domingo, 20 de janeiro de 2019

Brasília sedia Seminário Internacional de Medicina Tradicional Chinesa. Inscrições abertas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 20 DE JANEIRO DE-2019 – A Ecole Européenne d'Acupuncture, de Paris, França, realiza em Brasília o primeiro Seminário Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, nos dias 12 e 13 de agosto, na Aliança Francesa, na Entrequadra 708/907 Sul, Lote A, e no dia 14 de agosto em unidade do Sesc/DF ainda a ser divulgada, com o tema: As Emoções na Medicina Tradicional Chinesa, um mergulho na cultura, na tradição e no pensamento chineses.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas a partir de R$ 700, no link: seminariointernacionalmtcdf.com. O valor inclui coquetel, coffe breack e certificado emitido pela Ecole Européenne d'Acupuncture. 

A palestrante é a escritora, sinóloga, pesquisadora, professora e tradutora Elisabeth Rochat de la Vallée, referência em medicina tradicional chinesa, fundadora e diretora da École Européenne d’Acupunture.

PROGRAMAÇÃO

12 de agosto – Abertura do seminário, no Auditório da Aliança Francesa, seguida de palestra, das 14 às 16 horas; coffee break, das 16 horas às 16h30; palestra, das 16h30h às 19h30; às 21 horas, coquetel e autógrafos de dois livros da professora Elisabeth Vallée, traduzidos para o português: Os Movimentos do Coração – Psicologia dos Chineses e 101 Conceitos-Chave da Medicina Chinesa.

13 de agosto – Palestra, no auditório da Aliança Francesa, das 9 hora às 11h30; almoço, das 11h30 às 13h30; palestra, das 13h30 às 16h30; coffee break, das 16h30 às 17 horas; palestra, das 17 horas às 19h30.

14 de agosto – Palestra para seminaristas e profissionais de todas as áreas da saúde, no Sesc/DF, das 14 às 17 horas; sessão de autógrafos, às 18 horas.

MAIS INFORMAÇÕES

Serão obtidas pelos telefones  Vânia Mota (Brasília): (61) 99501-4734
Débora Giovanella (Goiânia): (62) 99856-5506
E-mail: seminario.mtcdf@gmail.com

PALAVRAS DA PROFESSORA ELISABETH ROCHAT DE LA VALLÉE  Há mais de 40 anos comecei uma incrível jornada através das línguas e civilizações antigas, procurando penetrar na raiz da vida e na essência da existência. Muito cedo, fui atraído em particular para a tradição chinesa, cuja riqueza e beleza eu pude compreender graças aos meus guias e mentores: Claude Larre e Jean Schatz.

Desde então, tenho continuado a estudar os clássicos médicos, confucionistas e taoístas, tirando deles entendimentos essenciais e vitais que tento comunicar, por sua vez, o mais amplamente possível a todos aqueles que compartilham essa paixão.

Minha experiência com grupos de estudo em todo o mundo mostrou que quando uma exploração genuína de textos tradicionais chineses é constantemente enraizada na prática clínica e confrontada com a experiência pessoal, ela permite ao praticante desenvolver sua arte, revigorar seu pensamento e elevar sua visão e conduta. 

Por meio dessa pesquisa rigorosa sobre os movimentos do qi e em uma troca constantemente aberta de conhecimento e experiência, trabalhei implacavelmente para cultivar um relacionamento amoroso com o outro e ajudar as pessoas que conheci a melhorar sua experiência de vida. E sempre consegui manter a confiança na fonte sem esquecer de sorrir.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Lúcio Flávio Pinto, Márcio Souza, Stieg Larsson

Ray Cunha por ele mesmo. Brasília, 2018

BRASÍLIA, 7 DE JANEIRO DE 2019 – Saí, sábado passado, para bater perna, enquanto a diarista fazia faxina em casa. Dei um pulo no ParkShopping, onde me dirigi à Fnac, uma dessas livrarias que retém a gente durante horas. Eu já sabia que a Fnac, a empresa, faliu, mas a loja do ParkShopping continuou abrindo depois do anúncio da bancarrota do braço brasileiro da empresa francesa. Só que, sábado, encontrei a loja fechada. Um segurança me informou que eu poderia encontrar outra livraria no fim do corredor; ele se referia a uma dessas lojas que vendem tudo, inclusive best-sellers. Do ParkShopping, fui à Cultura do CasaPark, ali perto. Agora, a Cultura é a maior livraria de Brasília.

Dei uma girada hoje pelo centro da cidade, e atentei para uma coisa que já vinha vendo há tempo: cada vez mais bancas de revistas são transformadas em lanchonetes. Na semana passada, houve um descompasso entre o presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros. No dia seguinte, todos os jornalões deram isso como manchete, como se o governo do capitão houvesse acabado ali. Bolsonaro nem ligou. Ele ganhou as eleições manipulando mídia pós-moderna. Hoje, quando os esquerdopatas publicam manchetes com o intuito de desestabilizar Bolsonaro, imediatamente centenas de milhares de pessoas mostram por A mais B que a grita dos jornalões não passa de viúvas dos cofres públicos carpindo.

Sempre que vou ao Conjunto Nacional, paro, antes, na banca da Rodoviária, para ler a manchete dos jornalões; eles estão cada vez mais magros. Acredito que os jovens de hoje não sabem mais nem o que é jornal impresso. O lendário jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto capitulou em novembro passado. Publicava seu Jornal Pessoal há 31 anos. A publicação, impressa, quinzenal, não aceitava anúncios, muito menos matéria paga, e mantinha-se com venda em bancas em Belém. Lúcio reconheceu que sites são menos trabalhosos, mais baratos e que as publicações podem ser lidas imediatamente em todo o planeta. Ele só tem, agora, que contar com alguns colaboradores para manter o site.

Lúcio é um dos cérebros mais privilegiados da mídia brasileira, e tem caráter irrepreensível. Provavelmente, é o jornalista que mais conhece a Amazônia, e construiu sua trincheira em Belém, onde já enfrentou os mais perigosos bandidos paraenses, nos palácios e nos balcões de negócios que vicejam em Belém.

Tive o privilégio de trabalhar como jornalista na Cidade das Mangueiras e observar Lúcio Flávio Pinto na faina jornalística. Já faz algum tempo que não o vejo, mas lembro-me dele como uma pessoa simples, gentil, lúcida, e de coragem desconcertante. Ele já não é apenas um jornalista; tornou-se o mais importante cronista da questão amazônica.

Como Lúcio, há outras pessoas, na Amazônia, que se destacam. Lembrei-me do romancista Márcio Souza, de Manaus, que conheci em 1976. Naquele ano, eu assinava coluna semanal, No Mundo da Arte, em A Notícia, e tinha entrevistado Márcio Souza. Ele acabara de publicar o folhetim Galvez – Imperador do Acre, que começou a fazer sucesso nacional e depois internacional. Naquela época, eu me reunia, à noite, com alguns apreciadores da maravilhosa Antarctica enevoada servida no Bar Nathalia. Diziam que Márcio Souza encontrara os originais de Galvez na Europa, e que o publicara como sendo seu. “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal” – disse Tom Jobim. Na Amazônia, é proibido fazer sucesso, pois a celebridade terá vida curta; será perseguida e anulada.

Mas Márcio Souza sacou isso e se mandou. Viveu não sei quanto tempo no Rio, e quando a TV Globo pôs no ar a série Mad Maria, baseada em romance homônimo dele, de 1980, foi alçado à prateleira das celebridades. Em 1992, lançou um livro necessário a todos que se interessam pelo Trópico Úmido: Breve História da Amazônia.

O fato é que não se faz sucesso nacional na Amazônia. Todos os artistas amazônidas que fizeram, ou fazem, sucesso nacional, tiveram que sair de lá e morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo, que são as vitrines do Brasil, e têm tecnologia para fabricar celebridades.

Mas, assim como o jornalismo mudou, também a preferência dos leitores mudou, e não me refiro, aqui, à questão tecnológica. As novas gerações não querem saber de Ernest Hemingway, nem de Gabriel García Márques. Preferem Dan Brown, ou Stieg Larsson. Quanto a mim, prefiro ler Lúcio Flávio Pinto ao computador, e Stieg Larsson, precisamente A Menina que Brincava com Fogo, no sofá de casa, levantando-me, de vez em quando, para mordiscar alguma coisa, ou beber água.