terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Macapá, meu amor! Sempre me perco em ti, e sempre de propósito. Enterrei meu coração na Casa Amarela, na rua Iracema Carvão Nunes



As cidades são como as mulheres. De manhã, douram-se ao sol, como as rosas, e, à tarde, se transformam em um rio azul. À noite, se perdem na luz. Da mesma forma que as mulheres, nas cidades latejam segredos, só desvendados pelos que sabem mergulhar no abismo da primavera. Quanto mais as amamos, mais belas ficam, e mais misteriosas. E, como as mulheres, nunca são nossas. Não podemos ser donos de uma cidade, da mesma forma que é impossível nos apossarmos de uma mulher, porque as mulheres serão sempre livres e misteriosas. A cada partida, fica implícito o encontro marcado, e as chegadas são regadas de risos, de luz, e perdão.

Amo várias cidades, e elas se entregam a mim sem reservas. Belém tem feitiço de rosas colombianas sangrando no azul do mar, deixando um rastro de Chanel 5, gim e perfume de mulher absorta ao toucador. Manaus evoca o cheiro de mulher, tão intenso que causa vertigem, a ponto de sentirmos os movimentos da Terra no espaço, como música de Mozart. O Rio de Janeiro tem o poder de me fazer voar, cavalgando besouros furta-cores num mar transparente sem fim. Há, ainda, outras cidades, a quem eu seduzo como o garanhão faz a corte, com paciência, concentração total e, sobretudo, fé. Percorro as cidades com amor. Assim é com Macapá.

Os tucujus a habitavam quando Carlos V de Espanha a chamou, em 1544, de Adelantado de Nueva Andaluzia e a deu ao navegador Francisco de Orellana. Em 1738, foi instalado, no cruzamento da Linha Imaginária do Equador com o rio Amazonas, um destacamento militar, na antiga Praça São Sebastião, atual Veiga Cabral. Em 4 de fevereiro de 1758, o capitão-general do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundou a Vila de São José de Macapá, que se debruça sobre o maior rio do mundo, não muito distante do Atlântico. Na maré alta, o gigante avança sobre a cidade, entre o açoite do vento e o muro de arrimo, onde estaca, recua e arremete com mais ímpeto. Em meio à agitação, o Trapiche Eliezer Levy emerge, indiferente.

A melhor maneira de descobrir Macapá é atravessando de barco o estuário do rio Amazonas. Quem sai do arquipélago do Marajó e mergulha no maior rio do mundo, em direção à Linha Imaginária do Equador, avista, de repente, a cidade, que surge como cunhantã se banhando no rio, o vestido molhado, colado ao corpo, os cabelos espargindo água, e, nos olhos, o mistério. É assim que gosto de pensar a cidade, e sentir seu cheiro de jasmim nas noites mornas.

Sou teu, Macapá, porque tu me pariste às 5 horas do dia 7 de agosto de 1954, no Hospital Geral, e de lá fui para a Casa Amarela, ao lado do Colégio Amapaense, na Avenida Iracema Carvão Nunes com a Rua Eliezer Levy, ao lado da Mata do Rocha, e lá passei 11 anos da minha infância. Restou a Seringueira, que meu pai plantou, e que foi salva de ser decepada – porque se recusou a sair do caminho do muro do Colégio Amapaense – pelo agrônomo Luiz Façanha, que se abraçou ao seu tronco num gesto de amor. Meu pai, João Raimundo Cunha, semeou a Seringueira, em 1952, ano do nascimento do meu irmão, o pintor genial Olivar Cunha. Macapá, para mim, é isso, e é tanta coisa.

Macapá é como a mulher que desejamos por muito tempo e que inesperadamente está diante de nós, nua; mas só acredito que estou nela quando a cidade me engole. Entro no santuário despido de todas as feridas, e mergulho num mundo prenhe de jasmineiros que choram nas noites tórridas, merengue, mulheres que recendem a maresia, o embalar de uma rede no rio da tarde, tacacá, Cerpinha, e lhe oferto rosas, pedras preciosas, luz, toda a minha riqueza. É nesse mergulho que sempre me perco em ti, e sempre de propósito, numa vertigem da qual só me recupero em Brasília, dias depois.

As viagens que fazemos no coração são vertiginosas demais. A casa da minha infância, cada palavra que garimpei em madrugadas eternas, cada gota de álcool com que encharquei meus nervos, cada mulher que amei nos meus trêmulos primeiros versos, cada busca do éter nas noites alagadas de aguardente, o jardim da casa da Leila, no Igarapé das Mulheres, o Elesbão, a casa da Myrta Graciete, a casa do poeta Isnard Brandão Lima Filho, na Rua Mário Cruz, o Macapá Hotel, o Trapiche Eliezer Levy, pulsam para sempre no meu coração, que enterrei na Rua Iracema Carvão Nunes.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Por que o Conselho Nacional de Educação retirou Acupuntura do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos? Medida causa prejuízos


RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 4 DE FEVEREIRO DE 2019 – Em 2008, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) criou o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), incluindo Acupuntura. Mas, em 5 de dezembro de 2014, o então presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Alves, publicou Resolução atualizando e definindo novos critérios para a composição do catálogo, e disciplinando e orientando os sistemas de ensino e as instituições públicas e privadas de educação profissional e tecnológica quanto à oferta de cursos técnicos de nível médio.

A exclusão de Acupuntura do catálogo causou prejuízos financeiros e profissionais em todo o Brasil. Ao desqualificar os cursos técnicos de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ou Acupuntura, as secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal começaram a empurrar com a barriga a publicação dos nomes dos alunos matriculados em cursos técnicos de MTC antes de 5 de dezembro de 2014, à medida que iam se formando.

A Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), de Brasília/DF, por exemplo, quase fecha as portas, pois dezenas de alunos cancelaram o curso após a resolução do CNE. Fundada em 2000, A ENAc sempre foi reconhecida pelo MEC e credenciada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE/DF).

Porém, desde o segundo semestre de 2016, a SEE se recusa a publicar no Diário Oficial do DF mais uma lista de alunos matriculados antes da resolução do CNE e que já concluíram o Curso de Medicina Tradicional Chinesa. Além do histórico escolar, a ENAc emite também uma declaração de conclusão do curso, mas depende da SEE para a entrega do diploma. Cansados de esperar pela boa vontade do órgão público, alguns alunos já entraram com ação na Justiça.

Esses alunos concluíram um dos melhores cursos técnicos de Medicina Tradicional Chinesa do país, com 2.080 horas/aula e 440 horas de estágio ambulatorial, num total de 2.520 horas/aula, em conformidade com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de apresentação de trabalhado de conclusão de curso. As aulas eram diárias e presenciais, com 4 horas/aula de segunda a sexta-feira.

ATO MÉDICO – Por conta do silêncio do MEC, que jamais deu explicações sobre a retirava da Acupuntura da lista de cursos técnicos, desconfia-se que o Ato Médico tenha alguma coisa a ver com isso. O Ato Médico é como ficou conhecido o Projeto de Lei do Senado 268/2002/Projeto de Lei 7703/2006, que regulamenta o trabalho do médico.

A então presidente Dilma Rousseff sancionou o Ato Médico com vetos. Mesmo assim profissionais da área da saúde ainda desconfiam que os médicos querem controlar tudo, até a Acupuntura, que nada tem a ver com medicina ocidental, ou alopática. Nos meios dos acupunturistas, corre a tese de que os médicos estão fazendo cursinhos de acupuntura de fim de semana para reservaram o mercado da Acupuntura, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) como nos planos de saúde.

Diga-se, a Medicina Tradicional Chinesa é milenar e se baseia no taoísmo; para alguém praticá-la é necessário que saiba pelo menos o que é Yin e Yang. Outra coisa: a MTC trabalha diretamente em meridianos energéticos, que se encontram no corpo etéreo, um corpo sutil que a ciência não reconhece.

Entrei em contato com o secretário da Presidência do Conselho Nacional de Educação, sr. Lindomar Junio, no dia 28 de janeiro, solicitando-lhe que me encaminhasse no sentido de obter esclarecimentos sobre os critérios utilizados na resolução do CNE, relatando-lhe toda a situação exposta nesta matéria. Ele prometeu encaminhar o assunto; continuo aguardando.

Também entrei em contato com a Assessoria de Comunicação Social da SEE/DF sobre o silêncio do órgão. Resposta: “A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE/DF) informa que foram verificadas irregularidades no percurso escolar da maioria dos estudantes da Escola Nacional de Acupuntura (ENAC), o que comprometeu a validação de estudos de todos os alunos considerados concluintes pela instituição. A Gerência responsável pela publicação já orientou a instituição quanto aos procedimentos necessários para a publicação dos nomes daqueles alunos que tiveram seus estudos validados. A ENAc não mais possui credenciamento com esta Secretaria de Educação e seu atual funcionamento não permite a oferta de cursos técnicos, somente cursos livres que dispensam autorização deste órgão”.

Fato: Os alunos que começaram a fazer o curso da ENAc antes de dezembro de 2014 têm direito adquirido ao diploma técnico. A desqualificação da prática da Acupuntura ocorre num momento em que a profissão está prestes a ser regulamentada no Congresso Nacional, ou por meio do Projeto de Lei 1.549, de 2003, do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que se encontra na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, ou por meio do Projeto de Lei 174, de 2017, do Senado, que se encontra na Comissão de Assuntos Sociais da casa.

O projeto do deputado Celso Russomanno apresenta um problema. O relator, deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), é contra. Médico, ele acha que somente médicos devem praticar a Acupuntura, apesar de que audiência pública na CCJC mostrou que a filosofia, as técnicas e a prática da medicina alopática, ou medicina ocidental, não tem nada a ver com Medicina Tradicional Chinesa, ou acupuntura, como é conhecida no Brasil.

As entidades que reúnem terapeutas em MTC e práticas integrativas em saúde vêm se mobilizando para impedirem a barbaridade de travarem o projeto de Russomanno. O Brasil rema contra a maré, pois em todo o mundo, especialmente nos países mais ricos do planeta, quem pratica acupuntura são acupunturistas – médicos também, quando submetem-se a cursos de MTC, principalmente curso técnicos, ou faculdades de Medicina Chinesa.

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito, e a ciência não acredita na existência do espírito.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Música Suave



BRASÍLIA, 11 DEZEMBRO DE 2018 - Em agosto de 1994, lancei, em Brasília, o jornal mensal Intelligentsia, tiragem de 3 mil exemplares, que durou até fevereiro do ano seguinte – 7 edições, portanto. Era um tabloide de 16 páginas, parcialmente em cores, diagramado e ilustrado pelo pintor, artista gráfico e chargista André Cerino, e com fotografia do repórter fotográfico e ensaísta Ivaldo Cavalcante. O jornal era inteiramente redigido por mim. O primeiro número causou polêmica nos meios em que circulou, devido a uma coletânea de poemas eróticos, que intitulei DE TÃO AZUL SANGRA, ilustrados por André Cerino, que carregou no grafite. O trabalho foi um escândalo.

Em junho de 2018, sonhei com Roberto Carlos. Ele estava todo de branco e na minha casa; no sonho, era uma casa enorme e arejada. Eu chegava e o encontrava lá, e alguém me dizia que Roberto queria falar comigo. No instante seguinte, como só nos sonhos acontece, ele e eu estávamos na biblioteca da casa, ampla, bem iluminada e aconchegante. Lembro que Roberto segurava uma folha de papel e me pediu autorização para trocar uma palavra de um poema meu, para ajustá-lo à melodia na qual ele estava trabalhando. “Sim, é claro, Roberto” – disse-lhe, e acordei.

Acordei com o livro DE TÃO AZUL SANGRA na cabeça e passei aquele dia, e os dias seguintes trabalhando nisso. Reuni os poemas publicados no Intelligentsia, mais os poemas eróticos produzidos até julho de 2018, e publiquei, em dezembro, DE TÃO AZUL na amazon.com.br e no Clube de Autores.

No início dos anos 70, Roberto Carlos já era uma celebridade internacional, encantando o mundo com a melodia da sua voz, a MÚSICA SUAVE que ecoa na alma dos amantes. Em 1976, eu morava em Manaus, e trabalhava no jornal A NOTÍCIA, de Andrade Netto, pai da Natacha Fink de Andrade, uma das grandes chefs brasileiras, profunda conhecedora dos sabores da Amazônia, e proprietária do Espírito Santa, um dos restaurantes mais badalados do Rio de Janeiro, na Rua Almirante Alexandrino 264, bairro de Santa Teresa. Naquele ano, Roberto foi fazer um show em Manaus, e a produção do jornal conseguiu entrevista exclusiva com ele, no antigo Hotel Amazonas, centro da cidade, onde Roberto estava hospedado.

Na época, eu assinava a coluna mensal NO MUNDO DA ARTE, e era sempre eu que cobria matérias de cultura. O chefe de reportagem instruiu-me a perguntar ao Rei se ele usava, antes dos shows, meia de mulher como touca, para que sua cabeleira ficasse bem bacana. Esse assunto fora objeto de revista de fofoca. A pergunta era bizarra, mas satisfaria o suposto perfil dos leitores do jornal, que tendia ao sensacionalismo. Tudo bem! O problema era outro: o único gravador do jornal estava falhando, e isso foi meu terror, porque se chegasse à redação sem a entrevista só me restaria fazer o que fiz tempos depois: demiti-me e fui para A CRÍTICA, levado pelo senador Fábio Lucena, de quem fiquei amigo no Clube da Madrugada, sediado nos bares Caldeira e Nathalia, e que reunia jornalistas, artistas e apreciadores da enevoada Antarctica manauara.

Saí para fazer a entrevista, marcada para o fim daquela manhã. No hotel, fomos conduzidos, o fotógrafo e eu, ao corredor do apartamento do Rei, onde dois seguranças pediram para aguardamos ali. Roberto não nos recebeu no apartamento; acho que o apartamento era simples demais para as fotos. ele me recebeu no corredor, e me deu a entrevista ali mesmo.

O Rei é um sujeito carismático. Ele me deixou à vontade e eu me senti como se fosse velho amigo dele. Perguntei-lhe sobre o negócio da meia e ele me respondeu numa boa. Nem me lembro mais o que ele disse. Eu estava de olho no gravador, preocupadíssimo com o funcionamento dele, vigiando para ver se o rolo de fita estava girando. Fazia perguntas ao Rei e voltava-me para o gravador, um velho gravador de tamanho médio. Eu costumava fazer entrevistas anotando rapidamente a resposta, mas a orientação que recebera era a de que eu teria que transcrever ipsis litteris as palavras de Roberto.

Mais tarde, na redação, ao degravar a entrevista, vi o quanto foi burocrática, a pior que fiz como jornalista, e logo com quem, o Rei Roberto Carlos. Mas tudo bem! O jornal publicou a matéria, ninguém reclamou, e ainda restou uma fotografia com o Rei, por insistência do fotógrafo, de quem não lembro mais quem era.

Fui cobrir também o show do Roberto, e, naquele clima dos grandes shows, senti, na alma, o perfume que exalam muitas das canções do grande artista, algumas delas compostas com Erasmo Carlos. Certas gravações de Roberto nos remetem, num salto quântico, à eternidade da juventude, quando transitar pelos labirintos de uma mulher é como montar a luz, tão azul que sangra.

Segue-se o que o contista, ensaísta e compositor Fernando Canto escreveu como prefácio da coletânea de 1994.

VERSOS PROFANOS

Por FERNANDO CANTO

Nem fesceninos ao estilo bocageano, nem pornográfico à moda Boris Vian. Contudo, profanos são os novos versos do poeta Ray Cunha. Não no sentido antirreligioso – assim a poesia teria prosélitos fanáticos -, mas no sentido da irreverência, da violação, da transgressão do texto, em cuja tessitura surge o inopinado, que fragmenta, com certeza, a reação dos ouvidos suscetíveis.

Estes poemas, De tão azul sangra, evocam, invocam, enfocam a mulher, aliás, o sexo feminino; a afirmação do adolescente, o orgulho do adulto, ou, talvez, o fruto da observância do mundo mundano – experiência edipiana a penetrar em barreiras antes inacessíveis. Poemas que denotam a sensualidade e detonam-se em palavras lúbricas. Sutis, ás vezes, como em Bethania. Impolidas, como em Olhar para a mulher amadas – um rasgo narcisista, um produto da consciência machista e desembocadura para o gozo psicológico do autor.

A apologia de Ray Cunha à mulher é feita, então, sem disfarces. Despojada da roupa ela se torna provedora de sentidos, manancial e matéria-prima ao fabricante de versos. Está ali nua, nuinha na sua forma ímpar de ser apenas mulher, vênus perscrutada pela oportuna fresta que faz a felicidade de um voyeur; deusa mítica em seu mistério, desvendada pelo arguto e fulminante olhar e pelo sensível olfato do poeta.

Bem poderia chamar-se Essa Copacabana triste mulher o conjunto desta obra. O melhor poema da coletânea traz o melhor do autor, embora o contraste do “triste” trace o “ideal” do jovem solitário, qualquer jovem solitário nas praias deste Brasil afora. Essa irreverência trata da socialização do sexo no entendimento paradoxal de que todos possam ser burgueses em bacanais tropicais regadas a coquetéis afrodisíacos, num tempo hedonista que ficou há muito nos salões dos palacetes romanos. É forma compacta de abarcar o mundo. É válido. É poesia. Nela está o sol, o azul do mar no verão. Pois aí o azul que sangra não é o azul do céu. É o azul açoitado pela relação geográfica e íntima entre o sol e o mar. É o azul afetado pela natureza do gasoso (as nuvens) no espelho sangrado do mar. Mar que sangra, que se esvai, que beija a praia de Copacabana e salga o corpo nu da mulher desejada, da mulher que brilha com a clivagem dos grãos de areia e à noite vai para a cama gemer seu gozo e se sangrar de mar de Copacabana. Enorme, a cama de Copacabana.

Nostálgico e terrível é romper o laço em Um cheiro de madrugada. Neste poema Ray Cunha instiga um sentido amargo sobre o que se convenciona chamar de amor. É um trabalho sincero, diria, onde o conteúdo está exposto para o leitor atento; onde nada mais se precisa dizer, pois que a lembrança adquire a possibilidade de entrega a outros caminhos, nos quais existem outros remédios para os males da paixão. É simples, realista.

Ray Cunha ironiza a relação poética entre a morte e a poesia. Morrer na mesa de um bar é produto do inconsciente etilizado. Ser salvo, porém, é dormir com a princesa e metáfora-tônica de um anti-valor, concessão do sono ao acordar de sopetão de um pesadelo borgeano: sensação esquisita, estapafúrdia. Morte e poesia andando juntas, porque o trágico pode ser frenético, fétido e cômico – dura realidade! – exatamente na hora irônica do enforcamento.

Poemas como Sessenta e nove I e II trazem sobretudo o rústico, o rude, o seco mal lixado. São versos extraídos de uma realidade obstinadamente crua, ausentes de recursos semânticos mais elaborados, e duros como a pretensa e voraz virilidade do poeta. Nem por isso ele peca.

Se transgredir é a virtude do recurso, doces são as circunscrições c olocadas em Ah! Se tu fosses minha e nos dois poemas sem títulos que se entrepõem a ele. Chegam á trazer à tona a ingenuidade do poeta, que verdadeiramente ama sua musa de Parnaso, líricos como uma aquarela a Belle-Époque.

Não se pode deixar de enfocar o trato poético-erótico-libidinosos dos classificados de Acompanhantes. O autor ousa de várias maneiras. E coopta o leitor a acompanha-lo em aventuras sexomaníacas de pleno envolvimento. Comunicação, mídia impressa, espurcícia? Não. Mistura de elementos cuidadosamente colocados sob a arquitetura da realidade atual, ossatura forte dos arrabaldes das megalópoles. Assim é a estrutura desse poema. Real. Firme e transparente. Enfoque de uma sociedade periférica desprezada pela tradicional e hipócrita sociedade burguesa. É retrato da nova cultura urbana, nascida, infelizmente, ainda da miséria, da perda de status, de poder aquisitivo e que se torna antepasto para qualquer Sade pós-moderno, certamente. Instigante, claro e azul, o poema  indica água fervendo, páprica picante, poesia nova, e acima de tudo coragem de inovar pela forma e revolucionar pelo conteúdo da ideia.

Esta é a marca poética de Ray Cunha, que, sob o céu nas nuvens, descobre que o azul sangra como a vagina menstruada de uma nereida de qualquer gangue dos subúrbios brasileiros.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Secretaria de Educação do DF se recusa a emitir diploma da Escola Nacional de Acupuntura


RAY CUNHA


BRASÍLIA, 8 DE AGOSTO DE 2018 – A Secretaria e o Conselho de Educação do Distrito Federal estão se recusando a autorizar diploma de curso técnico de Medicina Tradicional Chinesa da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), de Brasília, apesar de a instituição ter cumprido todos os requisitos perante o órgão colegiado. Alunos que se formaram em 2016 e ainda não receberam o diploma deverão entrar na Justiça para receber a certificação.

A Secretaria de Educação vem fazendo corpo mole desde a desastrada Resolução número 1, de 5 de dezembro de 2014, assinada pelo então presidente  da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Luiz Roberto Alves, que retira o curso acupuntura da lista de cursos técnicos reconhecidos pelo Ministério da Educação.

Só que os alunos que começaram a fazer o curso da ENAc antes de dezembro de 2014 têm direito adquirido ao diploma técnico, até porque o Curso de Formação Profissional em Acupuntura da instituição tem duração de dois anos, com 2.080 horas/aula, diárias e presenciais, e 440 horas de estágio ambulatorial, num total de 2.520 horas/aula, em conformidade com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os alunos do curso técnico são obrigados a apresentar trabalho de conclusão de curso, encadernados e postos à disposição para pesquisa.

O pouco caso da Secretaria de Educação ocorre num momento em que a prática da acupuntura está prestes a ser regulamentada no Congresso Nacional, ou por meio do Projeto de Lei 1.549, de 2003, do deputado Celso Russomanno, que regulamenta a profissão de acupunturista e que já se encontra na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, ou por meio do Projeto de Lei 174, de 2017, do Senado, que regulamenta a profissão de terapeuta naturista e se encontra na Comissão de Assuntos Sociais da casa.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Terapeuta em Medicina Chinesa atende aos associados do Sindicato dos Jornalistas do DF

Ray Cunha trabalhando em evento da Seicho-No-Ie

Edição da Amazon.com
Convênio assinado entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e o terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa RAY CUNHA garante o atendimento aos jornalistas, funcionário do SJPDF e dependentes em preços módicos, em acupuntura, auriculoterapia, ventosaterapia, massagens terapêutica e estética, alimentação energética e fitoterapia.

A Medicina Chinesa pode tratar as mais diversas síndromes e desconfortos enfrentados no dia a dia, como: ansiedade, insônia, sobrepeso, fadiga, irritação, raiva, medo, insegurança, fibromialgia, cefaleia, alopecia, menstruação irregular, constipação etc.

As técnicas de intervenção da Medicina Chinesa são: 

Edição o Clube de Autores
Acupuntura – A busca do equilíbrio energético do corpo por meio da inserção de agulhas em acupontos nos meridianos. 

Tuiná – Massagem terapêutica chinesa, promovendo relaxamento e alívio de tensão.

Fitoterapia – Prescrição de fitoterápicos.

Auriculoterapia – Tratamento com colocação de sementes na orelha.

Alimentação Terapêutica Chinesa – Alimentação baseada na vibração energética dos alimentos.

Ventosa – Alivia tensão e dores agudas.

Atendo também com Massagem Modeladora, para reduzir massas adiposas.

ATENDIMENTO

E-mail: raycunha@gmail.com
Telefone: (61) 99621-6425
Blog: raycunha.blogspot.com

Local: Ambulatório na 707/907 Sul, Edifício San Marino (próximo à Aliança Francesa), Sala 321, ou no domicílio do paciente.

VALORES

A sessão promocional no ambulatório para a categoria é de R$ 80,00 (para não jornalistas fica em R$ 120,00); sendo que o pacote de 10 sessões, pago à vista, fica em R$ 600,00 (para não jornalistas fica em R$ 800,00).

Em domicílio, o valor da sessão é de R$ 100,00 (para não jornalistas fica em R$ 150,00); o pacote de 10 sessões pago à vista fica em R$ 800 (para não jornalistas fica em R$ 1.000,00).

INTERVENÇÃO ESTÉTICA 

Massagem Modeladora: Reduz massa de gordura na barriga, quadris, coxas e braços, modelando o corpo.

Só pode ser feita no ambulatório e em 12 sessões. O pacote, pago à vista, fica em R$ 800,00 (para não jornalistas fica em R$ 1.000,00).

EMAGRECIMENTO

Pacote com foco no emagrecimento saudável (um quilo por semana): Acupuntura, alimentação energética e fitoterapia: R$ 600,00 no ambulatório e R$ 800,00 no domicílio.
Observação: Não atendo em Plano de Saúde.

Perfil Profissional/RAY CUNHA/2018

Formado em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) – 2.080 horas de aulas presenciais e 440 horas de estágio no ambulatório da ENAc, num total de 2.520 horas/aula – Brasília. 

Jornalista especializado em Medicina Tradicional Chinesa, graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará (UFPa) – Registro Profissional 759/PA

Formado em Auriculoterapia pela Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) – de 07/02/2014 a 11/04/2014 – Brasília.

Formado em Tuiná (massagem terapêutica chinesa) pela Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) – de 14/10/2014 a 16/12/2014 – Brasília.

Formado em Massagem Modeladora pelo Senac de Ceilândia/DF, em curso de 40 horas-aula, de 11 a 22 de setembro de 2017.

Participou do I Workshop Internacional de Osteopatia, Terapias Manuais e TAD (Terapia Anti-Dor), promovido pelo Instituto de Biociências e Instituto Sacrum, e ministrado pelo posturopata Ángel Gil Estévez, do Instituto Sacrum (Espanha) – 24/01/2015, com duração de 10 horas – Brasília.

Prestou atendimento em Acupuntura, Auriculoterapia e Massagem Terapêutica como aluno da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) por ocasião de congraçamento no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), nos dias 25 de abril e 1 de agosto de 2015, num total de 8 horas.

Participou como aluno da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) de ação promovida pela Cipa – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, do Colégio Marista de Brasília (L2 Sul), prestando atendimento em Acupuntura, Auriculoterapia e Massagem Terapêutica, em 1 de outubro de 2015, num total de 4 horas.

Participou como aluno da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) da Semana da Enfermagem do Hospital Sírio-Libanês Brasília, de 9 a 11 de maio de 2016, prestando atendimento num total de 12 horas em Tuiná (massagem terapêutica chinesa) e Auriculoterapia aos funcionários das três unidades do Hospital Sírio-Libanês em Brasília.

Participou como aluno da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc) do Teias – Tecnologia, Empreendedorismo, Inovação, Arte e Sustentabilidade, promovido pelos alunos do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), no dia 3 de junho de 2016, num total de 4 horas.

Participou do I Workshop de Cuidados Paliativos, promovido pelo Centro de Oncologia Hospital Sírio-Libanês – Unidade de Brasília, no dia 18/06/2016, com duração de 8 horas.

Escritor, autor do romance FOGO NO CORAÇÃO, ambientado no universo da Medicina Tradicional Chinesa em Brasília.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

RAY CUNHA lança livro de poemas eróticos pelo Clube de Autores e pela Amazon.com

Edição da Amazon.com
O SOM DO AZUL
  
Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?
Sim, nua!
Cheirando a púbis!
E mais bela do que isso?
Grávida!
Amamentando!
Mais belo
Só crianças rindo!
Luz se eternizando!

O Clube de Autores e a Amazon.com publicam livro de poemas eróticos, DE TÃO AZUL SANGRA, de Ray Cunha. Sobre o novo livro do escritor amapaense, radicado em Brasília, escreve Fernando Canto:

VERSOS PROFANOS

Nem fesceninos ao estilo bocageano, nem pornográfico à moda Boris Vian. Contudo, profanos são os novos versos do poeta Ray Cunha. Não no sentido antirreligioso – assim a poesia teria prosélitos fanáticos –, mas no sentido da irreverência, da violação, da transgressão do texto, em cuja tessitura surge o inopinado, que fragmenta, com certeza, a reação dos ouvidos suscetíveis.

Edição Clube de Autores
Estes poemas, DE TÃO AZUL SANGRA, evocam, invocam, enfocam a mulher, aliás, o sexo feminino; a afirmação do adolescente, o orgulho do adulto, ou, talvez, o fruto da observância do mundo mundano – experiência edipiana a penetrar em barreiras antes inacessíveis. Poemas que denotam a sensualidade e detonam-se em palavras lúbricas. Sutis, às vezes, como em Tocata e Fuga. Impolidas, como em Olhar para a mulher amada – um rasgo narcisista, um produto da consciência machista e desembocadura para o gozo psicológico do autor.

A apologia de Ray Cunha à mulher é feita, então, sem disfarces. Despojada da roupa, ela se torna provedora de sentidos, manancial e matéria-prima ao fabricante de versos. Está ali nua, nuinha na sua forma ímpar de ser apenas mulher, Vênus perscrutada pela oportuna fresta que faz a felicidade de um voyeur; deusa mítica em seu mistério, desvendada pelo arguto e fulminante olhar e pelo sensível olfato do poeta.

RAY CUNHA: Pausa na ficção
Bem poderia chamar-se Essa Copacabana triste mulher o conjunto desta obra. O melhor poema da coletânea traz o melhor do autor, embora o contraste do “triste” trace o “ideal” do jovem solitário, qualquer jovem solitário nas praias deste Brasil afora. Essa irreverência trata da socialização do sexo no entendimento paradoxal de que todos possam ser burgueses em bacanais tropicais regadas a coquetéis afrodisíacos, num tempo hedonista que ficou há muito nos salões dos palacetes romanos. É forma compacta de abarcar o mundo. É válido. É poesia. Nela está o sol, o azul do mar no verão. Pois aí o azul que sangra não é o azul do céu. É o azul açoitado pela relação geográfica e íntima entre o sol e o mar. É o azul afetado pela natureza do gasoso (as nuvens) no espelho sangrado do mar. Mar que sangra, que se esvai, que beija a praia de Copacabana e salga o corpo nu da mulher desejada, da mulher que brilha com a clivagem dos grãos de areia e à noite vai para a cama gemer seu gozo e se sangrar de mar de Copacabana. Enorme, a cama de Copacabana.

Nostálgico e terrível é romper o laço em Um cheiro de madrugada. Neste poema, Ray Cunha instiga um sentido amargo sobre o que se convenciona chamar de amor. É um trabalho sincero, diria, onde o conteúdo está exposto para o leitor atento; onde nada mais se precisa dizer, pois que a lembrança adquire a possibilidade de entrega a outros caminhos, nos quais existem outros remédios para os males da paixão. É simples, realista.

Ray Cunha ironiza a relação poética entre a morte e a poesia. Morrer na mesa de um bar é produto do inconsciente etilizado. Ser salvo, porém, é dormir com a princesa e metáfora-tônica de um antivalor, concessão do sono ao acordar de supetão de um pesadelo borgeano: sensação esquisita, estapafúrdia. Morte e poesia andando juntas, porque o trágico pode ser frenético, fétido e cômico – dura realidade! – exatamente na hora irônica do enforcamento.

Poemas como Sessenta e nove I e II trazem, sobretudo, o rústico, o rude, o seco mal lixado. São versos extraídos de uma realidade obstinadamente crua, ausentes de recursos semânticos mais elaborados, e duros como a pretensa e voraz virilidade do poeta. Nem por isso ele peca.

Se transgredir é a virtude do recurso, doces são as circunscrições colocadas em Ah! Se tu fosses minha. Chegam a trazer à tona a ingenuidade do poeta, que verdadeiramente ama sua musa de Parnaso, lírica como uma aquarela a Belle-Époque.

Não se pode deixar de enfocar o trato poético-erótico-libidinoso dos classificados de Acompanhantes. O autor ousa de várias maneiras. E coopta o leitor a acompanhá-lo em aventuras sexomaníacas de pleno envolvimento. Comunicação, mídia impressa, espurcícia? Não. Mistura de elementos cuidadosamente colocados sob a arquitetura da realidade atual, ossatura forte dos arrabaldes das megalópoles. Assim é a estrutura desse poema. Real. Firme e transparente. Enfoque de uma sociedade periférica desprezada pela tradicional e hipócrita sociedade burguesa. É retrato da nova cultura urbana, nascida, infelizmente, ainda da miséria, da perda de status, de poder aquisitivo, e que se torna antepasto para qualquer Sade pós-moderno, certamente. Instigante, claro e azul, o poema indica água fervendo, páprica picante, poesia nova, e, acima de tudo, coragem de inovar pela forma e revolucionar pelo conteúdo da ideia.

Esta é a marca poética de Ray Cunha, que, sob o céu nas nuvens, descobre que o azul sangra como a vagina menstruada de uma nereida de qualquer gangue dos subúrbios brasileiros.

RAY CUNHA é autor dos romances:

A CASA AMARELA
A CONFRARIA CABANAGEM
HIENA
FOGO NO CORAÇÃO

E dos livros de contos:

NA BOCA DO JACARÉ
A CAÇA
O CASULO EXPOSTO

terça-feira, 19 de junho de 2018

Siga sua intuição. Não sufoque seu talento


RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

Desde criança, H descobriu que amava música, tinha voz belíssima e aprendeu a tocar violão sozinho. Filho de um advogado riquíssimo e de uma dona de casa, viveu feliz até os 18 anos, quando seu pai lhe disse que era hora de quebrar o violão e seguir a carreira que na família passava de pai para filho: a advocacia. H argumentou que queria se tornar músico profissional, que só precisava de mais um tempo até firmar-se como artista e poder pagar suas próprias contas. Ele mesmo, seu pai, não comprara um quadro de Di Cavalcanti por um milhão de reais? Então, Di fora um vagabundo? Mas seu pai não quis saber de nenhum argumento, exigiu-lhe que largasse o violão e fizesse o curso de Direito; depois disso até poderia rever o caso. Filho criado debaixo da saia da mãe e de pais controladores, H guardou o violão e começou a fazer o curso de Direito, ao fim do qual se matou. 

O que é Deus? Quem é Deus? O que Deus faz? Como Ele faz? Como Ele surgiu? Terá fim? Todas as religiões dão a entender que Deus é a harmonia do Universo, um estado de consciência perfeito, pleno e absoluto, o Tao, o caminho ascendente e eterno a seguir, um processo evolutivo, a ampliação da consciência. Se assim considerarmos, a vida material significa, nesse processo, apenas um trecho ínfimo do caminho, porém extremamente desafiador. Contudo, sempre contamos com o que chamamos de intuição, uma inteligência diversa daquela desenvolvida pela ciência, pela academia. Trata-se de uma inteligência que transcende a matéria, e sua captação depende do estado de consciência.

A melhor maneira de desenvolvermos a intuição é por meio da meditação. Meditar é procurar ficar sozinho, acalmar-se, serenar a mente, até conseguir equilíbrio suficiente para começar a disciplinar o cipoal de pensamentos que nos acorre a todo instante, principalmente nos ansiosos, e atingir um estado de foco, de mergulho no agora. A oração é a melhor meditação que eu conheço, pois além do equilíbrio, nos põe em contato com o divino, com a intuição. Assim, quanto mais intuição nós desenvolvemos mais eternidade sentimos agora.

Aos 24 anos de idade, Ernest Hemingway era um promissor correspondente na Europa de um jornal canadense, Toronto Star Weekly, quando fez uma opção que o levaria a passar fome em Paris: queria ser escritor, mas para isso teria que deixar o jornalismo para se dedicar à literatura. E foi o que fez. Elizabeth Hadley Richardson, a primeira esposa do romancista, que viria a casar-se mais três vezes, tinha um pequeno rendimento no mercado financeiro, e foi desse rendimento que o casal, já com um filho, John Hadley Nicanor Hemingway, sobreviveu até o autor se tornar uma celebridade mundial, aos 27 anos, com o clássico O Sol Também se Levanta, publicado em 1926. Se Hemingway não tivesse seguido sua intuição, teríamos um jornalista medíocre no lugar de um escritor revolucionário, pois Hemingway revolucionou a literatura, criando um estilo literário sem rebuscamento, com as palavras funcionando como bisturi, uma amálgama de profundidade poética e a escrita com a objetividade do soco no queixo, desferido por um peso-pesado.

É que Hemingway estava aberto para a intuição. Aliás, os artistas são tão intuitivos quanto as mulheres. No caso deles, parecem ter antenas especiais, pelas quais recebem a luz da criatividade. Naquela época, o gênio de O Velho e o Mar estava em formação, ainda tinha a flexibilidade e a misteriosa indestrutibilidade das mulheres. As mulheres são como as rosas, delicadas, mas infinitamente fortes na sua beleza mais íntima, a pureza. Tudo o que Hemingway fez foi decodificar a intuição e tomar uma decisão, crucial, que iria mudar todo o seu destino, e o dos que ele amava e dos que o amavam.

Podemos chamar a intuição que Hemingway sentiu de oportunidade, que é aquele momento em que, se quisermos mudar nosso destino, precisamos segurar a oportunidade com unhas e dentes, sem importar-se que o futuro acene com a fome. Determinada a trilha a seguir, agora é oxigenar o talento, livrá-lo das garras que poderão sufoca-lo e desenvolvê-lo. Acontece muito de pais controladores sufocarem os filhos, determinando como eles devem viver e que curso fazer, pois desconhecem que ninguém, nunca, jamais, pode viver a vida alheia. Somente cada um de nós é que pode viver a própria vida, as próprias circunstâncias. O máximo que os pais podem fazer pelos filhos é amá-los; não devem, nunca, escravizá-los. Às vezes, os pais imaginam que controlando todos os passos dos filhos poderão evitar a tragédia; só que não. Cada qual constrói sua própria vida. Esse é o Tao, o Caminho, a evolução.

A intuição atua o tempo todo na nossa vida material; é a nossa consciência. E se não a vemos, mas apenas a sentimos, significa que é nosso pé no mundo espiritual, onde as coisas, os acontecimentos, as descobertas, as invenções, as obras de arte geniais, onde tudo o que acontece na Terra, é projetado, pois, na verdade, somos seres mentais. A matéria é apenas sombra da mente, reflexo da mente, a oportunidade de evoluir mais rapidamente, de ampliar nossa mente e descobrir novas dimensões, muito além do mundo material, que é tosco, muda a todo instante, e é finito.

Há as pessoas que estão em um estado de consciência ainda longe de alcançar a intuição, o que é normal na escala evolutiva, porém as que já conseguem ouvir a voz interior, sigam-na, pois a intuição vem sempre da Grande Harmonia. E é assim que o talento se revela, por meio da intuição. E se o veio do talento estiver numa região de acesso aparentemente impossível, não se intimide, siga adiante, pelo simples fato de que aquela trilha é a única que o levará ao degrau seguinte na espiral do Caminho.

Nada desestimula a determinação; nada a intimida. Nem fome, nem dívidas, nem doenças, sofrimento algum a intimida, nem a morte. Talento requer determinação apostolar para desenvolvê-lo. Ouça a sua intuição e desenvolva seu talento. Jamais se impressione com as coisas da matéria, que é tosca, muda a todo instante, e é finita. A verdade só pode ser vista com os olhos do coração. Uma mulher muito linda envelhecerá, assim como as rosas vermelhas, mas a vibração da beleza das mulheres lindíssimas e das rosas colombianas é para sempre.

A intuição é a voz de Deus, ou do Universo, ou do amor, e o talento é a capacidade que cada um de nós possui para realizar determinadas tarefas, como Van Gogh deteve a luz nas suas pinceladas e Mozart escreveu as partituras do som da Terra girando na galáxia. E quando o talento é realmente utilizado, há curas, o azul sangra de tão azul, o riso das crianças sobrepõe-se à música de Mozart, as rosas se desnudam e a luz triunfa. 


Biliografia


DUKAN, Pierre. A escada Nutricional: Uma alternativa ao método Dukan clássico. Rio de Janeiro: BestSeller, 2015.

GERBER, Richard. Medicina vibracional: Uma medicina para o futuro. São Paulo: Cultrix, 2007.

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos – 23ª Edição. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1984.

MACIOCIA, Giovanni. Os fundamentos da Medicina Chinesa. São Paulo: Roca, 2007.

MIYAURA, Junji. Os 5 corpos do ser humano. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 2016.

PINHEIRO, Robson: pelo espírito de Joseph Gleber. Medicina da alma – 2ª Edição. São Paulo: Casa dos Espíritos, 2007.

TANIGUCHI, Masaharu. A verdade da vida – 1º Volume. 8ª Edição. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 1992.


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