domingo, 23 de julho de 2017

Olhar para a mulher amada

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,
Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.
Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,
E agora é navalha te lambendo.
Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,
Que, de tão azul, sangra.
Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar
Começo a imaginar meu falo na tua boca,
Esguichando morno suco, que bebes avidamente.
Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,
Como erupção de desejos.
Mas isso é só no olhar, porque vou tirar-te a vida com minhas mãos ensandecidas
E devolvê-la com mais fogo ainda.
Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.
Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,
À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.
Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,
Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.
Meu olhar é como uma boca.
Meu olhar estaciona no teu olhar.
Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.
Meus olhos sugam teus seios, avidamente, como bebê faminto.
Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.
Por enquanto ficarás presa apenas a meu olhar luxuriante.
Ordeno que te mexas, porque meu olhar é uma chicotada nas tuas ancas.
Enterras o rosto no colchão,
Examino tuas nádegas, assim, empinadas,
E penetro até onde vejo um tufo de pelos.
Lá, fica a porta que se abre para meu olhar latejante.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Receba em casa livros de contos de Ray Cunha

Ray Cunha no Marco Zero do Equador, em Macapá/AP, sua
cidade natal, em foto do escritor Fernando Canto (2010)

O romancista e contista Ray Cunha está autografando e enviando a pedido três livros de contos: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU, O CASULO EXPOSTO e TRÓPICO ÚMIDO. O pedido deve ser feito para: raycunha@gmail.com, quando deve ser informado o depósito de R$ 40,00 para envio dentro do território nacional e de R$ 60,00 para envio para o exterior. Os livros serão entregues pelos Correios no endereço indicado. O depósito será feito na seguinte conta: Banco Itaú – Agência 0198 – Conta Corrente 57503-7.

NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – NA BOCA DO JACARÉ, conto que dá título a este livro, é a história do mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto, ele representa a morte.

O CASULO EXPOSTO – Este livro contém dois dos melhores contos de Ray Cunha: INFERNO VERDE e A CAÇA. A Brasília que emerge das suas páginas é uma alegoria à ninfa de Lúcio Costa, golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de roubalheira, luxúria, depravação e morte nos subterrâneos de Brasília, onde chafurda uma fauna heterogênea: amazônidas que deixaram a Hileia para trás e tentam sobreviver na Ilha da Fantasia; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; políticos do tipo mais vagabundo, que não pensa duas vezes antes de passar a mão em merenda escolar; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres; tipos fracassados e duplamente fracassados, misturando-se numa zona de fronteira fracamente iluminada.

INFERNO VERDE conta a história do repórter Isaías Oliveira, num duelo com o sinistro traficante Cara de Catarro. A trama se passa em Belém, Brasília e na ilha de Marajó.

Em A CAÇA a filhinha de um professor é sequestrada em Belém do Pará. Ao investigar o sequestro disposto a encontrar sua filha, viva ou morta, o pai encontra o fio da meada na nascente Palmas, capital do estado do Tocantins, e descobre uma quadrilha internacional sediada nos Estados Unidos dedicada ao tráfico de crianças para escravidão sexual.

TRÓPICO ÚMIDO – Três contos longos, com pano de fundo em quatro cidades da Amazônia: Belém, capital do Pará; Macapá, capital do Amapá; Manaus, capital do Amazonas; e Rio Branco, capital do Acre.

INFERNO VERDE conta a história do repórter Isaías Oliveira, num duelo com o sinistro traficante Cara de Catarro. A trama se passa em Belém, Brasília e na ilha de Marajó.

LATITUDE ZERO se desenrola em Macapá, cidade situada no estuário do maior rio do planeta, o Amazonas, na confluência com a Linha Imaginária do Equador; um punhado de jovens começa a descobrir que a vida produz também ressaca.

A GRANDE FARRA narra as peripécias do jovem repórter e playboy Reinaldo. Candidato a escritor, ele gasta seu tempo trabalhando como repórter, bebendo e se envolvendo com inúmeras mulheres. A novela tem sua geografia em Manaus, encravada no meio da selva amazônica, e em Rio Branco, no extremo oeste brasileiro.

NESTA ENTREVISTA AO PROGRAMA TIRANDO DE LETRA DA UnBTV RAY CUNHA FALA SOBRE A AMAZÔNIA E SEU TRABALHO

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A CAÇA é publicada no Clube de Autores

Ray Cunha (Foto: Rodrigo Cabral)

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2017 - A CAÇA, de Ray Cunha, foi publicada, hoje, no Clube de Autores, maior site de edição e envio de livros da Ibero-América. A novela foi lançada pela Editora Cejup, de Belém do Pará, em 1996. Em 2008, voltou a ser publicada, desta vez na coletânea O CASULO EXPOSTO, pela LGE Editora, hoje, Libri Editorial, de Brasília. No volume da Editora Cejup, o sociólogo, ensaísta e contista Fernando Canto escreveu sobre o livro:

“A obstinação de um professor em busca da filha sequestrada por traficantes de crianças move, com muita velocidade, esta novela de Ray Cunha. A CAÇA flui em linguagem direta, enxuta, que, aliás, é o estilo deste autor inquieto e que manda às favas os adjetivos inúteis, preferindo a ação aos conceitos, com o objetivo de produzir uma narrativa rica e movimentada.

“Como toda boa história, A CAÇA carrega no seu bojo a condição maniqueísta de homens gastos pelas agruras do cotidiano, em que os mais diversos sentimentos tomam conta dos personagens e permite que se observe a condição humana a partir de gestos que exprimem a traição e o ciúme, a luta pelo poder e pelo dinheiro, além da clara tensão para ver resolvidos seus problemas e obsessões.

“Ray Cunha sustenta sua casa trabalhando como jornalista, e talvez por conhecer tão bem a redação de um jornal faz conduzir esta história a partir da construção de um personagem-narrador, também jornalista – Reinaldo –, que ressurge após protagonizar A GRANDE FARRA, primeira novela do autor.

“A CAÇA é uma história bem articulada e de uma ambientação e temática pouco explorada na literatura brasileira, talvez por ser atual e refletir os problemas que afligem as pobres sociedades latino-americanas. É um livro para ser bebido como um bom scotch, a fim de que o leitor possa saboreá-lo.”

domingo, 28 de maio de 2017

Fernando Canto autografa Mama Guga – Contos da Amazônia nesta terça 30 em Belém do Pará



Fernando Canto saído da
paleta de Olivar Cunha
BRASÍLIA, 28 DE MAIO DE 2017Maior acontecimento literário do Trópico Úmido, a XXI Feira Pan Amazônica do Livro foi aberta dia 26 pela diva paraense Carmen Monarcha. De 27 de maio e 4 de junho, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, esta edição homenageia o poeta e jornalista Mário Faustino, que influenciou escritores como Haroldo Maranhão, Benedito Nunes, Max Martins e Rui Barata.

Entre os escritores de primeiro time da Amazônia atlântica, Fernando Canto representa, mais uma vez, o Amapá, autografando Mama Guga – Contos da Amazônia, a partir das 17 horas desta terça-feira 30, no stand 129, da Editora Paka-Tatu. Contista, ensaísta, poeta, compositor e doutor em sociologia, Fernando Canto é um dos mais brilhantes e ativos ficcionistas da Amazônia caribenha. Na linha do realismo fantástico, as personagens do escritor transitam no dia a dia do Trópico Úmido.

sábado, 20 de maio de 2017

Meu amor!


Perfume da minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas
Mas não nos consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada
Nem o abismo, que a tudo cerca, pode nada
Pois tu e eu, como as rosas, somos eternos porque agora

Querida, nem lágrimas, nem o pavor do incompreensível
Nem as ilusões, o horror, os pesadelos
Têm o poder de abalar as rosas, na sua tênue existência
Simplesmente porque elas são indestrutíveis

Música da minha alma, nossa viagem no éter
A caminhada sem começo nem fim
Apenas começou nesta fogueira

A luz que alimenta o infinito
É a lei que a tudo governa
O fogo que vivifica, amor da minha vida