quinta-feira, 30 de maio de 2019

Terapeuta integrativo assume relatoria da regulamentação da profissão de acupunturista


BRASÍLIA, 30 DE MAIO DE 2019 – Os acupunturistas obtiveram uma vitória na luta pela regulamentação da profissão, dia 20, com a substituição do relator do Projeto de Lei 1.549/2003, do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O ex-relator do projeto que regulamenta a profissão de acupunturista, deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), é médico e entende que somente médicos devem praticar a Acupuntura. Hiran foi substituído por Giovani Cherini (PR/RS), tecnólogo em cooperativismo e terapeuta integrativo.

Durante a reinstalação da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e da Felicidade, a Frente Holística, dia 29, Giovani Cherini, que preside a frente e é autor do Projeto de Lei 2.821/2019, que dispõe sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e altera a Lei 8.080/1990, para incluir as Práticas Integrativas e Complementares no campo de atuação do SUS, declarou que sua missão na Câmara é obter a regulamentação das práticas integrativas e complementares, entre as quais, a Acupuntura.

As práticas contempladas são: apiterapia; aromaterapia; arteterapia; ayurveda; biodança; bioenergética; constelação familiar; cromoterapia; dança circular; geoterapia; hipnoterapia; homeopatia; imposição de mãos; medicina antroposófica e antroposofia aplicada à saúde; acupuntura/medicina tradicional chinesa; meditação; musicoterapia; naturopatia; osteopatia; ozonioterapia; plantas medicinais e fitoterapia; quiropraxia; reflexologia; reiki e imposição de mãos; shantala; terapia comunitária integrativa; terapia de florais; termalismo social e crenoterapia; yoga; e outras que venham a ser instituídas pelo Ministério da Saúde.

Em 2008, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) criou o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), incluindo Acupuntura. Mas, em 5 de dezembro de 2014, o então presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Alves, publicou resolução retirando Acupuntura do CNCT.

A medida foi uma catástrofe para os cursos técnicos de Acupuntura, causando prejuízos financeiros e profissionais em todo o Brasil. Ao desqualificar os cursos técnicos de MTC, as secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal começaram a empurrar com a barriga a publicação no Diário Oficial dos nomes dos alunos matriculados em cursos técnicos de MTC antes de 5 de dezembro de 2014, à medida que iam se formando. Muitos tiveram que entrar na Justiça para obter o diploma, numa peleja que durou anos.

Apesar de o lobby dos médicos no Congresso Nacional ser um verdadeiro trator, eles não conseguiram o absurdo de reservarem para si todas as práticas na área de saúde, pois estavam dispostos a reter a autorização até de passe espírita. Embora a medicina alopática, ou ocidental, cuide de órgãos, regiões e tecidos do corpo, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a Medicina Tradicional Chinesa é uma ciência, com 5 mil anos, que se baseia no taoísmo; para alguém praticá-la é necessário que saiba pelo menos o que é Yin e Yang.

Outra coisa: a MTC trabalha diretamente em meridianos energéticos, que se encontram no corpo etéreo, um corpo sutil que a ciência não reconhece, e cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito, e a ciência não acredita na existência do espírito. Ambas as medicinas são importantes, mas cada macaco, ou terapeuta, no seu galho, ou quadrado.

sábado, 25 de maio de 2019

Receba livros autografados de RAY CUNHA


BRASÍLIA – Você pode solicitar até quatro títulos de livros de contos de RAY CUNHA e os receberá em casa, pelos Correios. Ao fazer a solicitação – pelo e-mail: raycunha@gmail.com –, você receberá a informação do valor do livro e a conta bancária onde deverá depositá-lo, e enviará o endereço para receber a encomenda. Os livros disponíveis são os seguintes:

NA BOCA DO JACARÉ-AÇU– A AMAZÔNIA COMO ELA É – Contos. Ler Editora, Brasília/DF, 153 páginas. Catorze histórias curtas, todas ambientadas em Santa Maria de Belém do Grão Pará, para quem o livro é dedicado, e no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, do tamanho de Portugal. Este livro é um mergulho na metrópole da Amazônia, e no Marajó.

TRÓPICO ÚMIDO – TRÊS CONTOS AMAZÔNICOS – Edição do autor, Brasília, 116 páginas. Histórias curtas ambientadas nas três maiores cidades da Amazônia: Manaus/AM, Belém/PA e Macapá/AP.

Inferno Verde – O milionário, culto e psicopata Cara de Catarro sequestra a filha do jornalista Isaías Oliveira, na ilha de Mosqueiro, município de Belém. O conto termina em um duelo na ilha de Marajó, no qual um dos dois morrerá. Ou os dois.

Latitude ZeroOs adolescentes Alexandre e Moacir Canto vivem o desbunde dos anos 1960, em Macapá/AP.

O Casulo Exposto – Contos. LGE Editora, Brasília, 153 páginas. O escritor Maurício Melo Júnior, que escreve a orelha do livro, chegou a sugerir ao autor que o título fosse Brasilienses, já que as histórias deste livro se passam em Brasília/DF. Diz a quarta-capa do volume: “O Casulo Exposto é um feixe de histórias curtas ambientadas nos meios políticos e nas ruas de Brasília. Tipos fracassados, depravação, assassinato, são as labaredas que lambem o ventre, exposto, do casulo, a crisálida dos exilados”.

A Caça – Conto. Editora Cejup, Belém/PA, 64 páginas. Na orelha deste volume diz o escritor Fernando Canto: “A Caça flui em linguagem direta, enxuta, que, aliás, é o estilo deste autor, inquieto e que manda às favas os adjetivos inúteis, preferindo a ação aos conceitos, com o objetivo de produzir uma narrativa rica e movimentada”. A quarta-capa: “A Caça é uma novela eletrizante. Um professor procura sua filha, sequestrada aos três anos de idade em Belém do Pará. O fio da meada está em Palmas, no estado do Tocantins, mas o mistério só se desfaz em Buenos Aires, Argentina”.

TAMBÉM VOCÊ PODE COMPRAR OS SEGUINTES TÍTULOS DE RAY CUNHA NO CLUBE DE AUTORES

De Tão Azul Sangra – Poemas eróticos. Edição do autor, Brasília.

A Casa Amarela – Romance. Edição do autor, Brasília. Líder estudantil é preso e morto logo no início da Ditadura dos Generais (1964-1985), em Macapá/AP.


Fogo no Coração – Romance. Edição do autor, Brasília. O delegado e acupunturista Ricardo Larroyed é escalado para investigar o assassinato em série de modelos de moda. O principal suspeito é um professor de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), o poeta Emanoel Vorcaro, que, no momento, vem atendendo a estonteante modelo ruiva Rosa Nolasco. Este romance, trabalho de conclusão de RAY CUNHA no curso de MTC da Escola Nacional de Acupuntura (Enac), mergulha no mundo da Medicina Chinesa, em Brasília/DF.

A Confraria Cabanagem – Romance. Edição do autor, Brasília/DF. Detetive é contratado pela misteriosa Confraria Cabanagem para impedir o assassinato de senador, candidato ao governo do Pará.


Hiena – Romance. Edição do autor, Brasília/DF. Detetive mutante é contratado para descobrir quem degolou um senador num grande hotel em Brasília/DF. Neste romance, Brasília surge em todo o seu esplendor. O penúltimo capítulo se passa ao som da voz da diva da Amazônia: Carmen Monarcha.

RAY CUNHA – Nascido em 7 de agosto de 1954, em Macapá/AP, RAY CUNHA costuma dizer que sua cidade natal é a mais fácil de ser localizada no mapa-múndi: a esquina da Linha Imaginária do Equador com o maior rio do Planeta, o Amazonas. Caboco amazônida-caribenho, Ray Cunha trabalhou amplamente como jornalista na Amazônia, o que legou seu conhecimento geográfico e científico da região, a qual vem recriando em romances e contos. Em Brasília/DF desde 1987, também na capital da República trabalhou amplamente na imprensa brasiliense, cobrindo a cidade e o Congresso Nacional, o que lhe deu substrato para recriar tanto a Praça dos Três Poderes, a Esplanada dos Ministérios e o Plano Piloto, quanto a Zona Metropolitana de Brasília, com suas cidades-satélites e o Entorno.

Amanhã, vamos para a rua, ver o que acontece



BRASÍLIA, 25 DE MAIO DE 2019 – Tomei um espresso curto na Kopenhagen e fui à Livraria Leitura; fiquei mais ou menos meia hora namorando e folheando alguns livros, especialmente os do Stieg Larsson; vi a hora no meu celular e me mandei, fui para a frente do Conjunto Nacional aguardar ônibus para o Sudoeste. Eram 17 horas. A tarde já estava bastante agradável. Posicionei-me e fiquei olhando o passa-passa. Havia um velhote ao saxofone, tocando Biquini de Bolinha Amarelinha, e, distante dele uns 20 metros, uma dupla de velhotes, um homem e uma mulher, ele, ao violão, cantando músicas da Jovem Guarda, mas eram tão ruins que estava difícil de dizer exatamente a gravação, contudo dava para perceber que eram canções da Jovem Guarda.

Um segurança afastou dois marreteiros do calçadão. Aí vi que o calçadão estava livre, sem o corredor polonês feito pelos ambulantes. Eles estavam concentrados na Rodoviária do Plano Piloto, pertinho do Conjunto Nacional. Falar em Rodoviária, aquilo está tomado pelos ambulantes; temos que ter cuidado por onde andamos, se não pisamos em algum produto posto à venda sobre um pano, no chão. Havia também na calçada dois daqueles sujeitos que passam o dia em pé, imóveis, representando algum herói de história em quadrinhos, e um tipo vendendo óculos, além de algumas pessoas perturbadas zanzando por ali, e muita mulher bonita passando, algumas, seminuas, belezas que só podemos ver no trópico.

Passou um cara com uma camiseta onde se lia “Lula livre”.

– Deve estar cheio de maconha ou de 51 – um sujeito, ao meu lado, murmurou.

“O aborto de ditador Lula Rousseff desviou pelo menos um trilhão de reais” – pensei, lembrando-me do assalto ao BNDES, à Petrobras, por meio do gigantesco cabide de empregos instalado nos três poderes e dos supersalários a pessoas que nem compareciam ao trabalho, por meio da Bolsa Família, da transposição do rio São Francisco, do Mensalão, da JBS, dos filhos da jararaca, todos agora miliardários, por meio de empréstimos bilionários a ditadores mundo afora, uma verdadeira lavanderia, por meio de tudo o que se pode imaginar e etc. etc. etc.

O plano era aparelhar tudo, incluindo a imprensa, e dar o golpe, não sem antes desarmar a população, desqualificar o ensino público e tentar corromper as Forças Armadas. Mas o jacaré abortado não contava com a vaca podre. Adivinhem que é a vaca podre! Bom, antes de receber uma bicuda no rabo, implodiu o PT e jogou a hiena velha na jaula. Depois, aconteceu uma coisa que os socializadores dos bens alheios jamais esperavam: os patriotas elegeram um capitão do Exército presidente da República.

“Amanhã, vamos para a rua, ver o que acontece” – pensei. “Pelo que tudo indica a queda de braço entre o governo Bolsonaro e patriotas contra os corruptos que ainda apitam no Brasil não vai chegar ao fim com o estado de coisas do jeito que está, ad infinitum! Não, isso só acabará ou com o império da depravação vencendo e a elite da corrupção voltando a todo pano, ou com os assassinos que ainda comandam o país agarrados e jogados na jaula, de modo que, se conseguirem sair da jaula, estarão tão deteriorados que não conseguirão nem mais mamar líquido, quando mais dinheiro! É aí, no fim desta queda de braço, que o diabo vai se soltar!”

O Sudoeste despontou. Peguei dinheiro trocado, paguei ao motorista, que também é trocador, e me mandei para casa.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Frente Holística da Câmara dos Deputados será reativada dia 29. Acupunturistas se mobilizam


BRASÍLIA, 21 DE MAIO DE 2019 – A Frente Parlamentar Mista em Defesa das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e da Felicidade, da Câmara Federal, conhecida como Frente Holística, será reativada dia 29, quarta-feira, às 11 horas, no Auditório Freitas Nobre, no subsolo do Anexo IV. Terapeutas da chamada medicina complementar estão se mobilizando para comparecer ao evento, numa demonstração de apoio ao presidente da frente parlamentar, deputado Giovani Cherini (PR/RS), autor do Projeto de Lei 2.821/2019, que dispõe sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e altera a Lei 8.080/1990, para incluir as Práticas Integrativas e Complementares no campo de atuação do SUS.

As práticas contempladas são: apiterapia; aromaterapia; arteterapia; ayurveda; biodança; bioenergética; constelação familiar; cromoterapia; dança circular; geoterapia; hipnoterapia; homeopatia; imposição de mãos; medicina antroposófica e antroposofia aplicada à saúde; acupuntura/medicina tradicional chinesa; meditação; musicoterapia; naturopatia; osteopatia; ozonioterapia; plantas medicinais e fitoterapia; quiropraxia; reflexologia; reiki e imposição de mãos; shantala; terapia comunitária integrativa; terapia de florais; termalismo social e crenoterapia; yoga; e outras que venham a ser instituídas pelo Ministério da Saúde.

ACUPUNTURA – A Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ou Acupuntura, como é conhecida no Brasil, atravessa um período de baixo astral. Em 2014, ainda na era petistas, o Conselho Nacional de Educação (CNE) tirou Acupuntura do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) do Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando o conselho era presidido por Luiz Roberto Alves. A medida foi uma catástrofe para os cursos técnicos de Acupuntura, causando prejuízos financeiros e profissionais em todo o Brasil.

Ao desqualificar os cursos técnicos de MTC, as secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal começaram a empurrar com a barriga a publicação no Diário Oficial dos nomes dos alunos matriculados em cursos técnicos de MTC antes de 5 de dezembro de 2014, à medida que iam se formando. Muitos tiveram que entrar na Justiça para obter o diploma, numa peleja que durou anos.

O mais barulhento de tudo foi o silêncio das grandes associações de acupunturistas Brasil afora, algumas das quais, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, bastante conhecidas, pelo menos no âmbito da Medicina Chinesa. Em Brasília, então, não existe sequer uma entidade, de fato, que reúna acupunturistas em torno de uma causa.

A regulamentação da profissão de acupunturista tramita na Câmara dos Deputados, mas nenhuma entidade de peso se faz presente, ali, cheirando as orelhas dos deputados, e grande parte dos acupunturistas nem sequer sabe o que está se passando de seu interesse no Congresso Nacional. Mas muito metem o pau nos médicos, que querem também ser acupunturistas, embora uma coisa seja uma coisa e outra coisa seja outra coisa. Os médicos são organizados, têm lobby, marcam presença etc.

De cara, o relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, do projeto do deputado Celso Russomanno, que regulamenta a profissão de acupunturista, deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), é médico, e é contra a profissão de acupunturista, embora já tenha sido desenhado para ele que Acupuntura nada tem a ver com medicina alopática, ou ocidental.

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito, e a ciência não acredita na existência do espírito.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Almas gêmeas



Mesmo que nos casemos em todas as religiões
E em todos os cartórios do mundo, e todos os dias
Serás sempre minha namorada
E continuarei te ofertando rosas vermelhas, colombianas

Até nas noites mais escuras, descobrirei, para ti, a lua cheia
E sempre que estivermos juntos, o cheiro do mar estará presente
Onde quer que estejamos
Porque serás sempre minha namorada

E nada, nada, pode nos tirar deste estado de consciência
Porque, amor da minha vida, porque é sempre agora
Como música de Mozart, o som da Terra no espaço

Assim, mergulhamos, de novo, na aventura, rumo às estrelas
Numa viagem como o cataclismo do primeiro beijo, que nunca termina
Movidos a combustível quântico, o amor, que, da luz, é o triunfo!

Sudoeste, Brasília/DF, 15, 18 e 20 de maio de 2019

domingo, 21 de abril de 2019

Transatlântico chamado Brasília

amazon.com.br
A vida começa para valer quando as ruas ficam floridas de estudantes, o trânsito, mais lento, e o ar, enfumaçado. Então Brasília rescende a café espresso, paletó e gravata, a shopping. Em casa, preparo meu café, Três Corações, arábica, gourmet, às 6 horas, embalado pela boa sensação de saber que todos estão seguros no silêncio da manhã e, quem sabe, sonhem com rosas. E também faz parte das minhas células a sensação de que no litoral a vida permanece fovista e cheira a maresia, como na frente de Macapá, à boca do rio Amazonas, na costa do Pará, e em Copacabana.
Sou viajante diário maravilhado, ora mergulhado na dimensão literária, ora curtindo a cidade com os sentidos da alma. As possibilidades são muitas. Caminhar é uma delas. Uma das caminhadas que mais me dá prazer é atravessar o Setor Comercial Sul a partir do shopping Venâncio 2.000, onde paro em um café, enquanto aprecio as mulheres que transitam em torno de mim, como vitrines oníricas de prazer, e atravesso o shopping Pátio Brasil, com suas incontáveis possibilidades nos corredores.
Clube de Autores
O cruzamento da Avenida W3 Sul, defronte ao Pátio Brasil, é como uma extensão do shopping. No outro lado, enfileiram-se as quadras do Setor Comercial Sul, enfeitadas do fluxo contínuo de lindas mulheres, o que só cessa à noite. Escolho, quase sempre, o mesmo caminho. Gosto de passar por determinada rua do Setor Comercial Sul, onde revejo personagens que saem da minha pena, ou do teclado do meu computador, e sigo.
É sempre prazeroso passar na frente do Conic, um complexo de edifícios, também conhecido como Setor de Diversões Sul. Ao projetar Brasília, Lúcio Costa a fez assim, setorizada, e somente agora esse artificialismo começou a se desfazer. O Conic, por exemplo, está mais para shopping de serviços do que de diversão. Atravesso o Conic respirando o ar novo da manhã, em meio a um mundo de mulheres que voam em todas as direções, voo misterioso, pois a beleza jamais é plenamente decifrada.
Chego ao Conjunto Nacional. As possibilidades do shopping são infinitas. Percorro as livrarias. Sinto o prazer de folhear os livros. Almoço no restaurante Viva Brasília!
A tarde chega como o pulsar da música de Mozart, trazendo perfume e tênue cheiro de maresia, embora estejamos tão longe do mar. Contudo, a dimensão da tarde, não importa aonde chegue a tarde, contém o mar. Assim, navego no rio da tarde a bordo do transatlântico chamado Brasília.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O homem que abriu o portal das estrelas



BRASÍLIA, 18 DE ABRIL – Descobri que meu negócio para o resto da vida era ser escritor na década de 1960, em um portal na casa da minha infância, na Rua Iracema Carvão Nunes, ao lado do Colégio Amapaense. O Quartinho era do meu irmão Paulo Cunha. Em 1960, eu tinha 6 anos e ele, 18. Para mim, ele era o cara mais bonito de Macapá. Pugilista, campeão de natação, líder estudantil no Grêmio Literário Ruy Barbosa, do Colégio Amapaense, poeta, e belo. O interessante é que o Quartinho era um portal que se abria para o Cosmos. Foi quando comecei a frequentá-lo que descobri que era possível viajar por todo o planeta e até nas galáxias. O Paulo já era leitor compulsivo e no Quartinho havia todo tipo de gibi, revistas mensais (as semanais ainda não existiam no Brasil) brasileiras e americanas, e livros, ensaios e ficção, brasileiros e estrangeiros. Jamais deixei essa nave; vivo nela. Graças ao Paulo, que aniversaria hoje.

Em 1972, aos 17 anos, saí pela primeira vez de Macapá. Fui a Belém. A Cidade das Mangueiras me fascinou. Naquela época, o Paulo estava morando em Belém, em um hotel no centro da cidade, onde ocupava um quarto de tamanho razoável. As paredes do quarto eram estantes do chão ao teto, com um tudo que se possa imaginar em termos de literatura. De novo embarquei numa viagem permanente.

Xarda Misturada foi meu batismo de fogo como escritor, como observou o poeta Isnard Brandão Lima Filho; o livro que publicamos, Joy Edson (José Edson dos Santos), José Montoril e eu, foi lançado em dezembro de 1971, com meus poemas de adolescente, minhas primeiras escavações nos veios do coração. Eu começara a escrever aos 13 anos, pequenas pepitas, pedrinhas, que eu ia lapidando por meio de árduo trabalho, às vezes escondido, porque não me rendia nenhum dinheiro, e aos olhos da sociedade macapaense parecia trabalho perdido, vadiagem, vagabundagem. Mas, para mim, até hoje, escrever é o combustível que me leva às galáxias.

Em 1975, em plena fase Na Estrada, que durou de 1972 até 1982, visitei o Paulo e família em Santarém, onde ele passara a morar em casa própria. Agora, a biblioteca dele ocupava toda uma sala. A sensação era sempre a mesma, quando, aos 12, 13 anos, descobri, nas estantes dele, Hemingway, Fitzgerald, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, Antoine de Saint-Exupéry, uma turma da pesada, a história da Humanidade e atlas que me levavam aonde quer que eu quisesse ir.

Um dia ele me salvou a vida. Entalei-me com babata doce e estava morrendo sufocado quando me deu um soco nas costas e um bolo saltou da minha boca na parede.

Lutando boxe, nadando, na companhia das gatas que ele namorava, escrevendo poemas, declamando-os, era sempre um modelo para mim. E jamais disse algo que me ferisse, e sei que sempre me protegeu, como fazem os irmãos mais velhos.

Convivemos durante todos os anos da década de 1960, quando cada qual tomou seu rumo. Ele vive hoje em Belém, com sua família – a esposa Sônia e os filhos Paulinho e Alice –, e conserva o mesmo charme, a leveza do pugilista que foi na juventude, e aquela marca nos olhos, de quem viaja pelas galáxias.

Quanto a mim, permaneço no comando da minha nave, em velocidades cada vez mais incalculáveis, movido pelo combustível que todas as pessoas que me amam despejaram no tanque do meu coração, combustível azul como o céu de julho, ao anoitecer, em Macapá. Tão azul como um salto quântico.