quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Capiberibe é o mais rejeitado para o governo do Amapá e Waldez Góes, acusado de desviar R$ 1 bilhão, lidera pesquisa do Ibope

BRASÍLIA, 21 DE AGOSTO DE 2014 – As costas do Amapá, o mais setentrional da Amazônia Azul e portal brasileiro para a América Central e o Caribe, recebem 20% da água doce superficial do planeta e 3 milhões de toneladas de húmus do rio Amazonas, por dia, o que as tornam as mais ricas do mundo em vidas do mar, embora sejam as mais mal guardadas pela Marinha de Guerra e, também por isso, as mais disputadas pela pirataria global.

A capital do estado, Macapá, na margem esquerda do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do Mar Doce, e seccionada pela Linha Imaginária do Equador, conta com aeroporto internacional, o porto mais estratégico da Amazônia, o de Santana, a BR-156, que a liga a Caiena, a capital da colônia francesa da Guiana, e esta às Américas Central e do Norte, e dista 8 horas de navio, ou 16 horas de barco, ou 40 minutos de 447, de Belém, o portal mais importante do Trópico Úmido, numa península, que, à noite, assemelha-a a uma gigantesca nave espacial, posicionada ao sul do Mundo das Águas – os rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá.

O Território Federal do Amapá foi criado em 1943 e passou a ser estado em 1990. Desde então, vem sendo objeto de pilhagem, que recrudesceu a partir de 2003, quando Lula Rousseff instalou a era da mediocridade, do mensalão e da roubalheira, em escala castrista-bolivariana. Os governadores que se sucederam nas terras da extinta nação dos tucujus fizeram apenas obras cosméticas e nenhuma estrutura de desenvolvimento estratégico.

Por exemplo: Macapá fica à margem do maior rio do planeta, o Amazonas, mas costuma faltar água na cidade; na capital do Amapá há edifício de 20 andares, mas não há esgotamento sanitário, muito menos estação de tratamento de esgoto; o Amapá conta com a hidrelétrica de Paredão e virtualmente com Tucuruí, mas blecautes são comuns na capital tucuju, e muitas das localidades do estado não conta com energia firme; o Amapá tem o maior potencial piscoso do planeta, mas sua universidade federal não oferece curso de oceanografia, muito menos de engenharia naval, ou de pesca; e a BR-156, única rodovia federal no estado e que o corta longitudinalmente, ligará Macapá à Caiena por asfalto, quando for concluída – a ponte cruzando o rio Oiapoque, construída em consórcio com a França, já está pronta.

Essa rodovia se constitui numa das maiores desfaçatezes perpetradas contra a burra na colônia – de Brasília, de São Paulo (que recebe 90% das toras ilegais arrancadas da Região Norte), dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia – que é a Amazônia. Começou a ser pensada junto com a criação do Território Federal do Amapá, em 1943, e a ser construída há mais de meio século, mas continua em construção, consumindo toneladas de dinheiro e cada vez mais cara.

Nestas eleições para governador, um magote de candidatos, todos afinados no canto da sereia, está de olho no Palácio do Setentrião. No dia 12, a jornalista mais lida de Macapá, Alcinéa Cavalcante, publicou no seu blog pesquisa do Ibope/Rede Amazônica de Televisão apontando o ex-governador Waldez Góes (PDT), de extensa folha corrida, liderando as intenções de voto. O atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), filho do senador e ex-governador João Alberto Capiberiba (PSB/AP) e da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), vem em terceiro lugar, apesar de os Capiberibe mandarem no Amapá, principalmente agora que o senador Jeca Sarney (PTMDB/AP), que pulou (sic) de paraquedas em Macapá, pendurou sua escopeta de maior patrimonialista do país (anexou o Amapá ao Maranhão, onde até pouco tempo mandava e desmandava).

Na pesquisa – realizada de 8 a 10 de agosto, ouvidos 812 eleitores, com margem de erro de 3% para mais e para menos e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo 00348/2014 –, Waldez Góes (PDT) tem 40%; Lucas Barreto (PSD) 15%; Camilo Capiberibe  (PSB) 12%; Bruno Mineiro (PTdoB) 7%; Jorge Amanajás (PPS) 7%; Genival Cruz (PSTU) 2%; Décio Gomes (PCB) 1%; brancos e nulos 9%; e eleitores que não responderam ou disseram não saber em quem votar 7%. No quesito rejeição, Camilo Capiberibe (PSB) lidera com 68%; Waldez Góes 16%; Jorge Amanajás 6%; Lucas Barreto 5%; Bruno Mineiro 5%; Genival Cruz 4%; Décio Gomes 2%.

Carlos Camilo Góes Capiberibe, 42 anos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) – de Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, governador de Pernambuco e candidato a presidente da República, morto recentemente em desastre aéreo –, nasceu em Santiago do Chile, em 1972, em razão do exílio político dos seus pais. É formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP) e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Montreal, Canadá. Iniciou sua vida política no movimento estudantil e, em 2006, elegeu-se deputado estadual. Em 2008, tentou eleger-se prefeito de Macapá, mas foi derrotado. Em 2010, elegeu-se governador.

Antônio Waldez Góes da Silva, 53 anos, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), nascido em 1961 em Gurupá (PA), foi governador do Amapá de 2003 e 2010. Em 10 de setembro de 2010, foi preso pela Polícia Federal, durante a Operação Mãos Limpas, juntamente com outras 17 pessoas, dentre elas o vice-governador, Pedro Paulo Dias, todos acusados de integrar uma quadrilha que teria metido a mão em dinheiro da Educação do estado e da União, soma avaliada em R$ 300 milhões. Foi solto da carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, juntamente com o vice, em 20 de setembro daquele ano, quando recebeu um mandado de condução coercitiva na operação Mãos Limpas, resultado de investigações de desvio de verbas públicas no valor de R$ 1 bilhão no Governo do Amapá durante a sua gestão, com extensão na prefeitura de Macapá.

Deputado estadual de 1995 a 1999, concorreu à prefeitura de Macapá em 1996, mas perdeu para Aníbal Barcelos. Em 1998, disputou o governo do estado, mas foi derrotado por João Capiberibe, no segundo turno. Em 2002, quando foi eleito governador do Amapá, disputou o cargo no segundo turno com Dalva Figueiredo, do PT, reelegendo-se em 2006, já no primeiro turno. Deixou o governo no dia 4 de abril de 2010 para concorrer ao Senado, mas foi derrotado por Randolfe Rodrigues, do Psol, e por Gilvam Borges, do PMDB de Jeca Sarney.

Apontado pelo Ministério Público Federal como um dos pivôs do esquema de desvios, o ex-governador foi generosamente abrigado pelo deputado federal Bala Rocha (PDT) como assessor no escritório político que mantém em Macapá, onde trabalha para “recuperar a influência do PDT” no Estado, e nega qualquer participação nos desvios investigados pela Mãos Limpas.
O ex-prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), primo de Waldez, também foi preso em outra fase da Mãos Limpas, por suspeita de participação num esquema de fraude nas licitações do município. Em 18 de dezembro de 2010, Roberto Góes voltou a ser preso pela Polícia Federal. Uma semana antes, os federais apreenderam R$ 35 mil na Secretaria Municipal de Finanças de Macapá, dinheiro supostamente oriundo de licitações fraudulentas. Escutas da PF captaram um diálogo em que Roberto Góes pede à irmã, Queila Simone Rodrigues da Silva, procuradora-geral do município, medidas que obstruíssem as investigações da PF. Roberto Góes ficou preso por quase 60 dias na penitenciária da Papuda, em Brasília. Solto em 11 de fevereiro de 2011, voltou ao cargo como se nada tivesse acontecido.

Em agosto de 2012, foi suspenso procedimento licitatório instaurado pela Secretaria Municipal de Saúde visando contratar a empresa Criativa Construções Ltda., ligada a um parente de Roberto Góes. Segundo o Ministério Público, a contratação teria como finalidade desviar receita para alimentar caixa 2 da campanha de reeleição do prefeito, derrotado por Clécio Luís, do Psol.

Luiz Cantuária Barreto, Lucas Barreto, 50 anos, aparece, na pesquisa do Ibope, na frente de Camilo Capiberibe. Do pragmático Partido Social Democrático (PSD), Lucas, natural de Macapá, foi deputado estadual quatro vezes, eleito a partir de 1990. Em 2008, foi candidatou à Prefeitura de Macapá, e em 2010, ao governo, pelo PTB, sempre derrotado. É vereador por Macapá.

Bruno Manoel Rezende, o Bruno Mineiro, 34 anos, do Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), nasceu em Belém, no Pará, em 1980; é formado em Engenharia Civil pela Universidade Fundação Mineira de Educação e Cultura, e empresário. Eleito deputado estadual em 2010, dois anos depois foi nomeado Secretário Estadual dos Transportes.

Décio Araújo Gomes, 45 anos, macapaense, é candidato ao governo pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Genival Cruz de Araújo, 36 anos, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), é de Caxias, Maranhão, é motorista de ônibus, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sincottrap).

Jorge Emanuel Amanajás Cardoso, 48 anos, do Partido Popular Socialista (PPS), antigo Partido Comunista, natural de Chaves (PA), é professor, licenciado em Física e Engenharia Civil e pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal do Pará. Foi deputado estadual por três mandatos e chegou à Presidência da Assembleia Legislativa por duas vezes. Em 2010, candidato ao governo do Amapá, ficou em terceiro lugar.

Afinal, por que Camilo Capiberibe, com a máquina na mão, apresenta uma rejeição tão grande? E por que Waldez Góes, acusado de desviar R$ 1 bilhão dos cofres públicos, é franco favorito? Fica a pergunta ao eleitor do estado do Amapá.

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