domingo, 16 de fevereiro de 2014

O LINHÃO DE TUCURUÍ ESTÁ PRONTO, MAS MANAUS E MACAPÁ NÃO PODEM RECEBÊ-LO. PONTE AMAPÁ-GUIANA FRANCESA TAMBÉM ESTÁ PRONTA, MAS BR-156, NÃO

BRASÍLIA, 16 DE FEVEREIRO DE 2014 – Terça-feira 4, o décimo blecaute na gestão Dilma Rousseff afetou 11 estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, prejudicando cerca de 6 milhões de habitantes. A Amazônia ficou fora do apagão do dia 4, mas a região, a que mais produz energia hidrelétrica no país, não está fora desse drama, especialmente Manaus, a maior cidade da Hileia, com 2 milhões de habitantes, e Macapá, com 437.255 habitantes (IBGE/2013), além da maioria dos municípios da Amazônia Clássica, mergulhados na Idade Média. O Linhão conduz também conexão de fibra óptica, aumentando em até 5 mil vezes a velocidade da internet e acesso à tecnologia 4G, da TIM. Ainda não ficou claro como será cobrado esse serviço à população.

Desde julho de 2013 que o Linhão de Tucuruí está instalado, em condições de abastecer Manaus, mas não entrou em operação porque a Eletrobras Amazonas Energia deixou de fazer a sua parte, a estrutura para incorporar a capital baré ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o maior sistema integrado de transmissão de energia do planeta e que cobre quase todo o território brasileiro, com capacidade de gerar 1,8 mil megawatts, acima do consumo máximo registrado em Manaus, de 1,350 MW. Os equipamentos utilizados atualmente na capital amazonense para o fornecimento de energia têm mais de três décadas de uso. As novas subestações, que custaram R$ 524 milhões, começaram a ser construídas em 2012, mas a Amazonas Energia, que estava devendo R$ 1,6 bilhão quando foi encampada pela Eletrobras, não deu conta de concluí-las.

A linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus custou R$ 3,5 bilhões. Com 2 mil quilômetros de extensão, as torres utilizadas no cruzamento do rio Amazonas, que chega nas cheias a medir mais de 50 quilômetros de largura, são mais altas que a Eiffel, de Paris. Quando Manaus e Macapá começarem a utilizar energia do Sistema Interligado Nacional, serão economizados R$ 2 bilhões por ano em óleo e evitar-se-á que 3 milhões de toneladas de carbono sejam lançadas na atmosfera. No Amazonas, o Linhão passa por oito municípios antes de chegar a Manaus, mas essas cidades não verão sua luz.

EM MACAPÁ, A SITUAÇÃO É PIOR DO QUE EM MANAUS – O Linhão de Macapá, que em terras amapaenses mede 334 quilômetros, já foi concluído, mas os macapaenses ainda vão esperar muito mais tempo do que os manauaras para se beneficiarem da energia firme de Tucuruí; se em Manaus a recepção da energia pode começar em março, no Amapá o governador Carlos Camilo Góes Capiberibe (PSB) só começou recentemente a obra do sistema para receber, rebaixar a tensão e promover a distribuição da energia aos macapaenses, obra orçada em R$ 42 milhões.

Assim como em Manaus, que tem a quinta pior internet do país, em Macapá, que se não tem a pior internet é candidata ao posto, o cabo de fibra ótica via Linhão conduzindo banda larga também está prontinho, mas os macapaenses ainda vão continuar com internet do século passado, não se sabe até quando. Atualmente, a banda larga domiciliar na capital amapaense é via rádio, interligada por antenas com 40 quilômetros de distância uma da outra a partir de Barcarena, no Pará.

ÚNICA RODOVIA FEDERAL NO AMAPÁ É CONSTRUÍDA HÁ MAIS DE 7 DÉCADAS – A ponte sobre o rio Oiapoque, que liga a cidade de Oiapoque, no norte do estado do Amapá, à localidade de São Jorge do Oiapoque, na colônia francesa da Guiana, e que começou a ser construída em 2008, ficou pronta em 2011, mas não foi inaugurada porque a BR-156, que ligará Macapá a Caiena, continua engolindo verba, há mais de 70 anos, e nada de ficar pronta. No lado brasileiro da ponte, que custou R$ 61.296.347,09, o posto de aduana é improvisado. No lado francês, toda a estrutura viária e aduaneira está pronta desde 2011. A propósito, a cidade de Oiapoque tem fama de ser um açougue de carne infantil a turistas libidinosos, que atravessam o rio Oiapoque em busca de aventuras que só o Brasil pode proporcionar.

O senador Randolfe Rodrigues (AP), pré-candidato a presidente da República pelo Psol, tem andado para cima e para baixo com o embaixador da França no Brasil, Denis Pietton. Também ano passado Randolfe marcou para este ano uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, só não se sabe exatamente quando, para debater a cooperação transfronteiriça entre Brasil e Guiana Francesa, especialmente o garimpo, no qual vige a lei da bala. Faz algum tempo que militares franceses fizeram uma limpeza na região, mas garimpeiros, principalmente brasileiros, retornam sempre.

O antigo Território Federal do Amapá foi criado em 13 de setembro de 1943, desmembrado do estado do Pará, e em 1 de janeiro de 1991, foi instalado o estado do Amapá, criado pela Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Foi nessa época, aliás, que o maranhense Zé Sarney foi eleito pelos tucujus senador vitalício. Sarney deu notoriedade ao Amapá, que só era conhecido como fonte do melhor manganês do mundo, com o qual o governo brasileiro “presenteou” os americanos, que o estocaram no Tio Sam e deixaram o buracão no município de Serra do Navio.

Pois bem, com 142.814,585 quilômetros quadrados, o Amapá é cortado longitudinalmente pela A BR-156, que liga Macapá, a capital, a Oiapoque, separada da Guiana Francesa pelo rio Oiapoque, o mais setentrional do Brasil, desaguando no oceano Atlântico. Essa rodovia começou a ser construída nos anos de 1940. Mede cerca de 900 quilômetros e está longe de ser completamente pavimentada. Com mais de sete décadas de construção, é espantoso recorde mundial de e irresponsabilidade, de preguiça, de desprezo para com os amapaenses.

A BR-156 é fundamental para a economia do Amapá. Ela ligará o porto de Santana, o mais estratégico da Amazônia, à América do Norte, via América Central. Santana, com capacidade de receber cargueiros transoceânicos, é o porto brasileiro mais próximo dos mercados norte-americano, europeu e asiático (neste caso, via Panamá). Pode abrigar carga de toda a Amazônia e do Centro-Oeste e exportá-la para todo o planeta. Seu problema é que pertence à prefeitura de Santana, na zona metropolitana de Macapá, e, portanto, está sujeito à corrupção municipal, mais difícil de ser fiscalizada e estancada do que se o porto fosse federal.

Mas o PT está preocupado é com Cuba, onde inaugurou recentemente um porto, construído com dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou seja, com dinheiro nosso. Na cabeça de Dilma Rousseff, e do PT, não precisamos de portos, se temos a Copa do Mundo.

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