quarta-feira, 27 de março de 2013

Preserve Amazônia: sete anos de trabalho voltado para o desenvolvimento sustentável dos amazônidas, sem o qual não pode haver desmatamento zero

 
Caribe? Não, ilha de Alter do Chão, no rio Tapajós,
município de Santarém, estado do Pará, Brasil
 
BRASÍLIA, 27 de março de 2013 – Há sete anos, desde 21 de março de 2006, a Associação Preserve Amazônia, sediada em Brasília, vem engrossando o caldo formado pelas instituições, bancada da Amazônia no Congresso Nacional, governadores e prefeitos do Trópico Úmido, que se empenham pelo desmatamento zero da Hileia. Localizado estrategicamente na Estrada do Sol, Fazenda Jardim Botânico, Chácara 5, o escritório da Preserve Amazônia foi erguido dentro de uma área de 28 hectares no bairro Jardim Botânico e onde se localiza o córrego Forquilha, um dos afluentes da Bacia do Rio São Bartolomeu. O terreno conta com viveiro de espécies arbóreas com capacidade para 12 mil mudas, destinadas a projetos de reflorestamento.
 
Os sete anos da Preserve Amazônia culminaram com o show Semente das Águas, do compositor, guitarrista e cantor brasiliense Haroldinho Mattos, dia 23, no Jardim Botânico de Brasília, onde, no dia 21, o presidente da ong, Marcos Dreux Mariani, proferiu palestra para estudantes do ensino fundamental sobre o Dia Mundial da Floresta, seguindo-se trilha ecológica e plantio de árvores; e dia 22, a consultora da Preserve Amazônia, Patrícia Michelle Feliciano, falou sobre o Dia Mundial da Água, também para alunos do ensino fundamental e seguindo-se trilha ecológica e plantio de árvores.
 
O trabalho de extensão da Preserve Amazônia vem sendo realizado ao longo desses sete anos por meio de dezenas de ações, “com o objetivo de conscientizar as pessoas, sobretudo crianças e estudantes, da importância de se preservar o meio ambiente, com, por exemplo, o plantio de árvores, não somente em Brasília, mas também em outros pontos do país” – afirma Marcos Mariani. Uma das ações mais significativas é o trabalho que vem sendo junto ao Congresso Nacional, “para frear as rodovias irregulares na Amazônia” – diz Mariani. “Fizemos inclusive uma palestra na Procuradoria Geral da República sobre esse tema, levando-o ainda para a Rio Mais 20.”
 
Marcos Mariani ressalta que “enquanto houver desmatamento na Amazônia estaremos trabalhando para reduzir isso a zero”. A ong começou seu trabalho num momento em que o desmatamento atingiu um nível drástico, de cerca de 20 mil quilômetros de floresta postos abaixo em um ano; desde então, esse índice vem caindo e, hoje, são toradas cerca de 6 mil quilômetros de árvores/ano, “o que não deixa de ser o mesmo absurdo”. Também de 2006 para cá, “identificamos questões da infraestrutura de transporte a serem trabalhadas do ponto de vista de políticas públicas e procuramos atuar nesse segmento” – comenta Marcos Mariani.
 
“De alguma maneira, devemos ter contribuído para a redução do desmatamento na Amazônia nesse período. Reconhecemos que somos apenas uma gota no oceano, mas estamos firmes na luta, sob o lema unir para preservar, pois a união faz a força, e um elo é sempre fundamental para a corrente” – diz Mariani, frisando que a bancada da Amazônia no Congresso Nacional “é bastante solidária a nós, ao abrir espaço ao debate sobre desenvolvimento sustentável, especialmente quando se trata do desenvolvimento sustentável dos povos que habitam a Amazônia”.
 
A AMAZÔNIA, foco principal da ong brasiliense, é uma região pouquíssimo conhecida pelos brasileiros. Situada ao norte do país, é compreendida por várias bacias hidrográficas, especialmente a do rio Amazonas, a maior do planeta, com 25 mil quilômetros de rios navegáveis em seis países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. A Amazônia Legal inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, o oeste do Maranhão, o norte de Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Com 5 milhões de quilômetros quadrados, 59% do território brasileiro e 67% das florestas tropicais do mundo, se fosse um país seria o sexto maior em extensão territorial, dono de um terço das árvores, 20% da água doce e maior biodiversidade e província mineral do planeta.
 
Mas esse patrimônio está sendo destruído. Minerais, pedras preciosas, borracha, madeira, soja, pecuária, ou simplesmente o sonho de ter um pedaço de terra, são alguns dos motivos que levam estrangeiros e brasileiros de todas as regiões do país a migrarem para a Amazônia Legal, especialmente a Amazônia Clássica (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima), atingindo de forma direta a floresta, seja na procura de sustento, ou em grandes projetos econômicos, que acabam beneficiando meia dúzia de pessoas e alijando do desenvolvimento índios, ribeirinhos, quilombolas e descendentes de europeus solidamente fincados na Hileia – o caboclo amazônida, enfim. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia Legal tem mais de 21 milhões de habitantes, mais de 12% da população brasileira.
 
Junto com os grandes projetos e as rodovias vieram também o desmatamento e a degradação do bioma. Em 1978, calcula-se que apenas 1% da Amazônia foi desmatado; hoje, 20% da floresta já foram torados. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), os desmatamentos e as queimadas afetam o ciclo hidrológico da região e jogam por ano 200 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, colocando o Brasil em quarto lugar no ranking dos países que mais emitem CO2 e gases de efeito estufa, o que, segundo estudiosos do assunto, contribui para mudanças climáticas não somente na região amazônica e no continente sul-americano, mas em todo o planeta.
 
Mas como chegar ao desmatamento zero aliado ao desenvolvimento econômico e social dos moradores da Amazônia? Eis no que se resume a questão amazônica. A resposta é basicamente a seguinte: o governo federal precisa investir, pesada e permanentemente, no Tópico Úmido, de forma que os grandes projetos que rasgam a floresta sejam concebidos para a Amazônia, ou seja, para os amazônidas em primeiro lugar, e não somente projetos na Amazônia, como é o que se vê.
 
Tudo bem que se construa uma Usina Hidrelétrica de Tucuruí da vida, da mesma forma que se está construindo a Hidrelétrica de Belo Monte, ambas no Pará, desde que abasteçam com energia firme primeiramente os amazônidas, e só depois comercializar o excedente para outras regiões do país e para fabricar lingotes de alumina para o Japão (isto sim é internacionalizar a Amazônia). Em segundo lugar, o caminho das pedras parece ser o incentivo técnico e financeiro ao cultivo de espécies nativas e sua comercialização com alto valor agregado.
 
Contudo, está em primeiríssimo lugar a instalação, ampla, e com excelência, de cursos como: oceanografia; engenharia naval, de pesca e agronômica; biologia; medicina tropical; engenharia de geradores de energia solar e eólica; engenharia voltada para hidrovias; especialização em direito agrário da região; arqueologia; e história e literatura da Amazônia. Esse parece ser o destino das universidades das cidades amazônicas, especialmente as federais, o que só será possível com a mobilização das instituições organizadas dos próprios amazônidas.
 
“A Preserve Amazônia foi instalada estrategicamente em Brasília para cumprir a missão de zelar pelo meio ambiente, especialmente da Amazônia, em parceria com todos que se empenham, incansavelmente, pela prosperidade dos amazônidas, sem o que não será possível o desmatamento zero” – profetiza Marcos Mariani.

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