quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Adquira Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia como ela é pelo site: www.lereditora.com.br

Ver-O-Peso, acrílica sobre tela de Olivar Cunha. A maior
feira livre da Ibero-América é uma síntese da Amazônia

Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail:
ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008


MARCELO LARROYED
Mestre em língua portuguesa e escritor


O novo livro de Ray Cunha (raycunha@gmail.com), Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia como ela é (Ler Editora, Brasília, 2013, 153 páginas, R$ 25), que terá noite de autógrafos em fevereiro, na Livraria Cultura da Casa Park, com apoio da ONG Preserve Amazônia, já está à venda no site: www.lereditora.com.brLivreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.bou pelo telefone: (55-61) 3362-0008. Ler Editora fica no: Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59 Brasília/DF – CEP 70610-430.

Ray Cunha, fotografado pelo
artista plástico André Cerino
Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, todas ambientadas em Belém do Pará, cidade a que o autor dedica o livro. Alguns contos têm sequências no Ver-O-Peso, maior feira livre da Ibero-América, e na ilha de Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do rio Amazonas, o maior do mundo, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar do que a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo Estado brasileiro” – comenta o escritor.

Na Boca do Jacaré-Açu, o conto que dá título ao livro, é a história do mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto, ele representa a morte” – diz Ray Cunha.

Autor do romance A Casa Amarela (Editora Cejup, Belém), Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (Edição do autor, Brasília, 2005) e O Casulo Exposto (LGE Editora, Brasília), Ray Cunha é “caboco de Macapá, cidade que tremeluz na Linha Imaginária do Equador, a cerca de 200 quilômetros da boca do rio Amazonas, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe”. O autor vive em Brasília, onde exerce o ofício de escritor e trabalha como jornalista.

CIDADE DAS MANGUEIRA, CIDADE MORENA, PORTAL DA AMAZÔNIA – Segue-se breve entrevista que Ray Cunha concedeu a mim no início deste ano.

Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?

Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?

Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?

Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém do Pará, conhecida como Cidade das Mangueiras, Cidade Morena, Portal da Amazônia, a quem eu dedico o livro; algumas histórias contêm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do planeta, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Qual a diferença entre ter a Amazônia como cenário em comparação com temas urbanos ou rurais?

O livro Na Boca do Jacaré-Açu é ambientado na mais importante cidade e maior zona metropolitana da Amazônia brasileira, Belém do Pará, e no realismo fantástico de Marajó. É, portanto, recriação urbana e rural.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?

Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?

Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas e jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?

Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.


Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como a uma certa noite em que nos dedicamos a mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.

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