terça-feira, 11 de dezembro de 2018

MÚSICA SUAVE



BRASÍLIA, 11 DEZEMBRO DE 2018 - Em agosto de 1994, lancei, em Brasília, o jornal mensal Intelligentsia, tiragem de 3 mil exemplares, que durou até fevereiro do ano seguinte – 7 edições, portanto. Era um tabloide de 16 páginas, parcialmente em cores, diagramado e ilustrado pelo pintor, artista gráfico e chargista André Cerino, e com fotografia de um dos mais talentosos fotógrafos de Brasília, o repórter e ensaísta Ivaldo Cavalcante. O jornal era inteiramente redigido por mim. O primeiro número causou polêmica nos meios em que circulou, devido a uma coletânea de poemas eróticos, que intitulei DE TÃO AZUL SANGRA, ilustrados por André Cerino, que carregou no grafite. O trabalho foi um escândalo.

Em junho passado, sonhei com Roberto Carlos. Ele estava todo de branco e na minha casa; no sonho, era uma casa enorme e arejada. Eu chegava e o encontrava lá, e alguém me dizia que Roberto queria falar comigo. No instante seguinte, como só nos sonhos acontece, ele e eu estávamos na biblioteca da casa, ampla, bem iluminada e aconchegante. Lembro que Roberto estava com uma lauda na mão e pediu autorização para trocar uma palavra de um poema meu, para ajustá-lo à melodia na qual ele estava trabalhando. “Sim, é claro, Roberto” – disse-lhe, e acordei.

Acordei com o livro DE TÃO AZUL SANGRA na cabeça e passei aquele dia, e os dias seguintes, pensando nisso. Então, reuni os poemas publicados no Intelligentsia, mais os poemas eróticos produzidos até julho passado, e publiquei DE TÃO AZUL na amazon.com.br e no Clube de Autores, e adquiri um exemplar para o caso de ter a oportunidade de entregá-lo ao Roberto. Se alguém puder me ajudar nisso, muito obrigado!

No início dos anos 70, Roberto Carlos já perfumava o mundo com a melodia da sua voz, a MÚSICA SUAVE que ecoa na alma dos amantes, eternamente. Em 1976, eu morava em Manaus, e trabalhava no jornal A NOTÍCIA, de Andrade Netto, pai da Natacha Fink de Andrade, uma das grandes chefs brasileiras, profunda conhecedora dos sabores da Amazônia, e dona do Espírito Santa, um dos restaurantes mais badalados do Rio de Janeiro, na Rua Almirante Alexandrino 264, bairro de Santa Teresa. Naquele ano, Roberto foi fazer um show em Manaus, e a produção do jornal conseguiu entrevista exclusiva com ele, no antigo Hotel Amazonas, centro da cidade, onde Roberto hospedara-se.

Na época, eu assinava a coluna mensal NO MUNDO DA ARTE, e era sempre eu que cobria matérias de cultura. O chefe de reportagem instruiu-me a perguntar ao Rei se ele usava, antes dos shows, meia de mulher como touca, para que sua cabeleira ficasse bem bacana. Esse assunto fora objeto de revista de fofoca. A pergunta era bizarra, mas satisfaria o suposto perfil dos leitores do jornal, que tendia ao sensacionalismo. Tudo bem! O problema era outro: o único gravador do jornal estava falhando, e isso foi meu terror, porque se chegasse à redação sem a entrevista só me restaria fazer o que fiz tempos depois; demiti-me e fui para A CRÍTICA, levado pelo senador Fábio Lucena, de quem fiquei amigo no Clube da Madrugada, sediado nos bares Caldeira e Nathalia, e que reunia jornalistas, artistas e apreciadores da enevoada Antarctica manauara.

Saí para fazer a entrevista, marcada para o fim daquela manhã. No hotel, fomos conduzidos, o fotógrafo e eu, ao corredor do apartamento do Rei, onde dois seguranças pediram para aguardamos ali. Roberto não nos recebeu no apartamento, mas no corredor, e me deu a entrevista ali mesmo.

O Rei é um sujeito carismático. Ele me deixou à vontade e eu me senti como se fosse velho amigo dele. Perguntei-lhe sobre o negócio da meia e ele me respondeu numa boa. Nem me lembro mais o que ele disse, pois eu estava de olho no gravador, preocupadíssimo com o funcionamento dele, vigiando para ver se o rolo de fita estava girando. Fazia perguntas ao Rei e voltava-me para o gravador, um velho gravador de tamanho médio. Eu costumava fazer entrevistas anotando rapidamente a resposta, mas a orientação que recebera era a de que eu teria que transcrever ipsis litteris as palavras de Roberto.

Mais tarde, na redação, ao degravar a entrevista, vi o quanto ela foi burocrática, a pior que fiz como jornalista, e logo com quem, o Rei Roberto Carlos. Mas tudo bem! O jornal publicou a matéria, ninguém reclamou, e ainda restou uma fotografia com o Rei, por insistência do fotógrafo, de quem não lembro mais quem era.

Fui cobrir também o show do Roberto, e, naquele clima dos grandes shows, senti, na alma, o perfume que exalam muitas das canções do grande artista, algumas delas compostas com Erasmo Carlos. Certas gravações de Roberto nos remetem, num salto quântico, à eternidade da juventude, quando transitar pelos labirintos de uma mulher é como montar a luz, tão azul que sangra.

Segue-se o que o contista, ensaísta, jornalista e compositor Fernando Canto escreveu como prefácio da coletânea de 1994.

VERSOS PROFANOS

Por FERNANDO CANTO

Nem fesceninos ao estilo bocageano, nem pornográfico à moda Boris Vian. Contudo, profanos são os novos versos do poeta Ray Cunha. Não no sentido antirreligioso – assim a poesia teria prosélitos fanáticos -, mas no sentido da irreverência, da violação, da transgressão do texto, em cuja tessitura surge o inopinado, que fragmenta, com certeza, a reação dos ouvidos suscetíveis.

Estes poemas, De tão azul sangra, evocam, invocam, enfocam a mulher, aliás, o sexo feminino; a afirmação do adolescente, o orgulho do adulto, ou, talvez, o fruto da observância do mundo mundano – experiência edipiana a penetrar em barreiras antes inacessíveis. Poemas que denotam a sensualidade e detonam-se em palavras lúbricas. Sutis, ás vezes, como em Bethania. Impolidas, como em Olhar para a mulher amadas – um rasgo narcisista, um produto da consciência machista e desembocadura para o gozo psicológico do autor.

A apologia de Ray Cunha à mulher é feita, então, sem disfarces. Despojada da roupa ela se torna provedora de sentidos, manancial e matéria-prima ao fabricante de versos. Está ali nua, nuinha na sua forma ímpar de ser apenas mulher, vênus perscrutada pela oportuna fresta que faz a felicidade de um voyeur; deusa mítica em seu mistério, desvendada pelo arguto e fulminante olhar e pelo sensível olfato do poeta.

Bem poderia chamar-se Essa Copacabana triste mulher o conjunto desta obra. O melhor poema da coletânea traz o melhor do autor, embora o contraste do “triste” trace o “ideal” do jovem solitário, qualquer jovem solitário nas praias deste Brasil afora. Essa irreverência trata da socialização do sexo no entendimento paradoxal de que todos possam ser burgueses em bacanais tropicais regadas a coquetéis afrodisíacos, num tempo hedonista que ficou há muito nos salões dos palacetes romanos. É forma compacta de abarcar o mundo. É válido. É poesia. Nela está o sol, o azul do mar no verão. Pois aí o azul que sangra não é o azul do céu. É o azul açoitado pela relação geográfica e íntima entre o sol e o mar. É o azul afetado pela natureza do gasoso (as nuvens) no espelho sangrado do mar. Mar que sangra, que se esvai, que beija a praia de Copacabana e salga o corpo nu da mulher desejada, da mulher que brilha com a clivagem dos grãos de areia e à noite vai para a cama gemer seu gozo e se sangrar de mar de Copacabana. Enorme, a cama de Copacabana.

Nostálgico e terrível é romper o laço em Um cheiro de madrugada. Neste poema Ray Cunha instiga um sentido amargo sobre o que se convenciona chamar de amor. É um trabalho sincero, diria, onde o conteúdo está exposto para o leitor atento; onde nada mais se precisa dizer, pois que a lembrança adquire a possibilidade de entrega a outros caminhos, nos quais existem outros remédios para os males da paixão. É simples, realista.

Ray Cunha ironiza a relação poética entre a morte e a poesia. Morrer na mesa de um bar é produto do inconsciente etilizado. Ser salvo, porém, é dormir com a princesa e metáfora-tônica de um anti-valor, concessão do sono ao acordar de sopetão de um pesadelo borgeano: sensação esquisita, estapafúrdia. Morte e poesia andando juntas, porque o trágico pode ser frenético, fétido e cômico – dura realidade! – exatamente na hora irônica do enforcamento.

Poemas como Sessenta e nove I e II trazem sobretudo o rústico, o rude, o seco mal lixado. São versos extraídos de uma realidade obstinadamente crua, ausentes de recursos semânticos mais elaborados, e duros como a pretensa e voraz virilidade do poeta. Nem por isso ele peca.

Se transgredir é a virtude do recurso, doces são as circunscrições c olocadas em Ah! Se tu fosses minha e nos dois poemas sem títulos que se entrepõem a ele. Chegam á trazer à tona a ingenuidade do poeta, que verdadeiramente ama sua musa de Parnaso, líricos como uma aquarela a Belle-Époque.

Não se pode deixar de enfocar o trato poético-erótico-libidinosos dos classificados de Acompanhantes. O autor ousa de várias maneiras. E coopta o leitor a acompanha-lo em aventuras sexomaníacas de pleno envolvimento. Comunicação, mídia impressa, espurcícia? Não. Mistura de elementos cuidadosamente colocados sob a arquitetura da realidade atual, ossatura forte dos arrabaldes das megalópoles. Assim é a estrutura desse poema. Real. Firme e transparente. Enfoque de uma sociedade periférica desprezada pela tradicional e hipócrita sociedade burguesa. É retrato da nova cultura urbana, nascida, infelizmente, ainda da miséria, da perda de status, de poder aquisitivo e que se torna antepasto para qualquer Sade pós-moderno, certamente. Instigante, claro e azul, o poema  indica água fervendo, páprica picante, poesia nova, e acima de tudo coragem de inovar pela forma e revolucionar pelo conteúdo da ideia.

Esta é a marca poética de Ray Cunha, que, sob o céu nas nuvens, descobre que o azul sangra como a vagina menstruada de uma nereida de qualquer gangue dos subúrbios brasileiros.

domingo, 25 de novembro de 2018

Tia Graça


Tu és o anjo das nossas vidas
Teu gesto mais simples preenche de amor a luz
Deixa prenhe de fé o mundo, quando a esperança quebrou-se como cristal fino
Quando não havia mais, no caminho, alento algum

Tu és perfume que se entranhou nas nossas vidas
Do grande rio que rasga a Amazônia, as nascentes
Música de Mozart, que flui serena, vibração divina
Sol na espiral dos nossos caminhos, para sempre

Josiane, a cafuza mais linda do mundo
Iasmim, a princesa mais amada
E eu, somos gratos por tudo

A poesia, oceano destes versos, é minha essência, minha alma, sou eu
Todo o meu tesouro, que te dedico, tia Graça
Eu, que sou também Josiane e Iasmim, sou tudo o que tenho

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Acupunturistas não se mostram interessados na regulamentação da categoria. Novo round terça


RAY CUNHA

BRASÍLIA, 14 DE NOVEMBRO DE 2018 – Por falta de quórum, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal não votou, ontem, o Projeto de Lei 1549/2003, que disciplina o exercício profissional da Acupuntura e determina outras providências, de autoria do deputado reeleito Celso Russomanno (PRB/SP). Ficou para esta terça-feira 20, às 14h30, no Anexo II, Plenário I.

O relator, deputado reeleito e médico Hiran Gonçalves (PP/RR), votará pela inconstitucionalidade e injuridicidade do PL. O pior é que não se vê nenhum movimento da categoria pela regulamentação da profissão. Parece que a classe aguarda um presente do Parlamento para poder se organizar, e não o contrário: conquistar a regulamentação porque está organizada.

Por enquanto, qualquer pessoa pode praticar Medicina Tradicional Chinesa, embora os médicos alopatas, ou da medicina ocidental, que, geralmente, se submetem a cursos de MTC de fim de semana, e não saibam distinguir Yin de Yang, reivindiquem para si o mercado.

A não regulamentação da categoria dos acupunturistas significa um retrocesso em relação ao planeta, pois em todo o mundo, especialmente nos países mais ricos, a profissão de acupunturistas é regulamentada. Mas em Brasília mesmo não existe nenhuma associação ou organização de terapeutas em Medicina Tradicional Chinesa batalhando, junto à CCJC, pelo disciplinamento da profissão, nem, tampouco, representantes de entidades de classe sediadas em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

Em audiência pública, este ano, foi mostrado a Hiran Gonçalves que a filosofia, as técnicas e a prática da medicina alopática, não têm nada a ver com Medicina Tradicional Chinesa, ou acupuntura, como é conhecida no Brasil. Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito (a ciência não acredite na existência do espírito), utilizando meridianos energéticos, existentes no duplo etéreo.

No Senado, o PL 174/2017, que regulamenta a profissão de terapeuta e de naturista, dorme na Comissão de Assuntos Sociais, na gaveta do relator, senador reeleito Randolfe Rodrigues (Rede/AP).

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

CCJC da Câmara votará a regulamentação da profissão de acupunturista nesta terça 13


RAY CUNHA

BRASÍLIA, 9 DE NOVEMBRO DE 2018 – Representantes de entidades de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e acupunturistas de todo o Brasil deverão lotar o Anexo II do Plenário I da Câmara Federal, nesta terça-feira 13, às 10 horas, quanto o Projeto de Lei 1549/2003, que disciplina o exercício profissional da Acupuntura e determina outras providências, de autoria do deputado reeleito Celso Russomanno (PRB/SP), será votado na Comissãode Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal. A matéria é vital para o futuro dos acupunturistas.

O relator, deputado reeleito e médico Hiran Gonçalves (PP/RR), votará pela inconstitucionalidade e injuridicidade do PL1549/2003 e dos PLs 2284/2003 e 2626/2003, apensados; das Emendas 1/2003, 2/2003, 1/2007, 2/2007 e 3/2007 apresentadas na Comissão de Seguridade Social e Família; do Substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família; e do Substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Hiran, que acha que somente médicos devem praticar a acupuntura, faltou nas duas últimas reuniões da CCJC e se faltar na do dia 13 será substituído.

Em audiência pública, foi mostrado para Hiran que a filosofia, as técnicas e a prática da medicina alopática, ou medicina ocidental, não têm nada a ver com Medicina Tradicional Chinesa, ou acupuntura, como é conhecida no Brasil. Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito (a ciência não acredite na existência do espírito), utilizando de meridianos energéticos existentes no duplo etérico.

A não regulamentação da categoria dos acupunturistas significa um retrocesso, pois em todo o mundo, especialmente nos países mais ricos do planeta, quem pratica acupuntura são acupunturistas; médicos também, quando se submetem a cursos de MTC, embora grande parte dos médicos que fazem cursos, geralmente de fim de semana, de MTC, não saiba distinguir Yin de Yang.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Acupunturistas ignoram regulamentação da própria profissão, em votação na CCJC


RAY CUNHA

BRASÍLIA, 7 DE NOVEMBRO DE 2018 – O Projeto de Lei 1549/2003, que trata da regulamentação dos profissionais da acupuntura, de autoria do deputado reeleito Celso Russomanno (PRB/SP), foi posto novamente em votação, hoje, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal, mas o relator, deputado reeleito e médico Hiran Gonçalves (PP/RR), que é contra o projeto, pois acha que somente médicos devem praticar a acupuntura, faltou de novo. Se faltar pela terceira vez, o relator será substituído.

O espantoso é que a classe dos acupunturistas não está nem aí para a matéria, que é vital para o futuro da categoria, com exceção de alguns gatos pingados presentes ao evento. Pelas redes sociais é possível ver que terapeutas em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) ignoram a regulamentação da própria prática profissional. Outro ponto que agrava a questão é que as organizações mais importantes dos acupunturistas estão sediadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e não mantêm agentes no Congresso Nacional. Em Brasília, não há nenhuma entidade atuante que represente os acupunturistas.

Nessas alturas, os médicos devem estar rindo da situação. Desconfiava-se que o parece de Hiran Gonçalves tinha o propósito de garantir reserva de mercado em acupuntura para os médicos, mas diante da visível desorganização e descaso da classe dos acupunturistas, não se pode mais imputar essa desconfiança ao deputado roraimense.

Em audiência pública, foi mostrado para Hiran que a filosofia, as técnicas e a prática da medicina alopática, ou medicina ocidental, não têm nada a ver com Medicina Tradicional Chinesa, ou acupuntura, como é conhecida no Brasil. Assim, o Brasil rema contra a maré, pois em todo o mundo, especialmente nos países mais ricos do planeta, quem pratica acupuntura são acupunturistas – médicos também, quando se submetem a cursos de MTC, mas grande parte dos médicos que fazem curso de fim de semana de MTC não sabe distinguir Yin de Yang.

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos, com medicamentos farmacêuticos e cirurgia, a acupuntura cuida do ser humano na sua integralidade: corpo, comportamento e espírito, embora a ciência não acredite na existência do espírito.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Secretaria de Educação do DF se recusa a emitir diploma da Escola Nacional de Acupuntura


RAY CUNHA


BRASÍLIA, 8 DE AGOSTO DE 2018 – A Secretaria e o Conselho de Educação do Distrito Federal estão se recusando a autorizar diploma de curso técnico de Medicina Tradicional Chinesa da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), de Brasília, apesar de a instituição ter cumprido todos os requisitos perante o órgão colegiado. Alunos que se formaram em 2016 e ainda não receberam o diploma deverão entrar na Justiça para receber a certificação.

A Secretaria de Educação vem fazendo corpo mole desde a desastrada Resolução número 1, de 5 de dezembro de 2014, assinada pelo então presidente  da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Luiz Roberto Alves, que retira o curso acupuntura da lista de cursos técnicos reconhecidos pelo Ministério da Educação.

Só que os alunos que começaram a fazer o curso da ENAc antes de dezembro de 2014 têm direito adquirido ao diploma técnico, até porque o Curso de Formação Profissional em Acupuntura da instituição tem duração de dois anos, com 2.080 horas/aula, diárias e presenciais, e 440 horas de estágio ambulatorial, num total de 2.520 horas/aula, em conformidade com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os alunos do curso técnico são obrigados a apresentar trabalho de conclusão de curso, encadernados e postos à disposição para pesquisa.

O pouco caso da Secretaria de Educação ocorre num momento em que a prática da acupuntura está prestes a ser regulamentada no Congresso Nacional, ou por meio do Projeto de Lei 1.549, de 2003, do deputado Celso Russomanno, que regulamenta a profissão de acupunturista e que já se encontra na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara, ou por meio do Projeto de Lei 174, de 2017, do Senado, que regulamenta a profissão de terapeuta naturista e se encontra na Comissão de Assuntos Sociais da casa.