sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Romance FOGO NO CORAÇÃO é um mergulho no mundo da Medicina Tradicional Chinesa

Ray Cunha fotografado pelo artista plástico André Cerino em dezembro de 2013
Capa da edição da Amazom.com

Na primavera de 2013, orientado pelo ensaísta, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa, Ray Cunha começou o curso de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília. Três anos depois apresentou como trabalho de conclusão de curso o romance FOGO NO CORAÇÃO, sob a orientação do professor-acupunturista Ricardo Antunes.

A missão de FOGO NO CORAÇÃO é divulgar a Medicina Tradicional Chinesa, razão pela qual o autor optou por escrever um romance com foco no universo da MTC, de modo que a divulgação da acupuntura atinja a mesma medida do sucesso editorial deste romance. Neste contexto, FOGO NO CORAÇÃO aborda várias questões no âmbito da MTC, desde o estudo de caso de uma paciente de mioma a questões existenciais e transcendentais, como o misterioso Qi, numa abordagem ampla do que é esta filosofia, ciência e técnica.

Capa da edição do Clube de Autores
FOGO NO CORAÇÃO é como um iceberg. A parte submersa seria o universo da Medicina Tradicional Chinesa, alicerçando um thriller policial. O delegado de Repressão a Homicídios, Ricardo Larroyed, também acupunturista e professor no Instituto Holístico, investiga o suicídio e o assassinado de três modelos de moda, todas pacientes em acupuntura, sendo que duas delas foram atendidas no Instituto Holístico, onde trabalha o principal suspeito, o professor, mestre em artes marciais e poeta Emanoel Vorcaro, sócio de Ricardo Larroyed na Clínica de Terapias Holísticas, onde Emanoel Vorcaro começa a atender a estonteante modelo Rosa Nolasco.

Por trás da trama fluem várias questões do dia a dia de quem estuda, leciona ou trabalha no âmbito da MTC. Por isso, Ray Cunha adverte: “Todas as personagens desta novela são fictícias, assim como a ambientação foi inventada, com exceção do escritor, pesquisador, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa, que aparece no romance com um perfil biográfico ligeiramente modificado”.

Você pode comprar FOGO NO CORAÇÃO na Amazom.com.br e no Clube de Autores


RAY CUNHA é autor dos romances A CASA AMARELA, HIENA e ACONFRARIA CABANAGEM

E-mail do autor: raycunha@gmail.com

domingo, 6 de agosto de 2017

Agora


Sinto, agora, mais intenso ainda, perfume de jasmineiros
Chorando nas tórridas madrugadas de Macapá
Chanel 5, o mar, azul sangrando.
A eternidade se aproxima
Vertiginosa como a Terra girando
Profunda como o mistério de mulher nua
Como galgar o Pico da Neblina
Morar no Hilton Internacional Belém
Viver em Copacabana.
Agora compreendo, claramente,
Só há éter, energia, vibração, sintonia,
Nem matéria, nem tempo, existe
A vida é abismo interminável, e ascendente,
É como cair para cima
Cheiro de púbis de virgem ruiva, sabor de gozo,
Como se eu engravidasse de rosas vermelhas.
É permanente, agora, a sensação de autografar livros
De bater papo com Fernando Canto
Sobre telas de Olivar Cunha
Flutuando numa garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954,
Neste 7 de agosto, como em todos os anos

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O som do azul

Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?
Sim, nua!
Cheirando a púbis!
E mais bela do que isso?
Grávida!
Amamentando!
Mais belo
Só crianças rindo!
Luz se eternizando!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A vida começa aos oitenta

O poeta Heitor de Andrade é editado pela Siglaviva

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 26 DE JULHO DE 2017 – A noite não tardaria quando Heitor Andrade e eu nos sentamos no calçadão da Pizzaria Parrilla, na Quadra 103 do Sudoeste, segunda-feira 24. A temperatura estava agradável; acredito que fizesse 21 graus, semelhante à cabine dos jatos comerciais. Ele pediu chocolate e croissant e eu, café com leite e pão com manteiga. Heitor é um garoto de 80 anos; poeta baiano, primo de Glauber Rocha, com quem teve sua vida entrelaçada. Eu tenho praticamente 63 anos, mas sempre que nos encontramos, engatamos papo de horas, com o mesmo interesse de rapazinhos.

Fui vê-lo mais cedo, no prédio da Editora Thesaurus, no Setor Gráfico, a poucos minutos do Sudoeste, e onde o Heitor mora atualmente. Ele queria me falar do projeto no qual está empenhado: transformar um dos pavimentos do prédio da Thesaurus em centro cultural, com atividades de cinema, teatro, galeria de artes plásticas e café literário, local onde escritores de Brasília possam vender seus livros. E também queria que o examinasse.

Heitor é da estirpe de Pablo Picasso; sua energia pré-celestial, apesar de todos os excessos, ainda é exuberante. Fiz anamnese, observei-lhe a língua e os pulsos, e, basicamente, além de orientá-lo a beber dois litros de água por dia, limpei-lhe o meridiano dos pulmões e tonifiquei baço e rins. Depois, fomos caminhando à Parrilla.

Às 19 horas, começou a reunião de estudo da Seicho-No-Ie, no mesmo prédio da Panini; convidei o Heitor para participar da reunião e ele aceitou. Subimos. Íamos começar o estudo do primeiro volume da coleção A Verdade, de Masaharu Taniguchi. Heitor retirou-se mais cedo, pois a sessão de acupuntura começou a fazer efeito; como ele não estivesse dormindo bem, apliquei nele o ponto extra yintang, situado entre as sobrancelhas. Disse que estava começando a sentir sono, despediu-se e voltou para casa.

Natural de Salvador, o escritor é pioneiro na vida cultural e jornalística de Brasília, nos anos de 1960, os momentos heroicos da nova capital do Brasil. Agitador cultural, Heitor apresenta, na noite brasiliense, o Teatro do Imprevisto, criação sua. Nas apresentações, improvisa e dialoga com a plateia, sempre instigante. O cineasta Renato Cunha, editor de Heitor Andrade, trabalha num documentário longo sobre o poeta, com produção de Kim Andrade, primo e produtor de Glauber Rocha.

Segue texto sobre a edição comemorativa de CORPOS DE CONCRETO


A Siglaviva tem a honra de trazer para o leitor a edição comemorativa de 50 anos de Corpos de Concreto, editado em 1964, às portas do golpe militar, pela Imprensa Oficial da Bahia, órgão à época sob a direção do professor Germano Machado, que aqui nos brinda com uma apresentação especialíssima. Germano Machado, além da nobre atitude de apostar num poeta iniciante, foi o responsável por salvar 100 exemplares da edição, que acabaria sendo queimada lá mesmo, no pátio da Imprensa. E foi por isso — pelo ato corajoso de um homem que, naqueles idos, havia sido equivocadamente tachado de reacionário pelos meios de comunicação — que esta edição comemorativa se torna agora possível.

Homenageamos aqui, então, não somente Heitor, mas também Germano. Após décadas sem se ver, eles se reencontraram em janeiro deste ano em Salvador, mediados pela produtora cultural e atriz Tina Tude. O reencontro — Heitor com 76 anos e Germano com 87 — reacendeu a importância de Corpos de concreto para a literatura baiana e brasileira e rememorou a conjuntura política que o tornou o primeiro livro no país a entrar para o índex da ditadura militar.

Na verdade, Heitor sofreu em sua carreira literária por um motivo apenas: por se desvencilhar tanto da direita como da esquerda, optando por uma politização fora dos eixos delimitados. Heitor sempre foi do partido da poesia, da cosmopoética, totalmente libertário e sem dogmas. E, assim, acabou por prever — não sei se utilizando as cartas do tarô — a morte da ideologia no país, uma morte que hoje é ilustrada pelo próprio panorama político. Mas e a poesia? A poesia — vale dizer —, apesar de parecer o contrário, não morreu; nunca morrerá.

Deleitem-se, então, com ela, com a poesia inaugural de Heitor Humberto de Andrade — ou, simplesmente H2A, como ele prefere ser chamado —, poesia merecidamente festejada nestes 50 anos de sua primeira publicação.

Heitor Humberto de Andrade é poeta e jornalista. Jornalista pela fome, poeta pela sede. Publicou Corpos de Concreto (1964), Sigla Viva (1970), 3x1, a matemática do poema (1978) — que, além dos dois anteriores, traz o inédito Probabilidade do jogo —, Nas grades do tempo (1994), Minha moldura é o Universo (2012) e O cão selvagem (2013). Mentor intelectual e espiritual desta editora, comandou, no final dos anos 60 e início dos 70, juntamente com o artista plástico Sami Mattar, o movimento cultural Sigla Viva, que promoveu a integração da sensibilidade humana com a artística.

domingo, 23 de julho de 2017

Olhar para a mulher amada

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,
Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.
Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,
E agora é navalha te lambendo.
Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,
Que, de tão azul, sangra.
Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar
Começo a imaginar meu falo na tua boca,
Esguichando morno suco, que bebes avidamente.
Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,
Como erupção de desejos.
Mas isso é só no olhar, porque vou tirar-te a vida com minhas mãos ensandecidas
E devolvê-la com mais fogo ainda.
Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.
Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,
À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.
Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,
Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.
Meu olhar é como uma boca.
Meu olhar estaciona no teu olhar.
Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.
Meus olhos sugam teus seios como bebê faminto.
Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.
Deslizo pelo teu ventre, vagarosamente,
Até o tufo de pelos, que sugo avidamente,

À porta que se abre para meu olhar latejante.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Receba em casa livros de contos de Ray Cunha

Ray Cunha no Marco Zero do Equador, em Macapá/AP, sua
cidade natal, em foto do escritor Fernando Canto (2010)

O romancista e contista Ray Cunha está autografando e enviando a pedido três livros de contos: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU, O CASULO EXPOSTO e TRÓPICO ÚMIDO. O pedido deve ser feito para: raycunha@gmail.com, quando deve ser informado o depósito de R$ 40,00 para envio dentro do território nacional e de R$ 60,00 para envio para o exterior. Os livros serão entregues pelos Correios no endereço indicado. O depósito será feito na seguinte conta: Banco Itaú – Agência 0198 – Conta Corrente 57503-7.

NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – NA BOCA DO JACARÉ, conto que dá título a este livro, é a história do mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto, ele representa a morte.

O CASULO EXPOSTO – Este livro contém dois dos melhores contos de Ray Cunha: INFERNO VERDE e A CAÇA. A Brasília que emerge das suas páginas é uma alegoria à ninfa de Lúcio Costa, golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de roubalheira, luxúria, depravação e morte nos subterrâneos de Brasília, onde chafurda uma fauna heterogênea: amazônidas que deixaram a Hileia para trás e tentam sobreviver na Ilha da Fantasia; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; políticos do tipo mais vagabundo, que não pensa duas vezes antes de passar a mão em merenda escolar; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres; tipos fracassados e duplamente fracassados, misturando-se numa zona de fronteira fracamente iluminada.

INFERNO VERDE conta a história do repórter Isaías Oliveira, num duelo com o sinistro traficante Cara de Catarro. A trama se passa em Belém, Brasília e na ilha de Marajó.

Em A CAÇA a filhinha de um professor é sequestrada em Belém do Pará. Ao investigar o sequestro disposto a encontrar sua filha, viva ou morta, o pai encontra o fio da meada na nascente Palmas, capital do estado do Tocantins, e descobre uma quadrilha internacional sediada nos Estados Unidos dedicada ao tráfico de crianças para escravidão sexual.

TRÓPICO ÚMIDO – Três contos longos, com pano de fundo em quatro cidades da Amazônia: Belém, capital do Pará; Macapá, capital do Amapá; Manaus, capital do Amazonas; e Rio Branco, capital do Acre.

INFERNO VERDE conta a história do repórter Isaías Oliveira, num duelo com o sinistro traficante Cara de Catarro. A trama se passa em Belém, Brasília e na ilha de Marajó.

LATITUDE ZERO se desenrola em Macapá, cidade situada no estuário do maior rio do planeta, o Amazonas, na confluência com a Linha Imaginária do Equador; um punhado de jovens começa a descobrir que a vida produz também ressaca.

A GRANDE FARRA narra as peripécias do jovem repórter e playboy Reinaldo. Candidato a escritor, ele gasta seu tempo trabalhando como repórter, bebendo e se envolvendo com inúmeras mulheres. A novela tem sua geografia em Manaus, encravada no meio da selva amazônica, e em Rio Branco, no extremo oeste brasileiro.

NESTA ENTREVISTA AO PROGRAMA TIRANDO DE LETRA DA UnBTV RAY CUNHA FALA SOBRE A AMAZÔNIA E SEU TRABALHO

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A CAÇA é publicada no Clube de Autores

Ray Cunha (Foto: Rodrigo Cabral)

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2017 - A CAÇA, de Ray Cunha, foi publicada, hoje, no Clube de Autores, maior site de edição e envio de livros da Ibero-América. A novela foi lançada pela Editora Cejup, de Belém do Pará, em 1996. Em 2008, voltou a ser publicada, desta vez na coletânea O CASULO EXPOSTO, pela LGE Editora, hoje, Libri Editorial, de Brasília. No volume da Editora Cejup, o sociólogo, ensaísta e contista Fernando Canto escreveu sobre o livro:

“A obstinação de um professor em busca da filha sequestrada por traficantes de crianças move, com muita velocidade, esta novela de Ray Cunha. A CAÇA flui em linguagem direta, enxuta, que, aliás, é o estilo deste autor inquieto e que manda às favas os adjetivos inúteis, preferindo a ação aos conceitos, com o objetivo de produzir uma narrativa rica e movimentada.

“Como toda boa história, A CAÇA carrega no seu bojo a condição maniqueísta de homens gastos pelas agruras do cotidiano, em que os mais diversos sentimentos tomam conta dos personagens e permite que se observe a condição humana a partir de gestos que exprimem a traição e o ciúme, a luta pelo poder e pelo dinheiro, além da clara tensão para ver resolvidos seus problemas e obsessões.

“Ray Cunha sustenta sua casa trabalhando como jornalista, e talvez por conhecer tão bem a redação de um jornal faz conduzir esta história a partir da construção de um personagem-narrador, também jornalista – Reinaldo –, que ressurge após protagonizar A GRANDE FARRA, primeira novela do autor.

“A CAÇA é uma história bem articulada e de uma ambientação e temática pouco explorada na literatura brasileira, talvez por ser atual e refletir os problemas que afligem as pobres sociedades latino-americanas. É um livro para ser bebido como um bom scotch, a fim de que o leitor possa saboreá-lo.”

domingo, 28 de maio de 2017

Fernando Canto autografa Mama Guga – Contos da Amazônia nesta terça 30 em Belém do Pará



Fernando Canto saído da
paleta de Olivar Cunha
BRASÍLIA, 28 DE MAIO DE 2017Maior acontecimento literário do Trópico Úmido, a XXI Feira Pan Amazônica do Livro foi aberta dia 26 pela diva paraense Carmen Monarcha. De 27 de maio e 4 de junho, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, esta edição homenageia o poeta e jornalista Mário Faustino, que influenciou escritores como Haroldo Maranhão, Benedito Nunes, Max Martins e Rui Barata.

Entre os escritores de primeiro time da Amazônia atlântica, Fernando Canto representa, mais uma vez, o Amapá, autografando Mama Guga – Contos da Amazônia, a partir das 17 horas desta terça-feira 30, no stand 129, da Editora Paka-Tatu. Contista, ensaísta, poeta, compositor e doutor em sociologia, Fernando Canto é um dos mais brilhantes e ativos ficcionistas da Amazônia caribenha. Na linha do realismo fantástico, as personagens do escritor transitam no dia a dia do Trópico Úmido.

sábado, 20 de maio de 2017

Meu amor!


Perfume da minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas
Mas não nos consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada
Nem o abismo, que a tudo cerca, pode nada
Pois tu e eu, como as rosas, somos eternos porque agora

Querida, nem lágrimas, nem o pavor do incompreensível
Nem as ilusões, o horror, os pesadelos
Têm o poder de abalar as rosas, na sua tênue existência
Simplesmente porque elas são indestrutíveis

Música da minha alma, nossa viagem no éter
A caminhada sem começo nem fim
Apenas começou nesta fogueira

A luz que alimenta o infinito
É a lei que a tudo governa
O fogo que vivifica, amor da minha vida

domingo, 16 de abril de 2017

O alquimista


Foi em março que meu paciente favorito me presenteou O Mago – A Incrível História de Paulo Coelho, de Fernando Morais. Além de terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, sou escritor, e meu paciente favorito é mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília. Antes de começarmos o tratamento, já costumávamos nos encontrar no Conjunto Nacional para almoçar ou simplesmente tomar café, mas, sobretudo, bater papo durante horas sobre literatura. Somos apaixonados por literatura. Eu também atendo a filha do meu paciente favorito, uma princesa de 16 anos que a mim lembra anjos do cinema, e que me deixa em dúvida sobre quem se beneficia mais da terapia: ela ou eu. Talvez ambos, porque ela também é leitora inveterada e sua alegria, seu riso, funciona em mim como injeção que vai lavando impurezas da minha alma. As crianças são poderoso combustível para a luz. Quando conversamos com elas com o coração limpo, ouvimos os sons da alma.

Eu morava em Manaus e já era jornalista quando li A Ilha, de Fernando Morais, uma reportagem sobre Cuba, publicada em 1976, e que se tornou, imediatamente, um ícone da esquerda brasileira. Comunismo é, hoje, sinônimo de crime organizado, mas Fernando Morais continua sendo um dos mais talentosos jornalistas brasileiros. A biografia que ele escreveu de Paulo Coelho é da estirpe dos biógrafos ingleses e americanos. Nada da apologia dos biógrafos brasileiros, que erigiam monumentos. Fernando Morais vai fundo, observa o biografado inclusive fornicando, extrai-lhe os pensamentos mais íntimos, leva o leitor a enxergar com lupa as entranhas do objeto biografado, não poupa nada que possa elucidar qualquer dúvida.

E quando uma dupla como Fernando Morais e Paulo Coelho se junta o efeito é espetacular. Até março passado, Paulo Coelho era um escritor que eu acompanhava de longe, lendo entrevistas suas como, por exemplo, a da Playboy de agosto de 2008. Aqui e ali, nas minhas expedições às livrarias, folheava algum livro de Paulo Coelho, talvez movido pela curiosidade, pois como um escritor tão chicoteado pela crítica pode ter se tornado o maior best-seller do mundo, e ser amado inclusive pelos franceses, que são amantes dos grandes escritores?

Depois que li o extraordinário texto de Fernando Morais, resultado de minuciosa investigação, Paulo Coelho se revelou inteiro para mim, e pude compreender tudo. Entendi, prontamente, seu sucesso. A alquimia do ficcionista carioca combina marketing, hermetismo e criatividade.

Como disse, durante muitos anos a paixão dos franceses por Paulo Coelho foi para mim um enigma, daí porque logo depois que li O Mago parti para O Alquimista, o primeiro livro do mago traduzido para o francês, e que alçou Paulo Coelho ao Olimpo das mais badaladas celebridades mundiais.

Tenho uma amiga jornalista de quem pude observar a trajetória profissional e passei a admirá-la pelo seu sucesso. Ela me contou que era garota, no interior de Goiás, quando, ao ler O Alquimista, descobriu que poderia vir para Brasília e encontrar seu tesouro pessoal.

O Alquimista é uma parábola. Talvez queira dizer que no momento em que entramos em harmonia com o universo o relicário que todos nós temos no coração se revela, e o Universo conspira para que realizemos nosso desejo. E também encontrei em O Alquimista um riacho tão cristalino quanto o que jorra na alma do Santiago de O Velho e o Mar; a mesma pureza da minha paciente, que é a pureza do Pequeno Príncipe; a mesma sabedoria do alquimista.

Soube também que venho praticando alquimia sem o saber, pois o que é alquimia senão trilhar o caminho, despindo-se de apegos, procurando ser útil, até poder ouvir o som da Terra no espaço, o choro dos jasmineiros, o hálito das rosas?

Só tenho a gradecer ao meu paciente favorito e à sua princesinha, ao Fernando Morais e ao Paulo Coelho por descobertas tão importantes. Obrigado por tudo!

quinta-feira, 30 de março de 2017

Olivar cunha: A primavera do gênio


O genial pintor amapaense Olivar Cunha completa neste 31 de março 65 anos. Lili, como é conhecido no âmbito da família e amigos mais íntimos, é um dos mais importantes expressionistas contemporâneos, em nível mundial. Natural de Macapá, cidade da Amazônia caribenha cortada pela Linha Imaginária do Equador e que se debruça na margem esquerda do rio Amazonas, a 250 quilômetros do Atlântico, foi viver mais perto do mar, na bela praia de Jacaraípe, município de Serra, na grande Vitória do Espírito Santo, terra dos maiores marlins do planeta, e que Ernest Hemingway, grande pescador, morreu sem conhecer.

Peço a Deus, meu Pai, que Lili tenha mais vigor do que seu colega Pablo Picasso, que morreu trabalhando até as 3 horas, aos 91 anos; que a vida do Lili continue iluminada, pois poucas pessoas são tão bacanas quanto o Lili; e que ame e seja amado com intensidade, como vem sendo; e que a paz que o acompanha não seja abalada, nunca; e que a pureza do seu riso se espalhe pelo mundo; e que a Providência lhe dê todo o necessário para fazer feliz todos que o cercam; e que as cores da sua paleta continuem se derramando na tela, transformando-se em luz!

Te amo, Lili!

Do, sempre, Ray Cunha!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Escritor apresenta romance como TCC do curso de Medicina Tradicional Chinesa. Leia trecho de FOGO NO CORAÇÃO, ambientado em Brasília

Capa da edição da Amazon.com


MARCELO LARROYED

BRASÍLIA, 31 DE JANEIRO DE 2017 – O escritor e jornalista Ray Cunha apresentou como trabalho de conclusão do curso de Medicina Tradicional Chinesa da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) um romance curto, FOGO NO CORAÇÃO, publicado no Clube de Autores e na Amazon.com, e que será lançado este ano em formato impresso.

A novela é ambientada no universo da Medicina Tradicional Chinesa em Brasília. A trama conta a história de um acupunturista suspeito de matar três modelos de moda. Um delegado de polícia, que é também acupunturista, investiga o caso, e tenta evitar a morte de mais uma modelo, a estonteante Rosa Nolasco.

O autor adverte: "As personagens e a ambientação são ficção pura, com exceção do escritor e acupunturista Jorge Bessa, que faz uma rápida aparição no livro; por isso, qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência". 

Segue-se trecho de FOGO NO CORAÇÃO:

Capa da edição do Clube de Autores
O relógio despertou às 5 horas. Ricardo Larroyed desligou-o; o sabiá estava cantando. Ergueu-se da cama e olhou pela janela. Chovera. A madrugada quedava-se quieta como ave encharcada. Do seu quarto dava para ver as mangueiras à luz das luminárias públicas. Não dormira muito, pois deitara-se tarde. Levantou-se e foi ao banheiro; sentou-se no vaso e ficou lá um certo tempo. Habituara-se a urinar sentado quando ainda vivia com Mara. Levantou-se, acionou a descarga, lavou as mãos e o rosto, sacudiu água na boca e passou as mãos úmidas na cabeça. Era bastante calvo na frente e usava os cabelos aparados à máquina. Ajeitou o pijama, saiu do banheiro e se dirigiu à cozinha. Pôs água para ferver e preparou uma xícara média de Antonello Monardo, encorpado e sem açúcar. Excedera-se um pouco na noite anterior; devia ter tomado quase meia garrafa de Anísio Santiago. Dali da cozinha foi para a biblioteca. Herdara a casa de seu pai. Mais uma semelhança com seu sócio, Emanoel Vorcaro. Quando separara-se, Mara fora para o Rio, sua cidade natal e onde conhecera o novo marido, próspero empresário da área de alimentação, dono de três restaurantes na Cidade Maravilhosa. Ricardo sentia profunda gratidão por ela. Amigos de infância, começaram a namorar adolescentes. Naquela época, o talento, que não sabia ainda para quê, começava, de alguma forma, a agitá-lo, e ele não tinha o necessário direcionamento para canalizar aquela tremenda energia. Foi aí que Mara entrou, conduzindo-o, por circunstâncias que nunca lhe ficaram claras, aos cursos que Ricardo fizera. Casaram-se e logo depois sua missão se revelou com clareza solar. O gatilho que o levou a compreender sua missão deixara uma lembrança na sua barriga: uma cicatriz. Anos depois soube que tudo o que queria era seguir a carreira de policial. Três anos após seu casamento com Mara, ela se queixou de que não conseguia gozar com o travesseiro, desejou-lhe felicidade na polícia e se mandou para o Rio. Chefe de cozinha competente, conquistou não só a clientela do seu futuro marido, como principalmente a ele mesmo. No início, a dor da perda queria estrangular o coração de Larroyed; mas que policial seria se não conseguisse ignorar agulhadas em nervos expostos? O caso é que policiais não podem ter nervos expostos. Sua trama nervosa tem que estar agasalhada em meridianos de liga de aço e nióbio. Mas ainda pensou nela durante anos, até conhecer Greta Cantanhede.


Ray Cunha: romance como TCC
Enquanto se vestia, Ricardo Larroyed olhava pela janela as mangueiras da rua. Morava sozinho, no coração do Cruzeiro Velho. Adorava mangueiras, e, naturalmente, manga era sua fruta predileta, daí que ficava possesso quando via, impotente, pessoas açoitando mangueiras, os frutos ainda verdes. As mangueiras públicas sempre o deixavam com um sentimento ambíguo, de prazer e revolta: prazer porque as amava, e de revolta porque estavam sempre podadas só de um lado, por causa da fiação elétrica, “que deveria estar debaixo do solo”.

Ricardo Larroyed era um espanto. Delegado especial da Polícia Civil, lotado na Coordenação de Repressão a Homicídios, fizera graduação simultânea em direito e medicina, com pós-graduação em medicina legal, além da graduação em programação em informática. Fora também alpinista, e quase perdera o joelho direito tentando escalar o Pico da Neblina, o que jamais conseguiu. Um ortopedista, amigo da família, lhe deu um conselho:

– Procura um acupunturista, agora! – e lhe forneceu o número de telefone do dr. Emanoel Vorcaro.

Não só foi curado, como fez o curso de medicina tradicional chinesa no Instituto Holístico e se tornou professor da instituição, além de fazer uma amizade tão sólida com Emanoel Vorcaro a ponto de em determinado momento passarem a almoçar juntos todo sábado, a menos, é claro, que motivos de força maior os impedissem. Acabaram abrindo a Clínica de Terapias Holísticas. Tanto a amizade quanto a sociedade eram inabaláveis, pois alicerçavam-se na empatia, na medicina chinesa e no mandarim. Estudioso de antigas confrarias, Larroyed lia em pelo menos doze idiomas, entre os quais o mandarim, e até línguas mortas, como latim e aramaico. Media 1,90 metro e pesava 90 quilos e fora pugilista amador na juventude. Aos 41 anos, evocava um boa-vida, com o devido ar cínico. Nada mais enganoso, pois cultivava disciplina espartana. Ao levantar-se e ao deitar-se fazia religiosamente a Meditação Shinsokan, criada pelo filósofo japonês Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie, e vivia no que chamava de “a eternidade do agora”, filosofia que empregava ao extremo nos pegas amorosos com sua gata, a oncologista e urologista Greta Cantanhede, “a negra mais bonita do planeta, incluindo-se, para ficar mesmo redundante, a África!”

Começaram a namorar a partir de um check-up. Ricardo estava com sintomas de herpes simples no pênis e ainda não sabia o que era.

– Você já viu todo tipo de pinto, mas se apaixonou por mim quando viu o pinto mais bonito do mundo – dizia-lhe, rindo.

– Deixas de ser besta, rapaz, para a tua altura és quase aleijado; eu me apaixonei porque desde que te vi senti um cataclismo! – ela lhe respondia, no seu sotaque macapaense, rindo também com seus olhos grandes e escancarados, brilhando como uma prece, negros como o azul do céu ao anoitecer em julho em Macapá, e o beijava como na primeira vez. Era dessa parte que ele gostava.

Greta era filha de uma descendente de escravos usados na construção da Fortaleza de São José de Macapá, dona Joana, e de um pesquisador italiano, ginecologista e obstetra, que foi à Amazônia para estudar as parteiras e as condições em que nasciam ribeirinhos e índios. Era tão belo e tinha os olhos tão azuis que as mulheres, inclusive casadas, chegavam a se ajoelhar aos seus pés suplicando que as possuíssem. Até chegar em dona Joana, uma pérola autêntica, uma dessas mulheres que encerram a redenção de todos os homens. Aí terminou a pesquisa. O dr. Catanhede voltou casado para Roma, mas os romanos não aceitaram dona Joana; então, o casal mudou-se para Macapá. Greta tinha 17 anos quando o dr. Cantanhede foi chamado ao Ministério da Saúde, em Brasília, para criar e assumir o Departamento Nacional de Ginecologia e Obstetrícia. Greta já estava terminando a faculdade de medicina da Universidade Católica de Brasília quando o dr. Cantanhede foi diagnosticado com câncer na próstata. Foi então que a planejada residência em ginecologia e obstetrícia mudou para oncologia, além de uma especialização em urologia, na esperança de salvar o pai.

– Deus escreve por linhas tortas, minha filha! – foram as últimas palavras do cientista. Greta se tornou uma referência, uma luz para os pacientes acometidos de câncer ou das doenças horripilantes que se alojam no sexo masculino.

Dona Joana morreu na semana seguinte, simplesmente porque queria encontrar-se com seu querido no mundo espiritual. Morreu como um passarinho, que tomba de um momento para outro. Então Greta fez mais uma especialização: acolhimento de pacientes e familiares, também conhecido como paliativismo. Foi quando conheceu Ricardo Larroyed; o policial internara sua mãe, viúva, no Hospital Sírio-Libanês, e foram acolhidos pela dra. Greta Cantanhede. A gota d’água foi o herpes simples, e deu-se a magia das almas gêmeas.

Uma hora depois Ricardo Larroyed entrou na sua sala na Coordenação de Repressão a Homicídios, na sede da Polícia Civil, Parque da Cidade, defronte para o Sudoeste, bairro de Brasília. Recebera uma demanda nova e começaria naquela manhã a inteirar-se do caso. Três modelos foram assassinadas ao longo daquele ano e havia indícios de ligação entre os crimes. Ricardo começou a ler o primeiro caso, ocorrido em janeiro. Patrícia Montenegro, 21 anos, de Belém do Pará, hospedada na suíte 1.134, décimo primeiro andar do Grande Hotel, foi encontrada morta, por volta das 6h30 do dia 7 de janeiro, no jardim do cinco estrelas, no Setor Hoteleiro Sul, coração de Brasília. O caso foi investigado pela Primeira Delegacia de Polícia. Havia uma foto de corpo inteiro de Patrícia Montenegro. Com 1,73 de altura, 60 quilos de peso, morena de olhos verdes, fora eleita Musa Verão de Mosqueiro 2014, e iria concorrer ao Miss Pará no concurso Beleza Brasil. Sonhava com o Miss Brasil 2015. Por volta das 21 horas do dia 6 de janeiro, Patrícia ligou para sua irmã ao telefone celular. Estava chorosa e pediu à irmã que guardasse as fotos de sua carreira de modelo. Às 5 horas do dia seguinte, Patrícia voltou a telefonar para casa e pediu à sua mãe que viesse buscá-la. Às 6h30, o corpo foi encontrado num pequeno jardim na frente do hotel, na direção do estacionamento de táxi no outro lado da rua, de onde ouviram gritos e o som da queda. Patrícia Montenegro morava no Sudoeste há um mês e fazia o famoso curso de modelo da qualificada agência Modelo Cerrado. Em torno das 6 horas do dia 7 de janeiro, o porteiro da noite teria visto um homem magro, de terno, panamá e óculos escuros tomar um dos elevadores, descendo no décimo primeiro andar, o que foi confirmado por uma camareira; o homem foi visto saindo meia hora depois.

As outras duas modelos eram da mesma agência. Em fevereiro, Roberta de Castro e Silva foi encontrada num dos banheiros do estacionamento do primeiro subsolo do Grande Hotel. Recebera uma punhalada no baço; coisa de cirurgião, e uma no púbis, perfurando o útero. Também não havia sinal de esperma. O terceiro caso ocorreu no início de dezembro. Dessa vez a estudante e modelo Gabriela Costa Médici fora encontrada na sua kitnet na Asa Sul, onde morava sozinha. Era ruiva e estava nua na cama, os cabelos espalhados em torno de um corpo que mesmo morto ainda exalava luz, especialmente os pelos pubianos, salpicados de sangue. Não havia indício de esperma, mas seu útero fora perfurado por punhal. Estava entupida de rupinol, o boa noite Cinderela, e morrera devido à hemorragia do ferimento no útero; sangrara até morrer, anestesiada pela grande quantidade de rupinol que ingerira.

Ricardo Larroyed pegou o telefone e ligou para o delegado Mariano Braga, da Primeira DP, que investigara os três casos. Ele estava lá. Identificou-se ao agente que atendera ao telefone e esperou um pouco.

– Delegado Mariano Braga – ouviu do outro lado da linha.

– Ricardo Larroyed, da Homicídios. Recebi o caso de três modelos assassinadas, uma das quais parece suicídio, e os três casos foram investigados por você. As modelos são Patrícia Montenegro, Roberta de Castro e Silva e Gabriela Costa Médici. Queria conversar com você sobre isso.

O delegado Mariano Braga pensou um pouco.

– Acho que o conheço da academia – disse. – Fiz o máximo que pude nos três casos, como você pode ver nos relatórios.

– De qualquer modo, se não se importa, eu gostaria de conversar com você; quem sabe não encontro mais alguma coisa que ligue os três casos? As três frequentavam a agência Modelo Cerrado, que fica no Grande Hotel.

– Poderemos conversar amanhã, o que lhe parece? – propôs o delegado Mariano Braga.

– Ótimo! Aí ou fora daí?

– Você gosta de café?

– Sou aficionado por café!

– Então vamos nos encontrar no Café Picasso, que fica no térreo do Grande Hotel? Às 19 horas? É lá que gosto de tomar um relaxante, e aí aproveitaremos para dar uma olhada no Grande Hotel.

– Fechado!

Ricardo Larroyed ligou para a Modelo Cerrado; identificou-se e pediu para falar com o diretor. Era diretora, Maíra da Matta. Marcaram para as 17 horas, na agência. Pegou o paletó e saiu. Pouco depois estacionava sua Chevrolet Blazer negra, modelo 2014, na Superquadra 410 Sul, por trás do restaurante Bali. Conseguiu uma mesa pequena e pediu tucunaré frito e arroz com espinafre. Frequentava o Bali por dois pratos: tucunaré e yakisoba, “os melhores de Brasília”. Gostava muito também da banana caramelada, mas raramente a pedia, pois um tucunaré com arroz, ou a tigela de yakisoba, que comia com gosto, não deixavam espaço para a banana.

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