quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Colostro

Anoitece
O rio Amazonas ruge defronte ao Macapá Hotel
Cortado pelo Trapiche, rodovia que conduz à noite
Tão azul que sangra
Estou sentado
Sozinho
Em um quiosque
Degusto Cerpinha enevoada
Parece que estou só
Mas converso com meus antepassados
Com a mulher amada
Com meus anjinhos e minha princesa
Com Isnard Brandão Lima Filho
Alcinéa Maria Cavalcante
Iara Marcille
Deury Farias
Olivar Cunha
Joy Edson
José Montoril
Fernando Canto
Raimundo Peixe
Alcy Araújo
Luiz Tadeu Magalhães
Manoel Bispo
Myrta Graciete
Tereza, Leila, Sílvia e Telma
Um cataclismo de rosas vermelhas
Juntam-se a nós Ernest Hemingway
Antoine de Saint-Exupéry
Gabriel García Márquez
Vargas Llosa
Pablo Picasso
André Cerino
Ouço merengue
Um navio, grande como uma cidade, surge, lento, até aportar, feérico
Despeja uma legião de espíritos e anjos
Que se juntam a nós
Chanel Número 5, Dom Pérignon, maresia e leite da mulher amada
Tomam conta de tudo
Como paz se alastrando
Na minha memória

Brasília, 25 de dezembro de 2013

domingo, 9 de novembro de 2014

O voo da luz

Talvez o maior objetivo da moda seja a sensualidade, tanto na confecção de tecidos quanto no corte. Uma mulher vestida de modo a realçar a beleza física terá sempre os homens dominados pela loucura, pois jogamos fora a sensatez, toda a racionalidade, toda a liberdade, para nos aprisionarmos à passagem de uma potra vestida em seda, como mariposas atraídas pela luz; relinchamos, esmagados pelo perfume das virgens ruivas, embora fugaz como o gemer do acme, porém fatal.

Nádegas se movendo sob vestido de seda, justo, blusas que mal encobrem mamilos grandes como jambo, barriguinhas que surgem e desaparecem como fontes cristalinas ao sol, do tipo tábua, ou renascentistas, na mira de sedentos olhos vampirescos, são pedras preciosas que cravejam as avenidas das grandes cidades e, assim, de Brasília também.

É da natureza feminina a ambiguidade. Elas querem, mas juram que não. Nem Freud explica. E a barriguinha é uma prova cabal disso. Puxam a blusinha para encobrir a barriga, ou puxam as calças para cima, dando algumas sacudidelas nas ancas, numa tentativa sempre inútil de cobrir o objeto do tormento masculino, e tudo o que fazem é ampliar o mistério; sabem disso tudo, e que nossos corações disparam. Matam-nos, deixando-nos vivos.

Às mulheres, só a beleza importa, pois são como as rosas que vicejam nos jardins azuis, delicadas, perfumadas, lindas como mulher nua, e que, evanescentes, me ignoram. Só querem saber de luz, que as tornam ainda mais esplendorosas. Resigno-me, pois me basta ter certeza da existência delas, que são, afinal, o triunfo de Deus.

Mas quando as mulheres puxam a blusinha para encobrir a barriga, inutilmente, e quando puxam as calças e sacodem as ancas, elas nos conduzem para o labirinto da imaginação, o mergulho em um abismo de rosas. Fechamos os olhos e choramos em silêncio, morrendo no voo da luz.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CONTO/Apego

Nunca vi mulher tão bonita como a socialite Gislaine Cagnotto, 40 anos. Pequena – um metro e sessenta, mais ou menos, e em torno de 55 quilos –, de pele rosada, boca semelhante a da atriz Alinne Moraes, cabelos ruivos, olhos verdes, seios fartos e garupa equina, tudo isso foi aquinhoado ainda com seu dom literário. Gislaine Cagnotto é poeta acima da média, o que quer dizer que não amontoa palavras apenas, mas vasculha as vísceras. E foi precisamente isto que a fez procurar-me: as vísceras.

Somos amigos há um bom tempo, exatamente por frequentarmos as mesmas festas da alta sociedade; eu, por força da minha família, que é bastante endinheirada. Porém, na minha juventude, estourei um joelho escalando o Pico da Neblina, o mais alto do Brasil e na Amazônia, com 2.994 metros, e que jamais consegui escalar. Depois de ter meu joelho remexido durante tempo demais por uma junta de ortopedistas, fui alertado a procurar um acupunturista, de preferência que não fosse médico, mas terapeuta iniciado em Medicina Tradicional Chinesa. Quem me indicou isso foi um amigo mais velho. Encontrei um chinês que estava há muito tempo no Brasil e após algumas sessões com agulhas e massagens voltei a andar normalmente, sem sentir dor nem mancar. Fiquei, então, curioso com a magia daquele tratamento e acabei entrando na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), onde me formei já faz algum tempo, e atendo vários amigos meus.

Gislaine chegou às 10 horas em ponto ao meu consultório, no Lago Sul. Sentamo-nos confortavelmente e comecei a fazer a anamnese. Sua principal queixa era constipação intestinal, o que confirmei examinando sua língua e seu pulso. Mas descobri também que havia outro problema: ela não conseguia mais criar.

– Você tem muitos pares de sapatos? – perguntei-lhe, imprimindo um tom casual à pergunta.

Ela me olhou sem entender, mas respondeu-me automaticamente.

– Tenho! Acho que tenho uns 300 pares de sapatos! Por quê?

– Na Medicina Tradicional Chinesa, nós, terapeutas, não exatamente curamos doenças; nós tratamos o paciente como um todo, até porque toda a qualquer doença nada mais é do que desarmonia da energia mental – expliquei-lhe.

Aí é que ela não entendeu mesmo.

– E você costuma juntar muitas coisas que não usa e que estão guardadas? – perguntei-lhe.

– Muitas! – ela disse. – Há uma dependência, em casa, e é uma dependência grande, cheia de sapatos, roupas, bijuterias e até móveis que não usamos mais.

– Vou aplicar agulhas em alguns acupontos e preciso que você tire a blusa, tudo bem?

– É claro! – ela disse. – Estou aqui escondida do meu marido! Ele sente ciúme até da minha sombra!

Somos bastante amigos.

– E por que você se submete a esse regime islâmico? – perguntei-lhe, em tom de brincadeira.

– Sou mulher mineira; gostamos de dinheiro, e ele compra tudo o que eu quero! – ela sussurrou, deitando-se na maca. Seu sutiã era negro e contrastava com a pele rosada. A saia, vermelha, era justa, deixando à mostra as pernas mais bem torneadas entre as inúmeras que eu já vira.

Entre os pontos em que apliquei agulhas utilizei o BP 15, daheng em mandarim, localizado numa distância de quatro “cun”, cerca de 10 centímetros, na lateral do umbigo. Ele serve para debelar constipação crônica, resultado de letargia do intestino grosso. Mas eu já sabia qual era a causa do que estava afligindo minha bela amiga, e também a solução. Mais tarde, degustando Café Três Corações, gourmet, ministrei-lhe uma prática para sanar o mal pela raiz.

– Gislaine, vou indicar um lar de velhinhos e providenciar um furgão para, amanhã de manhã, irem à sua casa buscar tudo o que você realmente não vai mais utilizar; isso será precioso para eles – propus-lhe. Gislaine é do germânico “refém”, e, por coincidência, ela era refém do apego.

Três dias depois voltei a atender minha amiga. Ela estava mais linda do que nunca. Deslumbrante.

– Quase me acabo de tanto defecar – disse-me, rindo. Tínhamos intimidade para dizer o que quiséssemos.

– Gislaine, a prisão de ventre era provocada pelo apego, que guardava não somente fezes, mas também tudo aquilo que não tem mais utilidade para você, ou que você esteja guardando para uma ocasião fantasiosa, que jamais ocorrerá. E da mesma forma que um quarto pode guardar trastes a vida toda, também o intestino grosso pode reter fezes vida afora, que vão ficando cada vez mais putrefatas e contaminando, aos poucos, todo o organismo. Num plano mais sutil, o apego também vai sufocando suas vítimas, que se tornam, sem se aperceberem disso, escravas da luxúria – disse-lhe. Ela estava atenta. – Agora que você se libertou dos trastes a criatividade vai voltar a fluir, e dos seus lábios surgirão mais rosas, mais jardins, mais perfumes azuis sangrando – declamei, parafraseando um poema de Gislaine: De tão azul, sangra!

Ela riu com gosto, feliz.

– Impressionante! Hoje, no café, comuniquei ao meu marido que viria ao seu consultório e sabe o que ele me disse?, mandou lembranças! Normalmente teria me proibido de vir aqui, até porque, como você sabe, o ciúme dele aumenta quando homens charmosos como você se aproximam de mim – ela comentou, rindo. – Vamos para a maca? – propôs, despindo-se do vestido. Já havia visto seu corpo no Iate Clube, mas ali, de sapatos altos e com aquele batom vermelho nos lábios sensuais, e de sutiã e calcinha, era, literalmente, de parar o trânsito. E podia-se dizer que deu mesmo mole para mim.

“Acupuntura como pretexto para a luxúria não pode redundar em boa coisa; gerará aquele tipo de equilíbrio à beira do abismo” – pensei, abrindo um saquinho de agulhas. Um professor, na ENAc, me transmitiu um princípio que adotei não somente como terapeuta, mas em todas as circunstâncias da vida: jamais acumplicie-se com a corrupção. 


Brasília, 29 de outubro de 2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O triunfo do azul

Ah! meu amor, tu és meu amor porque o teu riso impulsiona meu coração
Porque tu crias a vida, pois à tua passagem os jardins se levantam
E a luz infinita vibra em oração
Que escapa dos teus lábios

Quisera eu ser poeta, e dominar a força de gravidade com palavras
Para te dedicar versos
Que contivessem o mar
Um oceano inteiro de rubis, azuis como o céu

Depois que te conheci, exorcizei o medo
Aprendi a escutar o silêncio das madrugadas
Comecei a voar no perfume dos jasmineiros

Sou teu, todo teu, inteiramente teu
Pertencer-te é o mesmo que a liberdade
É ascender, vencer a eternidade, e sentir a presença de Deus!


Brasília, 20 de outubro de 2014

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Amazônia, colônia de Brasília. O que dizem os presidenciáveis Dilma Rousseff e Aécio Neves?

BRASÍLIA, 7 DE OUTUBRO DE 2014 – O deputado fluminense Sergio Zveiter (PSD) tentou, este ano, emplacar na Câmara o Projeto de Lei (5.692/2013) de Proteção das Riquezas da Amazônia, que revela, de forma inequívoca, o que a Amazônia representa para os governos que se sucedem em Brasília: mera colônia, onde, basicamente, busca-se energia hidrelétrica e o equilíbrio da balança comercial com a exportação de minérios, numa política de grandes projetos na Amazônia, e nunca para os amazônidas. Outro motivo do desprezo pelo subcontinente úmido seria o tamanho e a inexpressividade da bancada amazônica no Congresso Nacional, de amazônica só no nome, pois se comparada a apenas à bancada do estado de São Paulo já se vê claramente que tipo de república é o Brasil.

Mas o que tem de tão grave o projeto de Zveiter, ex-secretário de estado do Rio em várias pastas e ex-presidente da Ordem dos Advogados, seccional fluminense? Cria o Conselho Nacional de Política da Amazônia, a Agência Nacional de Exploração dos Recursos Naturais da Amazônia (Anra) e a Companhia da Amazônia Brasileira SA (Amabras), sociedade de economia mista para exploração da Amazônia. Isto é: amarra juridicamente a colônia que o Trópico Úmido já é. Quem explora para valer a Amazônia é a União. Os amazônidas ficam a ver navios singrando o Amazonas/Solimões.

No Capítulo V – Da Exploração e da produção, por exemplo, lê-se: “Todos os direitos de exploração e produção dos recursos naturais da Amazônia, nele compreendidos a parte terrestre e a bacia hidrográfica, pertencem à União, cabendo sua administração à Anra, ressalvadas as competências de outros órgãos e entidades expressamente estabelecidas em lei”.

A justificativa de Zveiter foca num fato: as potências hegemônicas não descansarão até pôr as garras na Amazônia, a maior província de commodities do planeta, seja reconhecendo por meio da Organização das Nações Unidas (ONU) algumas das gigantescas reservas indígenas como nações, ou, se necessário, por meio de armas. No Brasil, em vez de se implementar cidadania para os índios, os governos que se sucedem os isolam cada vez mais, entregando-os, de bandeja, para os países hegemônicos. E também desde a derrocada da Ditadura dos Generais (1964-1985) que os governos que se sucedem vêm desmontando as Forças Armadas. Bem ou mal, foram os militares que contribuíram para aumentar o povoamento na região.

Só para dar uma amostra do descaramento de como se manifesta a cobiça internacional pela Amazônia, em 1991, François Mitterrand, então presidente da França, a mesma que já tem uma colônia na Amazônia, a Guiana Francesa, sugeriu soberania restrita do Brasil sobre a região amazônica, com apoio de George Bush, dos Estados Unidos; e de Mikhail Gorbachev, da falida União Soviética (que Putin tenta reviver).

Nisso Zveiter tem razão. Se não tomarmos cuidado, acabaremos perdendo a Amazônia. E se for para os Estados Unidos, muitos ficarão felizes por se tornarem cidadãos de um protetorado americano e com a possibilidade de até tomarem caxiri com Brad Pitt e Angelina Jolie. Só que pelo jeito a União não vai desenvolver a Amazônia; vai exauri-la. Somente investimentos maciços e nunca descontinuados é que poderão desenvolver os povos da Grande Floresta, além de investimentos pesados nas Forças Armadas, na Polícia Federal e nas instituições de ensino e pesquisa da região.

O projeto de Zveiter fala, basicamente, em exploração das riquezas da Amazônia; nunca em desenvolvimento sustentável, isto é, desenvolvimento dos amazônidas. Muito menos de res publica. É como se não houvesse estados nem municípios na Amazônia; a Hileia surge, no mapa de Zveiter, como território federal.

Pois bem, o que dizem os candidatos à presidência da  República, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves, sobre a Amazônia? Nada! Assim, danem-se a BR-156, no Amapá, a Perimetral Norte, Amapá-Roraima; a BR-319, Amazonas-Rondônia; a Hidrovia Marajó, Pará-Amapá; energia elétrica firme para tirar a Amazônia da Idade-Média; o saneamento básico das cidades da Hileia; o pagamento justo e atualizado de commodities sobre a exportação de minérios; a fiscalização do garimpo ilegal, da grilagem, do desmatamento de terra arrasada, da bacanal das ONGs estrangeiras; o combate ao narcotráfico das Farcs e da Bolívia, e do bolivarianismo venezuelano; viva a corrupção do Mercosul!; dane-se o Projeto Calha Norte; viva a pirataria nas costas do Amapá, a maior província piscosa do planeta etc. etc. etc.

Até agora, nem Dilma nem o tucano se manifestou para falar sobre o Trópico Úmido; tampouco algum político, ou alguma instituição, promoveu debate com ambos sobre a Amazônia. Aqui em Brasília, onde se ouve, vê e faz no Rio de Janeiro e em São Paulo, é como se a Amazônia não existisse. Dia 5, por exemplo, quando os craques da Globo News cobriam a apuração das urnas, a Amazônia aparecia nos seus comentários como outro país, como, aliás, era de direito e continua a ser de fato.

O CORAÇÃO DAS TREVAS – A Amazônia é um paradoxo. O mais belo realismo fantástico da Terra, a mais rica província mineral do mundo, a maior diversidade biológica do planeta, é também O coração das trevas, obra-prima de Joseph Conrad; uma zona imprecisa da alma. Esse pequeno romance de pouco mais de 150 páginas, o mais intenso de todos os relatos que a imaginação humana jamais concebeu, como disse o labiríntico Jorge Luís Borges, recria um mundo obsceno como ataque de hienas, como a face obscura da Amazônia, o Inferno Verde, o latejar da escuridão, espasmos da alma amazônida, a loucura e o malogro da civilização colonialista.

A Amazônia é saqueada desde o século XVI. Potências europeias, americanos, brasileiros de todos os recantos do país, inclusive os governos federais, um após outro, todos têm repasto garantido na Amazônia. Nos dias de hoje, leva-se, de lá, a floresta, energia hidrelétrica, minérios, pedras preciosas, animais, mulheres e crianças; é uma das regiões onde mais se escraviza no mundo. Até agora, o desenvolvimento imposto à Amazônia é para dizimar os amazônidas – índios, ribeirinhos, caboclos, quilombolas – e encher os cofres de políticos que transformam o erário em lavanderia. Os presidentes da República que se sucedem governam de costas para a Amazônia, tratando-a como colônia, e colônias servem para serem saqueadas.

Um caso que aconteceu em novembro de 2007, em Abaetetuba, cidade no quintal de Belém, constitui-se uma metáfora da Amazônia. Delegados da Polícia Civil do Pará, com a conivência de gente do Judiciário, atiraram uma menina a dezenas de criminosos na cadeia da cidade. Essa criança foi currada dia após dia, durante um mês. Assassinos, estupradores, espancadores de mulheres e crianças, ladrões, arrombadores, batedores de bolsa de velhinhas, psicopatas, drogados, caíram em cima da garotinha como hienas, e os policiais, ali perto, ouvindo e vendo tudo.

Os berros de terror eram ouvidos pelos delegados e pelos moradores da cidade, já que a delegacia era um prédio velho praticamente aberto para a rua, e ninguém moveu uma palha pela menina. “Minha filha tinha cabelos lindos e encaracolados que iam até o meio das costas” – disse a mãe da jovem. “Cortaram o cabelo dela com um terçado (facão) para disfarçar que se tratava de uma menina. Cortaram é modo de dizer, escalpelaram a minha filha.” O tempo todo, L ficou com as roupas que usava ao ser presa, uma saia curta e blusinha, cobrindo seios adolescentes. Ela media 1,40 metro. “Aqui, no Pará, colocar homem e mulher na mesma cela é mais comum do que se imagina” – disse, na época, frei Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba. Há caso de atirarem uma mulher a 70 presos.

“Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada” – disse uma mulher na delegacia a jornalistas. “Antes de comer, os presos se serviam dela” – afirmou outra mulher, explicando que a menina só comia se não dificultasse a curra. “Ela gritava e pedia comida para quem passava, chamava a atenção para si, e, como ela era conhecida por aqui, não dava para ignorar” – afirmou outra mulher, explicando que era possível ver e ouvir da rua muito do que se passava na delegacia.

Seis delegados estiveram na delegacia durante o suplício da jovem. A delegada plantonista responsável pelo flagrante foi Flávia Verônica Monteiro e o delegado titular de Polícia de Abaetetuba, Celso Viana. “Embora ela estivesse misturada com os homens, o setor onde ela estava é aberto e permite uma ampla visão de qualquer policial” – declarou o próprio delegado Celso Viana. Flávia Verônica Pereira e três policiais tinham conhecimento dos estupros. Nada fizeram. E policiais ameaçaram a menina de morte se não participasse de fraude em cartório para alterar-lhe a idade na certidão de nascimento.

O delegado Celso Viana alegou em depoimento que a adolescente disse ser maior de idade e afirmou que a responsabilidade da prisão da menor seria do sistema penal; a delegada Flávia Verônica Monteiro afirmou que foi enganada ao ver o documento falso da jovem, indicando que ela tinha 20 anos. Flávia disse ainda que não transferiu a adolescente da delegacia para outra instituição porque esse procedimento só poderia ser feito com ordem judicial.

Em 27 de novembro de 2007, durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, o então delegado-geral do estado do Pará, Raimundo Benassuly Maués Júnior, insinuou que a jovem é que foi responsável pelo episódio e que devia ter “alguma debilidade mental” por não ter dito que era menor de idade. “Não sou médico legista nem tenho formação na área, mas essa moça tem certamente algum problema, alguma debilidade mental. Ela, em nenhum momento, declarou sua menoridade penal” – afirmou o gênio.

No dia 3 de outubro de 2013, leio na mídia que a juíza Clarice Maria de Andrade Rocha, que atuava em Abaetetuba quando a adolescente esteve presa, fora promovida, um dia antes, pelo Tribunal de Justiça do Pará, a titular da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de Belém. Segundo portaria da desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento, o critério para a promoção de Clarice foi por merecimento.

Clarice Maria de Andrade foi considerada omissa pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante o período em que a jovem paraense foi supliciada, e recebeu a punição de aposentadoria compulsória, em 2010. Mas a Associação dos Magistrados do Pará (Amepa) recorreu da decisão e a aposentadoria foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a punição foi exagerada, já que a magistrada não teria como saber da situação da carceragem da delegacia de Abaetetuba.

O fato é que quando o caso estourou na mídia, em novembro de 2007, a então governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, tratou-o com habitual alienação, e tudo mergulhou no esquecimento. Aliás, crianças são emblemáticas na tragédia da Amazônia.

PEQUENO ROTEIRO DO MAPA DA ESCRAVIDÃO SEXUAL – Em 27 de junho de 2006, publiquei na minha antiga coluna Enfoque Amazônico, no site brasiliense ABC Politiko, o mapa da escravidão sexual infantil na Amazônia. Relendo o texto, vejo que essa realidade continua como um nervo exposto. O tráfico de crianças para escravidão sexual é um dos crimes mais repudiados pela sociedade, por sua feição abjeta, mas é corriqueiro na Amazônia. Em 1979, fiz, para o antigo mensário Varadouro, em Rio Branco, no extremo oeste da Hileia, uma reportagem sobre o tráfico de meninas pela BR-364, espinha dorsal do Acre, ligando o estado ao resto do país. Frequentei boates e bares, pontos de encontro de caminhoneiros, entrevistei prostitutas e rodoviários, e bisbilhotei registros policiais, concluindo que parte dessas meninas que sumiam em Rio Branco era atirada em prostíbulos de Porto Velho, Manaus e Goiânia. Outras, simplesmente fugiam da miséria. Trinta e cinco anos depois a situação piorou, e muito. A tragédia, que afeta toda a Amazônia, foi ampliado em escala assustadora.

Foram identificadas 76 rotas de tráfico de mulheres, crianças e adolescentes na Amazônia, segundo a Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins Sexuais, coordenada pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria) e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual, do Congresso Nacional, há seis anos atrás. A Interpol francesa calcula que a rede internacional de tráfico de pessoas movimenta cerca de US$ 9 bilhões por ano.

Nesse comércio negro, assim como ocorre com políticos corruptos, a imunidade, digo, impunidade, é garantida. O holandês Kunathi, um dos maiores traficantes de pessoas, em atividade na Amazônia, já foi preso em flagrante no Pará, mas a Justiça o soltou para responder ao processo em liberdade. Não deu outra, Kunathi fugiu para o Suriname, antiga Guiana Holandesa, onde é dono de boate na qual só trabalham brasileiras, muitas delas do Pará e do Amapá.

Em 2006, adolescentes de Altamira, no Pará, que caíram nas garras de uma quadrilha de exploração sexual e a denunciaram, foram ameaçadas de morte se falassem na Justiça. A polícia paraense, despreparada, não pôde dar segurança às vítimas e só conseguiu provas contra três dos 15 acusados. A ação da quadrilha envolvia inclusive um político e empresários. “É uma rede complexa de exploração sexual, com várias vítimas e vários adultos envolvidos; é preciso que haja vontade política para que se chegue aos outros envolvidos” – disse, à época, Ana Lins, advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH).

Em março daquele ano, a polícia de Altamira localizou várias adolescentes, algumas dadas como desaparecidas por suas famílias, em uma chácara, onde eram embebedadas e servidas em banquetes sexuais fotografados. As fotos eram divulgadas na internet. As orgias ocorriam também em motéis da cidade e em imóveis de um dos acusados, além de chácaras e balneários no município, onde as bacanais duravam dias.

Ameaçadas de morte, vítimas e suas famílias, e testemunhas, desdisseram nos depoimentos à Justiça as declarações prestadas no inquérito policial. Uma das vítimas contou que foi ameaçada na porta da escola onde estuda, e sua família recebeu bilhetes com ameaças de morte. A jornalista Iolanda Lopes, que denunciou a quadrilha em várias reportagens, disse que recebeu três telefonemas ameaçadores.

As adolescentes foram, ainda, humilhadas na Câmara de Altamira, onde tiveram seus nomes divulgados durante sessão plenária. “A vergonha, a humilhação, o sentimento de desesperança e a depressão são alguns sintomas encontrados em várias das vítimas desse tipo de crime” – comentou a advogada Ana Lins. “A revitimização é o calvário de ter que reviver os momentos do crime ao ter que relatá-los várias vezes. Esse calvário vai desde não ser atendida dignamente na delegacia, às vezes esperando horas e horas, até conseguir registrar a ocorrência policial, a realização de exames periciais sem a devida humanização do servidor responsável, até ver os algozes soltos livremente e voltando a delinquir em alguns casos.”

Em janeiro de 2005, o Jornal Nacional, da TV Globo, publicou uma série de reportagens intitulada Povos das Águas, na qual focalizou o trânsito de balsas em Breves, na ilha do Marajó, Pará. Nessas balsas, na cabine de carros, crianças marajoaras serviam de repasto sexual durante o cruzamento do rio. De um modo geral, os municípios marajoaras são miseráveis, apesar da natureza pujante da maior ilha flúvio-marítima do mundo. O Marajó, uma das mais belas regiões do planeta, é do tamanho da Suíça. A ilha é banhada pelos rios Amazonas, Pará e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico.

“Foi constatado no início da década de 1990 pelo jornalista da Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein, que no Vale do Jari haveria prostituição infantil em larga escala” – comentou, em 2007, o governador (eleito) do Amapá, deputado estadual Camilo Capiberibe. O rio Jari divide o Amapá do Pará desde a Serra do Tumucumaque, na fronteira com o Suriname, até desaguar no rio Amazonas, no sul do Amapá. O Beiradão, no município amapaense de Laranjal do Jari, é apenas uma das zonas de “fronteira” na Amazônia, nas quais a escravidão sexual infantil é crime banalizado e recorrente.

O comércio de crianças amapaenses e paraenses é intenso na Guiana Francesa e no Suriname, ao norte do Amapá, principalmente em cidades como Kourou, onde fica a base francesa de lançamento de satélites; o balneário de Montjoly e Saint Laurent. Meninas e meninos amapaenses e paraenses são bastante apreciados para bacanais, corrompidos por promessas de casamento com franceses ou pela possibilidade de ir para a Europa, onde imaginam que possam ganhar até 100 euros, cerca de R$ 400, por programa, escapando, assim, da miséria.

Dos 200 mil habitantes da Guiana Francesa, 50 mil são brasileiros ilegais, amapaenses em sua maioria, que fogem do Amapá, estado assolado pela miséria social, roubalheira de colarinho branco, nepotismo, corrupção endêmica e imigração insuportável, inclusive de gente importante, como o senador maranhense Zé Sarney. A capital, Macapá, é reflexo do desleixo administrativo. Cidade sem esgoto, cheia de ruas esburacadas, com fornecimento precário de energia elétrica e água encanada, apesar de se situar na margem do maior rio do mundo, o Amazonas, a cada dia fica mais inchada e violenta.

Próximo de Caiena, a capital da colônia francesa na Amazônia, localiza-se a cidade amapaense de Oiapoque. A maior economia do município é, aparentemente, sexo, pois a cidade é a porta de entrada para a prostituição internacional na Amazônia Caribenha. Antes de as meninas seguirem para as três Guianas, passam, geralmente, por um estágio em Oiapoque. Boates locais são o internato que prepara meninas e meninos para o abate.

Assim, guianenses que atravessam o rio Oiapoque atraídos por sexo são recebidos na cidade de braços abertos – inúmeros bares nos quais o lenocínio prospera, de manhã à noite, açougues onde se pode comprar crianças de, em média, 13 anos. No Amapá, cidades como Laranjal do Jari, Tartarugalzinho, Calçoene e Santana, esta, na zona metropolitana de Macapá, são, como Oiapoque, vitrines de carne infantil. O jornal O Liberal, de Belém, e o mais influente da Amazônia, contém, no seu banco de dados, ene reportagens que confirmam o que eu estou dizendo, com nomes, lugares e datas.

SEREIAS – Madrugada de 16 de setembro de 2004, marina da Ponta Negra, Manaus, Amazonas. A bordo do iate Amazonian, de 25 metros de comprimento, 15 políticos e empresários de Brasília e de São Paulo aguardam um carregamento para zarpar rio Negro acima, aparentemente para uma pescaria em Barcelos, a 450 quilômetros da capital amazonense, em passeio organizado pelo dentista paulista Flávio Talmelli. Era o terceiro ano que o alegre grupo de políticos e empresários candangos-paulistas se reunia.

Finalmente o carregamento chega. São peixes servidos antes mesmo da pescaria: 17 meninas, a maioria delas menor, aliciadas em casas noturnas de Manaus. O programa de dois dias e duas noites renderia R$ 400 a cada uma, fora gorjetas. As garotas foram conduzidas ao iate pela cafetina Dilcilane de Albuquerque Amorim, conhecida como Dil, 33 anos, que ganharia R$ 100 por garota.

Domingo 19. As meninas se dividiram em dois grupos para o retorno a Manaus. O Amazonian, com os políticos e empresários, seguiu rio Negro acima, com destino a um hotel na selva. Doze meninas retornaram a Manaus. No fim do dia, as cinco meninas restantes retornaram também, no barco Princesa Laura. O barco naufragou naquele mesmo domingo, entre Manaus e Barcelos, com 100 passageiros. Morreram 13 pessoas, entre as quais as cinco garotas que participaram da orgia: Amanda Ferreira Silva, 20 anos; Marlene Cristina dos Santos Reis, 19; Suzie Nogueira Araújo, 18; Taiane Barros, 17; Hingridy Florêncio Viana, 16.

Dois dias antes do acidente, alguns pais queixaram-se à polícia sobre o desaparecimento de suas filhas. Agentes da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente de Manaus (Deapca) descobriram que as meninas mortas haviam participado de uma bacanal e eram as mesmas que estavam sendo procuradas pelos pais. Depois, localizaram algumas meninas que retornaram a Manaus, do Amazonian. Descobriu-se, então, que três homens que estavam no Amazonian deixaram a embarcação em Barcelos e, dia 23 de setembro, retornaram a Manaus, em avião da Apuí Táxi Aéreo.

Foi aí que identificaram o então presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado distrital Benício Tavares da Cunha Melo, do PMDB, que adotou o nome Benício Mello (prenome e último sobrenome); Randal Mendes (Sérgio Randal), cunhado de Benício Tavares e, então, chefe de gabinete da presidência da Câmara Legislativa do DF; e o advogado brasiliense Marco Antônio Attié.

Uma das menores ouvidas pela polícia disse que Benício Tavares manteve relações sexuais com pelo menos duas menores, uma das quais Taiane Barros, 17 anos, mãe de um bebê de sete meses, e que morreu afogada no Princesa Laura. Outra garota afirmou, em depoimento à polícia, que manteve relações sexuais com Benício, que teria pago R$ 500 a ela. Uma menor disse que Benício lhe ofereceu R$ 500 para manterem relações sexuais, mas ela recusou. Seis das moças que estiveram a bordo do Amazonian garantem que Benício chegou a pagar valores entre R$ 200 e R$ 1 mil para manterem relações sexuais com ele, inclusive com as menores de idade.

Das 17 meninas contratadas para a bacanal, seis afirmaram, em depoimento à delegada Maria das Graças Silva, titular da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente, que Benício Tavares esteve no iate nos dias 17, 18 e 19 de setembro, e que manteve relações sexuais com várias garotas, entre as quais pelo menos duas menores. A delegada garante que coletou elementos suficientes para provar a participação de Benício Tavares em turismo sexual. Maria das Graças Silva mostrou, dia 27 de setembro, fotografias de Benício Tavares a três meninas que participaram da orgia. Elas identificaram imediatamente o parlamentar, que é paraplégico.

Três meninas ouvidas pela polícia garantem que no iate Amazonian havia bebida alcoólica e drogas, e que foram realizados desfiles de garotas nuas e sorteio de brindes aos participantes. Em depoimento à polícia, a cafetina Dil declarou que a bacanal foi contratada pelo dentista paulista Flávio Talmelli. “Ele disse que o passeio seria muito divertido e que todas as despesas, desde hospedagem a alimentação, seriam pagas por seus amigos. Somente convidei algumas amigas” – defendeu-se Dil. As garotas disseram à polícia que foram enganadas por Dil. O combinado é que receberiam R$ 400, mais gorjetas, mas, a bordo, receberam somente R$ 200.

Em nota oficial, divulgada no dia 27 de setembro de 2004, Benício Tavares confirmou a viagem a Manaus, de 16 a 22 de setembro, para pescar no rio Negro, hobby até então insuspeito. Confirmou também o voo Barcelos-Manaus. Negou relacionamentos sexuais com garotas menores de idade. Para fazer a viagem turística, Benício se licenciou da Câmara, da qual era presidente, por 10 dias, embora a casa estivesse votando uma pilha de matérias e sua presença fosse importante. Foi confirmada também a presença, no iate, do chefe de gabinete da presidência da Câmara, Randal Mendes, cunhado de Benício Tavares, e do advogado brasiliense Marco Antônio Attié.

Em 2004, em Brasília, o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal fechou os olhos e arquivou processo contra o então deputado Benício Tavares (PMDB), que respondia na Justiça por turismo sexual no estado do Amazonas. Benício foi liberado por 14 votos favoráveis e 10 abstenções. Em 2007, o então governador de Brasília, José Roberto Arruda, deu a Benício Tavares a Administração Regional de Ceilândia, o maior colégio eleitoral da cidade-estado. O povo se revoltou, pois, além da acusação de corruptor de menor, Benício Tavares era acusado de desvio de dinheiro. Arruda teve de tirá-lo do cargo. Em 2009, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF (TJDF) instaurou processo penal contra Benício, em ação movida pelo Ministério Público, e o absolveu. Benício Tavares foi reeleito deputado distrital.

Em 2010, o governador José Roberto Arruda foi preso, acusado de comandar um esquema de corrupção de dar inveja aos maiores ladrões do país. Em novembro de 2011, Benício Tavares perdeu o mandato de distrital no exercício da sexta legislatura, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou, por unanimidade, que o deputado coagiu eleitores e praticou abuso de poder econômico. Este ano, Benício Tavares candidatou-se a deputado distrital, mas não foi eleito.

Como se vê, Brasília não vai à Amazônia apenas por energia hidrelétrica; minerais, principalmente ouro e ferro; e madeira. Quem sabe, por falta de água no rio São Francisco (ou pela grana que isso renderia), não queiram transpor o Amazonas!

A mentalidade de colonizado, predominante nos amazônidas, o calor, a nudez e a corrupção crônica na ex-colônia portuguesa e agora americana, inglesa, brasiliense, paulistana etc., determinaram a perpetuação na Hileia de uma das nódoas mais negras da humanidade: a escravidão sexual de crianças. Em abril passado, escrevendo como correspondente do Portal do Holanda, de Manaus, noticiei que o prefeito Adail Pinheiro (PRP), de Coari (AM), cidade às margens do rio Solimões, a 370 quilômetros de Manaus, e onde se localiza a plataforma da Petrobrás de Urucu para extração de petróleo e gás, se entregou à polícia, levado pelo advogado Alberto Simonnette para a Delegacia Geral, no bairro Dom Pedro, Zona Oeste de Manaus, onde foi formalizada a prisão. Horas antes, garantiu direito à prisão especial, por causa do risco de morte que correria se fosse conduzido para um presídio comum. Foi encaminhado ao Comando de Policiamento de Área (CPA), também na Zona Centro-Oeste.

Cinco assessores seus também foram presos, em Coari, entre os quais o chefe de gabinete da prefeitura, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, e o secretário de Terras e Habitação, Francisco Orimar Torres de Oliveira, além de Alzenir Maia Cordeiro, Anselmo do Nascimento Santos e Elias do Nascimento Santos.

Adail era investigado desde 2007 e acusado na Justiça, com fartas provas, de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. O Fantástico, da Rede Globo, fez reiteradas denúncias contra ele, apresentando provas robustas de que comandava uma rede de prostituição de menores. A Polícia Federal começou a investigar Adail em 2006, por outro motivo: indícios de desvio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). No decurso da investigação, as denúncias de pedofilia começaram a aparecer em escutas telefônicas judicialmente autorizadas. As investigações culminaram na Operação Vorax, em 2008, e em 2009 o prefeito foi preso, como neste ano. Adail Pinheiro permanecerá solto como Benício Tavares, babando, impunemente, sobre as cunhantãs?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Thriller de Ray Cunha mistura realidade e ficção



BRASÍLIA, 2014 – Conhecedor da Amazônia profunda e ciente de que a tragédia do Trópico Úmido é a mentalidade de colonizado da maioria dos amazônidas, o senador Fonteles, que lidera nas pesquisas eleitorais, se tornou a esperança dos que querem tirar o Pará da Idade Média, concorrendo ao governo contra o ex-governador Jarbas Barata, que governa das sombras o estado. Porém, uma organização clandestina, a Confraria Cabanagem, que luta pela democracia e o desenvolvimento do Pará, detecta uma conspiração para assassinar o senador Fonteles, e convoca o único homem capaz de deter o assassino: o ex-delegado de polícia e detetive particular Apolo Brito, que mora em Brasília.

Some do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) um frasco com ínfima porção de homobatracotoxina, o mortal veneno do Phyllobates terribilis, juntamente com um muiraquitã, branco, de jadeíta, de 50 milímetros, pesando 42 gramas, de 2.500 anos, uma peça tapajônica sem preço. Em conversa com o assessor de imprensa do museu, o jornalista Montezuma Cruz, Apolo Brito descobre indícios de que estariam traficando água do rio Amazonas, e mergulha na chamada questão amazônica, e em símbolos caros aos paraenses, como o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o Ver-O-Peso, a Estação das Docas, o tacacá.

Neste romance ensaístico, personalidades vivas transitam entre personagens de ficção, como é o caso do lendário jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, um dos maiores intérpretes mundiais do enigma da Amazônia, que se encontra com o fictício detetive Apolo Brito no restaurante Restô do Parque, na ex-residência oficial dos governadores do Pará, na Avenida Magalhães Barata 830, antiga Avenida Independência, no bairro de São Brás, palácio erguido no início do século passado, em estilo eclético, em que predomina o neoclássico, e elementos de art nouveau, e que, em 1998, passou a ser chamado de Parque da Residência, onde moraram os dois mais ilustres governantes da história recente do Grão-Pará: Lauro Sodré (1917-1921) e Magalhães Barata (1888-1959).

Outra personalidade que aparece neste romance ensaístico é o coronel do Exército Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva e fundador do Centro de Instrução de Guerra na Selva. Em entrevista à coluna Enfoque Amazônico, do site ABC Politiko, Fregapani  faz uma declaração polêmica: “O problema crucial da Amazônia é que ainda não foi ocupada. Ledo engano é supor que a região pertence de fato ao Brasil. Será, sim, do Brasil, quando for desenvolvida por nós e devidamente guardada. Daí porque às potências estrangeiras não interessa o desenvolvimento da Amazônia. Por enquanto, Estados Unidos, Inglaterra e França, principalmente, lançam mão, com esse objetivo, da grita ambientalista. Com a região intocada, matam dois coelhos com uma cajadada: mantêm os cartéis agrícolas e de minerais e metais. Dois exemplos: a soja da fronteira agrícola já ameaça a soja americana; e a exploração dos fabulosos veios auríferos da Amazônia poriam em cheque as reservas similares americanas e poderia mergulhar o gigante em recessão.

“O outro coelho é que, despovoada, inexplorada e subdesenvolvida, não haverá grandes problemas para a ocupação militar da região. Aliás, tudo já está preparado para isso. A reserva Ianomâmi – etnia forjada pelos ingleses –, do tamanho de Portugal e na tríplice fronteira em litígio Brasil, Venezuela e Guiana, é a maior e mais rica província mineral do planeta. As Forças Armadas e a Polícia Federal não podem nela entrar, por força de lei. Pois bem, já há manifestação na Organização das Nações Unidas (ONU) de torná-la nação independente do Brasil, por força de armas, se necessário”.

Eis a trama do novo romance de Ray Cunha, A CONFRARIA CABANAGEM, lançado agora em setembro, pelo Clube de Autores e pela Amazon.com. Como romance ensaístico, a questão amazônica permeia a trama político-policial deste thriller de tirar o fôlego, com ação intensa que lembra outros trabalhos do escritor nascido em Macapá, na Amazônia Caribenha, e residente em Brasília, como, por exemplo, os romances A CASA AMARELA e HIENA, e os contos INFERNO VERDE, NA BOCA DO JACARÉ-AÇU, A CAÇA e A GRANDE FARRA.

*MARCELO LARROYED é escritor, mestre em Teoria Literária pela UnB

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Senador é degolado em hotel infestado de prostitutas numa Brasília atolada em corrupção

Ray Cunha e os embaixadores Jozef Smets, da Bélgica,
e Milena Smit, da Eslovênia, no lançamento do livro
(Ler Editora, Brasília, 2013, 153 páginas, R$ 25),
no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e
restaurante na 406 Norte, Bloco C
O país afunda em corrupção e o erário escorre pelo ralo em obras bilionárias e superfaturadas, que nunca terminam, ou são inúteis. Nada a ver com o Brasil atual. Trata-se de ficção, mesmo. Uma história de detetive. Ao investigar o assassinato de um senador da República, degolado com uma katana no suntuoso Tropical Hotel, infestado de prostitutas de luxo e que ocupa uma quadra inteira do Setor Hoteleiro Sul, na capital da República, o detetive particular Hiena faz a grande descoberta de sua vida.

HIENA é o último romance de Ray Cunha, escritor nascido em Macapá, na Amazônia Caribenha, e que mora em Brasília, da qual, devido ao seu trabalho como jornalista, conhece os seus subterrâneos, bem como os bastidores do Congresso Nacional, além de ser também observador privilegiado dos seus palácios e shoppings, catedrais pós-modernas da Ilha da Fantasia.

Neste romance desfila um magote de personalidades reais, como, por exemplo, o maestro Silvio Barbato, que é ressuscitado para reger a Orquestra do Teatro Nacional Claudio Santoro em dois clássicos: o Concerto Para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart, e o Bolero de Ravel; as cantoras paraenses Carmen Monarcha, que se apresenta com André Rieu, e Joelma, da Banda Calypso; dois artistas plásticos: Olivar Cunha e André Cerino; e até a famosa personagem de ficção Brigitte Montfort.

A utilização de personagens reais num trabalho de ficção é a segunda experiência de Ray Cunha. A primeira vez que fez isso foi no romance A CONFRARIA CABANAGEM, um thriller político-policial que se passa em Brasília e Belém do Pará, no qual o jornalista Lúcio Flávio Pinto, uma das maiores autoridades do planeta em Amazônia, é personagem. A CONFRARIA CABANAGEM deverá ser publicada este ano, ou em 2015, pelo Clube de Autores e pela Amazon.com.

HIENA está disponível, tanto no formado impresso quanto eletrônico, no Clube de Autores

Bem como na Amazon.com

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Medicina da alma e acupuntura

BRASÍLIA, 9 DE JULHO DE 2014 – Os nazistas quase produzem a bomba atômica antes dos americanos. Só não conseguiram seu intento devido aos cuidados que os assessores de Hitler tomavam. A bomba era desenvolvida por vários cientistas, cada qual assumindo apenas uma parte do projeto, sem uma das quais não haveria o artefato. Ao físico judeu-alemão Joseph Gleber coube uma dessas partes da bomba. Então, a cúpula nazista descobriu que Gleber estivera protelando sua participação no projeto, à espera de que a guerra acabasse antes que aquela terrível arma fosse posta à serviço de um dos psicopatas mais bem-sucedidos da História, na sua trilha de horror: Hitler. Gleber foi ameaçado de ser posto num forno, juntamente com sua esposa e os dois filhos, vivos, para serem assados. Não cedeu, e no dia 13 de abril de 1942, foi cremado.

Medicina da Alma (Editora Casa dos Espíritos, Contagem-MG, 254 páginas, R$ 75, capa dura, papel couchê), psicografado por Robson Pinheiro, pelo espírito de Joseph Gleber, representa uma extraordinária iniciação à medicina desenvolvida pela ciência espiritual, da qual Jesus Cristo é mestre. Estudiosos do assunto listaram sete universos paralelos, ou dimensões, com medidas próprias e que não estão separados pelo espaço, mas se interpenetram. “No mundo mais denso (o físico), a vibração é diminuta quando comparada à rapidíssima vibração do mundo astral, o mais próximo do físico” – ensina Robson Pinheiro. Estudiosos da Grande Fraternidade Branca classificam esses planos em: físico, astral, mental, búdico, átmico (essência divina), monádico (uma espécie de portal entre o divino e os veículos inferiores) e logóico (o Eu Superior).

Entre os corpos físico e astral há o duplo etérico, ou corpo etérico. No caso de adoecimento, o duplo é atingido, antes da matéria, por microrganismos e larvas que só se proliferam nesse plano, e que se refletem no mundo físico nas mais diversas doenças.

A propósito do corpo etérico, a história da medicina tradicional chinesa registra que a acupuntura é uma técnica com mais de 5 mil anos. Embora com essa idade, ainda assim é um sistema complexo demais para que o ser humano o tenha criado apenas observando a natureza. O pesquisador e escritor Jorge Bessa, autor da trilogia O mistério dos senhores de Vênus (Thesaurus Editora, Brasília, 2012), composta por Os deuses que vieram do céu (147 páginas); Pluralidade dos mundos habitados e a evolução do homem (155 páginas); e Deuses, venusianos e capelinhos (174 páginas), sustenta a tese de que a Humanidade recebe desde sempre reforço extra terrestre na sua caminhada taoista. Pois bem, tecnologia de ponta já detectou que os meridianos da acupuntura situam-se no corpo etérico. Eu desconfio que seres extra terrestres é que iniciaram os chineses na acupuntura.

É importante saber isso para se entender que a acupuntura praticada por médicos alopatas só faz piorar o estado do paciente. A propósito, leia artigo de Ricardo Antunes sobre o ato médico, no site Escola Nacional de Acupuntura (ENAc). Se for o caso, procure um acupuntor. De preferência um que saiba muito sobre o Tao. Contudo, a medicina da alma é muito mais eficiente, mas só funciona à vibração da luz.

terça-feira, 1 de julho de 2014

VIAGEM DENTRO DE TI

Estou pronto para ti
Sereno como um homem deve ficar diante de uma mulher nua
Pegar-te-ei com tanta suavidade, e firmeza,
Que lamentarás o prazer, intenso como o voo do orgasmo
Tocarei cada ponto dos teus meridianos
No fundo mais recôndito dos teus abismos insondáveis, e infinitos
Cavalgar-te-ei, preso em ti, seguro na tua boca, nos teus seios, no teu sexo
Como a Terra gravitando em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora
O sistema solar girando em volta do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora
A Via Láctea indo para o Grupo Local a 144 mil quilômetros por hora
O Grupo Local caminhando para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por hora
E tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator a 2,2 milhões de quilômetros por hora
O Grande Atrator fica para além de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra

sábado, 28 de junho de 2014

HIENA é lançado pelo Clube de Autores e pela Amazon.com. Saiba como adquiri-lo

BRASÍLIA, 28 DE JUNHO DE 2014HIENA, de RAY CUNHA, é uma história de detetive ambientada numa Brasília atolada na corrupção. Para quem mora no Brasil ou na América do Sul fica mais barato comprá-lo no Clube de Autores (155 páginas, papel couchê 90 gramas, R$ 26,44, e e-book, com 74 páginas, R$ 5,38); e para quem nos Estados Unidos ou na Europa, é mais prático adquiri-lo na Amazon.com.

O país está afundando em corrupção e o erário escorre pelo ralo, em obras bilionárias e superfaturadas, que nunca terminam, ou simplesmente são inúteis. Ao investigar o assassinato de um senador da República, degolado com uma katana, no Tropical Hotel, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília, o detetive particular Hiena faz a grande descoberta de sua vida.
Além da Brasília real fazer fundo a este romance, desfila nele um magote de personalidades reais, como, por exemplo, os artistas plásticos Olivar Cunha e André Cerino; as cantoras paraenses Carmen Monarcha e Joelma, da Banda Calypso; o escritor amapaense Fernando Canto; o maestro Silvio Barbato; além da famosa personagem de ficção Brigitte Montfort.
Hienas são como bactérias grandes. Bandidos do reino animal. Atarracadas, quartos traseiros caídos, andar manquejante, começam a comer a vítima viva ainda na perseguição, rasgando-lhe o ventre, as vísceras espirrando. O humorista carioca Juca Chaves, Jurandyr Czaczkes, cunhou uma frase que se tornou um mito persistente: “A hiena é um animal que come fezes dos outros animais, só tem relações sexuais uma vez por ano e ri… mas ri de quê?” 
A Crocuta crocuta é predador sem igual. Caçadora formidável, chega a perseguir suas presas à velocidade de até 55 quilômetros por hora, em grupos que chegam a 100 indivíduos. O segredo desse vigor é um coração poderoso. Mas o que as tornam resistentes como baratas é que podem se alimentar de praticamente tudo, desde filhotes de leão, passando por insetos a ovos de avestruz, até carniça já cheia de vermes, e de outras hienas, além de suas próprias fezes. Contudo, caçam também animais de médio e grande portes, como gazelas, impalas, gnus e zebras. Suas mandíbulas são tão potentes que comem, normalmente, os ossos das suas presas, razão pela qual suas fezes são esbranquiçadas. 
O detetive Hiena, Crocuta crocuta, como chama a si mesmo, não é bem o que Jurandyr Czaczkes, o Juca Chaves, disse. Embora discreto, quando ri para valer sua gargalhada é atroadora. Gastrônomo, elegeu a cozinha paraense a melhor do mundo. Vive só, embora tenha namorada. Contudo, têm em comum com a Crocuta crocuta alguns traços, como o sistema imunológico, pois nunca ficou sequer resfriado; pode se alimentar de comida estragada sem se preocupar, já que não se intoxica; conta com dentes de aço; é resistente como as baratas; e capaz de atravessar qualquer circunstância de extrema tensão sem que seu batimento cardíaco se altere. Também guarda um traço físico em comum com a Crocuta crocuta: o tórax largo, sem ser do tipo cangula (sinônimo de pipa na terra das suas duas mães, Belém do Pará), largo em cima e fino em baixo. 
Com um metro e oitenta, lábios carnudos, cabelos de Al Pacino, o que mais chama atenção em Hiena são seus olhos bicolores, que amanheciam com um tom azul claro, permanecendo assim nos dias frios, mas à medida que a temperatura subia, iam ficando como lápis-lazúli e, à noite, independentemente do tempo que estivesse fazendo, eram sempre duas esmeraldas. Adotou o cognome Hiena por uma série de circunstâncias. Afinal, como disse José Ortega y Gasset: “O homem é o homem e a sua circunstância”.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mulher lindíssima ao celular

Tu és linda como flor em jardim ensolarado
Simétrico, teu rosto é perfeito como a translação da Terra
E tua boca é de rosas vermelhas esmigalhadas;
Apenas uma tatuagem te macula, no ombro
Cicatriz na pele de seda cristalina.
Caminhas com os olhos verdes fixos na tela de um celular
Indicador e polegar céleres ao teclado
E te chocaste num poste no caminho.
Não gritaste, nem choraste; sorriste!
E Brasília, flutuando no gêiser do teu sorriso,
Lembra muralha arranhando o Planalto
 
Brasília, 27 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

Gozos Múltiplos

Ah! Tu és como flor se abrindo ao sol
Nua como preciosas pedras
Leve como asas que sustentam o voo
Do abismo a queda

Conduz-me à cumeeira
Dos sonhos
Ainda que eu não desperte
Como se estivesse morto

Na bacanal de rosas vermelhas
Esvaem-se os sentidos
Embriagados de estrelas

No labirinto do teu púbis
Afogo-me na maresia
E ressuscito em gozos múltiplos

sábado, 7 de junho de 2014

SENADOR É DEGOLADO COM UMA KATANA NO SETOR HOTELEIRO SUL, EM BRASÍLIA

O país está afundando em corrupção e o erário escorre pelo ralo, em obras bilionárias e superfaturadas, que nunca terminam, ou simplesmente são inúteis. Nada a ver com o Brasil atual. Trata-se de ficção. Uma história de detetive. Ao investigar o assassinato de um senador da República, degolado com uma katana, no Tropical Hotel, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília, o detetive particular Hiena faz a grande descoberta de sua vida.

HIENA é minha segunda experiência do que chamo de romance ensaístico. O primeiro, A CONFRARIA CABANAGEM, thriller político-policial ambientado em Belém do Pará, deverá ser lançado ainda este ano pela Amazon.com, ou pelo Clube de Autores. No caso de HIENA, trata-se de romance ensaístico porque contém uma Brasília viva, que se move subjacente à trama policial.

Também neste romance desfila um magote de personalidades reais, como, por exemplo, dois grandes artistas plásticos: Olivar Cunha e André Cerino; as cantoras paraenses Carmen Monarcha, que se apresenta com André Rieu, e Joelma, da Banda Calypso; o escritor amapaense Fernando Canto; o maestro Silvio Barbato; e até a famosa personagem de ficção Brigitte Montfort.

HIENA está disponível no Clube de Autores, tanto no formado impresso quanto eletrônico. Adquira-o neste endereço: