BRASÍLIA,
5 DE OUTUBRO DE 2019 – JAMBU (Brasília/DF, 190 páginas, 2019), o novo romance de Ray Cunha, já está à
venda no Clube de Autores e na Amazon.com. Durante o Festival Gastronômico do
Pará e Amapá, em Macapá, o jornalista João do Bailique traça um raio X da Amazônia,
para edição especial da revista Trópico
Úmido. Segue-se trecho do livro:
“O livro A Farsa
Ianomâmi, do coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, ex-comandante do
Segundo Batalhão Especial de Fronteira, em Roraima, e ex-secretário de
Segurança do antigo Território Federal de Roraima, procura provar que os
ianomâmis são tribos indígenas espalhadas ao longo da fronteira do Brasil com a
Venezuela, e não uma única tribo. O almirante Braz Dias de Aguiar, que morreu
em 17 de setembro de 1947, dedicou 30 anos à Amazônia, ajudando na demarcação
dos 10.948 quilômetros que a separam dos países vizinhos. Relatório de Braz de
Aguiar dão conta de que as tribos indígenas do Vale dos Rios Negro e Branco
pertencem às famílias aruaque e caribe. Segundo Menna Barreto, uma jornalista e
fotógrafa suíça, Claudia Andujar, mencionou, pela primeira vez, em 1973, o
grupo indígena por ela denominado “ianomâmi”, numa faixa na fronteira entre
Brasil e Venezuela. Ela não agiu por conta própria, mas sob a orientação da
Christian Church World Council, ou Conselho Mundial de Igrejas, sediada na
Suíça, e dirigida por um Conselho Coordenador formado por seis entidades
internacionais: Comitê International de la Defense de l´Amazon; Inter-American
Indian Institute; The International Ethnical Survival; The International
Cultural Survival; Workgroup for Indigenous Affairs; e The Berna-Geneve
Ethnical Institute. Consta, nas diretrizes da Christian Church World Council:
“É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus
habitantes aborígines, para o seu desfrute pelas grandes civilizações
europeias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico”.
“Claudia Andujar promoveu a criação da organização
não-governamental Comission for the Creation of the Yanomami Park, que, durante
15 anos, pressionou o governo brasileiro no sentido de criar uma área exclusiva
para aqueles índios, que, na época, totalizavam pouco mais de 11 mil
indivíduos. Em 1992, a organização foi vitoriosa. Fernando Collor de Mello, ex-presidente
defenestrado do Palácio do Planalto, foi quem homologou a reserva Ianomâmi, em
25 de maio de 1992. São 97 mil quilômetros quadrados para um punhado de índios,
além de ocupar faixa de fronteira, passando por cima da Constituição. A área
contém as maiores jazidas de nióbio do planeta. O nióbio é de alto valor
estratégico. Mais leve que o alumínio, adicionado ao aço é mais resistente do
que aço amalgamado com cromo-niquelado. Além do seu uso na indústria
aeroespacial, o nióbio é valioso na indústria bélica. A construção de
cosmonaves e satélites depende de nióbio, resistente ao frio cósmico e ao
impacto de pequenos meteoritos, além de ser um grande condutor de energia, em
celulares, computadores e turbinas de aviões; 98% do nióbio do mundo estão na Amazônia.
“Outro ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, preso em
2018 por corrupção, homologou outra reserva, imensa, em Roraima, a Raposa Serra
do Sol, onde só vivem índios aculturados.
“Ongs estrangeiras se amontoam na Amazônia, exatamente sobre
gigantescas jazidas de minérios, especialmente nióbio. A Raposa e Serra do Sol
mede 1.743.089 hectares para abrigar outro punhado de índios aculturados.
“João do Bailique olhou para a mesa dos jurados. Danielle
continuava lá, conversando com aquele chefe francês. Deu uma bocada numa
colherada de açaí com farinha de tapioca.
“A Raposa e Serra do Sol fica no nordeste do estado de
Roraima, abrangendo terras dos municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã,
entre os rios Tacutu, Maú, Surumu e Miang, e a tríplice fronteira com a
Venezuela e a Guiana. Nela, vivem cerca de 20 mil índios, ingaricós, macuxis,
patamonas, taurepangues, uapixanas e patamonas. A maior parte da reserva é de
cerrado; a porção montanhosa culmina com o monte Roraima, marco na tríplice
fronteira Brasil, Venezuela e Guiana; o Monte Caburaí, onde fica a nascente do
rio Ailã, ponto extremo do norte do país, também fica na reserva, demarcada no
governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e homologada pelo seu
sucessor, Luís Inácio Lula da Silva, em 2005. Nos anos de 1970, colonos
começaram a plantar arroz nas terras, chegando a produzir 160 mil toneladas de
grãos por ano, em uma área de 100 mil hectares, às margens do rio Surumu, na
borda sul da reserva. Em junho de 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF)
determinou a desocupação da reserva; em março de 2008, a Polícia Federal
iniciou a Operação Upatakon III. Houve resistência, sob o argumento de que a
área ocupada pelos arrozeiros correspondia a 1% do total da reserva, mas
responsável por 6% da economia do estado Roraima. Em abril de 2008, o governo
de Roraima entrou com representação no STF reivindicando a suspensão da ordem
de desocupação. O governo federal enviou tropas da Força de Segurança Nacional,
mas a representação foi acatada por unanimidade no Supremo e a Operação
Upatakon III foi suspensa. Em 20 de março de 2009, o Supremo confirmou a
homologação da Terra Indígena Raposa e Serra do Sol, determinando a retirada
dos não indígenas da região. Na época, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira,
então comandante Militar da Amazônia, perguntou: “Como um brasileiro não pode
entrar numa terra porque é uma terra indígena?”
“As reservas indígenas na Amazônia constituem uma
inacreditável província mineral, mas é nelas que cerca de 100 mil Ongs estrangeiras
deitam e rolam sobre esse tesouro brasileiro, segundo o general Durval Nery, do
Centro de Estudos Estratégicos do Exército, e que comandou durante vários anos
um Batalhão de Forças Especiais na Amazônia. Essas Ongs teriam a missão de
desestabilizar o governo brasileiro e provocar uma intervenção internacional na
Amazônia?”