quinta-feira, 4 de abril de 2013

Baby Herman do Brasil

BRASÍLIA, 4 DE ABRIL DE 2013 – O ditador Kim Jong-um, o bebê Johnson, como diria Luiz Solano, o Repórter do Planalto, ou Baby Herman, com quem acho que Kim é mais parecido, é um panda fanfarrão, mas perigoso, porque foi criado como uma besta mimada e herdou um Estado nazista e um arsenal atômico, daí a diferença entre ele e o ladrão bolivariano, Hugo Chávez, que já não pode mais roubar, embora tenha legado para sua família e staff pelo menos metade do lastro venezuelano, devidamente guardada em paraísos fiscais. Lula deve morrer de inveja do panda Baby Herman. Para quem não sabe, Baby Herman é aquele bebê adulto de Uma Cilada para Roger Rabbit. Kim Jong-um ameaça bombardear os Estados Unidos com petardos atômicos. Ora, ele sabe que os EUA podem varrer do mapa, literalmente, a Coreia do Norte, mas ele faz esse rapapé todo porque precisa de comida; precisa urgentemente que os países ricos abram uma nova linha de crédito, do contrário o povo coreano do norte morrerá de inanição e o país parará. Por isso faz essa chantagem ridícula, mas perigosa. Especialistas defendem que a Coreia do Norte não conta com tecnologia para lançar ogivas nucleares, mas pelo sim, pelo não, os americanos estão prontos para assar o pândego.
 
Aqui em Brasília, os dias, outonais, são nublados; chove, às vezes. De madrugada, a temperatura cai para 16 graus. Levanto-me às 4. Interrompi a história que estou escrevendo para trabalhar o novo site da Preserve Amazônia. Creio que na próxima semana o livro de contos Na Boca do Jacaré entrará no prelo e me encontrarei com Marcelo Larroyed, escritor e mestre em língua portuguesa, revisor dos meus livros. Ele acabou de ler um romance que terminei recentemente e que será publicado em 2014. Revisores literários têm olhar de bisturi. Isso quer dizer muitas coisas. Revisores de jornal, por exemplo, hão de ser velhos repórteres, experientes, capazes de identificar erros de digitação, de português, de comunicação e de informação. Já os revisores de ficção são marujos em mar desconhecido e em noite de tempestade, abrindo caminho para leitores sem farol.
 
Quem sabe, também, tomarei cafezinho com o pintor André Cerino, que acaba de esgotar a fase Cerrado e parte para a série Cidades. Gosto de ir ao ateliê do artista; é amplo e silencioso. Conversamos; às vezes, ficamos em silêncio, apenas sentindo o tempo ali dentro. O tempo não é linear. Ali dentro, ele voa na velocidade da luz, enquanto, lá fora, escoa como um rio, na tarde.
 
Outro dia, o poeta e contista Fernando Canto me enviou um e-mail de Macapá, uma cidade seccionada pela Linha Imaginária do Equador, debruçada na margem esquerda do rio Amazonas, próximo à bocarra do gigante, quando ele despeja pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, por segundo. Fernando Canto é um dos portais da Amazônia. Recebo também, de vez em quando, e-mails do poeta Jorge Tufic, libanês manauara nascido no Acre, que me aperfeiçoou na arte de enxergar à noite, no Clube da Madrugada.
 
Em Brasília, a inflação continua a subir, efeito de 10 anos de desvio do dinheiro que deveria ser investido nas rodovias, portos, aeroportos, biodiesel e energia solar e dos ventos. As ruas continuam esburacadas e a rede de galerias de águas pluviais estão sempre meio entupidas, os ônibus são sucatas imundas e o governador, Agnelo Queiroz, é chamado de Agnulo pelos seus detratores. Assassinatos e sequestros-relâmpagos atingiram um índice inimaginável, os hospitais se definem cada vez mais como matadouros e algumas escolas públicas parecem cadeia de cidade do interior, embora façam parte do sistema federal de ensino. Brasília é um três por quatro do país. E ainda corremos o risco Baby Herman.

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