terça-feira, 1 de julho de 2014

VIAGEM DENTRO DE TI

Estou pronto para ti
Sereno como um homem deve ficar diante de uma mulher nua
Pegar-te-ei com tanta suavidade, e firmeza,
Que lamentarás o prazer, intenso como o voo do orgasmo
Tocarei cada ponto dos teus meridianos
No fundo mais recôndito dos teus abismos insondáveis, e infinitos
Cavalgar-te-ei, preso em ti, seguro na tua boca, nos teus seios, no teu sexo
Como a Terra gravitando em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora
O sistema solar girando em volta do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora
A Via Láctea indo para o Grupo Local a 144 mil quilômetros por hora
O Grupo Local caminhando para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por hora
E tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator a 2,2 milhões de quilômetros por hora
O Grande Atrator fica para além de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra

sábado, 28 de junho de 2014

HIENA é lançado pelo Clube de Autores e pela Amazon.com. Saiba como adquiri-lo

BRASÍLIA, 28 DE JUNHO DE 2014HIENA, de RAY CUNHA, é uma história de detetive ambientada numa Brasília atolada na corrupção. Para quem mora no Brasil ou na América do Sul fica mais barato comprá-lo no Clube de Autores (155 páginas, papel couchê 90 gramas, R$ 26,44, e e-book, com 74 páginas, R$ 5,38); e para quem nos Estados Unidos ou na Europa, é mais prático adquiri-lo na Amazon.com.

O país está afundando em corrupção e o erário escorre pelo ralo, em obras bilionárias e superfaturadas, que nunca terminam, ou simplesmente são inúteis. Ao investigar o assassinato de um senador da República, degolado com uma katana, no Tropical Hotel, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília, o detetive particular Hiena faz a grande descoberta de sua vida.
Além da Brasília real fazer fundo a este romance, desfila nele um magote de personalidades reais, como, por exemplo, os artistas plásticos Olivar Cunha e André Cerino; as cantoras paraenses Carmen Monarcha e Joelma, da Banda Calypso; o escritor amapaense Fernando Canto; o maestro Silvio Barbato; além da famosa personagem de ficção Brigitte Montfort.
Hienas são como bactérias grandes. Bandidos do reino animal. Atarracadas, quartos traseiros caídos, andar manquejante, começam a comer a vítima viva ainda na perseguição, rasgando-lhe o ventre, as vísceras espirrando. O humorista carioca Juca Chaves, Jurandyr Czaczkes, cunhou uma frase que se tornou um mito persistente: “A hiena é um animal que come fezes dos outros animais, só tem relações sexuais uma vez por ano e ri… mas ri de quê?” 
A Crocuta crocuta é predador sem igual. Caçadora formidável, chega a perseguir suas presas à velocidade de até 55 quilômetros por hora, em grupos que chegam a 100 indivíduos. O segredo desse vigor é um coração poderoso. Mas o que as tornam resistentes como baratas é que podem se alimentar de praticamente tudo, desde filhotes de leão, passando por insetos a ovos de avestruz, até carniça já cheia de vermes, e de outras hienas, além de suas próprias fezes. Contudo, caçam também animais de médio e grande portes, como gazelas, impalas, gnus e zebras. Suas mandíbulas são tão potentes que comem, normalmente, os ossos das suas presas, razão pela qual suas fezes são esbranquiçadas. 
O detetive Hiena, Crocuta crocuta, como chama a si mesmo, não é bem o que Jurandyr Czaczkes, o Juca Chaves, disse. Embora discreto, quando ri para valer sua gargalhada é atroadora. Gastrônomo, elegeu a cozinha paraense a melhor do mundo. Vive só, embora tenha namorada. Contudo, têm em comum com a Crocuta crocuta alguns traços, como o sistema imunológico, pois nunca ficou sequer resfriado; pode se alimentar de comida estragada sem se preocupar, já que não se intoxica; conta com dentes de aço; é resistente como as baratas; e capaz de atravessar qualquer circunstância de extrema tensão sem que seu batimento cardíaco se altere. Também guarda um traço físico em comum com a Crocuta crocuta: o tórax largo, sem ser do tipo cangula (sinônimo de pipa na terra das suas duas mães, Belém do Pará), largo em cima e fino em baixo. 
Com um metro e oitenta, lábios carnudos, cabelos de Al Pacino, o que mais chama atenção em Hiena são seus olhos bicolores, que amanheciam com um tom azul claro, permanecendo assim nos dias frios, mas à medida que a temperatura subia, iam ficando como lápis-lazúli e, à noite, independentemente do tempo que estivesse fazendo, eram sempre duas esmeraldas. Adotou o cognome Hiena por uma série de circunstâncias. Afinal, como disse José Ortega y Gasset: “O homem é o homem e a sua circunstância”.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mulher lindíssima ao celular

Tu és linda como flor em jardim ensolarado
Simétrico, teu rosto é perfeito como a translação da Terra
E tua boca é de rosas vermelhas esmigalhadas;
Apenas uma tatuagem te macula, no ombro
Cicatriz na pele de seda cristalina.
Caminhas com os olhos verdes fixos na tela de um celular
Indicador e polegar céleres ao teclado
E te chocaste num poste no caminho.
Não gritaste, nem choraste; sorriste!
E Brasília, flutuando no gêiser do teu sorriso,
Lembra muralha arranhando o Planalto
 
Brasília, 27 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

Gozos Múltiplos

Ah! Tu és como flor se abrindo ao sol
Nua como preciosas pedras
Leve como asas que sustentam o voo
Do abismo a queda

Conduz-me à cumeeira
Dos sonhos
Ainda que eu não desperte
Como se estivesse morto

Na bacanal de rosas vermelhas
Esvaem-se os sentidos
Embriagados de estrelas

No labirinto do teu púbis
Afogo-me na maresia
E ressuscito em gozos múltiplos

sábado, 7 de junho de 2014

SENADOR É DEGOLADO COM UMA KATANA NO SETOR HOTELEIRO SUL, EM BRASÍLIA

O país está afundando em corrupção e o erário escorre pelo ralo, em obras bilionárias e superfaturadas, que nunca terminam, ou simplesmente são inúteis. Nada a ver com o Brasil atual. Trata-se de ficção. Uma história de detetive. Ao investigar o assassinato de um senador da República, degolado com uma katana, no Tropical Hotel, no Setor Hoteleiro Sul, em Brasília, o detetive particular Hiena faz a grande descoberta de sua vida.

HIENA é minha segunda experiência do que chamo de romance ensaístico. O primeiro, A CONFRARIA CABANAGEM, thriller político-policial ambientado em Belém do Pará, deverá ser lançado ainda este ano pela Amazon.com, ou pelo Clube de Autores. No caso de HIENA, trata-se de romance ensaístico porque contém uma Brasília viva, que se move subjacente à trama policial.

Também neste romance desfila um magote de personalidades reais, como, por exemplo, dois grandes artistas plásticos: Olivar Cunha e André Cerino; as cantoras paraenses Carmen Monarcha, que se apresenta com André Rieu, e Joelma, da Banda Calypso; o escritor amapaense Fernando Canto; o maestro Silvio Barbato; e até a famosa personagem de ficção Brigitte Montfort.

HIENA está disponível no Clube de Autores, tanto no formado impresso quanto eletrônico. Adquira-o neste endereço: 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ROSAS PARA A MADRUGADA

Por que escreves? – pergunta-me o jornalista
– Para viver – respondo
Pois só com as palavras desnudo a luz
E voo até o fim do mundo
Por isso, escrevo granadas intensas como buracos negros
E garimpo o verbo como o primeiro beijo
Escrevo porque escrever traz aos meus sentidos
Cheiro de maresia
Dom Pérignon, safra de 1954
O labirinto do púbis no abismo do acme
Mulher nua como rosa vermelha desabrochando

Brasília, 5 de junho de 2014

domingo, 18 de maio de 2014

OS PORTAIS DA AMAZÔNIA

Isaías Oliveira aos 22 anos. Na época de A Notícia, em 1976, já se revelava
brilhante como repórter. Agora recebe seu batismo de fogo como romancista,
com A Dimensão dos Encantados, o mais pungente berro alertando para o
assassinato da Amazônia, que é não só a desolação da terra ferida, mas uma
terçadada de 128 na alma amazônida, espirrando espilantol da carne dilacerada
































A selva amazônica é esplendorosamente monótona, bruta como golpe de terçado 128. Ao olhar superficial do leigo, que, acidentalmente, caiu na Amazônia, a Hileia lhe parecerá o Inferno Verde, onde encurtará sua vida, devorado por microrganismos e insetos, ou torrado pelo sol equatorial, ou afogado pela água, não do mar doce, mas em estado gasoso, nos praticamente 100% da umidade relativa do ar. Desse modo, o incauto será corrido daquelas paragens, grávido da antiga ideia dos colonos – principalmente os governos que se sucedem em Brasília – de que a Grande Floresta só serve para três fins: construção de hidrelétricas; extração de madeira e mineral; e reserva de caça, pesca e escravos, especialmente para o pugilato do sexo. Ideia assentada na crença de que os colonos são deuses e os colonizados, seres inferiores, que existem para servir aos herdeiros dos sangues-azuis. Essa é a face obscura da Amazônia, o latejar da escuridão, espasmos da alma amazônida, a loucura e o malogro da civilização colonialista. Assim, o mais belo realismo fantástico da Terra, a maior diversidade biológica do planeta, a mais rica província mineral do mundo, revela-se o coração das trevas, uma zona imprecisa da alma.

Isaías Oliveira, um dos jornalistas mais brilhantes de Manaus e conhecedor da Amazônia profunda, lança, na semana que antecede o primeiro jogo da Copa do Mundo, em 14 de junho, na capital baré, seu primeiro romance, A Dimensão dos Encantados (Editora Biblioteca 24 Horas, São Paulo, 189 páginas em corpo 10). Trata-se de um livro emblemático. Sua leitura é como o despencar de um precipício e estender as asas para flutuar à velocidade da luz. A floresta e o rio ganham vida, os adjetivos se tornam substantivos e o pesadelo é real. “A vida na mata é o eterno caminhar sempre pelos mesmos caminhos”; “As coisas andavam em círculos, vivíamos o resumo de dias iguais e essa repetição acabava por atrofiar, com o tempo, a nossa própria existência.”

Para o autor, “existe uma Amazônia desconhecida do mundo, ainda não descoberta pelo homem moderno. Nela, o sobrenatural e o humano se misturam, na dimensão fantástica da mente”. No substrato da epiderme amazônica entrelaçam-se dimensões, estanques, porém com passagens secretas entre elas, portais por onde só passam seres encantados, além dos que desenvolveram a intuição e a espiritualidade, como Isaías Oliveira, que se reúne, frequentemente, com mestres da Quarta Dimensão, promovendo, inclusive, curas, ou processos evolutivos, no plano físico – limitado por volume, espaço, gravidade, tempo e ignorância.

De modo que na superfície do romance de Isaías Oliveira paira toda a tragédia da Amazônia: a mentalidade colonizada de índios, ribeirinhos, caboclos, mulatos, cafuzos, mamelucos, citadinos, corrompidos nas garras impiedosas do europeu, da Igreja, dos missionários, de Brasília, do PT(MDB), além da Pax Americana. A Dimensão dos Encantados desmitifica a Amazônia turística e a dos grandes projetos no Trópico Úmido, à serviço de Brasília, ou das potências hegemônicas, e não para o desenvolvimento sustentável dos amazônidas. O cruel é que a ferramenta utilizada pelo carrasco para espoliar a floresta é o caboclo, que também serve para matar os da sua etnia como quem mata carapanã.

A Dimensão dos Encantados é um desses livros que surgem de século em século, com o poder esclarecedor de que a vida não existe somente no mundo físico; pelo contrário, o fenômeno é apenas sombra da mente. “Não existe um único centro e o tempo perdeu sua coerência. Leste e Oeste, passado e futuro se misturam dentro de nós. Diferentes tempos e espaços se combinam aqui, agora, tudo de uma vez só” – escreveu Octavio Paz.

Isaías Oliveira: “Sob o manto verde da floresta amazônica, esconde-se a verdade sobre mundos e civilizações diferentes convivendo num mesmo espaço, porém em diferentes tempos e dimensões da matéria e da energia, seres de planos existenciais diversos coexistindo num mesmo recanto da mata ou curso de rio, a maioria sem jamais cruzarem seus caminhos. Outros, entretanto, dotados de energia e percepção especiais são capazes de encontrar e atravessar os portais nas fronteiras desses mundos”. A Dimensão dos Encantados é um desses portais.

Convivi com Isaías Oliveira durante dois anos (1976-1977), em Manaus, no extinto A Notícia. Eu tinha 21 anos; ele é um ano mais velho do que eu. Apesar da idade, já era experiente, maduro, sábio, culto e sofisticado. Sabia tudo sobre a selva profunda; fora, ainda garoto, guia de turistas nas sendas da Hileia. Seu texto também já era um diamante, embora bruto, e seu trabalho de reportagem, sempre bem apurado, investigado e pesquisado.

Em 1997, deixei Manaus, onde mora a família do meu pai, João Raimundo Cunha, e mudei-me para Belém, mas a amizade entre o autor de A Dimensão dos Encantados e eu estava selada para sempre. Em 2000, publiquei Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos. A personagem central da primeira história desse livro, Inferno Verde, chama-se Isaías Oliveira, não por acaso um jornalista.

Isaías Oliveira se tornou o jornalista de Manaus mais bem informado em política, especialista em comunicação tecnológica e marqueteiro que já elegeu vários governadores, prefeitos e parlamentares amazonenses, porém seu maior conhecimento é sobre o Trópico Úmido, não a Hileia mitológica dos turistas, mas a Amazônia como ela é, inclusive com seus portais. Ele está construindo, sozinho, um moderno hovercraft no quintal da casa dele, com o qual pretende, a partir do próximo ano, fazer documentários em nichos da Amazônia onde o homem nunca pôs os pés, habitado por anacondas de 20 metros de comprimento.

Não à toa, A Dimensão dos Encantados são duas histórias paralelas, e que em dado momento se cruzam: a de um menino ribeirinho, que se torna madeireiro, e de um curumim que se perdeu no limbo, entre uma dimensão e outra, e se torna xamã. Os seres encantados vivem precisamente nos “diferentes tempos e espaços (que) se combinam aqui, agora, tudo de uma vez só” – como disse Octavio Paz.

Isaías Oliveira frequenta diferentes dimensões; na quarta, reúne-se com mestres incumbidos de acelerarem a evolução da Humanidade. Assim, A Dimensão dos Encantados pode ser lido como o mais pungente berro alertando para o assassinato da Amazônia, que é não só a desolação da terra ferida, mas uma terçadada de 128 na alma amazônida, espirrando espilantol da carne dilacerada.

Por hora, a única forma que eu conheço de se adquirir A Dimensão dos Encantados é entrar em contato com Isaías Oliveira. Ele não me autorizou, mas aqui vai seu e-mail: isaiasndeoliveira@gmail.com.