quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Brasil não empacou: desce uma ladeira íngreme, sem freio

BRASÍLIA, 3 de janeiro de 2013 – Até o fim do século passado, o Café Doce Café, no átrio do Conjunto Nacional, conservava seu charme. Localizado defronte da antiga Sodiler, que durante muitos anos foi a mais popular livraria da cidade, eu costumava encontrar e bater papo com escritores e jornalistas conhecidos meus na cafeteria. Quando estava sozinho, punha-me a observar turistas e o fru-fru de belas mulheres desfilando no shopping, o mais central e popular de Brasília. O espresso era, então, um blend com bastante arábica, servido em xícaras e pires novos, e colherinha de metal, e as balconistas eram simpáticas e sorridentes. A coisa começou a degringolar, coincidentemente, no início da era da mediocridade, 1 de janeiro de 2003. O balcão, que era de mármore, foi substituído por um de plástico, de modo que a clientela pudesse ver os salgadinhos expostos; e o café, robusta puro, começou a ser servido em xícaras e pires quebrados. Hoje, estive lá. Pedi café e rissole. Não identifiquei de que era feita a massa do rissole, mas o picadinho (carne moída) parecia ter sido lavado e temperado, pois não tinha o sabor nem o cheiro nauseabundo de sangue. Quanto ao café, era daquele robusta tão amargo que nem açúcar adoça. O golpe derradeiro: a colher de metal foi substituída por uma de plástico, daquelas que vinham, ou ainda vêm, na caixa de Biotônico Fontoura.
 
Sintomático. O Brasil, hoje, lembra o Café Doce Café. Parou de crescer e vislumbra-se recessão, apagão, vendavais e tempestades. O quadrilheiro Zé Genoíno, condenado à prisão, tomou posse na Câmara dos Deputados, com aval da Constituição Cidadã. Só nesta república de banana, mesmo. E Lula está ameaçando voltar. Lula conta com a unanimidade ruminante destepaiz; tem apoio dos sindicatos, dos sem-terra, da União Nacional dos Estudantes (UNE) etc. etc.; e é dono do PT. Dilma Rousseff é sua marionete. E ele está se preparando para voltar. Os pés desincharam completamente, o gogó sarou e já se ouve sua voz de taquara no palanque, que nunca deixou. Seu ídolo, Hugo Chávez, já não pode mais liderar o bolivarianismo e o sucessor natural deve ser Lula. Entenda-se bolivarianismo como um movimento de esquerda, que é, politicamente, a mesmíssima coisa que direita, ou seja, a máfia no poder, como em Cuba.
 
Este 2013 promete: Zé Dirceu e Zé Genoíno na cadeia, a menos que seus advogados, Lula e Zé Sarney, insuflem os ruminantes a ganhar as ruas e acossarem os ministros do Supremo, menos Ricardo Lewandowski, é claro, e, finalmente, Lula instalar a tão sonhada ditadura. Falar em Zé Sarney, vai escorregando para o ostracismo; será lembrado pelos atos secretos, que mergulharam o Senado da República na clandestinidade, e também pelo patrimonialismo, e pelo nepotismo, e pelo fisiologismo, e por Marimbondos de Fogo. Já os guerrilheiros Zé Dirceu e Zé Genoino serão lembrados pelo Mensalão. E Lula?; será lembrado pela era da mediocridade.
 
Alguma coisa tem que acontecer. O país está afundando. Mas acho que só vai acontecer algo quando faltar dinheiro para a bolsa miséria e a barriga falar mais alto. Aí não terá gogó que sustente a mentira que já dura 9 anos.

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