sábado, 15 de fevereiro de 2014

OS GENERAIS DE AÉCIO NEVES NA AMAZÔNIA. PT COMEÇA A ENXERGAR DILMA COMO UM POSTE SEM ILUMINAÇÃO

BRASÍLIA, 15 DE FEVEREIRO DE 2014 – Até nas eleições presidenciais a Amazônia é tratada como colônia (americana, europeia, japonesa, paulistana e brasiliense; os chineses estão querendo também). Sabedores do baixo índice de eleitores na Hileia, os candidatos saracoteiam mais no Sudeste, Sul e Nordeste. Além disso, rende mais voto, e dinheiro para a campanha, afagar os setores de construção de estradas e hidrelétricas, e de produção de gado e soja, além de industriais e banqueiros do Sudeste, do que as áreas de pesquisa, biotecnologia e oceanografia, de grande interesse para a Amazônia. Assim, em termos eleitorais, é o prestígio do presidente eleito que acaba transferido para futuros candidatos a governos e ao Senado. É o que ocorre com os prefeitos de Manaus, os tucanos Arthur Virgílio, e de Belém, Zenaldo Coutinho, dois dos generais que coordenarão o palanque do pré-candidato tucano à presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB/MG).

Arthur Virgílio Neto, 70 anos, prefeito da maior cidade da Hileia, conhece de perto o maior inimigo de Aécio Neves, pois derrotou Luiz Inácio Lula da Silva numa cidade, Manaus, onde o ex-presidente, que baba de raiva só de pensar em Virgílio, quase obteve a unanimidade, em 2006. Diplomata de carreira, Virgílio se elegeu deputado federal pelo MDB, em 1982. Em 1986, candidato a governador do Amazonas, foi derrotado por Amazonino Mendes. Em 1988, elegeu-se prefeito de Manaus, pelo PSB, derrotando o ex-governador Gilberto Mestrinho; um ano depois migrou para o PSDB, que ajudou a fundar. Em 1994, elegeu-se novamente deputado federal, e foi reeleito em 1998. Líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara, foi também secretário Geral da Presidência da República. Em 2002, elegeu-se senador e em 2003 passou a liderar a bancada do PSDB no Senado. Como líder da oposição, foi um dos críticos mais ferrenhos do então presidente Lula.

Em 2006, novamente candidato ao governo do Amazonas, ficou em terceiro lugar. Em 2010, vítima de raivosa campanha de Lula, perdeu para a comunista Vanessa Grazziotin a vaga no Senado, mas derrotou-a, no segundo turno, para a prefeitura de Manaus, em 2012, apesar de Grazziotin ter recebido apoio pessoal de Lula, que desfechou ataques virulentos ao tucano. Até a presidente Dilma Rousseff, a mando de Lula, se empenhou pela derrota de Virgílio, que comanda a mais populosa cidade da Amazônia, com 1.861.838 habitantes (IBGE/2012), filé para candidatos a presidente da República.

Caso Arthur Virgílio consiga modernizar o saneamento básico e recuperar o centro histórico de Manaus, terá se credenciado, em 2018, a voltar ao Senado, ou a se tornar governador do Amazonas.

BELÉM – No Pará, Aécio Neves contará com o governador Simão Jatene, 65 anos, um dos fundadores do PSDB e líder máximo do partido no estado. Jatene elegeu-se governador em 2003 e em 2007 renunciou à disputa pela reeleição em favor do cacique tucano Almir Gabriel, derrotado pela então senadora petista Ana Júlia Carepa. Em 2010, Jatene derrotou Carepa, desgastada pela sua inacreditável incompetência, que quase pôs o Pará a pique. Jatene, que não deverá concorrer à reeleição por motivo de saúde, tem a missão de dar o necessário suporte a Aécio Neves no Pará.

Mas será o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, 54 anos, o grande cabo eleitoral de Aécio Neves no Pará, por três razões: tem voto na capital, maior colégio eleitoral do estado; é experiente e vitorioso coordenador de campanhas; e candidato ao governo paraense, não agora, mas daqui a quatro anos. Contudo, o PSDB paroara poderá se transformar num telhado de vidro, pois o fisiologismo e o nepotismo tucanos em terras papa-chibé é de fazer corar até Ana Júlia Carepa.

Zenaldo Coutinho liderou a campanha pelo não à fragmentação do Pará em mais dois estados e coordenou a campanha vitoriosa de Simão Jatene de volta ao governo paraense. Em 2012, foi um dos fundadores da Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia e do seu Povo, e logo depois realizou e presidiu o seminário Povo e Floresta: Amazônia Sustentável – Rumo à Rio+20. Se Zenaldo resolver a questão do transporte público de Belém, caótico, e se modernizar o saneamento básico da Cidade das Mangueiras, se credenciará a faturar, tranquilamente, a reeleição, ou mesmo a se tornar governador, em 2018.

No Acre, Aécio Neves conta com o deputado federal tucano e primeiro secretário da mesa diretora da Câmara, Márcio Bittar, bem avaliado nas pesquisas para governador do estado. Se Bittar conseguir se eleger, pulverizará o plano dos petistas, que se instalaram no Acre juntamente com Lula, em 2003, e pretendem ficar pelo menos até 2026 – mais quatro anos para Dilma Rousseff e oito para Lula. Ou até 2022, pois a cúpula do PT já viu que Dilma Rousseff é tão poste que dificilmente conseguirá se reeleger, e como os petistas não querem nem ouvir falar em perder a teta do poder, o que seria para eles um pesadelo fatal, provavelmente Lula terá que ser o candidato, mesmo com a verdade se avizinhando dele cada vez mais.

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