segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Suave é a noite

Estou só, na tarde. A tarde está sempre cheia de mistérios. Visto uma camisa branca de algodão, calças e blazer azuis de linho, e sapatos pretos de couro. Meu rosto está bem barbeado e recendo a La Nuit de L’home, e assim misturo-me aos murmúrios e cheiros da tarde. Fragrâncias do mar, vindas do meu coração, amalgamam-se ao perfume das virgens ruivas. A tarde é azul, tão azul que escorre numa tela de Olivar Cunha. Ouço sussurros, como o roçar dos lábios de uma mulher de olhos verdes, mas sei que são apenas sons da tarde.

Estou só, na tarde, pois minha amada viajou. Assim, navego no rio da tarde ao encontro da minha amante. Meus passos me levam a um café no Setor Hoteleiro Sul. Há tantas mulheres lindas no café! Duas conversam sentadas em um sofá. Uma é loira e seus olhos são azuis como a tarde; a outra é ruiva, e seus olhos se confundem com esmeraldas. Riem. Seus risos são cristalinos como crianças recém-lavadas, ao sol matinal da primavera. Conversam tão animadamente que seus lábios, grandes e vermelhos, parecem uma dança. Degusto o primeiro coquetel do dia. Preparo-me para quando minha amante chegar.

A tarde agoniza. Morre como uma rosa, que, depois de se tornar a joia mais delicada, bela e preciosa do mundo, deixa eterno rastro de luz. Assim desliza o rio da tarde. Logo a cidade será um transatlântico iluminado, com as criaturas mais esplendorosas do universo, que são as mulheres, espargindo seu perfume, como jasmineiros em tórridas noites em Belém do Pará.

Uma jovem mulher passa ao meu lado, quase roçando em mim. Volto-me para vê-la. É uma negra em vestido de seda, tal qual uma que vi na Estação das Docas, em Belém. Talvez fosse da Guiana Francesa, ou de Trinidad e Tobago, ou da Martinica. Falar em Martinica, se Hemingway estivesse aqui comigo eu o convidaria para pescar ao largo de Sucuriju, no Amapá. Bem que Fernando Canto poderia estar comigo nesta tarde, que morre. Mas o poeta tem suas próprias tardes, que são, certamente, emersas no perfume das virgens ruivas, e mar, pois o poeta decifrou a dimensão da intensidade e tem olho clínico para cheiro de maresia.

Não tenho nem Hemingway, nem Fernando Canto, nem a mulher amada. Só me resta esperar mais um pouco para cair no colo da minha amante.

Ela chega suavemente, e, quando a percebo, sua luz ofuscante entra nos meus sentidos e me conduz à dimensão do primeiro beijo. Nunca estamos preparados para a intensidade da amante, que é puro mistério, é amante de todos os homens, e, principalmente, de todas as mulheres. Ela é a noite.

domingo, 6 de outubro de 2019

Leia trecho de JAMBU, novo romance de RAY CUNHA. Por que tantos Ovnis e ETs foram avistados na costa do Pará? A Amazônia é nossa?

 
BRASÍLIA, 6 DE OUTUBRO DE 2019 – “Em questões de segundos João do Bailique repassou a pesquisa que fizera sobre a Operação Prato, realizada pelo I Comando Aéreo Regional (I Comar) da Força Aérea Brasileira, sediado em Belém; agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI); a inteligência do Quarto Distrito Naval da Marinha do Brasil; e o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa). Objetos voadores não identificados (Ovnis) começaram a aparecer nos municípios paraenses de Vigia, Colares e Santo Antônio do Tauá, na costa do estado. Houve uma histeria da população nesses municípios; afirmavam que os Ovnis lançavam raios luminosos nas vítimas, causando queimadura, perda de sangue, marcas de agulhas, paralisia, tremores e morte. Então, o povo começou a chamar os Ovnis de “chupa-chupa”. A operação foi realizada de outubro a dezembro de 1977, mas, na verdade, ainda investigaram os fenômenos durante o ano seguinte. Inicialmente, os ETs estiveram em franca atividade no município de Viseu, sul do Pará, na região do rio Gurupi, divisa com a Baixada Maranhense, mas o terror acabou se alastrando por todo o litoral do Pará, chegando até a Baia do Marajó, com Belém no meio. Os documentos oficiais foram parcialmente arquivados pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República no Arquivo Nacional, em Brasília.

“A coisa começou no Maranhão, na Ilha dos Caranguejos, localizada na baía de São Marcos, próxima a São Luís. Em 25 de abril de 1977, quatro homens se dirigiram, de barco, à ilha, para coletar madeira. Quando acabaram o trabalho a maré estava seca, de modo que precisariam aguardar a maré cheia até meia-noite. Por volta das 20 horas, agasalharam-se para dormir. Um deles, Apolinário, acordou somente às 5 horas, olhou para seus companheiros e viu que Auleriano e Firmino estavam reclamando de dores, com queimaduras de segundo grau, e José estava morto na rede. A polícia investigou e encerrou o caso sem entender o que acontecera. Mesmo sob hipnose regressiva, pelo doutor Sílvio Lago, os três sobreviventes jamais conseguiram lembrar o que aconteceu, mas um dos três disse que viu um fogo antes de desmaiar. O Instituto Médico Legal do Maranhão atestou que a morte de José foi por causa de hipertensão arterial e acidente vascular cerebral, devido a um grande choque emocional. A imprensa, tanto do Maranhão quando do Pará, já vinha noticiando o aparecimento de luzes muito fortes aparecendo para tripulantes e passageiros de embarcações, moradores da região, policiais e militares. Foram noticiadas também mortes de pessoas chupadas por uma luz. Às 18h45 de 18 de outubro de 1977, no município de Vigia, distante 99 quilômetros de Belém, uma revoada de Ovnis emitindo luz amarela cruzou o céu, em velocidade incomum, durante um apagão de energia elétrica. Entre 23 horas do dia 9 de dezembro e 2 horas do dia 10 de dezembro de 1997, numa localidade do rio Guajará, município de Ananindeua, que faz divisa com Belém, segundo depoimento do coronel Hollanda para o escritor e jornalista Bob Pratt, em 1981, foi registrada a presença de um disco voador amarelo âmbar e azulado, de 100 metros de comprimento, que, de repente, ficou parado uns três minutos. Suas luzes se apagaram e surgiu uma espécie de bola de futebol americano, gigantesca, a cerca de 70 metros de distância dos observadores. Em seguida, o objeto se deslocou para cima, sem o menor ruído; aproximadamente a 1.500 metros de altura ouviu-se um som de trovão, e o objeto disparou numa velocidade incrível, até sumir. A Operação Prato colheu depoimentos fantásticos. Em Belém, a imprensa registrou inúmeros relatos de pessoas afirmando que foram chupadas por uma luz.

“João do Bailique reservara, na edição de agosto da Trópico Úmido, na qual publicaria as fotos do festival gastronômico, as três páginas finais da revista para a Operação Prato. Mas agora, depois daquele papo com Danielle, colocaria também a visão dela, baseada no trabalho do professor Laércio Fonseca, sobre ETs e Ovnis.

“– Achei interessante o que disseste sobre o professor Laércio Fonseca. O que é mesmo que ele pensa sobre ETs e Ovnis?

“– O professor Laércio Fonseca se reúne com ETs. Os ETs são espíritos e outras raças que habitam o Universo, e Laércio Fonseca é médium, desses de sair do corpo e ir para o mundo astral. Os discos voadores são construídos com uma tecnologia que só agora começamos a estudar, e que chamam de quântica. Sempre estiveram entre nós; nós é que não podemos vê-los, já que vivem em um estado sutil da matéria, e não há ET do mal. Pelo contrário, são agentes que tentam minorar o sofrimento daqueles que estão mergulhados nas trevas, ou seja, na ignorância, com o objetivo de promover paz, amor, felicidade, progresso, compreensão, luz, influenciando a raça humana por meio de avatares e gênios no campo da ciência. A vida é um mistério, mas chegará o dia em que o mistério será esclarecido, que tudo faz sentido. Os espíritos, por meio dos médiuns, só dizem que tudo tem uma razão de ser, que os construtores do que Laércio Fonseca chama de Projeto Terra sabem o que fazem. Porém, quando nosso estado de consciência estiver devidamente ampliado, então será esclarecido o grande enigma que é a vida.

“João do Bailique raspou a segunda taça de sorvete e deu uma última lambida na colher.”

sábado, 5 de outubro de 2019

Os ianomâmis são uma farsa? Leia JAMBU, o romance que é um raio X da Amazônia


BRASÍLIA, 5 DE OUTUBRO DE 2019 – JAMBU (Brasília/DF, 190 páginas, 2019), o novo romance de Ray Cunha, já está à venda no Clube de Autores e na Amazon.com. Durante o Festival Gastronômico do Pará e Amapá, em Macapá, o jornalista João do Bailique traça um raio X da Amazônia, para edição especial da revista Trópico Úmido. Segue-se trecho do livro:

“O livro A Farsa Ianomâmi, do coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, ex-comandante do Segundo Batalhão Especial de Fronteira, em Roraima, e ex-secretário de Segurança do antigo Território Federal de Roraima, procura provar que os ianomâmis são tribos indígenas espalhadas ao longo da fronteira do Brasil com a Venezuela, e não uma única tribo. O almirante Braz Dias de Aguiar, que morreu em 17 de setembro de 1947, dedicou 30 anos à Amazônia, ajudando na demarcação dos 10.948 quilômetros que a separam dos países vizinhos. Relatório de Braz de Aguiar dão conta de que as tribos indígenas do Vale dos Rios Negro e Branco pertencem às famílias aruaque e caribe. Segundo Menna Barreto, uma jornalista e fotógrafa suíça, Claudia Andujar, mencionou, pela primeira vez, em 1973, o grupo indígena por ela denominado “ianomâmi”, numa faixa na fronteira entre Brasil e Venezuela. Ela não agiu por conta própria, mas sob a orientação da Christian Church World Council, ou Conselho Mundial de Igrejas, sediada na Suíça, e dirigida por um Conselho Coordenador formado por seis entidades internacionais: Comitê International de la Defense de l´Amazon; Inter-American Indian Institute; The International Ethnical Survival; The International Cultural Survival; Workgroup for Indigenous Affairs; e The Berna-Geneve Ethnical Institute. Consta, nas diretrizes da Christian Church World Council: “É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígines, para o seu desfrute pelas grandes civilizações europeias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico”.

“Claudia Andujar promoveu a criação da organização não-governamental Comission for the Creation of the Yanomami Park, que, durante 15 anos, pressionou o governo brasileiro no sentido de criar uma área exclusiva para aqueles índios, que, na época, totalizavam pouco mais de 11 mil indivíduos. Em 1992, a organização foi vitoriosa. Fernando Collor de Mello, ex-presidente defenestrado do Palácio do Planalto, foi quem homologou a reserva Ianomâmi, em 25 de maio de 1992. São 97 mil quilômetros quadrados para um punhado de índios, além de ocupar faixa de fronteira, passando por cima da Constituição. A área contém as maiores jazidas de nióbio do planeta. O nióbio é de alto valor estratégico. Mais leve que o alumínio, adicionado ao aço é mais resistente do que aço amalgamado com cromo-niquelado. Além do seu uso na indústria aeroespacial, o nióbio é valioso na indústria bélica. A construção de cosmonaves e satélites depende de nióbio, resistente ao frio cósmico e ao impacto de pequenos meteoritos, além de ser um grande condutor de energia, em celulares, computadores e turbinas de aviões; 98% do nióbio do mundo estão na Amazônia.

“Outro ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 2018 por corrupção, homologou outra reserva, imensa, em Roraima, a Raposa Serra do Sol, onde só vivem índios aculturados.

“Ongs estrangeiras se amontoam na Amazônia, exatamente sobre gigantescas jazidas de minérios, especialmente nióbio. A Raposa e Serra do Sol mede 1.743.089 hectares para abrigar outro punhado de índios aculturados.

“João do Bailique olhou para a mesa dos jurados. Danielle continuava lá, conversando com aquele chefe francês. Deu uma bocada numa colherada de açaí com farinha de tapioca.

“A Raposa e Serra do Sol fica no nordeste do estado de Roraima, abrangendo terras dos municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã, entre os rios Tacutu, Maú, Surumu e Miang, e a tríplice fronteira com a Venezuela e a Guiana. Nela, vivem cerca de 20 mil índios, ingaricós, macuxis, patamonas, taurepangues, uapixanas e patamonas. A maior parte da reserva é de cerrado; a porção montanhosa culmina com o monte Roraima, marco na tríplice fronteira Brasil, Venezuela e Guiana; o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo do norte do país, também fica na reserva, demarcada no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e homologada pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva, em 2005. Nos anos de 1970, colonos começaram a plantar arroz nas terras, chegando a produzir 160 mil toneladas de grãos por ano, em uma área de 100 mil hectares, às margens do rio Surumu, na borda sul da reserva. Em junho de 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a desocupação da reserva; em março de 2008, a Polícia Federal iniciou a Operação Upatakon III. Houve resistência, sob o argumento de que a área ocupada pelos arrozeiros correspondia a 1% do total da reserva, mas responsável por 6% da economia do estado Roraima. Em abril de 2008, o governo de Roraima entrou com representação no STF reivindicando a suspensão da ordem de desocupação. O governo federal enviou tropas da Força de Segurança Nacional, mas a representação foi acatada por unanimidade no Supremo e a Operação Upatakon III foi suspensa. Em 20 de março de 2009, o Supremo confirmou a homologação da Terra Indígena Raposa e Serra do Sol, determinando a retirada dos não indígenas da região. Na época, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, então comandante Militar da Amazônia, perguntou: “Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é uma terra indígena?”

“As reservas indígenas na Amazônia constituem uma inacreditável província mineral, mas é nelas que cerca de 100 mil Ongs estrangeiras deitam e rolam sobre esse tesouro brasileiro, segundo o general Durval Nery, do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, e que comandou durante vários anos um Batalhão de Forças Especiais na Amazônia. Essas Ongs teriam a missão de desestabilizar o governo brasileiro e provocar uma intervenção internacional na Amazônia?”

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A Amazônia é do Brasil ou é internacional? Por que os ETs gostam tanto de andar pela Hileia? Leia o novo romance de Ray Cunha: JAMBU


BRASÍLIA, 1 DE OUTUBRO DE 2019 – O que significa data-limite, mencionada por Chico Xavier? Quem são os ETs? O que querem na Terra? De ondem vêm? São seres materiais? Como fazem viagens intergalácticas? Por que os ETs se interessam tanto pela Amazônia? O que foi a Operação Prato? A Amazônia é mesmo do Brasil? Afinal, o que é a Amazônia? As respostas a essas perguntas estão em JAMBU (Clube de Autores, Brasília/DF, 190 páginas, 2019), novo romance de Ray Cunha, que se passa durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no Hotel Caranã, em Macapá, a cidade mais emblemática da Hileia.

Enquanto o Festival Gastronômico do Pará e Amapá revela ao mundo a cozinha mais saborosa do planeta, o oceanógrafo, arqueólogo, taxidermista e jornalista João do Bailique, editor da revista Trópico Úmido, e sua esposa, a chefe de cozinha e oceanógrafa Danielle Silvestre Castro, dona do Hotel Caranã, estão à caça do traficante de crianças e de grude de gurijuba Jules Adolphe Lunier. Neste romance, a Bacia Amazônia se espraia em vários planos, um dos quais o espiritual.

Personagens vivas, como o filósofo japonês Masaharu Taniguchi; o escritor, astrofísico e médium Laércio Fonseca; o escritor, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa; o pintor Olivar Cunha, se misturam a personagens de ficção nas ruas da cidade mais emblemática da Amazônia. Assim, a Fortaleza de São José de Macapá, maior ícone dos macapaenses, é a tradução perfeita da cidade que se debruça sobre o maior rio do mundo, o Amazonas, na confluência da Linha Imaginária do Equador.

Construída por escravos, negros e índios, sob o obsessivo domínio português, para resistir à marinha inglesa, embora só tenha sido atacada por malária, a Fortaleza de São José de Macapá foi o cadinho no qual se forjou a etnia macapaense. Os portugueses cruzaram com os africanos e geraram mulatos, e fornicaram com os índios, formando uma população de mamelucos; os africanos misturaram-se com os índios e legaram cafuzos; e mulatos, cafuzos e mamelucos misturaram-se, fechando o círculo, numa diversidade étnica viva nas ruas de Macapá, nas nuances de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela. 

RAYCUNHA nasceu em Macapá e trabalhou por mais de uma década como repórter na Amazônia, baseado em Belém, Manaus, Santarém e Rio Branco. Em Brasília, onde mora desde 1987, embora trabalhando na imprensa local, continuou escrevendo sobre a Amazônia.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Guiana Francesa, a última colônia europeia na Amazônia, onde os franceses fazem a festa

BRASÍLIA, 26 DE SETEMBRO DE 2019 – Após o histórico discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), terça-feira 24, esclarecendo que a Amazônia não está à venda e que o Brasil não é a casa da mãe Joana, o presidente da França, Emmanuel Macron, com aquele seu jeitinho de garoto perdido da mãe, citou a Amazônia como cavalo de uma “batalha essencial para reduzir a emissão de carbono”, ignorando solenemente que os europeus arrasaram suas florestas e que metade do território francês é usada para a agricultura, enquanto que o Brasil só utiliza para isso menos de 10% do seu território e que a maior parte da Hileia está conservada. Nos últimos dias Macron tem acusado os brasileiros de tocar fogo na floresta, insinuando que deveria haver uma intervenção dos países hegemônicos na região.

Bolsonaro afirmou que “é uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a Amazônia, a nossa floresta, é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa e com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa soberania”. Macron, que dispõe da bomba atômica e de colônia na Amazônia, a Guiana Francesa, pode até espernear e ameaçar, mas o rapaz é apenas linguarudo mesmo.

Sente-se, nas entrelinhas do que diz Macron, para a mídia que come nas mãos dos comunistas, a arrogância do colonizador. A França é um dos países que mais sofrimento infringiu, e continua infringindo, nas suas colônias, especialmente na África. Na América do Sul, sua colônia é cinicamente chamada de departamento ultramarino, mas é refém das políticas da União Europeia em um continente estranho à Europa.

A verdade é que a Guiana Francesa é governada pela França em regime colonialista linha-dura, obrigada a exportar 70% de seus recursos naturais – especialmente minérios – para a França e importar 90% de todos os bens de consumo da metrópole, segundo o secretário de relações internacionais da União dos Trabalhadores da Guiana Francesa, Jean-Michel Aupoint, que luta pela independência da Guiana Francesa. Rafael Pindard, do Movimento de Descolonização e Emancipação Social da Guiana Francesa, afirma que os guianenses não têm o direito de utilizar os recursos naturais e a terra sem pedir autorização ao governo francês.

A França mantém várias colônias mundo afora, mas a Guiana Francesa é estratégica, por três motivos: é lá que a França mantém uma das maiores bases de lançamento de foguetes da União Europeia; a França mantém na região um aparato militar capaz de rápida e eficiente intervenção na Amazônia; e tem acesso a recursos naturais inimagináveis, muito dos quais ainda intocados. O que os guianenses recebem em troca disso é quase nada.

A França governa a Guiana Francesa com mão de ferro, com total controle político e militar. Como parte dessa política, não interessa à França munir a colônia com infraestrutura, nem desenvolvimento; interessa manter uma população mantida em casa, com bastante enlatados para comer e euro para comprar cachaça. Esqueçam saúde e educação. Segundo Aupoint, o interior da colônia está abandonado. Mas ninguém é besta de sair falando por aí sobre a situação dos guianenses. A repressão francesa é famosa. Basta um rápido olhar sobre a Argélia, por exemplo. Assim, o estado francês desestimula qualquer movimento de independência da última colônia europeia na América do Sul.

A Guiana Francesa é colônia, ou casa da mãe Joana, há mais de 400 anos. Ocupada originalmente por índios aruaques, a região já foi explorada por ingleses, holandeses, espanhóis e portugueses, até ser reivindicada para a França por Daniel de La Touche, o mesmo que fundou São Luís do Maranhão. De 1852 até 1938, foi um dos presídios mais degradantes do mundo; os franceses enviaram para lá, para morrer, cerca de 80 mil presos. Durante muito tempo, a França ambicionou o atual estado do Amapá, chegando, inclusive a invadir o território, então pertencente ao atual estado do Pará.

A maior parte da população é descendente de escravos e indígenas. A taxa de desemprego é de 22% e a expectativa de vida é de 58 anos. Cerca de 40% das crianças vivem abaixo da linha de pobreza. A violência também é explosiva. Uma rápida pesquisa em sites de instituições internacionais confirmam esses dados.

A ONU é cheia de falácias: “Todos os povos têm o direito inalienável à liberdade absoluta, ao exercício de sua soberania e à integridade de seu território nacional. Proclama-se solenemente a necessidade de pôr fim rápido e incondicional ao colonialismo em todas as suas formas e manifestações” – diz trecho da Carta de Concessão à Independência aos Países e Povos Coloniais da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1960.

Hoje, mais de 61 países ainda são colônias: 16 da França, 15 da Grã-Bretanha, 14 dos Estados Unidos, seis da Austrália, três da Nova Zelândia, três da Noruega, dois da Dinamarca e dois da Holanda. A China, por exemplo, tem outras tantas colônias. É mais negócio para muitas dessas colônias continuarem comendo nas mãos dos colonizadores, porque suas economias são fracas. Será esse o caso da Guiana Francesa?

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Bolsonaro e A Menina que Brincava com Fogo

BRASÍLIA, 19 DE SETEMBRO DE 2019 – Saí, sábado passado, para bater perna. Fui à Cultura do CasaPark, a grande livraria de Brasília. O resto, são tudo lojas médias, metade papelaria, e todas elas com sistema de som só com canções populares em inglês que não dá para aguentar nem meia hora: só gritos e gemidos. Namorei os livros de sempre, até poder comprar todos eles e ler até ficar com ressaca. Depois, peguei o metrô e fui para o centro da cidade, e atentei para uma coisa que já vinha percebendo há tempo: cada vez mais bancas de revistas são transformadas em lanchonetes.

Na banca da Rodoviária os jornalões apresentavam as mesmas manchetes desde novembro de 2018: contra Bolsonaro. O capitão não dá a mínima. Ele ganhou as eleições utilizando mídia pós-moderna. Hoje, quando os esquerdopatas publicam manchetes com o intuito de desestabilizar Bolsonaro, imediatamente milhões de eleitores se manifestam e mostram por A mais B que a grita dos jornalões não passa de viúvas dos cofres públicos carpindo.

Sempre que vou ao Conjunto Nacional, paro, antes, na banca da Rodoviária, para ler a manchete dos jornalões; eles estão cada vez mais magros. Acredito que os jovens de hoje não sabem nem o que é jornal impresso. Hoje, todo mundo é jornalista na internet. Jornalistas profissionais geralmente comem em balcões de negócios ou na mão dos políticos.

Assim como o jornalismo mudou, também a preferência dos leitores mudou, e não me refiro, aqui, à questão tecnológica. As novas gerações não querem saber dos clássicos. Preferem Dan Brown, ou Stieg Larsson. Quanto a mim, prefiro ouvir notícias no YouTube, e Stieg Larsson, precisamente A Menina que Brincava com Fogo, no sofá de casa, levantando-me, de vez em quando, para beber água, ou mordiscar alguma coisa.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

JAMBU, novo romance de Ray Cunha, é um raio X da Amazônia, e explica qual é a intenção dos extra-terrestres e seus ovnis que aparecem por lá

Ray Cunha nasceu em Macapá, "a cidade mais emblemática da Amazônia"

BRASÍLIA, 28 DE AGOSTO DE 2019 – O Grupo Fortaleza, maior grupo empresarial do Amapá e Pará, realiza, no seu grande hotel, o Caranã, localizado no bairro do Pacoval, em Macapá/AP, o Festival Gastronômico do Pará e Amapá, que será documentado na revista Trópico Úmido, numa edição especial sobre a "Questão Amazônica". A revista é editada pelo jornalista João do Bailique, que investiga o tráfico de crianças e mulheres.

Bailique resolveu também abarcar na edição especial da revista a Operação Prato, popularmente conhecida como Chupa-Chupa, que se deu na ilha de Colares, na costa do Pará. A Operação Prato, a maior aparição de Ovnis e de ETs registrada pela Aeronáutica, foi arquivada sem um diagnóstico, o qual João do Bailique arrisca na sua matéria. Ainda: no contexto dessa reportagem, Bailique aborda a profecia de Chico Xavier, a Data-Limite.

O romance tem muita ação, ambientada em uma pesquisa histórica que abarca toda a Amazônia, tudo contextualizado com a mais singular culinária do planeta. E responde a perguntas como: Qual é a grande tragédia dos amazônidas? Por que as potências estrangeiras são obcecadas pela Hileia? A Amazônia resistiria a uma hecatombe nuclear? O que os ETs da Operação Prato, ou popular Chupa-Chupa, queriam? O que é a data-limite profetizada por Chico Xavier? Os ibéricos já sabiam que o Brasil é destinado a ser o coração do planeta e pátria do Evangelho?

“Acredito que este livro precisa ser publicado imediatamente, porque elucida questões que estão explodindo por aí, razão pela qual ando atrás de editora que banque a publicação, ou de patrocínio” – disse Ray Cunha.

O autor nasceu em Macapá, banhada pelo maior rio do planeta, o Amazonas, e seccionada pela Linha Imaginária do Equador. Para ele, Macapá é a cidade mais emblemática da Amazônia, porque nas suas ruas transitam índios, descendentes de europeus, negros, mamelucos, mulatos e cafuzos, em nuanças de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela.