quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Falta pouco para o Congresso Nacional regulamentar a profissão de acupunturista



RAY CUNHA         

BRASÍLIA, 21 DE AGOSTO DE 2019 – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou em caráter conclusivo, ontem, o Projeto de Lei 1549/2003, de autoria do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que regulamenta a acupuntura no Brasil; seguirá direto para o Senado, a menos que haja recurso exigindo que a matéria vá para o plenário.

O projeto regulamenta a prática da acupuntura aos profissionais com diploma de nível superior expedido por instituição reconhecida, nacional ou estrangeira; com diploma de nível superior na área de saúde, com especialização em acupuntura; graduados em curso técnico em acupuntura expedido por instituição reconhecida; sem diploma, mas com pelo menos cinco anos comprovados exercendo a profissão.

Instituições que representam a categoria afirmam que há no Brasil cerca de 160 mil trabalhadores em acupuntura. Na maioria dos países do planeta, especialmente no Primeiro Mundo, a acupuntura é reconhecida e utilizada em escala como terapia, mas no Brasil sempre houve resistência a esta ciência por parte dos médicos.

Por exemplo, o deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), que é médico e foi relator do projeto, acha que somente médicos alopatas devem praticar acupuntura. “Nós estamos tratando de uma especialidade médica. Ao tentar regulamentar a profissão de acupunturista para quem não fez medicina estamos dando o direito a uma pessoa que não tem conhecimento de anatomia, de fisiologia, de neuroanatomia, de neurologia, enfim, pré-requisitos necessários, de praticar uma atividade que envolve inclusive procedimentos invasivos” – ilude-se.

Hiran está cem por cento enganado. Acupuntura é apenas uma das terapias da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ciência que trabalha basicamente com as energias Yin e Yang, as quais perpassam toda a matéria. Alicerçada no taoísmo, os adeptos desta ciência acreditam na existência do espírito; a ciência ocidental, não.

Quanto aos conhecimentos do corpo humano, fiz apenas curso técnico, na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), mas com grade que contemplava todas as disciplinas de conhecimento do corpo humano. De quebra, ao sair de lá, mergulhei no estudo do períspirito. Os médicos que lerem este texto podem até rir, mas os médios que o lerem sabem do que estou falando.

E no meu curso técnico houve até trabalho de conclusão. O meu foi inusitado. Como sou ficcionista, apresentei um romance, FOGO NO CORAÇÃO, um thriller policial tendo como pano de fundo o dia a dia de alguns acupunturistas em Brasília. Neste livro, a filosofia, a ciência, a técnica, a prática e a poesia da Medicina Tradicional Chinesa representam os sete oitavos do iceberg.

Agora, o pau vai comer no Senado, que está cheio de médicos, e os médicos querem apito!

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