dinheiro da máfia? Do Mensalão? No total, a grana de milionários sonegadores de impostos e ladrões de 139 países soma cerca de três dezenas de trilhões de dólares.
No Brasil, a corrupção leva uma montanha de dinheiro, parte do qual vai para paraísos fiscais. Agora mesmo, a Ferrovia Norte-Sul está nas páginas policiais. Segundo a Polícia Federal, superfaturamentos na construção da ferrovia já sugaram R$ 1 bilhão dos R$ 8 bilhões gastos.
No início deste mês, os federais engaiolaram o ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, que enriqueceu a uma velocidade espantosa. Segundo a Operação Trem Pagador, Juquinha teria desviado mais de R$ 100 milhões, mas, segundo a revista IstoÉ, o rombo pode chegar a R$ 1 bilhão, dinheiro que teria escorrido também para partidos como o notório PMDB e o PR.
No lugar de Juquinha assumiu José Eduardo Castello Branco, que tem perfil técnico. Isso foi o bastante para enfurecer as ratazanas que há décadas mamam nas tetas da Norte-Sul. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça feitas pela PF mostram que na véspera da faxina determinada pela presidente Dilma Rousseff (PT), Juquinha telefonou para seu advogado, Heli Dourado, para saber se ele conversou com o “presidente”. Segundo a PF, “presidente” é um velho conhecido da Norte-Sul: Zé Sarney, aquele dos atos secretos do Senado da República. Bom, se “presidente” é Zé Sarney, mesmo, ele já viu que Dilma Rousseff não é Lula. Na época em que foi flagrado agindo clandestinamente no Senado, Lula decretou que Sarney é “especial” e pode fazer o que quiser. Mas não combinou com Dilma.
Os agentes da PF descobriram também que além de “presidente”, Sarney é conhecido por Juquinha e bando como “velhinho” e “chefe”. Segundo a IstoÉ, o filho de Sarney, Fernando, citado na Operação Faktor (Boi Barrica), é investigado por contratos suspeitos da Valec com a Dismaf para fornecimento de trilhos. “A empresa, mesmo denunciada pelo Ministério Público por fraude no fornecimento de fardamento para o Exército, conseguiu entrar na Valec. Quem intermediou o negócio, segundo a PF, foi o senador Gim Argello (PTB) e o filho de Sarney. Um dos sócios da Dismaf é Basile Pantazis, que até estourar o escândalo no ano passado era tesoureiro do PTB. Entre 2008 e o início de 2011, a Dismaf recebeu mais de R$ 410 milhões, segundo levantamento das ordens bancárias da Valec feito pela ONG Contas Abertas. A empresa quase conseguiu um segundo contrato de R$ 750 milhões, mas a licitação foi suspensa por determinação do TCU” – diz a revista semanal.
Falar em Gim Argello, trata-se de ex corretor de imóveis que ficou milionário de uma hora para outra em Brasília; os brasilienses o enviaram para o Senado para ele cuidar das questões locais, sendo as mais urgentes: violência iraquiana, saúde pública infernal e trânsito caótico. As coisas vão de mal a pior para os brasilienses que pagam impostos.
O julgamento do Mensalão, que começará dia 2 no Supremo Tribunal Federal (STF), vai esclarecer muita coisa. Talvez até aborte a ditadura em andamento no Brasil, planejada no Foro de São Paulo, com ajuda do ladrão bolivariano. Também, quem sabe, ajude a recuperar uma ponta do dinheiro brasileiro escondido em paraísos fiscais.

domingo, 22 de julho de 2012

Ao ditador da Síria só resta pedir ajuda ao Foro de São Paulo

BRASÍLIA, 22 de julho de 2012 - Bashar al-Assad, o sangrento ditador (qual não é?) da Síria, por mais de 4 décadas, deverá ser assassinado ou pego nas próximas horas. Pode até demorar dias, mas já tem fogo reservado para ele. Os rebeldes estão avançando em Damasco e a debandada na cúpula da ditadura já começou. Assad mandou torturar e assassinar até crianças. Milhares delas. Ele ainda mantém um arsenal de armas químicas, mas os judeus já estão trabalhando para destruí-lo.
Assad tem apoio do czar Vladimir Putin, da China e do Irã, por isso as forças das Nações Unidas, leia-se Estados Unidos, ainda não intervieram. A Assad só resta pedir apoio de Hugo Chávez, que aproveitaria para estender o bolivarianismo para a Ásia Menor. Mas para isso teria que pedir ajuda ao Foro de São Paulo, que reúne os ditadores e candidatos a ditador da América do Sul.
O fato é que o melhor que Assad pode fazer é rezar, porque logo estará ardendo como churrasquinho.
Nessas alturas, ditadores do mundo inteiro, e candidatos, estão botando a barba de molho. Lula já a perdeu.

sábado, 21 de julho de 2012

Próximo prefeito de Belém deve resgatar condição de Metrópole da Amazônia


Cai a noite na Estação das Docas, em Belém do Pará: Portal da Amazônia

BRASÍLIA, 21 de julho de 2012 - Manaus, a capital do estado do Amazonas, é o principal centro financeiro e a cidade mais populosa da Amazônia, com cerca de 1.832.423 habitantes (IBGE/2011), e 2.210.825 moradores (IBGE/2010) na sua região metropolitana. É considerada também a capital brasileira que mais evoluiu em qualidade de vida nos últimos dez anos, bem como foi escolhida a única da Hileia como uma das doze sedes da Copa do Mundo de 2014. O PIB de Manaus, em torno de R$ 58 bilhões, representa mais do que o dobro do PIB da colônia francesa da Guiana, do Suriname e da Guiana, juntos. Mesmo assim, Manaus não é a mais importante cidade da Amazônia. Esse título pertence a Belém.

Em quase tudo, Belém é menor do que Manaus. Com cerca de 1.392.031 habitantes (IBGE/2010) e 2.100.319 moradores na sua região metropolitana, seu PIB está em torno de R$ 50 bilhões. Mas nem sempre foi assim. Conhecida como a Metrópole da Amazônia, histórica e culturalmente Belém representa para a região o que o Rio de Janeiro significa para o Brasil. Localizada ao sul da baía de Marajó, formada pelos rios Tocantins e Pará, Belém e Macapá - a capital do estado do Amapá, situada na boca do rio Amazonas, ao norte, tendo ao meio o arquipélago de Marajó – são os portais da Amazônia, ligando a maior bacia hidrográfica do planeta ao oceano Atlântico – a Amazônia Azul setentrional.

Se no fim do século passado a Zona Franca tornava Manaus cada vez mais pujante, Belém mergulhava na decadência. Em 1997, Edmilson Rodrigues, então no PT, foi eleito prefeito de Belém, até 2005. No ano seguinte, entrou Duciomar Costa, do PTB, reeleito em 2010. Uma década e meia perdida. É tempo demais para uma cidade ficar parada. E ainda houve outro problema nesse meio tempo. Em 2006, o PT, já com Lula e a Bolsa Família bombando, elegeram Ana Júlia Carepa governadora do Pará. Ana Júlia só fez bem (será?) uma coisa: dançar carimbó. Nunca se viu neste país incompetência tão grande. Resultado: foram quatro anos de encolhimento do Pará, e, por extensão, de Belém.

De modo que o candidato a prefeito que souber passar a mensagem ao eleitor belenense de que trabalhará com afinco e competência para resgatar a importância de Belém para a Amazônia, será prefeito a partir de 1 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O tucano sem o seu penacho. Ou a curra (sem cuspe) nos brasileiros


BRASÍLIA, 19 de julho de 2012 – Sempre achei intrigante o comportamento público do governador tucano Marconi Perillo. Muito retraído. Entrevistei-o em 2010, senador e pré-candidato ao governo de Goiás, que, no seu primeiro governo, tirou da Idade Média. Empossado governador, seu discurso lembrou-me o do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que, enquanto não foi flagrado - e quadrilha, numa roubalheira impressionante, embora distante um abismo da ladroagem do Mensalão -, era considerado o mais eficiente governador do Brasil, atrás somente do então governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, virtual candidato à presidência da República, cargo que provavelmente disputará com Lula (PTMDB), em 2014.
Certa vez, quando Arruda era deputado federal, após renunciar ao Senado, também por safadeza, entrevistei-o para o site ABC Politiko. O homem deu uma aula sobre a Zona Metropolitana de Brasília, mas nunca pôs sua teoria em prática. É pós-doutorado em rapapé.
Voltando a Marconi, acho que desde a campanha, em 2010, ele já andava preocupado com o gangster Dom Carlinhos Cachoeira. A vida secreta das pessoas, principalmente públicas, podem significar pesos tão grandes que as deixam mancas, não literalmente, mas no nível mental. Seus olhos, ou sua expressão fisionômica, é que se curvam, e o máximo que conseguem são sorrisos apagados. Nunca gargalhadas cristalinas. Quando muito, o riso estridente da bacanal. Marconi tem um sinal na testa. Como a mão do ex-governador do DF, Joaquim Roriz; quando Roriz falava em público, seus dedos lembravam garras, iguais as do bispo Edir Macedo.
Conforme investigações da Polícia Federal (que vem realizando um trabalho magnífico, republicano, e se houve aparelhamento nesse trabalho foi um tiro no pé dos “companheiros”), Marconi Perillo mantém relações com Carlos Cachoeira. A vida do cidadão Marconi Perillo só interessa a ele e à sua família, mas a vida do governador Marconi Perillo pertence a todos os goianos. Há práticas que homens públicos não devem, de jeito algum, exercitar, como, por exemplo, patrimonialismo e nepotismo, nem jantar com mafiosos, porque gangster rouba sem dó nem piedade, dinheiro que poderia reduzir a ignorância, a miséria, a fome e a matança no Brasil.
O julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), a CPI do Cachoeira (um tiro no pé de Lula e, por extensão, do PTMDB, e do valentão Fernando Affonso Collor de Mello), a bacanal permanente que é o Senado dos atos secretos de Zé Sarney e a Câmara dos Príncipes, a débâcle da indústria brasileira, tudo isso mostram, aos gritos, que o Brasil não precisa de um novo Hugo Chávez, o ladrão venezuelano, mas da reforma do Estado. Ou de revolução. Aquela, se dá pelo pacto social. Esta, é sempre sangrenta.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

De país emergente, Brasil corre o risco de voltar a ser colônia de Portugal


BRASÍLIA, 18 de julho de 2012 – O Congresso Nacional aprovou salário mínimo de R$ 667,75 empara 2013. Atualmente, é de R$ 622. Vai aumentar 8,35%, R$ 43,75. Só falta a presidente Dilma Rousseff (PT) aprová-lo. Em torno de 48 milhões de brasileiros ganham um salário mínimo por mês; complementam isso com biscates. Os petistas já planejam mínimo de R$ 729,20 em 2014 e de R$ 803,93 em 2015. A Bolsa Presidiário é de R$ 862,11. Vítimas não recebem bolsa. Já a Bolsa Família pode chega a R$ 306, com a “vantagem” de que os bolsistas dessa modalidade não precisam trabalhar. Podem se dedicar ao ócio, enquanto seus tornozelos incham e as crianças brincam no monturo.
A questão social brasileira, então, está resolvida. Como disse a Presidente, PIB não é importante. Assim, os companheiros podem se dedicar a uma política mais ampla, o bolivarianismo, liderado por Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, Cristina Kirchner, Rafael Correa e Fernando Lugo. Com exceção de Lula, formam uma quadrilha. Chávez é aquele assaltante venezuelano que lidera os demais. Morales, que nacionalizou a Petrobras e legalizou a venda de carros roubados no Brasil, fez da Bolívia o maior exportador de drogas para o fantástico mercado brasileiro. Cristina Kirchner, da Argentina, é uma espécie de Hugo Chávez de saia. Rafael Correa, do Equador, é aluno aplicado de Hugo Chávez. O bispo garanhão Fernando Lugo, que vinha tentando extorquir o Brasil, com o apoio do PT, e se apropriar das terras dos brasileiros no Paraguai, que se tornou por causa dos brasilguaios o quarto exportador de soja do planeta, foi posto na rua da presidência paraguaia; agora, Hugo Chávez está planejando invadir o Paraguai para devolvê-lo ao poder.
Lula apenas toma gosto vendo tudo isso. Como percebeu que terceiro mandato para Lula é impossível, pois está fora de cogitação Mensalão no Supremo Tribunal Federal, o PT vem tentando desqualificar as instituições brasileiras que dão sustentação à democracia e ao Estado para ter clima e instalar no Brasil o tão sonhado bolivarianismo. Uma dessas instituições é a prestigiosa revista Veja, que desmascarou, além do próprio Lula, o valentão Fernando Afonso Collor de Mello e o patrimonialista Zé Sarney, que atolou o Senado na lama com os atos secretos e anexou o Amapá ao Maranhão.
O Supremo vai julgar a quadrilha do Mensalão, chefiada, segundo a Procuradoria Geral da República, por Zé Dirceu, que era o braço direito de Lula, a partir de 2 de agosto. O Mensalão foi a maior bacanal que políticos fizeram no traseiro dos brasileiros. Espera-se que, agora, os corruptos mais perigosos do país sejam postos fora de circulação. Já é alguma coisa, pois, nós, brasileiros, incluindo os cegos, precisamos pôr a economia do Brasil nos trilhos; de país emergente, corremos o risco de voltar a ser colônia de Portugal.

sábado, 7 de julho de 2012

Lula declara apoio à ditadura de Hugo Chávez


BRASÍLIA, 7 de julho de 2012 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, ontem, em mensagem de vídeo transmitida no encerramento do Foro de São Paulo, em Caracas, apoio a Hugo Chávez, que tentará sua terceira reeleição consecutiva dia 7 de outubro. “Chávez, conte comigo, conte com o PT, conte com a solidariedade e apoio de cada militante de esquerda, de cada democrata e de cada latino-americano. Sua vitória será nossa vitória” – diz Lula, que sonha em ser ditador do Brasil.
Lula, que se recupera de câncer na laringe, afirmou que gostaria “muito” de estar em Caracas, “não só para integrar a delegação do PT”, mas também para “dar um forte abraço” em seu “companheiro” Chávez.
“Com a liderança de Chávez, o povo venezuelano teve conquistas extraordinárias. As classes populares nunca foram tratadas com tanto respeito, carinho e dignidade. Essas conquistas devem ser preservadas e consolidadas” – Lula delira. Hugo Chávez, família e apaniguados estão afundando a Venezuela; venezuelanos pobres estão morrendo de fome e de doenças advindas da fome.
“Um dos fundadores do Foro de São Paulo, em 1990, Lula destacou a importância desse encontro e ressaltou que, graças aos governos “progressistas” regionais, a América Latina é hoje “uma referência internacional de alternativa vitoriosa ao neoliberalismo” – diz a Agência EFE.
“Claro, ainda há muito por fazer. Os fatos ocorridos, por exemplo, em Honduras e Paraguai, mostram o muito que ainda precisamos lutar para que a democracia prevaleça em nossa região” – disse Lula, citando o recente impeachment do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e a queda, em 2009, do então presidente hondurenho, Manuel Zelaya.
Lula observou que os países latino-americanos estão “marcados pela pobreza e pela desigualdade”, destacando a necessidade de apostar em “mais crescimento econômico, políticas sociais e reformas estruturais” na região. Lula teve essa oportunidade durante 8 anos no Brasil, e tudo o que fez foi aparelhar o Estado e anestesiar o povão com a Bolsa-Esmola.
“Em tudo o que fizemos até agora, que foi muito, o Foro e os partidos do Foro tiveram um grande papel que poderá ser muito maior se soubermos manter nossa principal característica: unidade na diversidade” – continuou, com sua algaravia.
Transmitido o vídeo, foi a vez do bufão venezuelano falar. “Eu lhes confesso que começo essas palavras muito comovido, sobretudo por essa mensagem desse grande companheiro, amigo desta pátria, desta alma nossa que é Luiz Inácio Lula da Silva. Eu te digo, Lula, desde aqui, que tenho certeza que a cada dia se aproxima mais o momento em que conseguiremos de novo nos encontrar, e o abraço que vamos dar vai ser um abraço do tamanho deste mundo e além” - sentenciou o amigão de Lula.
Como Lula não consegue dar um golpe de Estado, tornou-se amigão de todo e qualquer ditador, incluindo antropófagos. Deve ser um meio de se sublimar. (Com informações da EFE)

Ponte que liga o Amapá à Guiana Francesa está pronta, mas BR-156 está longe de ser concluída


BRASÍLIA, 7 de julho de 2007 – O mais influente noticioso televisivo do país, o Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou, ontem à noite, um pouco sobre como as coisas costumam funcionar (ou não funcionam) na Amazônia, precisamente no estado do Amapá, no setentrião da costa brasileira, fronteira com a Guiana Francesa, país que a França mantém como colônia na América do Sul.
Em 13 de setembro de 1943, foi criado o Território Federal do Amapá, desmembrando do estado do Pará, e em 1 de janeiro de 1991, foi instalado o estado do Amapá, criado pela Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Foi nessa época, aliás, que o maranhense Zé Sarney foi eleito pelos tucujus senador vitalício. Sarney deu notoriedade ao Amapá, que só era conhecido como fonte do melhor manganês do mundo, com o qual o governo brasileiro presenteou os americanos, que o estocaram no Tio Sam e deixaram o buracão no município de Serra do Navio.
Pois bem, com 142.814,585 quilômetros quadrados, o Amapá é cortado longitudinalmente pela A BR-156, que liga Macapá, a capital, a Oiapoque, na divisa com a Guiana Francesa. Essa rodovia começou a ser construída nos anos de 1940. Tem cerca de 900 quilômetros, mas apenas 150 quilômetros foram pavimentados. Em quase sete décadas de construção, já enriqueceu muita gente boa e, pelo jeito, ainda vai encher os bolsos de muita gente boa.
Em agosto de 2011, o Brasil concluiu, após dois anos de construção, uma ponte sobre o rio Oiapoque, no valor de R$ 71 milhões, ligando a cidade de Oiapoque (açougue de carne infantil a turistas libidinosos, que atravessam o rio Oiapoque em busca de aventuras que só o Brasil pode proporcionar) a Caiene, a capital da colônia francesa, a 5 quilômetros de Oiapoque. Do lado francês, a rodovia e as instalações alfandegárias estão prontinhas, mas do lado amapaense só há a decrepitude de sempre.
Atualmente, o Amapá está nas mãos da família Capiberibe. O governador, Carlos Camilo Góes Capiberibe (PSB), 40 anos, é filho do ex-governador por 8 anos e agora senador João Capiberibe e da deputada federal Janete Capiberibe, ambos também do PSB. João Capibiberibe não concluiu a BR-156 e Camilo não leva jeito de que vá concluí-la. Esse negócio de que a rodovia é federal, que é preciso se ajoelhar na frente da presidente Dilma Rousseff, ou ir diretamente a Lula, para que a BR seja concluída, é papo furado. Um governador pode muito; é só ter vontade política. É claro que para isso é preciso também ser avesso a patrimonialismo e a nepotismo, e bater de frente contra as gangs que assaltam o Amapá.
A propósito, segundo o jornal O Estado de São Paulo, até junho de 2010, a verba indenizatória dos deputados estaduais do Amapá era de R$ 15 mil mensais; subiu para R$ 50 mil e depois para R$ 100 mil, por sugestão do presidente da casa, Moisés de Souza (PSC), e acolhida por unanimidade. Foi algo tão descarado que as aves de rapina recuaram e baixaram o saque para R$ 50 mil, ainda assim, a maior do Brasil. Os deputados estaduais de São Paulo recebem R$ 13 mil mensais e os federais, R$ 35 mil (houve aumente recentemente, mas ainda está longe de R$ 50 mil). Detalhe: o Amapá é um dos estados mais pobres da federação.
Moisés de Souza é da turma de Zé Sarney. Falar em Sarney, o senador vitalício criou em Macapá uma “zona franca” de quinquilharias que atraiu boa parte da população pobre do Maranhão. Agora, Zé Sarney tem eleitor até para voltar à presidência da República. Lula, que ungiu Sarney como inimputável, que se cuide.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Voo vertiginoso

No meu coração brincam muitas crianças;
Seus risos, ouço-os azuis, a pingar diamantes.
E sinto rosas desabrochando, como vertigem do primeiro beijo,
No ar prenhe de Chanel número 5.
Meu coração respira o sabor da mulher amada,
Cheiro de mar numa tarde de julho.
Meu coração pulsa movido a risos de crianças
A rosas desabrochando
Ao choro de jasmineiros em tórrido anoitecer na Estação das Docas
A madrugadas
A acme que escapa dos lábios da mulher amada,
Secos de gozo, e que ela umidifica com a língua,
Tirando os cabelos do rosto, num gesto intenso.
Meu coração está prenhe do sabor indescritível
Do corpo da mulher amada, que eu ergo, como leão
Abismo de labirintos em que sou conduzido pela luz de uma estrela de outra galáxia,
Inalcançável, mas que cintila nos meus próprios olhos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

CONTO/Café Espresso

O Entorno de Brasília lhe lembrava, naquele ano, a floresta do sudeste do estado do Pará, devastada, desolada, degradada, enfumaçada, pontilhada de caieiras que alimentavam usinas metalúrgicas clandestinas, espalhadas naquela paisagem de pós-guerra. A umidade relativa do ar caíra para 4%, e o Planalto tremeluzia em chamas. O dia fora sufocante, mas chegara o momento da transição entre a tarde e a noite, instante de trégua, portal que se abre durante um brevíssimo lapso, mas que dá acesso para a eternidade. Era agosto, terça-feira 7, lua cheia. O inverno ia ao meio. A noite caiu como uma bofetada, e também a temperatura, que desabou para 14 graus.

A redação da revista Brasília Agora ficava no quinto andar do Conjunto Nacional, shopping não distante do Setor Hoteleiro Sul, aonde, às quintas-feiras, Honorato costumava incursionar, terminando quase sempre no Jazz Club do Churchill Lounge Bar, no Hotel Meliá Brasil 21. Estava fechando a edição de agosto, naquela terça-feira. A publicação circulava geralmente em meados do mês. Tomou o elevador e se dirigiu para o Café Kopenhagen, defronte à Livraria Saraiva, no segundo piso. O Café Kopenhagen era o melhor mirante do shopping, de onde, confortavelmente instalado em cadeiras de vime (palhinha, como se dizia em Belém, sua cidade natal), podia-se apreciar o desfile das mulheres, uma mais linda do que a outra, que surgiam por ali como de uma mina de rubi. Alexandre o aguardava. Apertou a mão dele e foi diretamente ao balcão pedir os dois espressos curtos de sempre. Alexandre era publicitário freelance e artista plástico.
- Rapaz, tu estás só pele e osso; precisas tirar férias, de tudo – disse Honorato.
- Não estou conseguindo concluir meu trabalho para a próxima exposição na Laura Alvim, no próximo mês. Tenho que expor 21 telas. É o contrato. Mas não consigo terminar as sete que estão faltando. A Frênia é como uma toxina; estou viciado nela – Alexandre se lamentou.
- Tu precisas te desintoxicar, do contrário só restará teu corpo astral vagando por aí.
- Ontem, eu estava trabalhando quando ela telefonou para eu ir à casa dela. Fui, e não voltei mais para o ateliê. Foi pau rosa até a noite.
- Sempre tiveste vontade de conhecer a Amazônia. Pois bem, sou amicíssimo do dono de uma pousada em Soure, na ilha de Marajó, no Pará. É um lugar paradisíaco, exatamente o que os europeus chamam de realismo fantástico. Trata-se da maior ilha fluviomarinha do mundo, do tamanho de Portugal. Fica no meio do que eu chamo de Mundo das Águas: entre o maior rio do planeta, o Amazonas, a noroeste; o rio Pará, ao sul; o rio Tocantins, a sudeste; e o oceano Atlântico, a nordeste. A Linha Imaginária do Equador corta a ilha Mexiana, ao norte de Marajó, separadas pelo Canal do Sul do Amazonas. É indescritível. Uma semana longe de tudo vai te fazer recarregar as baterias da criação e te pôr no foco de novo.
- Ela ia querer ir comigo – disse Alexandre.
- Bem, tens que escolher entre a compulsão e o prazer permanente; só este traz paz de espírito. A compulsão é apenas algo físico, e, como se diz no budismo, o mundo físico é sombra da mente. Damos muito valor ao sexo, porém o sexo é físico, e o corpo, como tudo o que é material, se transforma constantemente. Em 15 anos, todas as nossas células são substituídas. Fisicamente, mudamos o tempo todo, até que termina o tempo útil do corpo e ele se desintegra, quando a vida se retira dele e vai para a sua dimensão, a eternidade – Honorato discursou.
- Então não é o caso de aproveitarmos bem enquanto somos jovens e buscarmos o prazer? – Alexandre perguntou, sorrindo.
- Isso é uma escolha, e há dois caminhos a tomar: o da angústia, advinda da compulsão; e o da paz de espírito, fruto da tarefa cumprida. Neste caso, tudo o que nos é dado, além da alegria, o é por acréscimo, e isso pode ser uma mulher magnífica – Honorato respondeu.
- Honorato, eu não saberia viver senão numa velocidade astronômica – disse Alexandre.
- Assim és, se assim pensas. Somos o que pensamos – disse Honorato. – Mas creio que o corpo é apenas o principal instrumento por meio do qual o espírito evolui, a fim de conseguir entrar, plenamente, na sua própria dimensão, que é o mundo espiritual, e o apego é sua maior prova. Penso que devemos apreciar, sim, o maravilhoso mistério feminino, mas somente quando isso nos é dado por acréscimo.
- O fato é que a combinação Honorato/café espresso me faz bem; tu darias um ótimo psicólogo – disse Alexandre, que era carioca e, como Honorato, flexionava o tu lisboeta com a mesma graça com que o jornalista se expressava, com o chiado comum dos cariocas e belenenses.
- Acho que bater papo é algo que causa grande prazer a nós dois, pois temos muita coisa em comum; quanto ao café, com efeito, ele leva à produção de dopamina e ao disparo de sinapses, além de compor-se de mais de duas mil substâncias benéficas ao nosso corpo. O espresso curto contém todas essas substâncias. Mas acho que eu não seria, de modo algum, psicólogo. Qualquer profissão exige trabalho focado, e meu foco é jornalismo. Utilizo minha percepção de mundo para apresentar aos leitores de Brasília Agora a cidade como ela é, hoje: metrópole, não mais quintal de São Paulo, e que oferece tudo o que procuramos – disse Honorato.
- Nem tudo. Tu sabes muito bem que qualquer artista que não é profissional tem que morar, pelo menos durante certo tempo, no Rio de Janeiro ou em São Paulo – disse Alexandre.
- Nisso tens razão, inclusive penso, às vezes: o que o Alexandre faz em Brasília? Acho que teu lugar é no Rio.
- É nisso que eu venho pensando também, mas a Frênia é funcionária do Senado, e o dinheiro que eu ganho é esporádico. Às vezes, ganho muito dinheiro, mas posso passar bastante tempo sem grana... ela chegou! – quase gritou Alexandre.
Frênia surgiu da ala sul. Caminhava como modelo na passarela, os longos cabelos ruivos esvoaçantes, os seios empinados, selada, as ancas opulentas, as pernas bem torneadas, o mesmo bocão da atriz Aline de Moraes, e olhos de clorofila.
- Olá, cavalheiros - gorjeou. – Eu também quero café - ela se sentou e fitou o jornalista, sorrindo.
“O protótipo da predadora. Mas a predadora só se estabelece quando há oportunidade” – pensou o jornalista.
Alexandre fora pedir mais café.
- O Alexandre é fascinado por você – disse Frênia. Exalava Chanel número 5.
Alexandre retornou carregando uma bandeja com três espressos curtos, sentou-se e pôs-se a explicar à Frênia a possibilidade de passar uma semana na ilha de Marajó, sem perceber o que estava ocorrendo. O velho jornalista sentiu o mesmo terremoto do primeiro beijo, numa manhã de julho, em Salinas, na costa paraense, quando Frênia pegou na sua coxa. Ela estava dizendo que Alexandre deveria ir, sim, à ilha de Marajó, que ela lhe dava todo o apoio, que isso seria importante para ele recarregar suas baterias da criatividade e concluir o trabalho para a exposição, e que suportaria sua ausência com estoicismo. Dizia isso e apertava a coxa do jornalista.
- Preciso subir – disse Honorato.
- Então, amanhã de manhã vamos conversar para acertar minha ida à Soure – disse Alexandre.
O Conjunto Nacional bombava. Honorato tomou o elevador e pouco depois entrou na redação de Brasília Agora. Ainda se sentia trêmulo. Sentou-se à mesa, procurou acomodar-se na cadeira, buscando conforto, e ligou o rádio, que já estava sintonizado na Super Rádio Brasília FM. Ouviu-se o Concerto para piano e orquestra, em ré menor, de Mozart. A música fluía como o pulsar do sangue no ouvido, tênue vibração, o azul que vai tomando conta da tarde, até se transformar em noite. Fechou os olhos e começou a respirar cadenciadamente, procurando não pensar em nada. Permaneceu assim uns cinco minutos. Abriu os olhos, tirou do bolso do paletó o cartão que Frênia colocara ali, rasgou-o, jogou-o na lixeira e voltou ao trabalho.

Brasília, 23 de abril de 2012