quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

A vida se passa em uma crônica de Fernando Canto, em uma tela de Olivar Cunha, em um conto de Hemingway, em um romance de Fitzgerald, em um bate-papo com meu pai

Olivar Cunha, Ray Cunha e Josiane Souza Moreira Cunha: agora é a eternidade

Edição da amazon.com
BRASÍLIA, 5 DE DEZEMBRO DE 2019 – No primeiro volume dos 40 livros fundamentais da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi desenvolve uma teoria interessante: em uma década e meia todas as células do corpo humano são renovadas, de modo, que, a rigor, tem-se um novo corpo em relação há 15 anos. Mas continuamos sentindo as mesmas coisas. Logo, entre A e B, existe algo que subsiste, algo essencial, presente.

Há 2.500 anos, os budistas já sabiam que a matéria não existe, e, no início do século passado, um cientista, judeu-alemão, Albert Einstein, teorizou esse conhecimento. Hoje, sabe-se, cientificamente, que não existe matéria. O que há são vibrações, que, para fins de estudo, são denominadas prótons, elétrons e nêutrons, e vazios imensos. Essas vibrações formam átomos, que formam moléculas, que formam energia densa, ou seja, matéria. No caso do corpo humano, as células, tijolos da carne, são formadas por átomos, e animadas pela vida.

Edição do Clube de Autores
Desde Alan Kardec, no século 19, e depois, a partir de 1947, com a aparição cada vez mais comum de discos voadores e ETs, bem como da hoje numerosa literatura psicografada por médiuns, só mesmo cientistas empedernidos, como Stephen Hawking, afirmam que tudo é matéria e que não existe nenhum plano além da matéria, a qual, para eles, surgiu de um tal de big-bang, há 15 bilhões de anos, e também que nós, seres humanos, surgimos de uma célula que adquiriu vida sabe Deus como, se multiplicou, e, milhões de anos depois, evoluiu até formar o cérebro humano tal como o conhecemos hoje.

Cientistas há que já sabem que nós, seres humanos, somos espíritos, criaturas de outros planos, além da matéria, assim como inúmeras raças que habitam o Universo, e que encarnamos para obter a experiência da matéria e evoluir mais rapidamente, pois neste plano tudo muda a todo instante e somos cercados de limitações, inclusive a da morte carnal. Mas no império da lei, que é a vida, tudo no Universo avança, nada retrocede, e não há passado, nem futuro. A eternidade é agora.

O espírito é uma expressão da Vida, e, quando encarna, utiliza-se de um corpo ao qual podemos chamar de perispírito, ou corpo astral, ou, para ser acadêmico, psicossoma, que se conecta com a hipófise, ou pituitária, e esta ao cérebro, para que o espírito possa utilizar o corpo carnal, uma espécie de escafandro usado para a caminhada sob a força de gravidade da Terra.

Assim, nessa caminhada, só existe o agora e o agora, o momento mesmo da vida. Nostalgia, remorso, sentimento de culpa, ansiedade, angústia, são sentimentos deslocados do presente e que remetem ao medo, e o medo corrói o períspirito e se reflete no corpo carnal em doenças, como câncer.

Então, todos buscam viver o agora e o agora, o momento mesmo da vida, a liberdade do espírito, que não adoece, que não arrasta um corpo material e que pode ir para aonde quiser. Masaharu Taniguchi prega que podemos atingir esse estado aqui e agora, no mundo cármico. Acontece de turistas ocidentais irem à Índia e observarem monges, cercados de miséria, meditando à margem do poluído rio Ganges. Mas ali, só está o corpo carnal dele. Onde estará seu espírito? Talvez nem na Via Láctea, mas a bordo de uma nave rumo à Hidra-Centauro.

A vida é um tesão, como disse Olivar Cunha. E só podemos ter a noção do agora e o agora, a alegria de viver, a intensidade, o voo vertiginoso da luz, quando amamos. Amar é quando percebemos o azul, quando avançamos no misterioso labirinto da mulher amada, quando crianças riem na manhã, em meio a zínias e rosas, quando a sensação do primeiro beijo nos transporta para a eternidade. E só amamos pelo desapego. Não tenho apego a nada, nem a mim mesmo; este é o segredo da velocidade superior a da luz, a do elétron.

Antes de escrever o romance A CASA AMARELA, passei anos sonhando, de forma recorrente, o mesmo sonho: planava, mesmo sem ter asas, sobre a casa da minha infância, que era amarela, e sobre jardins imensos de zínias multicoloridas e rosas vermelhas. Então comecei a criar uma história, e quando a concluí, nunca mais sonhei com a casa amarela. Na história que criei há um portal, o Quartinho, onde escritores, personagens de ficção e pessoas vivas e mortas se reúnem. Ali, a vida é para sempre, como uma crônica de Fernando Canto, uma tela de Olivar Cunha, um conto de Hemingway, um romance de Fitzgerald, um bate papo com João Raimundo Cunha, meu pai.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A vida é um tesão, como cheiro de mulher nua

Tudo o que quero é comparecer ao encontro marcado com a mulher amada

Ernest Hemingway e meu pai, João Raimundo Cunha, tinham 61 anos quando partiram para o éter. Sei como as coisas são nessa idade. Nós três nos encontramos no Quartinho da Casa Amarela, portal onde vivos e mortos confabulam numa festa sem fim. Hemingway gosta do balcão do bar; papai prefere o quintal. E eu curto intensamente tudo o que tenho.

Aos 21 anos, perdi-me, durante décadas, em um emaranhado de labirintos, até descobrir que estivera andando em círculos. Hoje, caminho melhor nesse mergulho, guiado pela experiência da longa caminhada. Meus sentidos, inclusive o sexto, estão encharcados de espilantol, meu corpo denso começa a desaparecer e me sinto flutuando no éter.

Tantas coisas me proporcionam prazer intenso: ver as pessoas que amo, ouvir o som da Terra no espaço, a madrugada, riso de crianças, Mozart, gemidos da mulher amada, ler, dormir, meditar, andar à toa, especialmente em grandes livrarias, tomar tacacá, montar a luz, sentir cheiro de mulher nua. O tempo vai deixando de existir, dilui-se, o passado são cinzas atiradas ao mar, e não há amanhã, só há o agora eternizando-se.

Erguer universos com palavras tem sido isso que me sustenta, e que me faz enxergar a nudez das rosas e o mistério que as mulheres exalam, nunca desvendado, porque eterno. Sou dono de tesouros imensos, de valor inestimável, pois desenvolvi a capacidade de sentir o voo da luz, o cheiro mar e o choro dos jasmineiros, nas tórridas noites do mundo, em agosto, e em todos os meses. Tenho telas de Olivar Cunha e sinto a presença das rosas que Isnard Brandão Lima Filho ofertou para a madrugada. E sou capaz, como um mágico, de aliviar dores com agulhas.

Não desejo mais descobrir ouro no morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene, no estado do Amapá, nem escalar o Pico da Neblina, nem pilotar um Boeing 777, nem praticar kendo, nem saltar de paraquedas, nem de mergulhar no coração das trevas da Amazônia. Basta-me a companhia de Hemingway, ou de Gabriel García Márquez, ou de Vargas Llosa, ou de Machado de Assis, ou de Rubem Fonseca, para viajar por mundos insuspeitos. Se não posso mais beber Cerpinha enevoada no quarto de um hotel, no sétimo andar, sei que na hora de ser enforcado sou salvo e durmo com a princesa.

Tudo o que quero agora é comparecer ao encontro marcado com a mulher amada, criar universos, sentir a noite, como um navio iluminado, embriagar-me com o perfume das virgens ruivas, ouvir o som da madrugada, sentir a presença do mar, do trópico, do sol das oito no rosto, diluir-me no acme e reaparecer no azul.

sábado, 30 de novembro de 2019

CRÔNICA/Como o primeiro beijo

Se uma criança quer ficar triste, alegro-a, pois posso até voar! Sério!

A cidade pulsa ao calor. Há dias de vento forte, e chove. Assim é dezembro. Lemos, nas mentes das pessoas, que depositarão novamente todas as suas esperanças no primeiro dia do novo ano, pois isso já está assegurado, porque a vida renasce todos os instantes, para o que precisamos apenas ofertar rosas para a madrugada.

Dezembro traz toda a magia da vida, até para os que se julgam perdidos na noite dos danados; basta ouvir o riso dos pequeninos para que surja o sol nos jardins do mundo. Não importa quanto mal tenhamos praticado; quando sentimos o perdão, todas as correntes se partem e descobrimos que é fácil voar.
Abrirei, como sempre faço, meu relicário, e ofertarei todas as pedras preciosas que reuni em toda a minha vida, focos de luz que só vemos com o coração, esmeraldas, rubis, diamantes e silêncio.

Em dezembro, brota uma flor nos olhos da mulher amada, as manhãs são redentoras, as tardes escoam como rios amazônicos e as noites são navios grandes e bem iluminados.

Sou o apanhador no campo de centeio. Estou aqui, de vigília; as crianças brincam. Estou atento. Se a bola cai longe, vou apanhá-la e a devolvo para as crianças. Se uma delas se machuca, consolo-a, e quando sentem fome, alimento-as, e se alguma delas quer ficar triste, alegro-a, pois posso até voar.

E assim vão-se os dias, embalados pelo azul. O Natal bate à porta do meu coração, e virá o novo ano, em voo vertiginoso como o primeiro beijo. As madrugadas, as noites tórridas da Amazônia, o choro dos jasmineiros, o Atlântico, abrem-se na minha vida em veredas de zínias e rosas colombianas, vermelhas. E isso é tudo o que eu quero.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Depois de ler o ensaio romanceado JAMBU a Amazônia nunca mais será a mesma para você!

Ray Cunha nasceu em Macapá e trabalhou como jornalista em Belém/PA,
Manaus/AM e Rio Branco/AC. Atualmente mora em Brasília/DF
Edição da amazon.com
Conheça a Amazônia profunda, e a cidade mais emblemática da Hileia, Macapá, a capital do estado do Amapá, no romance JAMBU, de RAY CUNHA.

Qual é a grande tragédia dos amazônidas, será sua submissão ao colonizador, serão os políticos da região?

A Amazônia é nossa? Por que tantos Ufos e ETs vivem aparecendo lá, como na Operação Prato?


Qual é o papel da Amazônia no futuro da Humanidade?

Existe uma Amazônia espiritual?

Edição do Clube de Autores
A ação de JAMBU se desenrola durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no Hotel Caranã, no bairro do Pacoval, em Macapá. O jornalista João do Bailique, que está fazendo a cobertura do festival, trabalha numa edição especial da revista Trópico Úmido, abordando a chamada "Questão Amazônica", ao mesmo tempo que investiga um traficante de crianças e mulheres para escravidão sexual.

Neste romance ensaístico, ou ensaio romanceado, personagens de ficção, como o jornalista João do Bailique, se misturam a personagens reais, vivas ou mortas, como o poeta Isnard Brandão Lima Filho, o artista plástico Olivar Cunha, a cantora lírica Carmen Monarcha, o compositor Waldemar Henrique, o médium e astrofísico Laércio Fonseca e o escritor e ex-espião Jorge Bessa.

Depois de ler JAMBU, a Amazônia nunca mais será a mesma para você!

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Tia Graça


Iasmim, Tia Graça, Ray Cunha e Josiane (Sudoeste, Brassília/DF, 2019)
Tu és o anjo das nossas vidas
Teu gesto mais simples preenche de amor a luz
Deixa prenhe de fé o mundo, quando a esperança quebrou-se como cristal fino
Quando não havia mais, no caminho, alento algum

Tu és perfume que se entranhou nas nossas vidas
Do grande rio que rasga a Amazônia, as nascentes
Música de Mozart, que flui serena, vibração divina
Sol na espiral dos nossos caminhos, para sempre

Josiane, a cafuza mais linda do mundo
Iasmim, a princesa mais amada
E eu, somos gratos por tudo

A poesia, oceano destes versos, é minha essência, minha alma, sou eu
Todo o meu tesouro, que te dedico, tia Graça
Eu, que sou também Josiane e Iasmim, sou tudo o que tenho

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

ETs intensificam contatos com a Humanidade, dando início a uma era de paz e prosperidade. JAMBU, ensaio romanceado, desvenda a Data Limite de Chico Xavier; fala sobre a importância de Masaharu Taniguchi e da Seicho-No-Ie; divulga o trabalho do médium e astrofísico Laércio Fonseca; e desnuda a Operação Prato

Edição da amazon.com.br

BRASÍLIA, 22 DE NOVEMBRO DE 2019 – JAMBU (Clube de Autores e Amazon.com.br, Brasília, 2019, RAY CUNHA, 190 páginas) é um romance ensaístico. Seu argumento é a edição de número especial da revista Trópico Úmido, pelo jornalista João do Bailique, durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no deslumbrante Hotel Caranã, em Macapá, “a cidade mais emblemática da Amazônia”.

Nessa jornada, para compreender a Amazônia, a edição especial da revista Trópico Úmido aborda uma faceta pouco difundida da Hileia: a espiritual, dos Ufos e ETs. Assim, João do Bailique descobre a interligação entre os planos do carma, a lei de causa e efeito, e do espírito, descobrindo que nada é por acaso, desde as visitas dos espanhóis ao Amapá, antes de 1500, até a Data Limite mencionada por Chico Xavier.

A leitura de JAMBU é fundamental para todos que queiram entender a Amazônia, o Brasil e a geopolítica que envolve o Trópico Úmido.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

JAMBU, romance ensaístico de RAY CUNHA, mergulha no ventre da Amazônia, esmiúça a Operação Prato e diz o que é a Data-Limite


Edição da amazon.com.br

Edição do Clube de Autores
BRASÍLIA, 11 DE NOVEMBRO DE 2019 – JAMBU (Clube de Autores e Amazon, 190 páginas, 2019), novo romance de RAY CUNHA, mistura ensaio e ficção, personagens de ficção e personagens reais, vivas ou mortas, e subverte datas históricas. A sinopse do romance é a seguinte: o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá está acontecendo no luxuoso Hotel Caranã, no bairro do Pacoval, em Macapá, sob os auspícios do Grupo Fortaleza. João do Bailique, editor da revista Trópico Úmido, patrocinada também pelo Grupo Fortaleza, prepara uma edição especial sobre a Amazônia, abordando a chamada Questão Amazônica. Assim, a edição se constitui em um mergulho nas entranhas da Hileia.

Isso quer dizer que não são investigados apenas questões como internacionalização da Amazônia, o embuste ianomâmi, corrupção de colarinho branco e de ONGs, tráfico de crianças para escravidão sexual etc., mas também o lado esotérico da coisa: o que foi a Operação Prato, quando a Força Aérea Brasileira investigou a presença de Ovnis e ETs na costa do Pará; o que virá após a Data-Limite, predita por Chico Xavier? Existe um comando no mundo espiritual monitorando a história da humanidade, e, nesse contexto, a história do Brasil? JAMBU responde a todas essas perguntas.

RAY CUNHA, que hoje reside em Brasília/DF, nasceu na cidade mais emblemática da Amazônia, Macapá/AP (o romance diz por que Macapá é tão emblemática assim), e, durante mais de uma década, trabalhou e viajou como repórter por toda a Hileia, além de, há décadas, pesquisar a história, a geografia e a geopolítica da região. Também é estudioso da questão espiritualista e da existência de alienígenas, detentores de tecnologia a anos luz à frente dos conhecimentos da ciência humana.

Segue trecho de JAMBU, no qual João do Bailique entrevista Jorge da Silva Bessa, um dos maiores pesquisadores e escritores brasileiros das questões espiritualista e ufológica:

“Para João do Bailique, quem esclareceu o mistério foi Jorge da Silva Bessa, autor do livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato, belenense, residente em Brasília. Pesquisador, autor de 17 livros, graduado em Economia e pós-graduado em Educação a Distância, formado em Medicina Tradicional Chinesa e em Psicanálise, especialista em assuntos relacionados à atividade de inteligência e de planejamento estratégico. Em 15 de agosto de 1996, foi nomeado para o cargo de coordenador geral de Contrainteligência da Subsecretaria de Inteligência da Casa Militar da Presidência da República, o órgão que ficou encarregado pela área de Inteligência do Governo Federal após a extinção do Serviço Nacional de Inteligência, e que deu origem à atual Agência Brasileira de Inteligência. Tinha entre suas responsabilidades a condução da contraespionagem, do contraterrorismo, a segurança das comunicações e a salvaguarda dos documentos sigilosos que ao Estado cumpria preservar. Anos mais tarde, Bessa abraçou o estudo de assuntos metafísicos e espiritualistas, tentando estabelecer pontes entre ciência e espiritualidade, tema abordado em alguns dos seus livros. Acompanhou in loco a Operação Prato. Ao entrar em contato com ele e entrevistá-lo, Bailique pensava nas eternas perguntas existenciais dos filósofos, teólogos e cientistas: “Quem somos nós? Qual a finalidade da vida? Por que o Universo foi criado? Se de fato foi criado, quem o criou e com qual finalidade? Estamos sozinhos no Universo? Caso contrário, que tipo de vida existe além do nosso planeta? Qual a constituição física dos outros seres?” Além disso, pensava também sobre o registro de objetos voadores não identificados desde o início da nossa civilização, concluindo que os ETs tentam apenas, e, por enquanto, discretamente, auxiliar a Humanidade. Embora no livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato Bessa tenha defendido a tese de que os ETs que apareceram em massa em Colares estivessem apenas pesquisando a Amazônia, ocorreu a João do Bailique, ao ler o livro, que a Amazônia Oriental, ou Atlântica, que abarca os estados do Pará e Amapá, é a região que melhor representa o Trópico Úmido, por apresentar todos os ecossistemas amazônicos, inclusive o mar.

“Aventamos anteriormente a possibilidade de que os alienígenas tivessem interesse em colher dados relativos a um dos mais importantes ecossistemas do planeta, a Amazônia, para fins de estudos. A mesma necessidade de informações sobre possíveis doenças a serem enfrentadas na hipótese de um futuro contato, justificaria a presumida coleta de sangue humano verificada em diversas oportunidades” escreve Jorge Bessa, em Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato. Mas o pesquisador foi além, na entrevista exclusiva para a Enfoque amazônico.

“Jorge Bessa – A questão, hoje, não é mais saber se os extraterrestres existem, mas sim como aproveitar melhor a sua presença, à luz das últimas descobertas da ciência e dos conhecimentos espiritualistas. Muitos pesquisadores dão um grande destaque à Operação Prato apenas porque o coronel Hollanda levou o caso a público, revelando que a Aeronáutica tinha investigado o fenômeno, o que motivou um especial do Canal History, mas, pelos parcos resultados palpáveis ou esclarecedores obtidos, o brigadeiro comandante do Comar, Protásio Lopes, mandou encerrar a operação; e as autoridades do SNI, em Brasília, não deram a mínima. Minhas hipóteses para o fenômeno continuam as mesmas que apresentei no livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato. Quanto ao sangue, temos que destacar que não houve comprovação clara de extração de sangue, apenas pequenas marcas nos seios de algumas mulheres, que, acreditava-se, era resultado do foco de luz emanado. Já fui convidado para participar como palestrante de três congressos de ufologia para tratar do caso e sempre respondo que não há o que acrescentar ao que o coronel Hollanda disse e que tudo o que sei foi expresso no meu livro, nada mais acrescentando, a não ser a visão espiritualista do fato.

Trópico Úmido Quem são os ETs?

“Jorge Bessa Seres como nós, com um nível mais avançado de desenvolvimento tecnológico, mas que nem sempre têm o mesmo nível de desenvolvimento espiritual. Filhos do mesmo Deus, e que habitam as diversas casas na Morada do Pai, muitas vezes auxiliando no processo de evolução antropo-espiritual daqueles que se encontram ainda nas primeiras classes das diferentes escolas de evolução da consciência.

Trópico Úmido – Teria a presença dos ETs na Amazônia a ver com a defesa da Hileia frente à ambição dos europeus, e agora também dos americanos e chineses, pelas riquezas que o subcontinente guarda, considerando-se que os ETs querem ajudar a Humanidade, e a Amazônia é o regulador da temperatura do planeta, evitando, assim, cataclismos com potencial para exterminar a raça humana?

“Jorge Bessa Os cataclismos vão acontecer inelutavelmente, como acontecem ciclicamente, porque fazem parte do planejamento superior daqueles que têm a responsabilidade pela evolução em nosso planeta e em nosso cantinho no Universo. Como existem cientistas que já discordam da tese de ser a Amazônia o pulmão do mundo, e que os ETs não estão preocupados com as riquezas materiais que interessam aos europeus, americanos e chineses, é possível que suas pesquisas façam parte de um levantamento de ordem global, já que se realiza em diversas partes do globo, e que tenha por objetivo a realocação dos habitantes do Hemisfério Norte para essa região, depois da ocorrência dos eventos apocalípticos que deverão se processar com mais intensidade naquela região do planeta.

Trópico Úmido Por que os ETs ficaram mais de dois meses em Colares? O que eles queriam naquela ilha na costa do Pará?

“Jorge Bessa Busco até hoje resposta para essa questão. Não podemos descartar, também, a possibilidade de se tratar de viagens de estudos e pesquisas que muitos grupos de extraterrestres realizam em diferentes regiões do sistema solar, segundo informações oriundas do plano espiritual.

Trópico Úmido – Para que os ETs coletariam amostras de sangue da população local?

“Jorge Bessa Essa é outra questão não respondida. Poderíamos arriscar, como hipótese, que seria uma pesquisa para ver se aquela população fazia parte do mesmo grupo que sofreu mutações genéticas realizadas por ocasião da vinda dos degredados de Sirius ou de Capela, conforme afiança Emmanuel em seu célebre A Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier.

Trópico Úmido – Comente a tecnologia utilizada nos discos voadores.

“Jorge Bessa A única afirmação permitida é que se trata de uma tecnologia muito superior à existente em nosso planeta, considerando a velocidade e a energia que movia as naves.

Trópico Úmido – A raça humana teria sido projetada pela espiritualidade?

“Jorge Bessa Segundo as informações provenientes de centenas de obras espíritas e espiritualistas, toda a vida que enxameia o Universo é criação de Deus, que se utiliza de seus auxiliares – consciências cósmicas de conhecimento e capacidade de difícil entendimento pelo ser humano no atual nível de evolução –, os chamados Jardineiros Cósmicos, ou Siderais, e que são responsáveis pela realização da panspermia, ou seja, o plantio e cultura dos Filhos de Deus, que nascem simples e ignorantes, mas que, partindo do átomo mais simples se desenvolvem até chegar aos chamados Tronos de Deus, no nível de arcanjos cósmicos. Apesar de todo o planejamento cósmico, esse processo evolutivo segue por diferentes caminhos, mas todos os Filhos de Deus um dia chegarão ao ápice da evolução espiritual.

Trópico Úmido – O corpo humano seria um computador biológico, projetado para que espíritos que estão nas trevas possam evoluir mais rapidamente, por meio do sofrimento, principalmente o apego à matéria?

“Jorge Bessa É claro que o corpo físico é o instrumento, ou farda, que permite aos espíritos em evolução a ingressar nas salas de aulas das diferentes escolas de evolução, que servem a todos, indistintamente. Para os espíritos renitentes no egoísmo, no orgulho, na vaidade, na exploração do próximo, no desamor, e uma série de outros sentimentos e condutas consideradas nocivas à comunidade e que atrapalham a evolução, o corpo físico é o que lhes permite atuar em planetas materiais e atrasados. O amor do Pai permite que esses seres, chamados trevosos – pois negra é a sua consciência – e que se tornam um entrave à evolução de seus companheiros de jornada, sejam exilados em planetas primitivos, cujo ambiente seja mais afim com suas inclinações. Essa reencarnação em planetas primitivos é uma dádiva que lhes permite realizar a reforma moral e aliviar suas consciências atormentadas pelos desvios pretéritos, ao mesmo tempo em que auxiliam aqueles que se encontram nos primeiros passos na longa escalada da evolução.

“Aqui termina a curta entrevista de Jorge Bessa à revista Trópico Úmido”.
Ray Cunha no monumento ao Marco Zero do Equador, em Macapá

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

JAMBU, de Ray Cunha, faz homenagem à Amazônia e à saga da família Cunha na Hileia

Pedro, João, Linda, Olivar Cunha, Marina, Ray Cunha, Francisco, Paulo e Mel (1954)
    
Lili, Márcio, Linda, Marina, o gênio do pincel e da espátula Olivar Cunha e Mel
O Capítulo V de JAMBU, novo romance de RAY CUNHA, é uma homenagem que o autor faz à sua própria família, Cunha, especialmente ao genial pintor Olivar Cunha, à pianista Walkíria Lima e ao poeta Isnard Brandão Lima Filho. Segue-se o trecho:

Além de estudantes e expectadores em geral, que disputaram uma das duas mil poltronas da luxuosa casa de espetáculos, a aristocracia amapaense estava em peso no Teatro Açaí, do Hotel Caranã, muitos deles em roupas de luxo, algumas, espalhafatosas, lembrando sapos encasacados, inchados de tanta comida e dinheiro, guardado em bancos e malas; se fossem postos de cabeça para baixo não cairia um níquel sequer, pois quem é viciado em dinheiro esconde-o. Alguns estavam tão inchados que se alguém ficasse olhando para eles esperaria ouvi-los coaxar.

Quando a professora Walkíria Ferreira Lima entrou no palco, os músicos da Orquestra da Escola de Música do Amapá levantaram-se e o público também, aplaudindo-a em pé. De porte frágil, agigantava-se no púlpito. Nascera em Manaus, onde se formou em música, começando os estudos de piano aos 10 anos de idade. Chegou a Macapá na década de 1950, e começou a lecionar canto orfeônico na Escola Barão do Rio Branco e na Escola Industrial do Amapá, antes da criação do Conservatório Amapaense de Música, onde ensinou piano e solfejo. Walkíria Lima foi ainda uma das fundadoras da Academia de Letras do Amapá, patrocinando a cadeira 40. Casou-se com o mágico Isnard Brandão Lima e teve um único filho, o poeta manauara-macapaense Isnard Brandão Lima Filho, autor de Rosas Para a Madrugada e Malabar Azul. Isnard sentara-se na primeira fila. Pálido, olhos amendoados e olhar intenso, cabeleira penteada como a de Castro Alves, bigode, fumante inveterado e dipsomaníaco, lembrava um misto de toureiro e dançarino de tango. Ao lado dele, sentara-se o gênio do pincel e da espátula Olivar Cunha, que assinava os 21 painéis que compunham a exposição oficial do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá.

A etimologia da palavra “cunha” é remota. Vem do latim “cuneus”. Colonizadores romanos fixaram-se na Península Ibérica, que, mais tarde, foi invadida pelos visigodos e depois pelos árabes, em 711 DC. No decorrer dos séculos e várias invasões, a língua latina foi perdendo a pureza, surgindo as línguas neo-latinas, entre as quais o português. A palavra “cunha” tem conotação guerreira: fender, ferir madeira e pedra. O avô paterno de Olivar Cunha se chamava Manuel Raimundo Cunha, nasceu em 1875, em Portugal, e migrara para Pernambuco; e sua avó paterna, Rosa Maria Cunha, nasceu em 1882, em Sobral, Ceará, e faleceu em Manaus, em 1973, aos 91 anos, vítima de congestão; era negra. Os bisavós maternos do grande pintor eram Domingos Pereira Silva, pernambucano, e Francisca de Oliveira Bessa, cearense; e seus avós maternos eram Pedro Pereira Silva (1895-1952), apelidado de Pedro Correto, pela sua retidão de caráter, e Alice Pereira Silva (1898-1961), nascida na cidade do Crato, Ceará. Pedro Correto era moreno-claro e de cabelos encarapinhados, feição negroide, cearense; migrou, ainda rapaz, para a Amazônia, atraído pela febre da borracha no início do século 20. Quando se casou, tornara-se fazendeiro abastado e residia em Porto Velho, mas vendeu todos os seus bens e entrou na Companhia Ford Motors, em Fordlândia, então distrito de Santarém, Pará. Em 1932, separou-se da esposa, Alice Pereira Silva, e mudou-se para Belém, onde morreu. Nos últimos anos da sua vida foi guarda-costas do general Magalhães Barata, nas suas andanças políticas pelo interior do Pará. Magalhães Barata foi revolucionário do Movimento Tenentista, duas vezes governador e duas vezes interventor federal no Pará. Alice Pereira Silva continuou em Fordlândia. Branca, loura e de olhos claros, era uma mulher com a fibra necessária para enfrentar o Inferno Verde. O início da vida do casal foi nas proximidades do rio Abunã, tributário pela margem esquerda do rio Madeira, no extremo oeste da Amazônia; tiveram nove filhos, a maioria deles natimortos, assassinados ou mortos por doença na juventude. A caçula era Marina Pereira Silva Cunha, “a mulher mais bonita, forte, corajosa, poderosa e eterna como as rosas que eu já tive a oportunidade de conhecer” – escreveu João do Bailique, irmão de Olivar Cunha.

Marina Pereira Silva Cunha nasceu na região do rio Abunã. Ela se casou em Belterra, em 22 de junho de 1947, aos 13 anos de idade, 19 anos mais nova do que João Raimundo Cunha, então com 32 anos, e que nasceu em 1915, em Sobral, Ceará. Ainda criança, migrou para Santarém, com a mãe, Rosa Maria Cunha, e três irmãs; seus irmãos morreram em tenra idade. Perdeu cedo o pai e começou a trabalhar na lavoura. Foi capataz de quadreiro, que era o capinador de campo de seringal, e serrador, na Companhia Ford Motors, no distrito de Belterra, e depois começou a trabalhar nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, em Belterra, em 1 de setembro de 1946; depois na cidade de Santarém, e, finalmente, em Macapá, onde chegou em janeiro de 1950, sucedido pela família, em outubro do mesmo ano. Trabalhou nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul até 15 de outubro de 1972. Em 1 de maio de 1973, começou a trabalhar na empresa Irmãos Zagury e Cia. Ltda., como ajudante de mecânico, até 6 de março de 1977, quando se aposentou, somando 35 anos de serviço ativo.

Alguns trechos da crônica “Papai faz 100 anos”, que João do Bailique publicou na Trópico Úmido:

“Alguns dos meus ídolos – Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry – manifestam duas características em comum: são escritores classe A e foram homens de ação. Um homem de ação é aquele que pensa e age simultaneamente, e também não vive quieto, pois está sempre metido em alguma aventura. A própria vida é sua grande aventura, até que, no caminho, é derrotado pela barreira da dimensão física, mas não é vencido, e passa a povoar o universo azul. Meu pai, o maior dos meus ídolos, não era escritor, mas era homem de ação, e me contou histórias eternas.

“Meu pai media 1,68, era seco e forte, o rosto oval, olhos castanhos e oblíquos, e usava uma loção à base de pinho após raspar, com navalha, o rosto, deixando apenas o bigode. Foi o homem mais corajoso que já encontrei; nada o intimidava. Internava-se na selva dias seguidos, sozinho, e era capaz de meter uma bala no buraco de outra, a mais de 100 metros de distância. Ele não era escritor, mas escreveu alguns poemas, que se perderam no tempo.

“Um dia, peguei os originais dos poemas que o papai escrevia de vez em quando e li alguns na Rádio Educadora, em um programa do Luiz Tadeu Magalhães. Papai soube e me passou uma reprimenda. Mas senti, ali, naquele momento, que, de alguma forma, ele não se importou muito que eu tivesse lido publicamente seus poemas, e isso me deixou feliz, pois agradar o ídolo é para o fã o sonho mais ousado.

“Papai não era escritor, mas foi um extraordinário contador de histórias. Leu Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, e contava a história para nós, meus irmãos e eu, como se Tarzan fosse real. Porém o que mais me fascinava eram as aventuras do próprio papai, especialmente quando se internou na selva profunda e foi atraído por uma sucuri. Tonto, quase desmaiando, foi salvo pelo seu anjo da guarda; conseguiu avistar a cabeça da sucuri, apoiou o rifle numa forquilha e estourou a cabeça da serpente, uma cabeçorra do tamanho de uma lata de leite Ninho.

“Papai chefiava todo o trabalho pesado no Aeroporto de Macapá, nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, como faz-tudo, oficialmente como feitor de pista, sinalizando a descida e subida dos Douglas DC-3, abastecia os aviões e os despachava. A primeira vez que o vi fazendo isso fiquei deslumbrado, e quando fui autorizado a entrar no avião foi como se houvesse entrado numa nave espacial. Meu pai conversava com os pilotos da nave e entrava no avião como se estivesse em casa, e serviram-me sanduíches e biscoitos inimagináveis.

“Apenas uma vez o vi fraquejar. Foi quando a tragédia invadiu a Casa Amarela, a casa da minha infância, na esquina das ruas Iracema Carvão Nunes e Eliézer Levy, onde hoje uma seringueira plantada por meu pai no ano de nascimento do gênio do pincel Olivar Cunha, intercepta o muro do Colégio Amapaense. Foi quando anunciaram a morte do meu irmão Francisco Pereira Cunha. Era 22 de novembro de 1965. Francisco tinha 18 anos e era belo como Zeus, e imortal como todo jovem. Meu pai foi atingindo por um raio. Caiu numa cadeira, mole, sem tônus, os olhos, sempre tão interessados pela vida, gritavam de dor. E logo depois veio o segundo choque: o corpo chegando. Não compreendi bem aquilo. Para mim, a matéria era para sempre, e só fui entender o que se passara quando, no Cemitério São José de Macapá, vi todos se sacudindo em choro, como chuva que não passa nunca.

“Meu pai morreu com a mesma idade que Ernest Hemingway, aos 61 anos, mas, naquela época, eu já conversava com Papa nos bares da mente, quando o desejo de também bater longos papos com papai começou a se avolumar na minha alma. Meu quarto, na Casa Amarela, a casa da minha infância, era conhecido como Quartinho; é lá que costumo encontrar-me com papai, Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry e todos os mortos que amo, num bate-papo interminável.”

Em outro artigo de memórias, João do Bailique escreveu sobre o gênio Olivar Cunha:

“Nasceu pesando 3,5 quilos e mamou até aos dois anos. Depois que começou a articular as primeiras palavras, quando queria mamar, pedia “piti”. Pode ser por isso que se tornou o xodó da mãe, a bela Marina Pereira Silva Cunha. Morávamos na Rua Iracema Carvão Nunes, esquina com a Rua Eliezer Levy, numa casa amarela, remanescente do antigo aeroporto, ao lado do Colégio Amapaense. No dia do nascimento do Olivar, 31 de março de 1952, nosso pai, João Raimundo Cunha, plantou a Seringueira que intercepta o muro oeste do Colégio Amapaense, na Rua Eliezer Levy, e que escapou de ser decepada graças à intervenção do engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952, e amigo de infância do Olivar.

“Em 1983, Luiz Façanha trabalhava como especialista em seringueira (Hevea brasiliensis) na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Seringueira apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Segundo Luiz Façanha, estudantes fizeram forte pressão junto à Prefeitura de Macapá e ao Governo do Estado para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem por ali transitava. Foi então que o repórter da Rede Globo, Antônio de Pádua, solicitou a Luiz Façanha que fizesse uma gravação no local, para dar sua opinião sobre o caso. Após minuciosa inspeção, Façanha verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu.” O fato é que a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a Seringueira. Minha convivência com o Olivar foi, basicamente, no nosso período de infância. Estudamos juntos no então Grupo Escolar Anexo da Escola Normal e lá fizemos todo o Curso Primário, nos idos dos anos 1950/1960. Após as aulas, dividíamos nosso tempo brincando pelos quintais do seu João (pai do Olivar), correndo por cima dos muros e se pendurando nas árvores do quintal. Tempo bom que não volta mais” – lembra Luiz Façanha.

“Olivar Cunha foi uma dessas crianças que as mulheres adoram apertar nos braços, beijar, acariciar. Não lembro quantos anos ele tinha quando sua então professora, que morava sozinha e que se manifesta, hoje, na minha memória, como uma mulata sensualíssima, se ofereceu para dar reforço escolar a ele na sua casa e ele não quis de jeito algum, porque, segundo pude intuir, mais tarde, de declarações suas, ela era exageradamente carinhosa para com ele, e ele ainda muito criança. O gênio do artista plástico começou a se revelar no curso primário; seus trabalhos eram formalmente impecáveis, e já revelavam criatividade. Encarava também os trabalhos de educação artística de sua irmã Lindomar Cunha, então se preparando para trabalhar no jardim de infância. Pré-adolescente, começou a brincar com seu pequeno prato de massas coloridas e pincéis de tamanhos variados.

“Aos 14 anos, em 1966, ele já pintava profissionalmente, saía à noite e bebia. Aos 15, expôs pela primeira vez, e andava na companhia dos artistas mais conhecidos da cidade: o poeta Isnard Brandão Lima Filho, o escritor Alcy Araújo e o pintor Raimundo Peixe, além do nosso irmão Pedro Cunha, então com 22 anos, e que era, naquele momento, uma espécie de guru para o Olivar.

“Olivar Cunha se tornou um rapaz muito bonito, apolíneo, ariano, bom de porrada que só ele mesmo, hedonista, e que cada vez mais dominava as cores e a luz. Sua filosofia era: “Viver é um tesão”. Podia tomar um litro de Run Bacardi sozinho ao longo de um bate-papo, podia sair para a porrada contra dois oponentes e se saía bem, podia fumar três maços de cigarros em uma noite, beber durante 48 horas seguidas, pintar madrugada adentro. Na juventude, era beberrão, machão, idealista, bom de porrada, belo, amado, adorado, incansável como Pablo Picasso e esquizofrênico como Van Gogh.

“Uma madrugada, um marchand francês acordou todo mundo, em casa, porque teria que viajar para a França naquela manhã e queria porque queria levar alguns quadros do Olivar, e levou o que estava disponível. Acho que foi mais ou menos por essa época que ele pintou os Beatles, 1969. Juntou na tela vários momentos diferentes do Beatles, recortando fotos de várias revistas, reproduzindo-as naquele óleo. Mais ou menos em 1970, vendeu o quadro dos Beatles para Luiz Façanha, que o mantém na casa dele, no Recife, onde mora.

“Nas décadas de 1970/1980, casado com Maria da Glória Nascimento Cunha, o artista morou em Belém, quando produziu algumas dezenas de telas que o colocam como um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos: seus mendigos do Guamá, subúrbio da Cidade das Mangueiras, são chocantes. Olivar e Glória namoraram durante 7 anos e foram casados por 7 anos. Ela partiu cedo para o mundo espiritual. Em Belém, Olivar ganhou um novo nome: Lili, batizado pela sua filha Tatiana, assim que ela aprendeu a falar, e que lhe deu um neto: Bernardo Cunha Barros. Lili teve outra princesa com Glória: Taiana, que lhe deu um neto: Alexandre Cunha de Sousa.

“Viúvo, Lili foi para o Rio de Janeiro, estudar artes plásticas no Parque Lage. De volta a Macapá, conhece a capixaba Célia Maria Rocha Cunha, em 1986, casam-se no ano seguinte, e, em agosto de 1988, mudam para o Espírito Santo, onde nascem os filhos Ângelo Ticiano Rocha Cunha e Luciano Rocha Cunha.

“Nos anos de 1990, consolida sua posição como um dos grandes expressionistas contemporâneos, com a série de animais agonizando nos esgotos das grandes cidades, como na impressionante acrílica sobre tela Tuiuiú Crucificado, sobre a baía de Guanabara – talvez o berro mais fovista, o grito mais expressionista de Olivar Cunha. Ele pintou esse quadro em três meses, em 1992, em seu apartamento na praia atlântica de Jacaraípe, distrito do município de Serra, na grande Vitória do Espírito Santo. Trata-se de uma acrílica sobre tela, em espátula e pincel, de 120 por 100 centímetros. Pertence à fase que o pintor chama de Habitat Transform, desenvolvida no Rio de Janeiro e em Jacaraípe, após pesquisa sobre a devastação da flora e da fauna do Amapá, do Pará e do Pantanal. Depois que se mudou para Jacaraípe, começou também a recuperar obras sacras de igrejas da região.

“Apesar de contar com o mar onde foi fisgado o maior marlim azul do mundo, o Atlântico ao largo do Espírito Santo, é a Amazônia que pulsa nas telas do gênio, recriada à base de espilantol, o princípio ativo do jambu. O tacacá, que leva jambu, é gostoso servido naquele momento de transição em que a tarde escoa como um rio de planície, que vai se esvaindo, lentamente, ao mergulhar nas luzes do anoitecer. É o espilantol que dá aquela sensação de dormência nas papilas gustativas, ativando as papilas da alma. Então, sentimos gosto de Cerpinha, Run Bacardi, a vertigem do beijo, som de merengue.

“O gênio pinta a alma das suas criaturas, sejam elas pessoas ou paisagens. Assim, as telas de Olivar Cunha gritam como o coração das trevas, mas também pulsam no rio da tarde, prenhes do perfume dos jasmineiros noturnos. O artista dá à luz a Amazônia eternamente viva, a Hileia que só os cabocos entendem – os apreciadores de merengue, de mapará assado na brasa servido com pirão de açaí, os que se emocionam com o trotar da mulher amazônida no calor equatorial, o mergulho no rio que deságua na tarde, os segredos que se encerram na Fortaleza de São José de Macapá, no Trapiche Eliezer Levy, no Ver-O-Peso, na Estação das Docas, em Mosqueiro, em Salinas, no Bailique, em Caiena.

“A presença dele, sua simples lembrança, me causa sempre alegria, uma espécie de sensação de coisa nova, de descoberta, de novas possibilidades, de viagem, de aventura. Ele emana uma força poderosa até no repouso, no silêncio, na simplicidade. Mas seu grande poder se manifesta ao usar a paleta, o pincel e a espátula, ao conceder à luz o triunfo”.

No palco, Uirapuru, de Heitor Villa-Lobos. Trata-se de um poema ou balé sinfônico, composto em 1917 e concluído em 1934, com 20 minutos e 33 segundos de duração, que teve sua gênese em um poema sinfônico de 15 minutos, intitulado Tédio de Alvorada, composto em 1916. Uirapuru foi incluído no programa do último concerto de Villa-Lobos, em 12 de julho de 1959, no Empire State Music Festival, em Nova York. O impressionante é que quem conhece a selva amazônica profunda, sente, nesta composição de Villa-Lobos, o tédio que a grande floresta pode provocar, pela mesmice do terror que o Inferno Verde impõe a quem não se familiariza com o ventre da besta. Mas, para quem ama o abismo, ouvir o próprio uirapuru, na eternidade da grande floresta, é como ouvir Mozart, o som da Terra girando sobre si mesma, gravitando em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora, o sistema solar girando em volta do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora, a Via Láctea indo para o Grupo Local a 144 mil quilômetros por hora, o Grupo Local voando para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por hora, tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator, a 2,2 milhões de quilômetros por hora; o Grande Atrator fica para além de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra. Walkíria Lima deixou o palco e voltou sob uma avalanche de aplauso.


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Os homens que não amam as mulheres



BRASÍLIA, 5 DE NOVEMBRO DE 2019 – Conversando outro dia com um amigo, crítico literário, perguntei-lhe o que ele achava dos livros do americano Dan Brown, autor de O Código da Vince, seu livro mais conhecido. Ele me olhou escandalizado.

– Não é literatura! – disse-me, convicto.

Neste artigo não vou falar de Dan Brown, mas do sueco Stieg Larsson. Da sua trilogia, Millennium: Os homens que não amavam as mulheres, de 2005, A menina que brincava com fogo, de 2006, e A rainha do castelo de ar, de 2007. Os três livros somam pelo menos 1.500 páginas, viagem de alguns dias dos mais intensos que já vivi. É literatura policial de ponta. Coisa desses tempos pós-modernos do século 21.

Larsson não era nenhum Shakespeare, nenhum Faulkner, mas sabia escrever, e, sobretudo, sabia sobre o que estava escrevendo. Nasceu em 15 de agosto de 1954, em Estocolmo, onde viveu boa parte da sua vida, como um dos mais influentes jornalistas suecos. Aliás, o segundo papel mais importante da série Millennium é a de um jornalista, da revista Millennium, que dá, ao longo dos três livros, uma aula de jornalismo. Larsson trabalhou na agência de notícias TT e fundou e dirigiu a revista Expo. Denunciou organizações neofascistas e racistas, pelo que foi ameaçado de morte, e foi coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita sueca.

Os três livros de ficção de Larsson constituem-se em verdadeira aula para estudantes de jornalismo, na mesma linha de O Dossiê Odessa, de Frederick Forsyth. Esses livros, além de mostrar que o repórter, quando segue uma pista, por mais perigosa que seja, deve persistir, se vale a pena, considerando que sua denúncia será das mais relevantes para o bem-estar da democracia, ameaçada inclusive por outros jornalistas, aquela banda podre da profissão, os corruptos, que só têm um objetivo: pôr as garras em alguns maços de dinheiro.

Larsson morreu em 9 de novembro de 2004, aos 50 anos, de ataque cardíaco, ao subir os sete lances de escada da revista Expo, pois o elevador havia quebrado. Mas acabara de escrever e de entregar ao seu editor a série Millennium, publicada nos anos seguintes. Em 2013, a editora Norstedts convidou o escritor sueco David Lagercrantz a assumir a continuação da série, criando mais dois volumes: A garota na teia de aranha, de 2015, e A garota marcada para morrer, de 2017, ponto final da saga, que já vendeu mais de 100 milhões de livros em todo o mundo.

A série foi adaptada para o cinema, com a atriz Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander e Michael Nyqvist no papel do jornalista Mikael Blomkvist, após versão hollywoodiana dirigida por David Fincher, na qual Rooney Mara é Lisbeth e Daniel Craig, o melhor James Bond, é Blomkvist, na adaptação do primeiro livro da série, Os homens que não amavam as mulheres. O sucesso aumentou.

Lisbeth é o nome da heroína da série Millennium. Aos 15 anos, Larsson testemunhou o estupro coletivo de uma jovem e jamais se perdoou por não tê-la ajudado. O nome dela era Lisbeth. Na ficção, Lisbeth Salander é uma hacker brilhante, desajustada social, bissexual, com corpo de menina, que faz justiça à sombra, especialmente quanto aos homens que não amam as mulheres, os machões de todos os quilates, dos apenas imbecis aos estupradores e assassinos. Acabamos amando Lisbeth, desejando sua companhia, nem que seja apenas para sentar-se à mesa da cozinha, tomar café e bater papo com ela.

domingo, 3 de novembro de 2019

JAMBU, romance de Ray Cunha, homenageia o poeta Isnard Lima e o pintor Olivar Cunha

Isnard Lima, autor de ROSAS PARA A MADRUGADA
Olivar Cunha, gênio do pincel e da espátula
Capa de JAMBU do Clube de Autores
Trecho de JAMBU, novo romance de RAY CUNHA, homenageia a pianista Walkíria Ferreira Lima, pioneira das artes em Macapá, cidade natal do autor, e dois gigantes do Amapá: o poeta e cronista Isnard Brandão Lima Filho e o artista plástico Olivar Cunha. Segue-se o trecho:

"Além de estudantes e expectadores em geral, que disputaram uma das duas mil poltronas da luxuosa casa de espetáculos, a aristocracia amapaense estava em peso no Teatro Açaí, do Hotel Caranã, muitos deles em roupas de luxo, algumas, espalhafatosas, lembrando sapos encasacados, inchados de tanta comida e dinheiro, guardado em bancos e malas; se fossem postos de cabeça para baixo não cairia um níquel sequer, pois quem é viciado em dinheiro esconde-o. Alguns estavam tão inchados que se alguém ficasse olhando para eles esperaria ouvi-los coaxar.

"Quando a professora Walkíria Ferreira Lima entrou no palco, os músicos da Orquestra da Escola de Música do Amapá levantaram-se e o público também, aplaudindo-a em pé. De porte frágil, agigantava-se no púlpito. Nascera em Manaus, onde se formou em música, começando os estudos de piano aos 10 anos de idade. Chegou a Macapá na década de 1950, e começou a lecionar canto orfeônico na Escola Barão do Rio Branco e na Escola Industrial do Amapá, antes da criação do Conservatório Amapaense de Música, onde ensinou piano e solfejo. Walkíria Lima foi ainda uma das fundadoras da Academia de Letras do Amapá, patrocinando a cadeira 40. Casou-se com o mágico Isnard Brandão Lima e teve um único filho, o poeta manauara-macapaense Isnard Brandão Lima Filho, autor de Rosas Para a Madrugada e Malabar Azul. Isnard sentara-se na primeira fila. Pálido, olhos amendoados e olhar intenso, cabeleira penteada como a de Castro Alves, bigode, fumante inveterado e dipsomaníaco, lembrava um misto de toureiro e dançarino de tango. Ao lado dele, sentara-se o gênio do pincel e da espátula Olivar Cunha, que assinava os 21 painéis que compunham a exposição oficial do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá".
Capa de JAMBU na amazon.com.br