quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

IASMIM



Eram 11 horas da noite, naquele fevereiro
Mas o sol brilhava, como se fosse dia, na Asa Sul
O mundo foi inundado, de repente, por intenso perfume
Ouviu-se o verbo no espaço, e uma ninfa nasceu

Desde então, nunca mais fui o mesmo
Pois, naquele instante, uma missão me foi determinada
A de estar de prontidão, com a luz da minha espada
No caminho daquela flor das estrelas

E foi assim que na manhã seguinte, como numa prece
E minha alma era só música, o som da Terra no espaço
Encontrei, me procurando, dois grandes olhos negros

Embarcamos numa nave, e, numa velocidade quântica, fomos transportados para o azul
O piloto era um anjo, com o riso das criaturas aladas
Desde então, o jasmim, o jasmineiro e eu, somos, por toda a eternidade, só um

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Macapá, meu amor! Sempre me perco em ti, e sempre de propósito. Enterrei meu coração na Casa Amarela, na rua Iracema Carvão Nunes



As cidades são como as mulheres. De manhã, douram-se ao sol, como as rosas, e, à tarde, se transformam em um rio azul. À noite, se perdem na luz. Da mesma forma que as mulheres, nas cidades latejam segredos, só desvendados pelos que sabem mergulhar no abismo da primavera. Quanto mais as amamos, mais belas ficam, e mais misteriosas. E, como as mulheres, nunca são nossas. Não podemos ser donos de uma cidade, da mesma forma que é impossível nos apossarmos de uma mulher, porque as mulheres serão sempre livres e misteriosas. A cada partida, fica implícito o encontro marcado, e as chegadas são regadas de risos, de luz, e perdão.

Amo várias cidades, e elas se entregam a mim sem reservas. Belém tem feitiço de rosas colombianas sangrando no azul do mar, deixando um rastro de Chanel 5, gim e perfume de mulher absorta ao toucador. Manaus evoca o cheiro de mulher, tão intenso que causa vertigem, a ponto de sentirmos os movimentos da Terra no espaço, como música de Mozart. O Rio de Janeiro tem o poder de me fazer voar, cavalgando besouros furta-cores num mar transparente sem fim. Há, ainda, outras cidades, a quem eu seduzo como o garanhão faz a corte, com paciência, concentração total e, sobretudo, fé. Percorro as cidades com amor. Assim é com Macapá.

Os tucujus a habitavam quando Carlos V de Espanha a chamou, em 1544, de Adelantado de Nueva Andaluzia e a deu ao navegador Francisco de Orellana. Em 1738, foi instalado, no cruzamento da Linha Imaginária do Equador com o rio Amazonas, um destacamento militar, na antiga Praça São Sebastião, atual Veiga Cabral. Em 4 de fevereiro de 1758, o capitão-general do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundou a Vila de São José de Macapá, que se debruça sobre o maior rio do mundo, não muito distante do Atlântico. Na maré alta, o gigante avança sobre a cidade, entre o açoite do vento e o muro de arrimo, onde estaca, recua e arremete com mais ímpeto. Em meio à agitação, o Trapiche Eliezer Levy emerge, indiferente.

A melhor maneira de descobrir Macapá é atravessando de barco o estuário do rio Amazonas. Quem sai do arquipélago do Marajó e mergulha no maior rio do mundo, em direção à Linha Imaginária do Equador, avista, de repente, a cidade, que surge como cunhantã se banhando no rio, o vestido molhado, colado ao corpo, os cabelos espargindo água, e, nos olhos, o mistério. É assim que gosto de pensar a cidade, e sentir seu cheiro de jasmim nas noites mornas.

Sou teu, Macapá, porque tu me pariste às 5 horas do dia 7 de agosto de 1954, no Hospital Geral, e de lá fui para a Casa Amarela, ao lado do Colégio Amapaense, na Avenida Iracema Carvão Nunes com a Rua Eliezer Levy, ao lado da Mata do Rocha, e lá passei 11 anos da minha infância. Restou a Seringueira, que meu pai plantou, e que foi salva de ser decepada – porque se recusou a sair do caminho do muro do Colégio Amapaense – pelo agrônomo Luiz Façanha, que se abraçou ao seu tronco num gesto de amor. Meu pai, João Raimundo Cunha, semeou a Seringueira, em 1952, ano do nascimento do meu irmão, o pintor genial Olivar Cunha. Macapá, para mim, é isso, e é tanta coisa.

Macapá é como a mulher que desejamos por muito tempo e que inesperadamente está diante de nós, nua; mas só acredito que estou nela quando a cidade me engole. Entro no santuário despido de todas as feridas, e mergulho num mundo prenhe de jasmineiros que choram nas noites tórridas, merengue, mulheres que recendem a maresia, o embalar de uma rede no rio da tarde, tacacá, Cerpinha, e lhe oferto rosas, pedras preciosas, luz, toda a minha riqueza. É nesse mergulho que sempre me perco em ti, e sempre de propósito, numa vertigem da qual só me recupero em Brasília, dias depois.

As viagens que fazemos no coração são vertiginosas demais. A casa da minha infância, cada palavra que garimpei em madrugadas eternas, cada gota de álcool com que encharquei meus nervos, cada mulher que amei nos meus trêmulos primeiros versos, cada busca do éter nas noites alagadas de aguardente, o jardim da casa da Leila, no Igarapé das Mulheres, o Elesbão, a casa da Myrta Graciete, a casa do poeta Isnard Brandão Lima Filho, na Rua Mário Cruz, o Macapá Hotel, o Trapiche Eliezer Levy, pulsam para sempre no meu coração, que enterrei na Rua Iracema Carvão Nunes.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Por que o Conselho Nacional de Educação retirou Acupuntura do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos? Medida causa prejuízos


RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 4 DE FEVEREIRO DE 2019 – Em 2008, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) criou o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), incluindo Acupuntura. Mas, em 5 de dezembro de 2014, o então presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Alves, publicou Resolução atualizando e definindo novos critérios para a composição do catálogo, e disciplinando e orientando os sistemas de ensino e as instituições públicas e privadas de educação profissional e tecnológica quanto à oferta de cursos técnicos de nível médio.

A exclusão de Acupuntura do catálogo causou prejuízos financeiros e profissionais em todo o Brasil. Ao desqualificar os cursos técnicos de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ou Acupuntura, as secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal começaram a empurrar com a barriga a publicação dos nomes dos alunos matriculados em cursos técnicos de MTC antes de 5 de dezembro de 2014, à medida que iam se formando.

A Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), de Brasília/DF, por exemplo, quase fecha as portas, pois dezenas de alunos cancelaram o curso após a resolução do CNE. Fundada em 2000, A ENAc sempre foi reconhecida pelo MEC e credenciada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE/DF).

Porém, desde o segundo semestre de 2016, a SEE se recusa a publicar no Diário Oficial do DF mais uma lista de alunos matriculados antes da resolução do CNE e que já concluíram o Curso de Medicina Tradicional Chinesa. Além do histórico escolar, a ENAc emite também uma declaração de conclusão do curso, mas depende da SEE para a entrega do diploma. Cansados de esperar pela boa vontade do órgão público, alguns alunos já entraram com ação na Justiça.

Esses alunos concluíram um dos melhores cursos técnicos de Medicina Tradicional Chinesa do país, com 2.080 horas/aula e 440 horas de estágio ambulatorial, num total de 2.520 horas/aula, em conformidade com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de apresentação de trabalhado de conclusão de curso. As aulas eram diárias e presenciais, com 4 horas/aula de segunda a sexta-feira.

ATO MÉDICO – Por conta do silêncio do MEC, que jamais deu explicações sobre a retirava da Acupuntura da lista de cursos técnicos, desconfia-se que o Ato Médico tenha alguma coisa a ver com isso. O Ato Médico é como ficou conhecido o Projeto de Lei do Senado 268/2002/Projeto de Lei 7703/2006, que regulamenta o trabalho do médico.

A então presidente Dilma Rousseff sancionou o Ato Médico com vetos. Mesmo assim profissionais da área da saúde ainda desconfiam que os médicos querem controlar tudo, até a Acupuntura, que nada tem a ver com medicina ocidental, ou alopática. Nos meios dos acupunturistas, corre a tese de que os médicos estão fazendo cursinhos de acupuntura de fim de semana para reservaram o mercado da Acupuntura, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) como nos planos de saúde.

Diga-se, a Medicina Tradicional Chinesa é milenar e se baseia no taoísmo; para alguém praticá-la é necessário que saiba pelo menos o que é Yin e Yang. Outra coisa: a MTC trabalha diretamente em meridianos energéticos, que se encontram no corpo etéreo, um corpo sutil que a ciência não reconhece.

Entrei em contato com o secretário da Presidência do Conselho Nacional de Educação, sr. Lindomar Junio, no dia 28 de janeiro, solicitando-lhe que me encaminhasse no sentido de obter esclarecimentos sobre os critérios utilizados na resolução do CNE, relatando-lhe toda a situação exposta nesta matéria. Ele prometeu encaminhar o assunto; continuo aguardando.

Também entrei em contato com a Assessoria de Comunicação Social da SEE/DF sobre o silêncio do órgão. Resposta: “A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE/DF) informa que foram verificadas irregularidades no percurso escolar da maioria dos estudantes da Escola Nacional de Acupuntura (ENAC), o que comprometeu a validação de estudos de todos os alunos considerados concluintes pela instituição. A Gerência responsável pela publicação já orientou a instituição quanto aos procedimentos necessários para a publicação dos nomes daqueles alunos que tiveram seus estudos validados. A ENAc não mais possui credenciamento com esta Secretaria de Educação e seu atual funcionamento não permite a oferta de cursos técnicos, somente cursos livres que dispensam autorização deste órgão”.

Fato: Os alunos que começaram a fazer o curso da ENAc antes de dezembro de 2014 têm direito adquirido ao diploma técnico. A desqualificação da prática da Acupuntura ocorre num momento em que a profissão está prestes a ser regulamentada no Congresso Nacional, ou por meio do Projeto de Lei 1.549, de 2003, do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que se encontra na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, ou por meio do Projeto de Lei 174, de 2017, do Senado, que se encontra na Comissão de Assuntos Sociais da casa.

O projeto do deputado Celso Russomanno apresenta um problema. O relator, deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), é contra. Médico, ele acha que somente médicos devem praticar a Acupuntura, apesar de que audiência pública na CCJC mostrou que a filosofia, as técnicas e a prática da medicina alopática, ou medicina ocidental, não tem nada a ver com Medicina Tradicional Chinesa, ou acupuntura, como é conhecida no Brasil.

As entidades que reúnem terapeutas em MTC e práticas integrativas em saúde vêm se mobilizando para impedirem a barbaridade de travarem o projeto de Russomanno. O Brasil rema contra a maré, pois em todo o mundo, especialmente nos países mais ricos do planeta, quem pratica acupuntura são acupunturistas – médicos também, quando submetem-se a cursos de MTC, principalmente curso técnicos, ou faculdades de Medicina Chinesa.

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito, e a ciência não acredita na existência do espírito.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

David Alcomumbre vence o flagelo Renan Calheiros e reaviva a esperança no Amapá



BRASÍLIA, 2 DE FEVEREIRO DE 2019 – Eram 18h57 quando o site O Antagonista publicou: “Davi Alcolumbre vence em primeiro turno com 42 votos e se torna o novo presidente do Senado. Renan Calheiros foi escorraçado”. É a primeira vez que um amapaense se torna presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, terceiro na linha sucessória da presidência da República. David Samuel Alcolumbre Tobelem, Davi Alcolumbre (DEM/AP), terá a oportunidade de ajudar na transição de um país que esteve mergulhado por uma década e meia nas garras do PTMDB, uma organização criminosa que juntou petistas, bolivarianos, comunistas e socialistas, que, aparentemente, queriam transformar a Ibero-América em uma espécie de União Soviética, mas que, na verdade, queriam apenas saquear a região, como aconteceu em Cuba e na Venezuela. No Brasil, essa organização era chefiada pelo aborto de ditador Lula Rousseff.

Davi Alcolumbre venceu um dos maiores predadores deste país, o cangaceiro José Renan Vasconcelos Calheiros (MDB/AL). Inchado de processos por corrupção, o caminho natural de Renan é fazer companhia a Lula Rousseff. O lampião “muderno”, que não tinha onde cair morto, é dono, hoje, de uma fortuna incalculável. Além de Lula, Renan tem como mentor Jegue Sarney, maior patrimonialista do país, a ponto de ter anexado o Amapá ao Maranhão.

Como assim? Em 1991, Ribamar Sarney pulou de paraquedas em Macapá. Os amapaenses ficaram encantados com o ex-presidente da República, embora tenha sido no seu governo que a inflação tomou um rumo venezuelano. Não deu outra, os amapaenses o elegeram senador vitalício. Hoje, ele não exerce mais o cargo porque virou zumbi.

Voltando a Alcolumbre, ele tem a oportunidade de ajudar Jair Bolsonaro a limpar o Brasil da lama comunista, na reconstrução do país e na reforma do estado, e pode se credenciar ao governo amapaense. Um dos problemas do Amapá é o mesmo que o de quase todas as unidades da federação: reina a politicalha e os candidatos geralmente são medíocres e corruptos.

No Amapá, por exemplo, os últimos governadores não passam da mesmice da mediocridade. Só para ter uma ideia, a BR-156, que liga Macapá a Oiapoque, começou a ser planejada e construída em 1943, e nunca foi totalmente pavimentada. Já existe até uma ponte binacional cruzando o rio Oiapoque, e no lado francês uma estrada pavimentada até Caiena, de onde pode-se seguir por estradas até o Canadá.

Já o Porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá, o mais estratégico de toda a Amazônia, foi municipalizado. Conclusão: é subutilizado. A universidade federal local oferece curso de Direito etc., mas não oferece cursos de Oceanografia, Engenharia Naval, Engenharia da Pesca etc. As costas do Amapá são as mais ricas do planeta em pescados e frutos do mar, devido às suas águas doces, com mangues, e águas salobras e salgadas, pois o rio Amazonas, o maior do mundo, despeja em média 200 mil metros cúbicos de água e húmus por segundo no Atlântico, tornando a região a mais piscosa do globo e a mais mal guardada pela Marinha de Guerra.

Em Macapá, à margem do rio Amazonas, costuma faltar água encanada e luz. Algumas ruas da cidade lembram paisagens lunares, e pode-se morrer a facada na rua. Jegue Sarney prometeu uma zona franca e atraiu meio mundo de migrantes; o resultado é que Macapá inchou de tal jeito que lembra até o subúrbio de Belém do Pará, onde a população vive sobre esgoto in natura. Macapá não conta com sequer um metro de rede pública de esgoto. É meio milhão de pessoas enterrando diariamente uma quantidade imensa de dejeto no lençol freático.

O atual governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), está no quarto mandato, apesar de ter sido preso pela Polícia Federal, em 2010, durante a Operação Mãos Limpas. Elegeu-se pela primeira vez em 2002 e reelegeu-se em 2006, 2014 e 2018. Foi antecedido por João Capiberibe (PSB), prefeito de Macapá, entre 1989 e 1992, e governador, entre 1995 e 2002. Era senador, mas não foi reeleito em 2018. Ambos têm algo em comum: cabides de empregos e diárias generosas para os apaniguados. Capiberibe, chamado pelos seus desafetos de Capiroto, é socialista, defensor de Lula Rousseff.

Capiberibe conseguiu eleger seu filho, Camilo Góes Capiberibe (PSB), governador, em 2010. Foi um fiasco tão grande que Camilo não conseguiu se reeleger em 2014, quando foi derrotado por Waldez Góes.

Assim, Davi Alcolumbre surge como uma esperança para os amapaenses.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

ENAc realiza fevereiro de cursos e palestras. MEC continua discriminando curso técnico de Acupuntura. Secretaria de Educação também

BRASÍLIA, 1 DE FEVEREIRO DE 2019 – A Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) realiza, de 4 a 26 deste mês, sempre às 19h30, um ciclo de cursos e palestras, gratuito para alunos e ex-alunos, e R$ 30 por curso e palestra para visitantes. Informações e reservas são feitas pelos telefones: 3322-4998 e 3322-3037, ou na secretaria da escola, no SHCGN 710/711, Bloco D, Loja 57, Asa Norte.

CURSOS – São dois: Meditação Aplicada na Terapêutica, com o professor Renato Camarão, nos dias 4, 6 e 8; e Técnica de Desinibição para o Contato com o Paciente, com o professor André Araújo, nos dias 19 e 20.

PALESTRAS

Dia 5 – Acupuntura Estética, com a professora Iva Fonseca.
Dia 7 – Energia e o Caminho dos Cereais, com a professora Ana Carolina de Santana.
Dia 11 – Dores Crônicas e Meridianos Distintos, com o professor Reginaldo Lordelo.
Dia 12 – Como Utilizar as Mídias Digitais, com o professor Jadson Nobre.
Dia 13 – Acupuntura em Ginecologia, com a professora Juliana Lima.
Dia 14 – Iridologia, com o professor Leonardo Lombardi.
Dia 18 – Pulsologia, com o professor Leonardo Lombardi.
Dia 22 – Cuidados Naturais com Animais, com a professora Áurea Barreto.
Dia 26 – Acupuntura Veterinária, com a professora Camila Bello.

CURSO DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA – As matrículas para o Curso de Medicina Tradicional Chinesa estão abertas. A duração do curso é de dois anos, com 1.212 horas/aulas presenciais e estágio ambulatorial. A pré-matrícula pode ser feita no site: enacdf.com.br

De ampla cobertura e eficácia terapêutica, a Acupuntura é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e foi incluída na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, durante a V Sessão do Comitê Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 17 de novembro de 2010.

Os pilares da acupuntura começaram a ser erguidos a pelo menos 5 mil anos, na China. Os chineses descobriram que além dos sistemas cardiovascular e linfático, há uma teia de meridianos corporais, ou de acupontos, um delgado sistema tubular, nos quais circula a energia vital.

Até o século 19, supunha-se que esses meridianos eram imaginários, mas nos anos de 1960, o cientista coreano Kim Bong Han injetou isótopo de fósforo em um acuponto e observou a absorção da substância pelo organismo, por meio de microrradiografia. Resultado: o isótopo percorreu o clássico traçado daquele meridiano.

Experiências semelhantes foram realizadas por outros cientistas, como os franceses Jean-Claude Darras e Pierre de Vernejoul, e os norte-americanos James Hurtak e Roberto Becker. O resultado foi o mesmo obtido por Kim Bong Han.

SITUAÇÃO DA ACUPUNTURA JUNTO AO MEC E À SEE/DF - A ENAc, fundada em 2000, sempre foi a única escola de formação em Acupuntura plenamente credenciada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE/DF) e devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), em toda a Região Centro-Oeste. Mas desde o segundo semestre de 2016, vem encontrado sérios obstáculos para conseguir concluir mais um processo de recredenciamento junto à SEE/DF.

Ocorre que em 2008, o MEC criou o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), com o objetivo de albergar os cursos técnicos então existentes no Brasil, balizando-os e dando-lhes regularidade e homogeneidade curricular. Mas, em 5 de dezembro de 2014, o então presidente do Conselho Nacional de Educação, Luiz Roberto Alves, publicou Resolução com o seguinte teor: “Atualiza e define novos critérios para a composição do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, disciplinando e orientando os sistemas de ensino e as instituições públicas e privadas de Educação Profissional e Tecnológica quanto à oferta de cursos técnicos de nível médio em caráter experimental, observando o disposto no art. 81 da Lei nº 9.394/96 (LDB) e nos termos do art. 19 da Resolução CNE/CEB nº 6/2012”.

Nessa resolução, ele exclui do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos a prática da Acupuntura, desqualificando, desde então, os cursos técnicos de Medicina Tradicional Chinesa em todo o país, e dificultando, assim, a emissão do certificado de quem já vinha fazendo o curso técnico de MTC antes de 5 de dezembro de 2014, já que esse certificado é autorizado pelas secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal.

Da mesma forma, as secretarias de Educação dos estados desenvolveram um entendimento equivocado da situação e se recusam a proceder ao recadastramento periódico dos cursos.

Cursos técnicos em Acupuntura já existiam antes da criação do Catálogo do MEC, plenamente credenciados em várias unidades da federação. Até hoje, o MEC não explicou o que o levou a retirar o curso de Acupuntura do Catálogo de Cursos Técnicos, quando a regulamentação da profissão de acupunturista avança na Câmara dos Deputados. Entidades de acupunturistas têm tentado obter explicação do MEC, mas são ignoradas solenemente.

A ENAc vem interpondo recursos e demais remédios jurídico-administrativos junto ao MEC e a outras instâncias, que, muitas vezes, sequer os respondem oficialmente. Resta-lhe continuar cumprindo sua missão, que é a de transmitir os ensinamentos da Medicina Tradicional Chinesa, formando excelentes profissionais acupunturistas, dentro do currículo mais sólido e respeitado em todo o cenário nacional.

A solução encontrada pela ENAc é de formação profissional com certificação de curso livre, porém com a mesma estrutura pedagógica, corpo docente, matriz curricular e garantia de conhecimento sólido e integral nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa.

Quanto aos alunos matriculados na ENAc antes da Resolução do MEC, a Secretaria de Educação recusa-se a publicar no Diário Oficial do DF a lista desses alunos, a fim de que a ENAc possa emitir o diploma de curso técnico, ao qual têm direito legal. Alguns alunos entraram recentemente com ação na Justiça contra a SEE/DF. Espera-se que com a mudança de governo, de ministro e secretário de Educação, o tratamento infame que os acupunturistas vêm recebendo volte ao estado de direito.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Brasília sedia Seminário Internacional de Medicina Tradicional Chinesa. Inscrições abertas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 20 DE JANEIRO DE-2019 – A Ecole Européenne d'Acupuncture, de Paris, França, realiza em Brasília o primeiro Seminário Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, nos dias 12 e 13 de agosto, na Aliança Francesa, na Entrequadra 708/907 Sul, Lote A, e no dia 14 de agosto em unidade do Sesc/DF ainda a ser divulgada, com o tema: As Emoções na Medicina Tradicional Chinesa, um mergulho na cultura, na tradição e no pensamento chineses.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas a partir de R$ 700, no link: seminariointernacionalmtcdf.com. O valor inclui coquetel, coffe breack e certificado emitido pela Ecole Européenne d'Acupuncture. 

A palestrante é a escritora, sinóloga, pesquisadora, professora e tradutora Elisabeth Rochat de la Vallée, referência em medicina tradicional chinesa, fundadora e diretora da École Européenne d’Acupunture.

PROGRAMAÇÃO

12 de agosto – Abertura do seminário, no Auditório da Aliança Francesa, seguida de palestra, das 14 às 16 horas; coffee break, das 16 horas às 16h30; palestra, das 16h30h às 19h30; às 21 horas, coquetel e autógrafos de dois livros da professora Elisabeth Vallée, traduzidos para o português: Os Movimentos do Coração – Psicologia dos Chineses e 101 Conceitos-Chave da Medicina Chinesa.

13 de agosto – Palestra, no auditório da Aliança Francesa, das 9 hora às 11h30; almoço, das 11h30 às 13h30; palestra, das 13h30 às 16h30; coffee break, das 16h30 às 17 horas; palestra, das 17 horas às 19h30.

14 de agosto – Palestra para seminaristas e profissionais de todas as áreas da saúde, no Sesc/DF, das 14 às 17 horas; sessão de autógrafos, às 18 horas.

MAIS INFORMAÇÕES

Serão obtidas pelos telefones  Vânia Mota (Brasília): (61) 99501-4734
Débora Giovanella (Goiânia): (62) 99856-5506
E-mail: seminario.mtcdf@gmail.com

PALAVRAS DA PROFESSORA ELISABETH ROCHAT DE LA VALLÉE  Há mais de 40 anos comecei uma incrível jornada através das línguas e civilizações antigas, procurando penetrar na raiz da vida e na essência da existência. Muito cedo, fui atraído em particular para a tradição chinesa, cuja riqueza e beleza eu pude compreender graças aos meus guias e mentores: Claude Larre e Jean Schatz.

Desde então, tenho continuado a estudar os clássicos médicos, confucionistas e taoístas, tirando deles entendimentos essenciais e vitais que tento comunicar, por sua vez, o mais amplamente possível a todos aqueles que compartilham essa paixão.

Minha experiência com grupos de estudo em todo o mundo mostrou que quando uma exploração genuína de textos tradicionais chineses é constantemente enraizada na prática clínica e confrontada com a experiência pessoal, ela permite ao praticante desenvolver sua arte, revigorar seu pensamento e elevar sua visão e conduta. 

Por meio dessa pesquisa rigorosa sobre os movimentos do qi e em uma troca constantemente aberta de conhecimento e experiência, trabalhei implacavelmente para cultivar um relacionamento amoroso com o outro e ajudar as pessoas que conheci a melhorar sua experiência de vida. E sempre consegui manter a confiança na fonte sem esquecer de sorrir.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Lúcio Flávio Pinto, Márcio Souza, Stieg Larsson

Ray Cunha por ele mesmo. Brasília, 2018

BRASÍLIA, 7 DE JANEIRO DE 2019 – Saí, sábado passado, para bater perna, enquanto a diarista fazia faxina em casa. Dei um pulo no ParkShopping, onde me dirigi à Fnac, uma dessas livrarias que retém a gente durante horas. Eu já sabia que a Fnac, a empresa, faliu, mas a loja do ParkShopping continuou abrindo depois do anúncio da bancarrota do braço brasileiro da empresa francesa. Só que, sábado, encontrei a loja fechada. Um segurança me informou que eu poderia encontrar outra livraria no fim do corredor; ele se referia a uma dessas lojas que vendem tudo, inclusive best-sellers. Do ParkShopping, fui à Cultura do CasaPark, ali perto. Agora, a Cultura é a maior livraria de Brasília.

Dei uma girada hoje pelo centro da cidade, e atentei para uma coisa que já vinha vendo há tempo: cada vez mais bancas de revistas são transformadas em lanchonetes. Na semana passada, houve um descompasso entre o presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros. No dia seguinte, todos os jornalões deram isso como manchete, como se o governo do capitão houvesse acabado ali. Bolsonaro nem ligou. Ele ganhou as eleições manipulando mídia pós-moderna. Hoje, quando os esquerdopatas publicam manchetes com o intuito de desestabilizar Bolsonaro, imediatamente centenas de milhares de pessoas mostram por A mais B que a grita dos jornalões não passa de viúvas dos cofres públicos carpindo.

Sempre que vou ao Conjunto Nacional, paro, antes, na banca da Rodoviária, para ler a manchete dos jornalões; eles estão cada vez mais magros. Acredito que os jovens de hoje não sabem mais nem o que é jornal impresso. O lendário jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto capitulou em novembro passado. Publicava seu Jornal Pessoal há 31 anos. A publicação, impressa, quinzenal, não aceitava anúncios, muito menos matéria paga, e mantinha-se com venda em bancas em Belém. Lúcio reconheceu que sites são menos trabalhosos, mais baratos e que as publicações podem ser lidas imediatamente em todo o planeta. Ele só tem, agora, que contar com alguns colaboradores para manter o site.

Lúcio é um dos cérebros mais privilegiados da mídia brasileira, e tem caráter irrepreensível. Provavelmente, é o jornalista que mais conhece a Amazônia, e construiu sua trincheira em Belém, onde já enfrentou os mais perigosos bandidos paraenses, nos palácios e nos balcões de negócios que vicejam em Belém.

Tive o privilégio de trabalhar como jornalista na Cidade das Mangueiras e observar Lúcio Flávio Pinto na faina jornalística. Já faz algum tempo que não o vejo, mas lembro-me dele como uma pessoa simples, gentil, lúcida, e de coragem desconcertante. Ele já não é apenas um jornalista; tornou-se o mais importante cronista da questão amazônica.

Como Lúcio, há outras pessoas, na Amazônia, que se destacam. Lembrei-me do romancista Márcio Souza, de Manaus, que conheci em 1976. Naquele ano, eu assinava coluna semanal, No Mundo da Arte, em A Notícia, e tinha entrevistado Márcio Souza. Ele acabara de publicar o folhetim Galvez – Imperador do Acre, que começou a fazer sucesso nacional e depois internacional. Naquela época, eu me reunia, à noite, com alguns apreciadores da maravilhosa Antarctica enevoada servida no Bar Nathalia. Diziam que Márcio Souza encontrara os originais de Galvez na Europa, e que o publicara como sendo seu. “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal” – disse Tom Jobim. Na Amazônia, é proibido fazer sucesso, pois a celebridade terá vida curta; será perseguida e anulada.

Mas Márcio Souza sacou isso e se mandou. Viveu não sei quanto tempo no Rio, e quando a TV Globo pôs no ar a série Mad Maria, baseada em romance homônimo dele, de 1980, foi alçado à prateleira das celebridades. Em 1992, lançou um livro necessário a todos que se interessam pelo Trópico Úmido: Breve História da Amazônia.

O fato é que não se faz sucesso nacional na Amazônia. Todos os artistas amazônidas que fizeram, ou fazem, sucesso nacional, tiveram que sair de lá e morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo, que são as vitrines do Brasil, e têm tecnologia para fabricar celebridades.

Mas, assim como o jornalismo mudou, também a preferência dos leitores mudou, e não me refiro, aqui, à questão tecnológica. As novas gerações não querem saber de Ernest Hemingway, nem de Gabriel García Márques. Preferem Dan Brown, ou Stieg Larsson. Quanto a mim, prefiro ler Lúcio Flávio Pinto ao computador, e Stieg Larsson, precisamente A Menina que Brincava com Fogo, no sofá de casa, levantando-me, de vez em quando, para mordiscar alguma coisa, ou beber água.