sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Romance FOGO NO CORAÇÃO é um mergulho no mundo da Medicina Tradicional Chinesa

Ray Cunha fotografado pelo artista plástico André Cerino em dezembro de 2013
Capa da edição da Amazom.com

Na primavera de 2013, orientado pelo ensaísta, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa, Ray Cunha começou o curso de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília. Três anos depois apresentou como trabalho de conclusão de curso o romance FOGO NO CORAÇÃO, sob a orientação do professor-acupunturista Ricardo Antunes.

A missão de FOGO NO CORAÇÃO é divulgar a Medicina Tradicional Chinesa, razão pela qual o autor optou por escrever um romance com foco no universo da MTC, de modo que a divulgação da acupuntura atinja a mesma medida do sucesso editorial deste romance. Neste contexto, FOGO NO CORAÇÃO aborda várias questões no âmbito da MTC, desde o estudo de caso de uma paciente de mioma a questões existenciais e transcendentais, como o misterioso Qi, numa abordagem ampla do que é esta filosofia, ciência e técnica.

Capa da edição do Clube de Autores
FOGO NO CORAÇÃO é como um iceberg. A parte submersa seria o universo da Medicina Tradicional Chinesa, alicerçando um thriller policial. O delegado de Repressão a Homicídios, Ricardo Larroyed, também acupunturista e professor no Instituto Holístico, investiga o suicídio e o assassinado de três modelos de moda, todas pacientes em acupuntura, sendo que duas delas foram atendidas no Instituto Holístico, onde trabalha o principal suspeito, o professor, mestre em artes marciais e poeta Emanoel Vorcaro, sócio de Ricardo Larroyed na Clínica de Terapias Holísticas, onde Emanoel Vorcaro começa a atender a estonteante modelo Rosa Nolasco.

Por trás da trama fluem várias questões do dia a dia de quem estuda, leciona ou trabalha no âmbito da MTC. Por isso, Ray Cunha adverte: “Todas as personagens desta novela são fictícias, assim como a ambientação foi inventada, com exceção do escritor, pesquisador, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa, que aparece no romance com um perfil biográfico ligeiramente modificado”.

Você pode comprar FOGO NO CORAÇÃO na Amazom.com.br e no Clube de Autores


RAY CUNHA é autor dos romances A CASA AMARELA, HIENA e ACONFRARIA CABANAGEM

E-mail do autor: raycunha@gmail.com

domingo, 6 de agosto de 2017

Agora


Sinto, agora, mais intenso ainda, perfume de jasmineiros
Chorando nas tórridas madrugadas de Macapá
Chanel 5, o mar, azul sangrando.
A eternidade se aproxima
Vertiginosa como a Terra girando
Profunda como o mistério de mulher nua
Como galgar o Pico da Neblina
Morar no Hilton Internacional Belém
Viver em Copacabana.
Agora compreendo, claramente,
Só há éter, energia, vibração, sintonia,
Nem matéria, nem tempo, existe
A vida é abismo interminável, e ascendente,
É como cair para cima
Cheiro de púbis de virgem ruiva, sabor de gozo,
Como se eu engravidasse de rosas vermelhas.
É permanente, agora, a sensação de autografar livros
De bater papo com Fernando Canto
Sobre telas de Olivar Cunha
Flutuando numa garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954,
Neste 7 de agosto, como em todos os anos

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O som do azul

Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?
Sim, nua!
Cheirando a púbis!
E mais bela do que isso?
Grávida!
Amamentando!
Mais belo
Só crianças rindo!
Luz se eternizando!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A vida começa aos oitenta

O poeta Heitor de Andrade é editado pela Siglaviva

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 26 DE JULHO DE 2017 – A noite não tardaria quando Heitor Andrade e eu nos sentamos no calçadão da Pizzaria Parrilla, na Quadra 103 do Sudoeste, segunda-feira 24. A temperatura estava agradável; acredito que fizesse 21 graus, semelhante à cabine dos jatos comerciais. Ele pediu chocolate e croissant e eu, café com leite e pão com manteiga. Heitor é um garoto de 80 anos; poeta baiano, primo de Glauber Rocha, com quem teve sua vida entrelaçada. Eu tenho praticamente 63 anos, mas sempre que nos encontramos, engatamos papo de horas, com o mesmo interesse de rapazinhos.

Fui vê-lo mais cedo, no prédio da Editora Thesaurus, no Setor Gráfico, a poucos minutos do Sudoeste, e onde o Heitor mora atualmente. Ele queria me falar do projeto no qual está empenhado: transformar um dos pavimentos do prédio da Thesaurus em centro cultural, com atividades de cinema, teatro, galeria de artes plásticas e café literário, local onde escritores de Brasília possam vender seus livros. E também queria que o examinasse.

Heitor é da estirpe de Pablo Picasso; sua energia pré-celestial, apesar de todos os excessos, ainda é exuberante. Fiz anamnese, observei-lhe a língua e os pulsos, e, basicamente, além de orientá-lo a beber dois litros de água por dia, limpei-lhe o meridiano dos pulmões e tonifiquei baço e rins. Depois, fomos caminhando à Parrilla.

Às 19 horas, começou a reunião de estudo da Seicho-No-Ie, no mesmo prédio da Panini; convidei o Heitor para participar da reunião e ele aceitou. Subimos. Íamos começar o estudo do primeiro volume da coleção A Verdade, de Masaharu Taniguchi. Heitor retirou-se mais cedo, pois a sessão de acupuntura começou a fazer efeito; como ele não estivesse dormindo bem, apliquei nele o ponto extra yintang, situado entre as sobrancelhas. Disse que estava começando a sentir sono, despediu-se e voltou para casa.

Natural de Salvador, o escritor é pioneiro na vida cultural e jornalística de Brasília, nos anos de 1960, os momentos heroicos da nova capital do Brasil. Agitador cultural, Heitor apresenta, na noite brasiliense, o Teatro do Imprevisto, criação sua. Nas apresentações, improvisa e dialoga com a plateia, sempre instigante. O cineasta Renato Cunha, editor de Heitor Andrade, trabalha num documentário longo sobre o poeta, com produção de Kim Andrade, primo e produtor de Glauber Rocha.

Segue texto sobre a edição comemorativa de CORPOS DE CONCRETO


A Siglaviva tem a honra de trazer para o leitor a edição comemorativa de 50 anos de Corpos de Concreto, editado em 1964, às portas do golpe militar, pela Imprensa Oficial da Bahia, órgão à época sob a direção do professor Germano Machado, que aqui nos brinda com uma apresentação especialíssima. Germano Machado, além da nobre atitude de apostar num poeta iniciante, foi o responsável por salvar 100 exemplares da edição, que acabaria sendo queimada lá mesmo, no pátio da Imprensa. E foi por isso — pelo ato corajoso de um homem que, naqueles idos, havia sido equivocadamente tachado de reacionário pelos meios de comunicação — que esta edição comemorativa se torna agora possível.

Homenageamos aqui, então, não somente Heitor, mas também Germano. Após décadas sem se ver, eles se reencontraram em janeiro deste ano em Salvador, mediados pela produtora cultural e atriz Tina Tude. O reencontro — Heitor com 76 anos e Germano com 87 — reacendeu a importância de Corpos de concreto para a literatura baiana e brasileira e rememorou a conjuntura política que o tornou o primeiro livro no país a entrar para o índex da ditadura militar.

Na verdade, Heitor sofreu em sua carreira literária por um motivo apenas: por se desvencilhar tanto da direita como da esquerda, optando por uma politização fora dos eixos delimitados. Heitor sempre foi do partido da poesia, da cosmopoética, totalmente libertário e sem dogmas. E, assim, acabou por prever — não sei se utilizando as cartas do tarô — a morte da ideologia no país, uma morte que hoje é ilustrada pelo próprio panorama político. Mas e a poesia? A poesia — vale dizer —, apesar de parecer o contrário, não morreu; nunca morrerá.

Deleitem-se, então, com ela, com a poesia inaugural de Heitor Humberto de Andrade — ou, simplesmente H2A, como ele prefere ser chamado —, poesia merecidamente festejada nestes 50 anos de sua primeira publicação.

Heitor Humberto de Andrade é poeta e jornalista. Jornalista pela fome, poeta pela sede. Publicou Corpos de Concreto (1964), Sigla Viva (1970), 3x1, a matemática do poema (1978) — que, além dos dois anteriores, traz o inédito Probabilidade do jogo —, Nas grades do tempo (1994), Minha moldura é o Universo (2012) e O cão selvagem (2013). Mentor intelectual e espiritual desta editora, comandou, no final dos anos 60 e início dos 70, juntamente com o artista plástico Sami Mattar, o movimento cultural Sigla Viva, que promoveu a integração da sensibilidade humana com a artística.