sábado, 27 de outubro de 2012

Macapá já está perdida. Resta Belém do Pará



BRASÍLIA, 27 de outubro de 2012 – Os moradores da mais importante cidade da Amazônia, Belém do Pará, escolherão, neste domingo, 28, seu prefeito, entre o tucano Zenaldo Coutinho e o marxista (seja lá o que isso queira dizer) Edmilson Rodrigues. Belém é minha segunda cidade natal. Minha verdadeira cidade natal, Macapá, já está perdida, pois os candidatos a prefeito são Roberto Góes (PDT) e Clécio Luís (Psol).

Macapá é puro realismo fantástico. Debruça-se à boca do maior rio do mundo, o Amazonas, na confluência da Linha Imaginária do Equador. Não conta com esgoto e sofre com falta de água e energia elétrica. Suas ruas são esburacadas e vem sendo saqueada, assim como o estado do Amapá, este, anexado ao Maranhão, desde sempre.
Este caboco, Roberto Góes, 46 anos, natural do município de Porto Grande, é candidato à reeleição e é presidente da Federação Amapaense de Futebol. É primo de Waldez Góes (PDT), ex governador do Amapá (2003-2010), natural de Gurupá (PA). Em 10 de setembro de 2010, Waldez Góes foi preso pela Polícia Federal na Operação Mãos Limpas, acusado de meter a mão em dinheiro da Educação do estado e da União – a quadrilha desviara cerca de R$ 300 milhões. Curtiu cana até 20 de setembro daquele ano, quando recebeu um mandado de condução coercitiva na operação Mãos Limpas, resultado de investigações de desvio de verbas públicas no valor de R$ 1 bilhão no Governo do Amapá durante a sua gestão, com extensão na prefeitura de Macapá.
Em 18 de dezembro de 2010, Roberto Góes, o atual prefeito, foi preso pela Polícia Federal, acusado de sabotar a PF. Uma semana antes, os federais apreenderam R$ 35 mil na Secretaria Municipal de Finanças de Macapá, dinheiro supostamente oriundo de licitações fraudulentas. Escutas da PF captaram um diálogo em que Roberto Góes pede à irmã, Queila Simone Rodrigues da Silva, procuradora-geral do município, medidas que obstruíssem as investigações. Roberto Góes ficou preso por quase 60 dias na penitenciária da Papuda, em Brasília, solto em 11 de fevereiro de 2011.
Ele responde ainda à ação penal no Tribunal de Justiça do Amapá por porte ilegal de arma de fogo e agora não pode frequentar locais públicos, como bares, restaurantes e similares. Também não pode deixar o Amapá por período superior a 30 dias sem autorização judicial, além de ter que comparecer em juízo de 5 em 5 meses.
Em agosto de 2012, foi suspenso procedimento licitatório instaurado pela Secretaria Municipal de Saúde visando contratar a empresa Criativa Construções Ltda., ligada a um parente de Roberto Góes. Segundo o Ministério Público, a contratação teria como finalidade desviar receita para alimentar caixa 2 da campanha de reeleição do prefeito.
Em setembro de 2012, o jornalista João Bosco Rabello, do Estadão, publicou no seu blog um post intitulado: “Um Prefeito sob controle judicial". Roberto Góes ingressou com ação e a Justiça Eleitoral do Amapá (Zé Sarney e a Justiça Eleitoral do Amapá já censuraram meio mundo) determinou a retirada da matéria do ar. Após protestos de diversas associações de jornalistas, o juiz eleitoral voltou atrás e revogou a determinação.
Roberto Góes responde ainda a inquérito no Ministério Público do Amapá pela retenção, por parte da Prefeitura de Macapá, de R$ 4,7 milhões descontados em folha dos servidores públicos que fizeram empréstimos consignados, e que deveriam ter sido repassados ao Banco Itaú.
Quanto ao candidato Clécio Luís, o que conspira contra ele é o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), agremiação marxista, fundada em 2004, fruto de dissidência do Partido dos Trabalhadores (PT), que acaba de ter sua elite identificada como quadrilha, e um de seus ideólogos, Zé Dirceu, como chefe da gang.
Uma coisa puxa outra. O jornalista e intelectual Reinaldo Azevedo, que escreve na Veja.com, faz uma análise procedente sobre Lula, o criador do PT. Ele acha que todo esse frenesi de Lula nas eleições municipais é devido ao medo de virar réu nos outros processos do Mensalão. Reinaldo Azevedo: “Não desta parcela que está no Supremo, mas daquele que corre na primeira instância. Lula está fazendo essa gritaria país afora para ver se intimida os representantes do Ministério Público. Tenta repetir a tática de 2005, quando correu para os “braços do povo” — e a oposição, infelizmente, caiu no truque. O procurador da República Manuel Pastana, que atua no Rio Grande do Sul, já encaminhou uma representação à Procuradoria Geral da República em que pede que o ex-presidente seja responsabilizado criminalmente pelo Mensalão. Mais do que qualquer outro réu do Mensalão, Lula tem as digitais nesse imbróglio num caso em particular: aquele que diz respeito ao banco BMG — uma das instituições financeiras que fizeram os falsos empréstimos a Valério e ao PT (já comprovados pelo Supremo)”.
Ainda Reinaldo Azevedo: “Lula está com medo. Não faz tempo, ele dizia por aí que o Mensalão só seria julgado em 2050. Agora que a cadeia espreita alguns de seus aliados, teme entrar na fila. Até porque, como se vê acima, se Dirceu não assinava os crimes pelos quais foi condenado, é certo que Lula deixou assinaturas que beneficiaram o BMG, que foi, é inequívoco, um dos bancos do Mensalão. Uma das razões para Lula sair por aí deitando a sua glossolalia política é blindar-se, tentando intimidar o Ministério Público e a Justiça. Ele quer que as massas gritem: “Se tocarem em Lula, haverá rebelião”. Não haverá”.
Voltemos ao Psol. Trata-se de uma turma leninista, trotskista, marxista libertária e eurocomunista, pronta para usar a massa ovina e chegar ao poder, instalando partido único, ou seja, ditadura.
Agora, Belém. Edmilson Rodrigues e Zenaldo Coutinho são candidatos a prefeito d a Cidade das Mangueiras, a Cidade Morena, o Portal da Hileia, a Capital da Amazônia.
Edmilson Rodrigues, 55 anos, belenense, foi eleito e reeleito prefeito de Belém, de 1997 a 2005, e foi pré-candidato à presidência da República pelo PT, em 2002. É arquiteto, mestre em urbanismo e doutor em geografia pela USP. No primeiro governo municipal de Edmilson Rodrigues, sua vice foi a ex governadora do Pará (2007-2010), a dançarina de carimbó Ana Júlia Carepa. Edmilson Rodrigues, que em 2005 ingressou no Psol, foi sucedido na prefeitura por Duciomar Costa (PTB), o Dudu, 57 anos, natural de Tracuateua (PA). Somando Edmilson Rodrigues e Dudu, o atual prefeito (2005-2012),  são uma década e meia ladeira abaixo. Belém está numa ratoeira.
Zenaldo Coutinho, 51 anos, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA), foi eleito vereador por Belém, em 1985, aos 21 anos, o mais jovem do Brasil, à época. Desde então, também como deputado estadual e federal, dedica sua vida a três temas: Belém, o Pará e a Amazônia. Em 2011, comandou o “não” à divisão do estado do Pará, contra a criação dos estados de Carajás e do Tapajós.
Na manhã de 14 de fevereiro de 2012, uma terça-feira, Zenaldo Coutinho me recebeu no seu gabinete no Anexo IV da Câmara dos Deputados para a seguinte entrevista:
BRASÍLIA, 26 de fevereiro de 2012 – Belém precisa voltar a ser a capital da Amazônia – Fundada em 12 de janeiro de 1616, Belém, a capital do estado do Pará, é a mais importante cidade da Amazônia. Um mergulho na história e na cultura da Amazônia Clássica, a análise da geografia do Trópico Úmido, e um estudo geopolítico do Mundo das Águas (os rios Amazonas, Tocantins, Pará e Guamá, e o Atlântico, abrindo-se como a bocarra de um jacaré-açu sobre o arquipélago de Marajó), confirmará minha tese. Distante 2.146 quilômetros de Brasília, a Cidade das Mangueiras está, na verdade, ainda mais distante da Ilha da Fantasia. Caso fosse um país, o Pará seria um potencialmente rico, pois não teria que pagar ICMS para São Paulo e receberia integralmente royalties sobre sua inacreditável província mineral, o onírico El Dorado dos colonos espanhóis.
Belém, à noite, lembra um óvni pairando sobre a baía de Guajará. O município, com 1.064,918 quilômetros quadrados, é integrado ainda por 38 ilhas habitadas. Por conseguinte, Belém é uma cidade insular. Com cerca de 1.392.031 habitantes (IBGE/2010) no município, a região metropolitana de Belém tem em torno de 2.100.319 habitantes. Os dois últimos prefeitos dessa cidade deliciosa (sim, deliciosa) como tacacá foram desastrosos. O então petista e hoje do Psol Edmilson Rodrigues, 55 anos, foi prefeito de 1997 a 2004. Só não foi mais incompetente do que a ex-governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, porque isso é impossível, mas foi substituído por um quase Ana Júlia Carepa: Duciomar Costa, 57 anos, do PTB, que esquenta (ou esfria) a poltrona de prefeito desde 2005. Hoje, a Metrópole da Amazônia é uma sombra do que realmente ela é. Por isso, a Cidade Morena precisa de um prefeito, talentoso, que a entenda.
Entre os vários pré-candidatos, um se destaca pelo seu preparo, não só sobre Belém, mas também sobre a chamada questão amazônica. Zenaldo Rodrigues Coutinho Júnior, 51 anos, jovem advogado no quarto mandato de deputado federal pelo PSDB, foi quem liderou o não à divisão do estado do Pará em três unidades, e agora coleta assinaturas para a formação da Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia. A Amazônia, diga-se, continua sendo vista, criminosamente, como celeiro do mundo, e a massa da sua população, de 25 milhões de habitantes, é cada vez mais espoliada por uma elite que passa por cima da própria mãe para morder dinheiro.
A questão é: a energia elétrica gerada na Hileia e a produção mineral no Trópico Úmido precisa enriquecer também o amazônida, proibido até de abater jacaré, que dá no meio da canela, e come também canela. A grande imprensa vê uma Amazônia mitológica, por jornalistas descredenciados, em nível mundial, mas principalmente no Brasil, e, especialmente, em Brasília, a Ilha da Fantasia; e, pasmem, por desinteligência na própria Amazônia. Por isso é que a Amazônia precisa ser divulgada tal qual ela é, para que os amazônidas se livrem do pensamento de colonizado, a síndrome do vira-lata.
Zenaldo Coutinho me recebeu no seu gabinete no Anexo IV da Câmara dos Deputados, na manhã de 14 de fevereiro de 2012, uma terça-feira, para a seguinte entrevista:
O principal problema de Belém seria rede de esgoto e de galerias de águas pluviais defasadas?
O principal problema de Belém é ausência de autoridade. Nós temos um conjunto de problemas que decorrem da falta de ação; muitas vezes, da absoluta inoperância da administração municipal, o que resulta em situações dramáticas. Belém é uma das capitais com menor índice de esgotamento sanitário do país, temos trânsito caótico, serviço de saúde ineficaz, insignificante, sistema educacional irrisório. Precisamos modernizar, aparelhar, equipar e ampliar a rede municipal de ensino fundamental, da mesma forma que temos que ampliar os serviços de saúde. As pessoas estão padecendo muito em Belém. Além da ausência de autoridade, há ainda falta de carinho para com a população. Belém precisa ser vista como extensão das casas de todos. Belém já foi a metrópole da Amazônia, e tem que voltar a sê-lo.
O senhor pensa Belém como um arquipélago?
Belém é a única capital-arquipélago do país, mas, nela, o transporte público fluvial é subutilizado. Implementar o transporte público fluvial já foi tentado, mas não logrou êxito. Creio que por não ser um serviço de excelência, com garantia de segurança e rapidez, como, por exemplo, a Rio-Niterói, com barcaças, catamarãs etc. É necessário que tenhamos um olhar sobre Belém de modo a não vê-la apenas como continente, mas uma cidade que tem 38 ilhas povoadas e onde há pessoas, portanto com necessidade de transporte. Obviamente esse não é o grande nó do trânsito belenense, mas, resolvido, ajudará a desafogar o trânsito. Icoaraci, por exemplo, pode abrigar um porto rodo-fluvial.
Belém é historicamente a cidade mais importante da Amazônia, mas seu patrimônio arquitetônico está se deteriorando.
Isso é gravíssimo, e se soma ao desleixo, falta de carinho, de atenção da autoridade para com tudo aquilo que é de todos. Repito: a cidade tem que ser vista como nossa casa. Jogamos lixo no chão da nossa casa? A cidade precisa do sentimento coletivo de respeito, de carinho.
Belém é a Cidade das Mangueiras; seu subúrbio o é também?
Antônio Lemos (prefeito de Belém, no fim do século XIX e início do século XX) foi o responsável pela plantação das mangueiras, que é uma árvore exótica na Amazônia, originária da Índia. Particularmente, defendo os corredores de mangueiras, mas também uma variação da nossa arborização, as essências amazônicas, estendidas também para os bairros periféricos de Belém, que precisa, como um todo, de mais arborização e jardinagem.
E as portas para o rio?
O turismo em Belém é incipiente. Precisamos de uma ação muito forte voltada para o turismo. Temos muito mais opções do que Manaus. Em Belém, além da floresta e da história, temos praias de rio e de mar, e Marajó, pertinho. Temos que estar antenados com a questão turística.
Que nota o senhor dá para os 7 anos da atual administração municipal?
Eu prefiro aguardar a nota que a população vai dar em outubro.
Caso o senhor seja efetivado como candidato e se eleja prefeito, qual será sua linha de atuação?
Já estou trabalhando em um projeto, ousado, moderno, corajoso, por uma Belém que faça justiça à comemoração dos seus 400 anos, o que ocorrerá na próxima administração.
Falta financiamento para a reforma estrutural de Belém?
Financiamento se consegue; o que falta é estabelecer prioridades. Agora mesmo há um embate, desnecessário, da prefeitura com o governo do estado, que, há 20 anos, desenvolve um projeto, com os japoneses, com visão metropolitana, porque ele leva o ônibus expresso de Marituba até o centro de Belém, com investimento de US$ 320 milhões, já garantidos, assegurados, assinados, e a prefeitura tem um outro projeto, de Icoaraci até São Brás. Pretende-se que a prefeitura chegue até só o Entroncamento, para que não haja sobreposição de projetos, até porque os japoneses só financiam se houver apenas um executor da obra. Essas ações de integração são fundamentais, daí porque é importante a harmonia entre a prefeitura e o governo do estado, pois o administrador público não deve ficar isolado, o que inclui um diálogo eficiente com todos os mecanismos de financiamento.
O senhor liderou a campanha pela não divisão do Pará. Por quê?
Em defesa do nosso estado, da população. Durante muito anos, aqui no Congresso, briguei para que houvesse estudos que antecedessem a consulta popular, sobre os impactos sociais, econômicos, tributários, ambientais, que analisassem as consequências na vida das pessoas em cada região a respeito de uma possível divisão. Infelizmente, foi um discursos para surdos. No caso de Belém, todos os estudos preliminares que havia, incluindo o da Universidade Federal do Pará, apontavam para o empobrecimento das três regiões. Teríamos implemento de despesas sem implemento de receitas. Teríamos que dividir o pouco que o estado do Pará já recebe, e teríamos o ônus de ter três assembleias legislativas, três palácios de governo, ou seja, teríamos uma elite usufruindo das estruturas de poder e uma população empobrecida e sem políticas públicas. Isso ensejou a nossa participação ativa, aqui no Congresso, e, posteriormente, na campanha pelo não no plebiscito. Graças a Deus, dois terços da população disse não à divisão do Pará.
Que avaliação o senhor faz do governo Dilma Rousseff?
A presidente Dilma tem acertado em adotar uma série de modelos que nós, do PSDB, legamos, como a questão da privatização. Os petistas transformaram em demônio a questão das privatizações, mas agora o próprio governo federal, através da presidente Dilma, reconhece que se trata de um modelo que dá mais eficácia na gestão dos serviços públicos, se o modelo for aplicado de maneira adequada, como o foi na telefonia, quando nós o aplicamos. Eu me lembro que antes que o PSDB privatizasse a telefonia, telefone era tão caro que era declarado no Imposto de Renda. Hoje em dia, todos os brasileiros que quiserem têm acesso a telefone, graças à privatização. Também o Brasil se mantém equilibrado, mesmo com a crise internacional, graças aos fundamentos da macroeconomia brasileira deixados pelo governo do PSDB, como é o caso da Responsabilidade Fiscal, que foi um item extremamente criticado pelo PT, na época em que nós o adotamos, e hoje é modelo até na Europa, no combate à crise europeia. Ainda, o governo petista mantém o Plano Real, o maior instrumento de justiça social estabelecido no país. Mas, apesar de pouco mais de um ano de governo, sete ministros caíram flagrados em corrupção, o que é muito grave. E precisamos agilizar as obras nacionais, que estão muito vagarosas, especialmente as do chamado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que estão empacadas. Temos que agilizar isso. Nós, da oposição, estamos fiscalizando para que as coisas efetivamente aconteçam.
Se o PT lê a cartilha do PSDB, por que os tucanos não conseguem voltar para ao Palácio do Planalto?
Porque existe transição democrática. Nós passamos oito anos no poder e o PT está caminhando para os doze anos, mas em muitos estados, de norte a sul, o PSDB está no poder. A democracia é, portanto, um processo natural, legítimo. Mas os partidos têm que viver, sempre, na busca da realização dos seus projetos, buscando eficiência, eficácia para melhorar a qualidade de vida da população, o que quer dizer que o projeto de poder não é um projeto de poder pelo poder, e também não quer dizer que se o partido não está naquele momento no poder ele está liquidado. Nós podemos exercer o poder no governo e na oposição. Aquele que está no governo exerce o poder do fazer e o que está na oposição exerce o poder político da pressão, do monitoramento, da fiscalização, da cobrança, para que os projetos públicos aconteçam. Nenhuma dessas duas posições é inadequada. A democracia só persiste porque existem essas posições diferentes. O importante é que o PSDB tem lutado a favor do Brasil, e continuaremos a nossa caminhada. Temos já o nosso pré-candidato a presidente da República, Aécio Neves, que foi grande governador de Minas Gerais e é senador respeitado. Estamos construindo um diálogo com a população para voltar à presidência da República.

Com a Wikipédia

sábado, 20 de outubro de 2012

Belém do Pará, nua

Anoitece na Estação das Docas, docemente, como negra em vestido de seda.
De tão intenso, o azul sangra, como choram jasmineiros em noites tórridas!

BRASÍLIA, 20 de outubro de 2012 – Quem chega de avião a Belém, à noite, à direita da aeronave, divisa, lentamente, a miríade de LEDs, bruxuleantes, sobre a península que avança para a escuridão, até que os contornos do rio Guamá vão ficando cada vez mais nítidos, à medida que se alarga na baía de Guajará, torres iluminadas se agigantam e os telhados das casas se aproximam. Subitamente, os gigantescos pneus do jato se chocam no chão de concreto e a nave desliza, veloz, começando a taxiar rumo ao terminal de passageiros. Ao pisarem no aeroporto de Val-de-Cães, os iniciados já começam a sentir, plenamente, a Cidade das Mangueiras. Pelo rio, de dia, ela surge como mulher emergindo, de repente, salpicando água, nuazinha.
Todas as cidades são semelhantes, inclusive Brasília, porém, conforme a iniciação de quem mergulha nelas, são portais para outras dimensões. Contudo, todas têm algo em comum: são mulheres, e como mulheres, não podem ser decifradas; precisam apenas ser amadas, pois só para isso existem, como poemas escritos por Deus.
Da mesma forma que as mulheres, as cidades são redes de labirintos intermináveis, abismos de segredos, por onde navegamos, sempre perdidos, mas firmemente guiados pelo azul mais azul, tão intenso que sangra. As cidades, exatamente como as mulheres, são choro de jasmineiros em noites tórridas, quando se abrem, de corpo e alma, aos nossos sentidos. Mergulhamos nas ruas das cidades do mesmo jeito que cavalgamos a luz, nos abismos femininos.
Sentado no calçadão defronte ao Colégio Nossa Senhora de Nazaré, ao embalo estático das 6 horas da tarde, caminho ao lado de cada uma das mulheres que passam, espargindo Chanel número 5, sob seus vestidos estampados. Então descubro o segredo da Hileia, deslindo o mistério, e, assim, o amplio: toda a Amazônia está contida num ramo de jambu. E é assim, nesse estado, que me acomodo numa cadeira de palhinha na Estação das Docas. Ao longe, um navio segue para o norte. Sinto cheiro de maresia, Cerpinha, merengue, à passagem de uma negra caribenha em vestido de seda, sílfide equina.
Continental e insular, Belém é o encontro da Grande Floresta Tropical com o oceano Atlântico nas águas salobras de Mosqueiro; o encontro da Hileia com a cidade pós-moderna; do ribeirinho com o cosmopolita; a Cidade Morena.
Amanhece. À medida que o dia vai esquentando e seus habitantes se movimentam, os subterrâneos vão minando. A cidade despeja esgoto in natura no rio. Há bairros nos quais moradores vivem em cima da merda. Outros, quando chove grosso e durante horas, vão para o fundo. O trânsito é caótico, e a segurança, como no resto do país, beira a lei da selva. Turistas só vão lá porque viver não é preciso; conhecer Belém é preciso.
Já faz tanto tempo que essa fêmea amazônida, esse portal do realismo fantástico, vem sendo estuprada por ratos que mordem seus seios, de onde, em vez de leite da mulher amada mina sangue de crianças de rua apedrejadas! Belém precisa de um prefeito que a ame, que a faça rir, que a revele em todo seu esplendor, como mulher ao toucador, absorta, nua.

sábado, 6 de outubro de 2012

A capital da Amazônia

BRASÍLIA, 6 outubro de 2012 – Desde que o espanhol Vicente Yáñez Pinzón, descobriu a Amazônia, em 26 de janeiro de 1500, que a Hileia vem sendo espoliada. Saqueada e escravizada pelos lusitanos durante 4 séculos, hoje, vem sendo colonizada pelo estado brasileiro, há mais de 1 século, constituindo-se na região mais infestada de colonos, piratas e escravocratas do planeta, incluindo os governos que se sucedem em Brasília, comandada, atualmente, pelo PT, o do Mensalão, do qual só se identificou, até agora, o chefe da quadrilha. Falta o chefão.
Voltemos à Amazônia. Trata-se da maior província biológica, aquífera e mineral do mundo, sem similar. O governo federal realiza grandes projetos na Amazônia, e não para a Amazônia. Por exemplo: a Vale do Rio Doce exporta uma montanha de minério de ferro e no Pará só fica o buraco, como o de Serra do Navio, no vizinho estado do Amapá, de onde foi extraído e vendido a preço de banana pela Icomi o melhor manganês do globo; hoje, estrategicamente estocado nos Estados Unidos. E quem recebe a grana é o governo federal.
A Albras/Alunorte, também no Pará, produz lingotes de alumina para o Japão, utilizando energia elétrica de Tucuruí, enquanto que no Pará, principalmente no Marajó, grande número de municípios não conta com energia elétrica firme.
Recentemente, construiu-se uma ponte sobre o rio Negro ligando Manaus a lugar algum. Ela custou R$ 1 bilhão.
No Amapá, a roubalheira é tão flagrante que não se sabe por que Zé Sarney, que anexou o Amapá ao Maranhão, ainda não interviu. Falar no estado dos tucujus, a costa do Amapá, desde o Marajó até o rio Oiapoque, é a maior província de vidas marinhas do planeta, porque o rio Amazonas lança profundamente no Atlântico o húmus que arrasta da grande floresta, mas quem pesca lá são piratas de todas as partes do mundo. A Marinha de Guerra brasileira não tem equipamento para vigiar a região, e, pelo que se nota, não há o menor interesse do PT nisso, até porque estão preocupados com o julgamento do Mensalão.
As toras de madeira griladas na Amazônia atravessam boa parte do continente brasileiro para serem comercializadas tranquilamente em São Paulo. Trafica-se, na Amazônia, até combustível atômico; lá, também, escraviza-se, inclusive crianças, que se tornam escravas sexuais até a morte. Creio que o Congresso Nacional disponha de relatórios que confirmam o que estou dizendo, a menos que sejam atos secretos, e certamente a Abin sabe o que se passa no Inferno Verde.
Nesse contexto, Belém, a capital do Pará, é a mais importante cidade da Amazônia, pois sempre foi a porta de entrada, e de saída, do Mundo das Águas. Acontece que Belém, que já foi a cidade mais rica do país, no Ciclo da Borracha, vem sendo pilhada, governo após governo. Há 16 anos, nas administrações de Edmilson Rodrigues e Duciomar Costa, de abandonada, Belém começou a ser depredada. Para piorar a situação do Portal da Amazônia, de 2007 a 2010, além do PT incrustado na burra por meio da aparelhagem do estado e da sua associação com o PMDB da transposição do São Francisco, da Ferrovia Norte-Sul, do setor elétrico etc. etc. etc., o Pará ficou desgovernado pela dançarina de carimbó petista Ana Júlia Carepa, hoje, com a ventosa numa sinecura federal.
Amanhã, os belenenses vão escolher quem administrará a Cidade das Mangueiras de 2013 a 2016. Entre os candidatos, um está preparado para resgatar a Capital da Amazônia: Zenaldo Coutinho. Ele conhece Belém como poucos e sabe o caminho das pedras para solucionar, um a um, os problemas mais prementes da Cidade Morena. Durante 10 anos seguidos, fui repórter de cidade em Belém, e estive do Lixão aos palácios; sei, por conseguinte, o que é Belém. Assessorei Zenaldo Coutinho no Congresso Nacional, acompanhando de perto seu trabalho; foi aí que observei o quanto ele conhece a Amazônia, e, por extensão, o Pará e Belém. Não somente isso, Zenaldo Coutinho ama profundamente Belém, naquilo que ela tem de mais precioso: a cultura.
É essa cultura que precisa ser resgatada, a cultura oriunda do povo belenense, cioso da beleza, do aconchego, da delícia que é Belém do Pará.