quarta-feira, 23 de abril de 2014

CHICO LIVREIRO, NA BOCA DO JACARÉ-AÇU E OS JURADOS DA BIENAL NO NOBEL

BRASÍLIA, 23 DE ABRIL DE 2014 – O Chiquinho me contou que o último livro que ele vendeu no seu estande no derradeiro dia da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura, segunda-feira 21, e já passando do horário de encerramento, 22 horas, foi um exemplar do Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É. Uma senhora, de Sobradinho, cascavilhou nas mesas e estantes até resolver-se pelo Na Boca.

O Chiquinho, como lhe disse Mia Couto, é um tipo de livreiro em extinção. O escritor africano, assim como quase todas as celebridades das letras presentes à Bienal, estiveram no estande do Chico, e autografaram seus livros, lá. Há décadas que o Chico garimpa raridades e atende professores e alunos da Universidade de Brasília (UnB), onde mantém sua livraria, no campus Darcy Ribeiro.

O Chiquinho promoverá, uma semana antes dos jogos da Copa do Mundo, em Brasília, uma palestra para os repórteres estrangeiros e nacionais enviados à Capital, além da imprensa local, com o tema: Brasília está preparada para a Copa do Mundo? Na ocasião, estará vendendo títulos sobre Brasília, o Brasil, o Trópico e a Amazônia.

Mas esta crônica é, na verdade, sobre o mistério que envolve os concursos literários, como o desta Bienal. Quem seriam os jurados? Certamente são críticos literários, doutores em teoria literária, celebridades da escrita. Não me surpreenderia se Gabriel García Márquez estivesse entre eles, contratado pelo PT, que avaliza a Bienal. Afinal, há algo em comum entre o PT e Gabo: Fidel Castro. E pára (sic) por aí.

Outro mistério é o seguinte: os jurados, que giram em torno de meia dúzia, recebem milhares de livros para ler em algumas semanas, e dão conta! Interessante é que só livros editados por grandes editoras e assinados por nomes que já estão no mercado é que ganham; deve ser por isso que estão no mercado, porque são bam-bam-bans, mesmo. O que é fascinante é o método dos jurados; todos eles devem dominar leitura fotográfica, e, certamente, são conhecedores profundos de literatura universal, pois, assim, não se corre o risco de subjetividades, muito menos de parcialidade.

A propósito, simpatizo com os jurados do Nobel. Dão o prêmio para quem acham que merece; dane-se quem não gostou. Simpatizam com o sujeito, ou com a escritora, não importa se negro, azul, gordo, horroroso, velho, africano, caribenho, da América do Sul, e simplesmente dão o prêmio, e geralmente acertam. Já imaginaram se o Nobel terceirizasse o jurado e contratasse o da Bienal Brasil do Livro? Então teríamos nosso primeiro Nobel, e de São Paulo, é claro.

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