sábado, 15 de dezembro de 2012

O Natal dos murídeos

BRASÍLIA, 15 de dezembro de 2012 – Outro dia fui ver O Quebra-Nozes, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, sob a regência do maestro Cláudio Cohen. O Quebra-Nozes é uma coreografia sobre um conto de Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, e a menina Clara, protagonista do conto, foi interpretada pela graciosa Karina Dias, primeira solista do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O Teatro Nacional, um dos mais belos do país, criado na prancheta genial de Oscar Niemeyer, está roto como Brasília, que, por sua vez, é um três por quatro do Brasil.
 
As ruas de Brasília, a capital da sexta economia mundial, são sujas, esburacadas e carecem de sinalização. Quando chove firme na cidade ela vai para o fundo, pois as galerias de águas pluviais são lixões. Os ônibus públicos também são imundos, principalmente na primeira viagem; quem estiver de branco numa dessas e sentar-se ficará marrom. Há fim de semana no Distrito Federal em que se mata, a chumbo quente, aço, paulada ou fogo, 15 pessoas, e os hospitais são corredores da morte, incluindo os privados, onde pacientes só sobrevivem enquanto suas famílias ainda possuírem bens. Vi na televisão, um dia desses, que o governador Agnelo Queiroz, petista, instalou na sala dele monitores para fiscalizar o atendimento hospitalar na cidade. Ridículo.
 
Na verdade, Brasília não é um três por quatro do Brasil, que é um continente, com bolsões de Primeiro Mundo, mas a capital da República é todinha o governo petista: incompetente (o país não crescerá nem 2% este ano), populista (o Programa de Aceleração do Crescimento é papo furado) e corrupto (o Mensalão).
 
O Quebra-Nozes é um conto fantástico, presente de Natal de Agnelo Queiroz para os amantes do balé. Brasília é também a ilha da fantasia, abrigo de diversas quadrilhas, uma das quais foi desbaratada principalmente pelo trabalho de dois dos mais valentes homens deste país: Roberto Gurgel e Joaquim Barbosa.
 
Agora, falta pegar as ratazanas, aquelas que se acham acima do bem e do mal, para quem a burra é apenas um galinheiro cheio de chester. As famílias dos murídeos mais gordos destepaiz estão nadando em reais; parecem a família do ladrão bolivariano.

2 comentários:

  1. Brasília é ilha da fantasia para os que comem na mesa do Poder...mas pela descrição feira neste artigo, é purgatório de uma população que vive das migalhas deste mesa. vamos virar a mesa?

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  2. Como na vida tudo é cíclico, o que esperam as pessoas de bem deste país é que o julgamento do mensalão, sob a presidência de Joaquim Barbosa e, principalmente com o apoio do Ministro Celso de Mello, sirva para assustar e, assim, afugentar as ratazanas do Palácio do Planalto e de outros redutos petistas de Brasília.

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