RAY CUNHA
BRASÍLIA, 21 DE
AGOSTO DE 2019 – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos
Deputados aprovou em caráter conclusivo, ontem, o Projeto de Lei 1549/2003, de
autoria do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que regulamenta a acupuntura no
Brasil; seguirá direto para o Senado, a menos que haja recurso exigindo que a
matéria vá para o plenário.
O projeto regulamenta a prática da acupuntura aos profissionais
com diploma de nível superior expedido por instituição reconhecida, nacional ou
estrangeira; com diploma de nível superior na área de saúde, com especialização
em acupuntura; graduados em curso técnico em acupuntura expedido por
instituição reconhecida; sem diploma, mas com pelo menos cinco anos comprovados
exercendo a profissão.
Instituições que representam a categoria afirmam que há no
Brasil cerca de 160 mil trabalhadores em acupuntura. Na maioria dos países do
planeta, especialmente no Primeiro Mundo, a acupuntura é reconhecida e
utilizada em escala como terapia, mas no Brasil sempre houve resistência a esta
ciência por parte dos médicos.
Por exemplo, o deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), que é
médico e foi relator do projeto, acha que somente médicos alopatas devem
praticar acupuntura. “Nós estamos tratando de uma especialidade médica. Ao
tentar regulamentar a profissão de acupunturista para quem não fez medicina estamos
dando o direito a uma pessoa que não tem conhecimento de anatomia, de
fisiologia, de neuroanatomia, de neurologia, enfim, pré-requisitos necessários,
de praticar uma atividade que envolve inclusive procedimentos invasivos” – ilude-se.
Hiran está cem por cento enganado. Acupuntura é apenas uma
das terapias da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ciência que trabalha
basicamente com as energias Yin e Yang, as quais perpassam toda a matéria.
Alicerçada no taoísmo, os adeptos desta ciência acreditam na existência do
espírito; a ciência ocidental, não.
Quanto aos conhecimentos do corpo humano, fiz apenas curso
técnico, na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), mas com grade que contemplava
todas as disciplinas de conhecimento do corpo humano. De quebra, ao sair de lá,
mergulhei no estudo do períspirito. Os médicos que lerem este texto podem até
rir, mas os médios que o lerem sabem do que estou falando.
E no meu curso técnico houve até trabalho de conclusão. O
meu foi inusitado. Como sou ficcionista, apresentei um romance, FOGO NO CORAÇÃO, um thriller policial tendo como pano de fundo o dia a dia de alguns
acupunturistas em Brasília. Neste livro, a filosofia, a ciência, a técnica, a
prática e a poesia da Medicina Tradicional Chinesa representam os sete oitavos
do iceberg.
Agora, o pau vai comer no Senado, que está cheio de médicos, e os médicos querem apito!
Agora, o pau vai comer no Senado, que está cheio de médicos, e os médicos querem apito!

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