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O Tesouro dos Jesuítas do Morro do Castelo não é apenas uma lenda |
RAY CUNHA
BRASÍLIA, 4 DE ABRIL DE 2025 – A IDENTIDADE CARIOCA (amazon.com.br e Clube de Autores, 233 páginas), deste autor, é um thriller histórico que se passa no Rio de Janeiro, conhecida como Cidade Maravilhosa. O bairro brasileiro mais famoso do mundo é Copacabana, onde se passa parte da ação do romance, e a joia do bairro é o Copacabana Palace, que terá novamente seus dias de glória assim que os cassinos foram reabertos. É neste ambiente que Reinaldo, repórter da revista Carioca, faz uma descoberta inacreditável: a mais famosa lenda urbana do Rio de Janeiro – o Tesouro dos Jesuítas do Morro do Castelo – existe de fato.
Copacabana, a Princesinha do Mar, o Coração da Zona Sul, significa, na língua quíchua, falada no Império Inca, “lugar luminoso”, “praia azul” ou “mirante do azul”, e “vista do lago” em aimará falado na Bolívia, onde há uma cidade homônima à margem do Lago Titicaca, fundada sobre antigo santuário inca, local de realização do culto à divindade Kopakawana, protetora do casamento e da fertilidade das mulheres.
Diz a lenda que depois da chegada dos espanhóis à Copacabana boliviana Nossa Senhora teria aparecido para o pescador Francisco Tito Yupanqui, que, em sua homenagem, esculpiu uma imagem da santa, que ficou conhecida como Nuestra Señora de Copacabana.
No século XVIII, comerciantes bolivianos e peruanos de prata construíram uma capela para abrigar uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Copacabana na então praia de Sacopenapã, do tupi “o barulho e o bater de asas dos socós”. O relato mais antigo da igrejinha refere-se a um documento de 1732, do bispo do Rio de Janeiro, dom Frei Antônio de Guadalupe, solicitando reparos no telhado, no alpendre e nas paredes do templo.
Em 1746, houve uma reforma completa e ampliação do prédio, graças a uma promessa do bispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Antônio de Nossa Senhora do Desterro Malheiro Reimão. Vindo de Angola para assumir a diocese do Rio de Janeiro, ao passar ao largo de Copacabana desabou uma tempestade. Foi quando dom Antônio avistou a silhueta da igrejinha no alto da colina onde é hoje o Forte de Copacabana e prometeu à Nossa Senhora de Copacabana, caso se salvasse da fúria das águas e do vento, que faria melhorias no prédio. Cumpriu a promessa.
Com 150 mil habitantes, Copacabana tem 101 quarteirões, 79 ruas, seis avenidas, sete travessas, quatro ladeiras, três favelas (Pavão-Pavãozinho, Cabritos e Ladeira dos Tabajaras), três estações de metrô (Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Cantagalo) e mais de 80 linhas de ônibus, numa área de 7,84 quilômetros quadrados. Limita-se com o Leme, Ipanema, Botafogo, Lagoa e Humaitá. No réveillon, atrai 3 milhões de pessoas na praia.
O grande ícone do bairro é o Belmond Copacabana Palace, na Avenida Atlântica, paralela à praia, e que, em 1919, foi alargada, obra planejada pelo engenheiro Paulo de Frontin. Inaugurado em 13 de agosto de 1923, com 239 apartamentos e suítes, o hotel foi construído pelos empresários Octávio Guinle e Francisco Castro Silva, entre 1919 e 1923, atendendo ao então presidente Epitácio Pessoa (1919-1922), que visava um grande hotel para ajudar a hospedar os visitantes aguardados para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, realizada na Esplanada do Castelo, em 1922.
Como se vê, o hotel foi inaugurado depois da exposição, evento marcado com a presença da famosa cantora e atriz francesa Mistinguett.
O Copacabana Palace saiu da prancheta de um francês, o arquiteto Joseph Gire, que se inspirou em dois hotéis da Riviera Francesa: o Negresco, em Nice, e o Carlton, em Cannes. Na obra, sob a responsabilidade do engenheiro César Melo e Cunha, foram utilizados mármore de Carrara e cristais da Boêmia, o que atrasou a obra, além das fundações, com 14 metros de profundidade.
O primeiro escândalo no hotel aconteceu em 23 de maio de 1928, quando o presidente Washington Luís (1926-1930), então com 58 anos, foi baleado pela marquesa italiana Elvira Vishi Maurich, 28 anos, amante do presidente. A versão oficial é de que Washington Luís foi acometido de uma crise de apendicite. Quatro dias depois, a marquesa foi encontrada morta. A polícia deu o caso por encerrado como suicídio.
Após a Segunda Guerra Mundial, o presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) cometeu a sandice de proibir o jogo no país, pressionado por sua esposa, Carmela Telles Leite Dutra, a carola Dona Santinha, de modo que o cassino do hotel funcionou até abril de 1946.
O Copacabana Palace é hoje
patrimônio histórico, tombado nas esferas federal, estadual e municipal.
Se há um hotel que dá charme para Copacabana, e, de quebra, para o Rio de Janeiro e o Brasil, Copacabana tem também seu escritor, o carioca da gema Luiz Alfredo Garcia-Roza. Professor universitário e psicanalista, Roza criou um dos mais fascinantes investigadores policiais da literatura brasileira: Espinosa. Estreou na ficção em 1996, aos 60 anos de idade, com o romance policial O Silêncio da Chuva, Prêmio Jabuti, em 1997. Os romances, curtos, de Roza, são ambientados em Copacabana, especialmente o Bairro Peixoto, onde mora o delegado Espinosa.
Disse Roza, certa vez, durante uma entrevista: “Espinosa surgiu absolutamente de repente. Não só o Espinosa, mas eu como autor policial surgi de repente. Sempre gostei de romance policial, sempre li, mas não tinha pensado seriamente em vir a ser um escritor de romance policial. Evidente que tinha feito fantasias, “puxa, como deve ser bacana ser escritor policial, o sujeito que é um escritor de romance policial é tudo na vida, ele pode sair na rua de peito aberto porque é o tal”.
Na virada dos 60 anos, eu disse: “Tá bom”. Saí da universidade e comecei a escrever um romance. Foi O Silêncio da Chuva. Escrevi sem mostrar para ninguém, sem nunca aprender a como escrever literatura – eu já tinha uns oito ou nove livros teóricos publicados. Mas uma coisa é publicar ensaios sobre psicanálise e filosofia, outra coisa é fazer ficção. O livro conceitual te abraça, te põe no colo. Tem os comentadores, enfim, qualquer descaminho que se cometa num livro conceitual há orientadores que te apoiam, te orientam.
Na ficção, não tem nada. É como estar nu, sozinho, no meio da rua. Não adianta pedir socorro porque ninguém vai te ouvir. É um estado de desamparo absoluto. Eu acho que o autor de ficção é o ser mais desamparado que existe. Porque ele se coloca deliberadamente na posição de Deus, ele vai criar. Ele cria o mundo que quer, o cenário, as pessoas, mata um, mata outro, desmata se quiser, conserta, ele faz o que bem entender. Não é só Deus, é um Deus brincalhão. Se você olhar para o lado, para o outro, para baixo, para cima, você não vê mais ninguém. Ou você é Deus e está ali sozinho, ou então não é. Essa é a consciência que o escritor de ficção tem que ter”.
Em outra entrevista, disse Roza: “Eu procurei não fazer do Espinosa nenhum clone de nenhuma figura de algum romance policial clássico. Ele não é parecido com o Sam Spade, do Dashiel Hammett, nem é parecido com o Philip Marlowe, do Raymond Chandler, nem do Nero Wolf, do Rex Stout, enfim, eu procurei não clonar esses personagens. Eu tentei fazer do inspetor Espinosa um personagem bastante brasileiro, e bastante carioca. Ele tem uma certa preguiça, ele não tem este sufoco do paulistano, por exemplo. Ele tem características muito próprias.
“Estas características que você
listou podem ser semelhantes às características dos detetives clássicos. Mas
veja bem: ele não é um super-herói que dá socos, ele não dá tiros. Ele não se
impõe pela força física, ele nem é um grande atirador nem exímio perito em
vinhos ou rosas como os detetives ingleses. Não é um gênio como o Nero Wolf,
nem é aquela máquina institucional do Sam Spade. Ele é um investigador, que
procura fazer da melhor maneira possível seu trabalho, e, de preferência, evitando
socos e tiros. Ele é quase um anti-herói. Ao contrário da maior parte dos
detetives americanos, que são chegados à uma certa truculência”.
O delegado Espinosa, carioca de meia idade, magro, de fala mansa, é o mais famoso detetive da literatura policial brasileira. Nasceu em 1996, no romance O Silêncio da Chuva. Um filósofo do crime. Vive só, mas é atraído por mulheres bem resolvidas, de personalidade forte e atraentes. Viciado em café, levemente adocicado, seus hábitos alimentares são pouco elogiáveis. Não se interessa pela cozinha do seu apartamento e vive longe do fogão. Prefere comida processada e o micro-ondas. Incorruptível. Mas não alimenta ilusões quanto à conduta ética da polícia.
1567. O governador geral do Brasil, Mem de Sá, decide mudar o núcleo da cidade para o Morro do Castelo, onde foram construídos uma fortaleza, a Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro – para onde foram trasladados os restos mortais de Estácio de Sá, em 1583 – e o Colégio dos Jesuítas, além de outras edificações. Os jesuítas possuíam também fazendas e propriedades em Santa Cruz e em São Cristóvão.
Em 1759, passados 192 anos da instalação dos jesuítas no Morro do Castelo, o marquês de Pombal, primeiro-ministro português, expulsou os jesuítas do Brasil e expropriou suas terras, ocasião em que a Ordem teria escondido um tesouro nos subterrâneos do Morro do Castelo: 67 toneladas de ouro e uma imagem em tamanho natural de Santo Inácio de Loyola, também em ouro, com olhos de brilhantes e dentes de pérolas. Em 1905, o jornalista e escritor Lima Barreto escreveu uma série de artigos para o Correio da Manhã, os quais renderam o livro O Subterrâneo do Morro do Castelo, dando conta de “fabulosas riquezas” deixadas pelos jesuítas.
Segundo a revista Exame, o Brasil ocupa a quadragésima primeira posição no ranking de lastro de ouro, com 67,2 toneladas, 0,8% das reservas do país. Onde é guardado esse ouro? No subsolo do Banco Central, em Brasília/DF? Conforme a BBC News Brasil, 171,3 mil toneladas de ouro caberiam em uma sala quadrada com paredes de 20,7 metros de comprimento por 9,8 metros de altura, ou seja, o Tesouro dos Jesuítas ocuparia uma sala com cada uma das quatro paredes, chão e teto medindo cerca de sete metros.
É muita coisa para ser retirada do Morro do Castelo em uma época na qual ainda não se dispunha da tecnologia de hoje. Mas e se o tesouro não for 67 toneladas de ouro e uma imagem em tamanho natural de Santo Inácio de Loyola, também em ouro, com olhos de brilhantes e dentes de pérolas?
A reforma urbana do Rio, inspirada no que o barão Georges-Eugène Haussmann fez no Século XIX em Paris, começou com o prefeito Pereira Passos, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves (1902-1906). Em 1905, foi aberta uma das principais vias urbanas do país, a Avenida Central, atual Rio Branco, no limite do Morro do Castelo com a Cinelândia. Foi durante as obras de abertura da Avenida Central que se descobriu uma galeria que ia para as entranhas do morro, onde os jesuítas teriam guardado o mitológico tesouro ao serem expulsos pelo marquês de Pombal.
De 1921 a 1922, o Morro do Castelo, com 63 metros de altura e 184 mil metros quadrados de área, somando 4,6 milhões de metros cúbicos de terra, veio abaixo a peso de dinamite, pás mecânicas, escavadeiras e bombas hidráulicas de jatos de alta pressão. O entulho foi utilizado para construir o Aeroporto Santos Dumont e aterrar a Glória, parte da Lagoa Rodrigo de Freitas e o Jardim Botânico.
A obra, monumental, foi idealizada e comandada pelo prefeito Carlos Sampaio, 58 anos. Foi ele que também desmontou o Morro do Senado, ampliou o cais do porto e o aterro do Flamengo, abriu a Avenida Rio Branco e implementou a Light. Só há uma obra que ele quis fazer mas não conseguiu: um metrô ligando o Rio de Janeiro a Niterói por debaixo da Baía de Guanabara.
Porém rasgou estradas de ferro e pavimentadas, aterrou ilhas, reconfigurou bairros e avenidas, como a Portugal, que deu origem à Urca, e se envolveu com navegação e portos, levantando, ele mesmo, o financiamento, junto a investidores ingleses, canadenses e americanos, entre os quais o financista Percival Farquhar.
Debate-se, até hoje, a razão pela qual derrubaram o Morro do Castelo, que tinha 4 mil moradores e 408 casas, que foram todas desapropriadas. Pois foi pelo motor da História: o fator econômico. A ideia central era urbanizar a cidade para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, aberta em 7 de setembro de 1922, mas a demolição do morro proporcionou o segundo maior investimento na indústria imobiliária no país, depois da construção de Brasília. A abertura da Esplanada do Castelo permitiu que o Rio de Janeiro crescesse para os lados, saneando seus pântanos, e para cima, com arranha-céus.
Em 20 de janeiro de 1922, foi realizada, com início às 8 horas, a última missa na Igreja de São Sebastião do Morro do Castelo – que viria a ser demolida em novembro daquele ano –, com a presença do presidente da República, Epitácio Pessoa, e do prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Sampaio.
Seguiu-se uma procissão de transladação dos restos mortais do fundador e primeiro governador da cidade, Estácio de Sá, a imagem de São Sebastião, trazida de Portugal por Estácio de Sá, e o Marco da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, até um casarão que pertencia às Monjas do Ajuda, na Rua Conde de Bonfim 290, Tijuca, adquirido pela prefeitura para os capuchinhos se abrigarem, provisoriamente, até que ficasse pronto o novo Santuário Basílica Matriz de São Sebastião dos Capuchinhos do Rio de Janeiro, na Rua Haddock Lobo 266, onde os jesuítas estavam instalados desde 1840.
A procissão chegou à Rua Conde de Bonfim às 12h30. Os capuchinhos permaneceram lá, com as relíquias removidas do Morro do Castelo, durante nove anos, de 20 de janeiro de 1922 a 15 de agosto de 1931. Às 7h30 daquele 15 de agosto, as relíquias foram transportadas em procissão e com honras militares do casarão na Rua Conde de Bonfim para o Santuário Basílica Matriz de São Sebastião dos Capuchinhos do Rio de Janeiro. Quanto ao casarão da Conde de Bonfim, abrigou uma agência dos Correios e Telégrafos, até 1976, quando foi demolido para a construção do metrô.
O Santuário Basílica Matriz de São Sebastião dos Capuchinhos do Rio de Janeiro foi erguido entre 1928 e 1931, em estilo neobizantino e neorromânico, em mármores coloridos, mosaicos e vitrais. Entre 1941 e 1942, a fachada da igreja foi alterada pelo arquiteto italiano Ricardo Buffa, autor também do altar-mor.
Além dos restos mortais de Estácio de Sá e da imagem de São Sebastião, os capuchinhos guardam no templo objetos históricos e artísticos da igreja de São Sebastião do Morro do Castelo, como o marco de pedra da fundação da cidade, com o escudo português esculpido, e a lápide tumular do fundador da cidade, com o brasão de Estácio de Sá em alto-relevo e uma inscrição comemorativa que Salvador Correia de Sá, primo de Estácio e segundo governador do Rio, mandou fazer, em 1583: “Primeiro capitão e conquistador dessa terra e cidade”.
Assim, no Morro do Castelo, onde hoje é a Esplanada do Castelo, o coração do Rio de Janeiro, juntamente com a Avenida Rio Branco, dorme a maior lenda urbana da cidade: em uma galeria secreta nos subterrâneos do antigo Morro do Castelo os jesuítas esconderam um fabuloso tesouro, as tais 67 toneladas de ouro e uma imagem em tamanho natural de Santo Inácio de Loyola, toda de ouro, com olhos de brilhantes e dentes de pérolas.
Mas as galerias sob o antigo morro foram vasculhadas,
esmiuçadas, e nunca encontraram nem uma moeda de ouro. A Esplanada do Castelo é
delimitada pela Avenida Rio Branco, o Aeroporto Santos Dumont e a Praça 15 de
Novembro, área onde foram construídos os atuais Palácio Gustavo Capanema, que
sediou o Ministério da Educação e Cultura, as antigas sedes dos ministérios do
Trabalho e da Fazenda, o Museu Histórico Nacional, o Fórum, o Palácio
Tiradentes, a Escola Naval, a Igreja de Santa Luzia, a Biblioteca Nacional e a
Academia Brasileira de Letras.
Agora vem a parte fictícia de A IDENTIDADE CARIOCA: O quarto andar do prédio do Hotel Tropical era ocupado por conjuntos de salas comerciais, uma academia de esportes, um campus universitário e um templo da Seicho-No-Ie. O hotel propriamente dito ocupava uma torre de nove andares, com piscina e restaurante no primeiro andar. A redação da revista Carioca, no quarto piso, era composta da redação propriamente dita, a sala de Reinaldo e Orquídea, cozinha, três banheiros e área de serviço.
Reinaldo gostava de começar uma matéria pelo título, que, certamente, seria substituído após a conclusão do texto, mas servia como referência para o desenvolvimento da retranca. Podia acontecer, inclusive, de ele mudar radicalmente o título, porque a matéria teria mudado de rumo. Havia acabado de digitar:
O Tesouro do Morro do Castelo é real
Procurado incansavelmente, desde 21 de setembro de 1757, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, o Tesouro do Morro do Castelo virou a maior lenda urbana do Rio de Janeiro. Mas ele existe, mesmo. E está guardado em lugar à vista de todo mundo.
Quando Orquídea Sá Tamborindeguy entrou na sala, debruçou-se sobre o ombro de Reinaldo e leu o que ele acabara de escrever, ficou pasma.
– Existe? E onde está? – perguntou.
– Ainda não tenho certeza – ele respondeu. – Esse título é provisório.
– Meu Deus! Então ele existe, mesmo?
– Sim! Existe! – disse Reinaldo. – E como vai a produção da pauta? – perguntou.
– A todo pano – ela respondeu, ainda de olho no título. Depois olhou para a redação principal, separada da sala por paredes de vidro espelhado. Na redação trabalhavam, naquele momento, uma redatora, Bárbara, e um estagiário, Lucas. Havia dois repórteres em campo – Juca e Lenir.
A existência do Tesouro do Morro do Castelo seria, finalmente, revelada. Seria um furo e tanto. Inacreditável.
Orquídea continuava pasma.
– São 67 toneladas de ouro e uma imagem em tamanho natural de Santo Inácio de Loyola, também em ouro, com olhos de brilhantes e dentes de pérolas? – ela perguntou.
– Ainda não tenho certeza – ele respondeu, mergulhado no
castanho quase verde dos olhos dela.