sábado, 23 de fevereiro de 2013

Bento XVI, terror do espaço, Yoani Sánchez, petralhas, úbere, Na Boca do Jacaré

BRASÍLIA, 23 de fevereiro de 2013 – A revista Veja do dia 20 trás na capa três assuntos que permaneceram na crista da onda durante a semana. A manchete é sobre a renúncia do papa. Debilitado e octogenário, Bento XVI foi até onde pôde tentando iluminar um labirinto sinistro dentro da Igreja: padres enrabadores de crianças – especialmente meninos; roubo e lavagem de dinheiro no Banco do Vaticano; e o jogo de interesses de gente boa sinistra na banda podre da corte do pontífice. Essa imundície só será enfraquecida com a identificação desses bandidos barras-pesadas.
 
Outro assunto de Veja foi o maior meteoro a atingir a Terra em 100 anos, e que caiu na Sibéria. Se cai numa cidade como São Paulo teria matado milhões de pessoas. Isso nos lembra que, segundo os astrônomos, a Terra gira em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora; o sistema solar gira em torno do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora; a Via Láctea corre para o centro de um conjunto de galáxias vizinhas, o Grupo Local, a 144 mil quilômetros por hora; o Grupo Local caminha para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por horas; e tudo isso segue em direção ao Grande Atrator, a 2,2 milhões de quilômetros por hora. O Grande Atrator é uma superconcentração de galáxias para além da região de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra. E muitos de nós, humanos, pensamos que somos uma caixinha de pose cheia de átomos. Isso é equivocado; mas esse não é assunto para este artigo.
 
O assunto de capa de Veja de maior interesse para os brasileiros foi a blogueira cubana Yoani Sánchez. Sintomático. Yoani é uma moça aparentemente frágil, mas que denuncia a podridão do regime do carniceiro Fidel Castro com a fortaleza de uma flor. Pressionado pelas democracias do planeta, o regime totalitário cubano permitiu que a blogueira viesse ao Brasil. Aqui, a petralhada (ou petelhada?) enlouqueceu de vez: segundo Veja, comunistas se reuniram na decrépita representação diplomática de Cuba em Brasília para planejar o boicote à Yoani, munidos de um dossiê ridículo. Isso mostra que o PTMDB bolivariano de Lula e do ladrão venezuelano Hugo Chávez tem pavor da democracia, embora aproveitem a democracia para chegar à teta e se agarrar nela; não a largam mesmo quando só mina sangue.
 
Petralhas, principalmente os da quadrilha do Mensalão, já condenados à cadeia (só falta cumprirem a pena), sentem pavor de perder o que amealharam ao longo de uma década, numa mamada firme, dessas que chupa tudo, daí porque se agarram a coisa antiga, como essa conversa para pegar idiota, que é a dos comunistas – ladrões com pose de político. Essa gentalha não assalta à mão armada, mas com voto comprado à base de bolsa-esmola. O problema é que, enquanto isso, o país está saindo pelo ralo.
 
Falar nisso, a Petrobras, principal cabide de emprego da petelhada, desce ladeira abaixo sem freio, e a inflação amola as garras, enquanto a Norte-Sul e a transposição do rio São Francisco estão com as presas fincadas até o talo na jugular do maior pagador de impostos do planeta. Até quando?

Voltando ao início deste artigo, lembrei-me de um trecho do conto Na Boca do Jacaré: “Tenho ódio desses padres tarados que vivem enrabando garotinhos. Outro dia visitei um desses padres. Ele me recebeu na sacristia. Era um italiano grandalhão, do norte. Tinha fama de mau. Rebentava a cabeça dos moleques com terríveis cascudos. E os enrabava também. Tive a seguinte conversa com ele:

“– Padre, vim lhe confessar. – Ele me olhou surpreso. Perguntou-me se eu tinha algum pecado tão grave para procurá-lo. – O senhor não entendeu! – disse-lhe. – Vim ouvir sua confissão.

“Ele era um palmo mais alto do que eu, e forte também. Olhou-me sem compreender. Sou homem objetivo.

“– O senhor gosta de enrabar os garotinhos daqui. – O bicho ficou vermelho.

“– Ponha-se daqui para fora! – disse-me.

“Dei-lhe uma bofetada na boca. Ele, ao se recuperar, partiu para cima de mim. Eu gosto de boxe. Jogo-o em Belém. Acertei um jab naquela cara vermelha e o nocauteei com um direto no focinho. Quando ele se recuperou, disse-lhe:

“– Preste atenção ao que eu vou lhe dizer: ninguém enraba as crianças desta região impunemente. Pegue suas coisas e parta amanhã, senão vou fazê-lo mamar no caralho de todos os meus peões. Não volte nem para apanhar seu dinheiro, caso o tenho esquecido. Não falei com o arcebispo, mas escrevi para o papa sobre as estranhas missas que, lombriga solitária, são oficiadas aqui. – A seguir, infligi-lhe tal surra com um umbigo de búfalo que ele viajou no mesmo dia, em carne viva”.

Na Boca do Jacaré, livro de contos ambientados em Belém e no Marajó, será lançado o mais tardar em maio, pela Ler Editora, de Brasília.

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