quinta-feira, 27 de julho de 2017

O som do azul

Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?
Sim, nua!
Cheirando a púbis!
E mais bela do que isso?
Grávida!
Amamentando!
Mais belo
Só crianças rindo!
Luz se eternizando!

domingo, 23 de julho de 2017

Olhar para a mulher amada

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,
Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.
Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,
E agora é navalha te lambendo.
Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,
Que, de tão azul, sangra.
Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar
Começo a imaginar meu falo na tua boca,
Esguichando morno suco, que bebes avidamente.
Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,
Como erupção de desejos.
Mas isso é só no olhar, porque vou tirar-te a vida com minhas mãos ensandecidas
E devolvê-la com mais fogo ainda.
Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.
Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,
À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.
Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,
Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.
Meu olhar é como uma boca.
Meu olhar estaciona no teu olhar.
Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.
Meus olhos sugam teus seios como bebê faminto.
Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.
Deslizo pelo teu ventre, vagarosamente,
Até o tufo de pelos, que sugo avidamente,

À porta que se abre para meu olhar latejante.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A CAÇA é publicada no Clube de Autores

Ray Cunha (Foto: Rodrigo Cabral)

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2017 - A CAÇA, de Ray Cunha, foi publicada, hoje, no Clube de Autores, maior site de edição e envio de livros da Ibero-América. A novela foi lançada pela Editora Cejup, de Belém do Pará, em 1996. Em 2008, voltou a ser publicada, desta vez na coletânea O CASULO EXPOSTO, pela LGE Editora, hoje, Libri Editorial, de Brasília. No volume da Editora Cejup, o sociólogo, ensaísta e contista Fernando Canto escreveu sobre o livro:

“A obstinação de um professor em busca da filha sequestrada por traficantes de crianças move, com muita velocidade, esta novela de Ray Cunha. A CAÇA flui em linguagem direta, enxuta, que, aliás, é o estilo deste autor inquieto e que manda às favas os adjetivos inúteis, preferindo a ação aos conceitos, com o objetivo de produzir uma narrativa rica e movimentada.

“Como toda boa história, A CAÇA carrega no seu bojo a condição maniqueísta de homens gastos pelas agruras do cotidiano, em que os mais diversos sentimentos tomam conta dos personagens e permite que se observe a condição humana a partir de gestos que exprimem a traição e o ciúme, a luta pelo poder e pelo dinheiro, além da clara tensão para ver resolvidos seus problemas e obsessões.

“Ray Cunha sustenta sua casa trabalhando como jornalista, e talvez por conhecer tão bem a redação de um jornal faz conduzir esta história a partir da construção de um personagem-narrador, também jornalista – Reinaldo –, que ressurge após protagonizar A GRANDE FARRA, primeira novela do autor.

“A CAÇA é uma história bem articulada e de uma ambientação e temática pouco explorada na literatura brasileira, talvez por ser atual e refletir os problemas que afligem as pobres sociedades latino-americanas. É um livro para ser bebido como um bom scotch, a fim de que o leitor possa saboreá-lo.”

sábado, 20 de maio de 2017

Meu amor!


Perfume da minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas
Mas não nos consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada
Nem o abismo, que a tudo cerca, pode nada
Pois tu e eu, como as rosas, somos eternos porque agora

Querida, nem lágrimas, nem o pavor do incompreensível
Nem as ilusões, o horror, os pesadelos
Têm o poder de abalar as rosas, na sua tênue existência
Simplesmente porque elas são indestrutíveis

Música da minha alma, nossa viagem no éter
A caminhada sem começo nem fim
Apenas começou nesta fogueira

A luz que alimenta o infinito
É a lei que a tudo governa
O fogo que vivifica, amor da minha vida

quinta-feira, 30 de março de 2017

Olivar cunha: A primavera do gênio


O genial pintor amapaense Olivar Cunha completa neste 31 de março 65 anos. Lili, como é conhecido no âmbito da família e amigos mais íntimos, é um dos mais importantes expressionistas contemporâneos, em nível mundial. Natural de Macapá, cidade da Amazônia caribenha cortada pela Linha Imaginária do Equador e que se debruça na margem esquerda do rio Amazonas, a 250 quilômetros do Atlântico, foi viver mais perto do mar, na bela praia de Jacaraípe, município de Serra, na grande Vitória do Espírito Santo, terra dos maiores marlins do planeta, e que Ernest Hemingway, grande pescador, morreu sem conhecer.

Peço a Deus, meu Pai, que Lili tenha mais vigor do que seu colega Pablo Picasso, que morreu trabalhando até as 3 horas, aos 91 anos; que a vida do Lili continue iluminada, pois poucas pessoas são tão bacanas quanto o Lili; e que ame e seja amado com intensidade, como vem sendo; e que a paz que o acompanha não seja abalada, nunca; e que a pureza do seu riso se espalhe pelo mundo; e que a Providência lhe dê todo o necessário para fazer feliz todos que o cercam; e que as cores da sua paleta continuem se derramando na tela, transformando-se em luz!

Te amo, Lili!

Do, sempre, Ray Cunha!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Escritor apresenta romance como trabalho de conclusão do curso de Medicina Tradicional Chinesa da Escola Nacional de Acupuntura

Capa na edição do Clube de Autores

Capa na edição da Amazon.com
MARCELO LARROYED 
Escritor e mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília


BRASÍLIA, 15 DE DEZEMBRO DE 2016 – O romance FOGO NO CORAÇÃO, de Ray Cunha, foi publicado hoje no Clube de Autores e na Amazon.com. Após pedido, o livro chega ao endereço do comprador em torno de uma semana. FOGO NO CORAÇÃO é como um iceberg. Na parte submersa, move-se o universo da Medicina Tradicional Chinesa, alicerçando a trama da novela: O delegado de Repressão a Homicídios, Ricardo Larroyed, também acupunturista e professor no Instituto Holístico, investiga o suicídio e o assassinado de três modelos de moda, ocorridos ao longo de 2016, em Brasília. Todas elas eram pacientes em acupuntura, sendo que duas delas foram atendidas no Instituto Holístico. O principal suspeito é o professor do Instituto Holístico, mestre em artes marciais e poeta Emanoel Vorcaro, sócio de Ricardo Larroyed na Clínica de Terapias Holísticas, onde Vorcaro atende a estonteante modelo Rosa Nolasco.

Ray Cunha (Foto: Rodrigo Cabral/2012)
FOGO NO CORAÇÃO é ambientado no dia-a-dia do mundo da Medicina Tradicional Chinesa. Por trás da trama, fluem várias questões vivenciadas por quem estuda, leciona ou trabalha no âmbito da MTC. Por isso, Ray Cunha adverte: “Todas as personagens desta novela são fictícias, assim como a ambientação foi inventada, com exceção do escritor, pesquisador, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa, que também trabalhou na área de inteligência e serviu ao Brasil em Moscou. Bessa aparece no romance com um perfil biográfico ligeiramente modificado; trata-se de uma homenagem a um amigo que tem minha admiração, especialmente pelo seu trabalho de pesquisa no campo espiritualista”.

É a primeira vez que um aluno de MTC apresenta como trabalho de conclusão de curso uma peça de ficção. Tudo começou na primavera de 2013, quando, orientado por Jorge Bessa, o jornalista e escritor Ray Cunha começou o curso de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília. Durante o curso, ele observou que o grande desafio dos acupunturistas no Brasil é o desconhecimento, por parte da população, das técnicas da MTC.

Foi assim que resolveu desafiar a tradição da academia e apresentar um inusitado, surpreendente, trabalho de conclusão de curso, orientado pelo professor-acupunturista Ricardo Antunes, com a missão de divulgar a Medicina Tradicional Chinesa, essa ilustre desconhecida no Brasil, inclusive vista por muitos, ainda, como bruxaria. O autor entendeu que um romance com foco no universo da MTC tem o poder de divulgar essa filosofia e ciência terapêutica na mesma medida do sucesso editorial da novela.

Neste contexto, FOGO NO CORAÇÃO aborda várias questões no âmbito da MTC, desde o estudo de caso de uma paciente de mioma até a técnica de inserção de agulha e questões existenciais e transcendentais, como o misterioso Qi, numa abordagem ampla do que é a Medicina Tradicional Chinesa.

RAY CUNHA é autor dos romances HIENAA CONFRARIA CABANAGEM e A CASA AMARELA (esgotado), e das novelas NA BOCA DO JACARÉ, INFERNO VERDE (que integra o livro O CASULO EXPOSTO) e A GRANDE FARRA (esgotada).

E-mail do autor: raycunha@gmail.com

TRECHO DE FOGO NO CORAÇÃO

“Em conversa com uma colega major, que fazia o Curso de Medicina Tradicional Chinesa no Instituto Holístico, Francisco Nolasco foi orientado a levar sua irmã, Rosa Nolasco, para ser atendida, segundo a major, pelo professor mais brilhante do curso, Emanoel Vorcaro. Rosa Nolasco era tão linda que os homens com o dom do olhar clínico desejavam engoli-la, engravidar-se dela, e sentir o eterno e intenso triunfo da maternidade. Brasiliense da gema, filha de diplomata americano e uma potra de Belo Horizonte, era dessas mulheres que param o trânsito, literalmente, daí porque raramente são vistas caminhando na rua; escondem-se em automóveis indevassáveis, de onde saltam para atravessar apenas uma calçada, sempre de óculos escuros. E seu elemento é a noite. Ruiva, os cabelos caindo como ervas daninhas numa cascata caudalosa até ancas africanas – herança da mistura entre um lusitano e uma princesa moçambicana em uma geração bem anterior à sua –, a pele rosada, olhos verdes como folhas de jambu, lábios grandes, grossos e vermelhos, nariz arrebitado, e um sorriso que era uma queda para cima, foi estuprada a primeira vez aos 14 anos, idade em que a mulher ainda é criança, prestes a se transformar em borboleta. Depois dessa primeira vez, o autor, um tio de 40 anos, estuprou-a mais oito vezes, até ela engravidar e ser conduzida a um matadouro, onde sangrou a ponto de quase morrer, resgatada pelo seu irmão, Francisco Nolasco, major da Polícia Militar do Distrito Federal, atirador de elite. O tio, um tal de José Antônio, foi encontrado com os bagos e o pênis destroçados a tiros e uma bala na hipófise, flutuando no Lago Paranoá, onde, a bordo de um iate, promovia bacanais pantagruélicas. Aos 17 anos, Rosa, uma flor de 1,80 metro e 70 quilos, iniciava a profissão de modelo, em plena tragédia, pois quase todo mundo que gravitava em torno dela queria predá-la, incluindo mulheres invejosas, mas seu maior predador era ela mesma. Passara por muitas camas, abortos e a exploração mais abjeta, porém seu corpo tinha a invulnerabilidade das rosas, que são frágeis, mas eternas. Sua tragédia perpassava pelo histórico das mulheres da família: o mal instalara-se com fúria no seu útero: uma colônia de miomas.

“Quando Rosa Nolasco chegou, o professor Emanoel Vorcaro a aguardava. Ele dividia seu tempo entre a Universidade de Brasília, o Instituto Holístico, a Clínica de Terapias Holísticas e sua casa, na 703 Sul. Estava lendo alguma coisa quando os irmãos entraram no consultório. Vorcaro deixou de lado o que estivera lendo e pousou os olhos mortos nos olhos dela, e assim permaneceu por tempo excessivo, como um especialista em iridologia perscruta a alma do paciente, mergulhando nos subterrâneos labirínticos, nos pântanos, nas pradarias, nos jardins, no sol, nos olhos de Rosa Nolasco, que, de manhã, assumiam uma nuança azul; à medida que o dia avançava, e quanto mais calor fizesse, então as esmeraldas surgiam em meio aos arbustos rubros; e, à noite, eram como jambu, prenhes de espilantol. Emanoel Vorcaro gemeu. Provavelmente o gemido foi mental. A eternidade daqueles segundos o inebriara: sentiu cheiro de mar, ouviu risos de crianças, a voz de Frank Sinatra em alguma alcova perdida na paisagem vista da janela daquele quarto de hotel, em Paris, ao cair da noite, naquele momento e condições que tornam gentil todo o mundo, e viu sua esposa com seu filho imaginário no colo, rindo o riso cristalino das mulheres lindíssimas, e que o perseguia aonde quer que fosse.”

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Lugar Errado/Na Boca do Jacaré


BRASÍLIA, 28 DE SETEMBRO DE 2016 – A convite do jornalista Walmir Botelho, então diretor de redação de O Liberal, de Belém do Pará, trabalhei no jornal dos Maiorana durante os anos de 1996 e 1997, ao fim dos quais retornei a Brasília. Naquela ocasião, travei amizade com o editor da Cejup, Gengis Freire, que publicou a novela A Caça. Mas Gengis queria um romance, e eu tinha acabado de escrever O Lugar Errado, thriller psicológico que se passa em Belém e no Marajó. Entreguei, assim, ao editor, o escritão do romance. Gengis mandou digitá-lo, fazer a revisão gramatical do livro e publicou-o.

De volta a Brasília, submeti O Lugar Errado ao jornalista e escritor Maurício Mello Júnior, que apresenta o programa Leituras, da TV Senado, e escreve resenhas para o jornal O Rascunho, de Curitiba. Ele me disse que algumas personagens do livro se confundiam, pois falavam do mesmo jeito, e que sofria de adiposidade. A mesma coisa me disse o escritor, mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília e revisor Marcelo Larroyed.

Com efeito, entregara os originais a Gengis Freire sem sequer fazer os ajustes necessários. Só então resolvi promover os cortes, e percebi, então, que havia duas novelas se entrecruzando. Cortei até o osso, seccionando toda a parte do encoxador, e vi que a história de Agostinho Castro, atormentado porque seu pai estuprou a tia pintora de Agostinho, e que morreu dias depois sem dar um pio, constituía-se, por si só, em uma novela, enxuta, condutora do verdadeiro argumento de O Lugar Errado.

Dei à novela o título de Na Boca do Jacaré e a publiquei juntamente com outros contos, todos ambientados em Belém e no Marajó, fechando, com esse livro, a trilogia que começou com A Grande Farra, seguido de Trópico Úmido. Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É, como intitulei o volume, foi autografado também em Macapá, quando doei para a Biblioteca Pública Elcy Lacerda alguns exemplares do livro.

O blog Amapá, minha amada terra!!! Publicou uma resenha escandalizada sobre O Lugar Errado e Na Boca do Jacaré, chamando a atenção para a parte do encoxador. Com efeito, a depravação, nessa parte, a que foi extirpada, é digna do Marquês de Sade. Pois bem, nos meus cortes, restaram apenas a ossatura, músculos e nervos, resultando em Na Boca do Jacaré.

Os livreiros de Macapá que se interessarem em vender Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É devem fazer pedidos ao editor pelo e-mail:


Ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008

Ou ainda pelo link:


Endereço da Ler Editora/Libri Editorial: SIG (Setor de Indústrias Gráficas), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59 – Brasília/DF – CEP 70610-430

Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É pode ser adquirido diretamente no site da Libri Editorial, pelo link:


Quem mora em Brasília pode adquiri-lo na Estante dos Jornalistas-Escritores, instalada no hall de entrada do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 2, Lotes 420/440, Edifício City Offices, Cobertura.

Ainda, o livro, autografado, pode ser pedido pelo e-mail:


Ele será enviado pelo valor de R$ 40, incluído o envio pelos Correios.